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DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

 

TECNOLOGIA SOCIOEDUCATIVA PARA A PREVENÇÃO DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO: UM ESTUDO METODOLÓGICO*

 

Maria Verbene Costa Aguiar1, Maria de Nazaré de Souza Ribeiro2, Cleisiane Xavier Diniz3

 

1 Universidade do Estado do Amazonas, Escola Superior de Ciências da Saúde, Programa de pós-graduação em Enfermagem em Saúde Pública. Manaus, AM, Brasil. ORCID: 0009-0009-5167-6135. E-mail: mvca.mep23@uea.edu.br  

2 Universidade do Estado do Amazonas, Escola Superior de Ciências da Saúde, Programa de pós-graduação em Enfermagem em Saúde Pública. Manaus, AM, Brasil. ORCID: 0000-0002-7641-1004. E-mail: mnribeiro@uea.edu.br  

3 Universidade do Estado do Amazonas, Escola Superior de Ciências da Saúde, Programa de pós-graduação em Enfermagem em Saúde Pública. Manaus, AM, Brasil. ORCID: 0000-0003-4689-6204. E-mail: cxdiniz@gmail.com

 

RESUMO

Objetivo: Desenvolver e validar uma tecnologia socioeducativa, no formato de série audiovisual composta por cinco vídeos, voltada à prevenção do câncer de colo do útero em mulheres na faixa etária de 20 a 40 anos. Método: Estudo metodológico, de abordagem mista, conduzido em duas etapas: construção e validação de tecnologia audiovisual. A construção baseou-se em revisão de escopo conforme o Joanna Briggs Institute, com busca em bases nacionais, internacionais e literatura cinzenta. A validação técnico-científica foi realizada com 22 enfermeiros especialistas, por meio do Índice de Validade de Conteúdo (≥0,70), e a dimensão ilustrativa avaliada por cinco designers utilizando o Suitability Assessment of Materials. A análise incluiu estatística descritiva e análise temática das sugestões. Resultados: A revisão subsidiou cinco roteiros temáticos. O Índice de Conteúdo global foi de 0,96, indicando elevada concordância entre especialistas. A validação ilustrativa atingiu 96,9% de adequação, evidenciando qualidade técnico-científica e adequação sociocultural do material. Conclusão: A tecnologia apresentou validade de conteúdo e qualidade ilustrativa, com potencial para uso em ações educativas em saúde. Recomenda-se avaliação futura junto ao público-alvo.

 

Descritores: Neoplasias do Colo do Útero; Prevenção de Doenças; Educação em Saúde; Enfermagem Oncológica; Tecnologia Educacional.

 

Como citar: Aguiar MVC, Ribeiro MNS, Diniz CX. Socio-educational technology for cervical cancer prevention: a methodological study. Online Braz J Nurs. 2026;25(1):e20266953. http://doi.org/10.17665/1676-4285.20266953

 

O que já se sabe:

 

O que este artigo acrescenta:

 

INTRODUÇÃO

O câncer do colo do útero (CCU) é uma doença crônica originada a partir de alterações intraepiteliais que podem evoluir para um processo invasor. Acomete a porção fibromuscular localizada na parte inferior do útero, denominada colo uterino, a qual é constituída pela ectocérvice e pela endocérvice, unidas pela junção escamocolunar(1-2).

O CCU é causado pela infecção persistente por subtipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV), sendo esta a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e responsável por quase todos os casos da doença. A infecção cervical pode levar ao desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervical (NIC), uma lesão precursora que, em fases avançadas, pode evoluir para o câncer invasivo(3-4). A detecção dessas lesões é realizada, primordialmente, por meio do exame citopatológico do colo do útero — conhecido como Papanicolau —, considerado o padrão-ouro para o rastreamento do CCU, pois possibilita a identificação precoce e o tratamento oportuno das alterações celulares(3).

Estimativas internacionais recentes indicam que o CCU é o quarto tipo de câncer mais incidente entre mulheres no mundo; em 2022, registraram-se aproximadamente 661.000 novos casos e 348.000 óbitos por essa patologia. Tais dados destacam o impacto persistente da doença, especialmente em países de baixa e média renda(5-6). A incidência global anual é de aproximadamente 604 mil casos novos, o que corresponde a 6,5% de todos os tipos de câncer em mulheres, com um risco estimado de 13,3 casos por 100 mil mulheres(7). No Brasil, o número de casos novos foi de 17.010 no triênio 2023-2025, com maior prevalência nas regiões Norte e Nordeste(8).

Apesar da possibilidade de prevenção e diagnóstico precoce, observa-se que a utilização insuficiente do exame de Papanicolau, associada a barreiras como medo, vergonha, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e desinformação, contribui para o diagnóstico tardio e a manutenção de elevados índices de morbimortalidade(9-10).

Nesse contexto, a educação em saúde apresenta-se como uma estratégia voltada à ampliação do acesso à informação, ao estímulo ao autocuidado e ao fortalecimento da tomada de decisão das mulheres quanto às medidas preventivas. Tal estratégia é descrita como mais efetiva quando associada a tecnologias que favoreçam a transmissão da informação de forma clara e acessível(11-12).

O uso de tecnologias socioeducativas, como materiais audiovisuais, tem sido descrito como um recurso aplicável em diferentes contextos assistenciais. Esses materiais contribuem para a divulgação de informações, para o processo de ensino-aprendizagem e para o estímulo ao autocuidado, ao integrarem linguagem acessível, recursos visuais e narrativas que favorecem a compreensão dos conteúdos relacionados à prevenção do CCU(12-13).

A escolha da faixa etária de 20 a 40 anos fundamenta-se na necessidade de atingir mulheres em fase reprodutiva, período estratégico para ações educativas voltadas à prevenção antes da consolidação de agravos, embora o rastreamento seja recomendado a partir dos 25 anos de idade.

Embora existam avanços na prevenção desse câncer, observa-se uma insuficiência de evidências na literatura quanto ao desenvolvimento de tecnologias audiovisuais validadas especificamente para o contexto sociocultural brasileiro, sobretudo na região amazônica. Isso justifica a necessidade de estudos metodológicos voltados à construção e validação de recursos educativos acessíveis e culturalmente adequados.

Diante desse cenário, este estudo teve como objetivo desenvolver e validar uma tecnologia socioeducativa, no formato de série audiovisual composta por cinco vídeos, voltada à prevenção do câncer de colo do útero em mulheres na faixa etária de 20 a 40 anos.

 

MÉTODO

Definição do estudo

Trata-se de um estudo metodológico, de abordagem mista (quanti-qualitativa), voltado à produção e validação de uma tecnologia educacional em saúde de natureza audiovisual. O produto foi classificado como material didático de caráter socioeducativo, conforme as diretrizes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para Produtos Técnicos e Tecnológicos, sendo o estudo conduzido em duas etapas: desenvolvimento da tecnologia e validação do produto técnico-tecnológico(14).

Quanto ao nível de maturidade tecnológica, o produto desenvolvido encontra-se classificado no Nível de Prontidão Tecnológica 4 (Technology Readiness Level - TRL 4), caracterizado pela validação em ambiente controlado. Nesse estágio, a tecnologia apresenta consistência técnico-científica, tendo sido submetida à avaliação por especialistas quanto ao conteúdo e à dimensão ilustrativa, porém ainda não foi aplicada junto ao público-alvo(15-16).

A análise quantitativa incluiu estatística descritiva e cálculo dos índices de concordância, enquanto a abordagem qualitativa consistiu na análise das sugestões dos especialistas, categorizadas e incorporadas ao material conforme pertinência técnica e científica

O desenvolvimento da tecnologia socioeducativa foi conduzido com base em um ciclo metodológico de construção e validação de tecnologias educacionais em saúde(14).

A etapa de desenvolvimento incluiu uma revisão de escopo, orientada pelo Joanna Briggs Institute (JBI) e estruturada pela estratégia PCC (População, Conceito e Contexto), com o objetivo de subsidiar o conteúdo da tecnologia.

A partir das evidências identificadas, foram definidos os eixos temáticos, a organização pedagógica e elaborados os roteiros dos vídeos, considerando linguagem acessível e adequação sociocultural. Em seguida, procedeu-se à produção da tecnologia audiovisual, com uso de recursos de motion graphics para favorecer a comunicação e o engajamento do público. A etapa de validação foi realizada por especialistas, contemplando a avaliação do conteúdo técnico-científico e da dimensão ilustrativa, com incorporação das sugestões ao material.

 

Desenvolvimento da tecnologia socioeducativa

A etapa de desenvolvimento da tecnologia foi realizada em três fases: revisão de escopo e seleção do conteúdo para composição do roteiro; produção do roteiro dos vídeos; e produção dos vídeos socioeducativos.

Para a formulação da questão norteadora da pesquisa, utilizou-se a estrutura mnemônica PCC, conforme recomendado pelo JBI(17). Os elementos definidos foram: P - População: Mulheres de todas as idades e em diferentes regiões do mundo; C - Conceito: Evidências disponíveis na literatura científica sobre prevenção do câncer de colo de útero; C – Contexto: Câncer de colo de útero. Assim, a questão norteadora foi apresentada da seguinte forma: "Quais são as evidências encontradas na literatura sobre a prevenção do câncer de colo do útero em nível global?"

A abordagem global foi adotada para reunir evidências científicas abrangentes sobre a prevenção do câncer de colo do útero, permitindo a identificação de estratégias consolidadas e recomendações internacionais. Esses conteúdos foram posteriormente adaptados ao contexto sociocultural do público-alvo, assegurando sua aplicabilidade à realidade local.

Para a revisão de escopo, foi acessada a plataforma Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e selecionadas as seguintes bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Banco de Dados em Enfermagem (BDENF), Centro Nacional de Informação de Ciências Médicas de Cuba (CUMED) e a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Em relação à literatura cinza, foram considerados documentos obtidos por meio de buscas manuais em diversas fontes, como cadernos de saúde, recomendações e cartilhas, que abordam a prevenção do CCU, disponíveis em acervos virtuais de órgãos oficiais, como o Ministério da Saúde (MS), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e sociedades especializadas.

Os descritores utilizados na estratégia de busca foram selecionados a partir dos vocabulários controlados Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), garantindo padronização terminológica e abrangência internacional. Foram empregados termos equivalentes em português, inglês e espanhol, combinados por operadores booleanos (AND/OR), conforme as especificidades de cada base de dados. Para a busca bibliográfica, foram utilizados descritores controlados, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, estruturados em diferentes estratégias de busca.

A Estratégia de busca 1 foi definida como: (Prevenção OR Prevention OR Prevención) AND (Câncer de colo do útero OR Neoplasias do Colo do Útero OR Uterine Cervical Neoplasms OR Cáncer de cuello uterino OR Neoplasias del cuello uterino). A Estratégia de busca 2 contemplou a combinação: (Neoplasias do Colo do Útero OR Uterine Cervical Neoplasms OR Neoplasias del cuello uterino) AND (Prevenção de Doenças OR Disease Prevention OR Prevención de Enfermedades) AND (Educação em Saúde OR Health Education OR Educación en Salud) AND (Nível de Saúde OR Health Status OR Nivel de Salud OR Doenças Não Transmissíveis OR Noncommunicable Diseases OR Enfermedades No Transmisibles). Na Estratégia de busca 3, utilizaram-se os descritores: (Neoplasias do Colo do Útero OR Uterine Cervical Neoplasms OR Neoplasias del cuello uterino) AND (População OR Population OR Población) AND (Prevenção de Doenças OR Disease Prevention OR Prevención de Enfermedades). Por fim, a Estratégia de busca 4 contemplou os descritores: (Neoplasias do Colo do Útero OR Uterine Cervical Neoplasms OR Neoplasias del cuello uterino) AND (Política de Saúde OR Health Policy OR Política de Salud) AND (Educação em Saúde OR Health Education OR Educación en Salud).

Foram incluídos estudos primários de abordagem quantitativa, qualitativa e mista, bem como estudos secundários, tais como revisões sistemáticas, revisões integrativas e revisões de escopo, além de documentos normativos provenientes da literatura cinzenta. Foram excluídos editoriais, cartas ao editor, estudos de opinião e publicações que não respondessem à questão norteadora da pesquisa. Divergências entre avaliadores foram resolvidas por consenso pelos pesquisadores.

Os critérios de inclusão para esta revisão consideraram estudos publicados nos últimos dez anos que abordam estratégias de prevenção do CCU em diversos contextos e populações. A pesquisa abrangeu artigos completos e de acesso gratuito, os quais foram indexados em bases de dados e identificados na literatura cinzenta, respeitando os idiomas inglês, português e espanhol. Foram excluídos artigos de opinião, editoriais e cartas ao editor. A escolha do recorte temporal teve como objetivo avaliar os estudos realizados após a implementação do Programa Nacional de Vacinação contra o HPV, iniciado em 2014 pelo Ministério da Saúde do Brasil(18).

Os artigos foram selecionados inicialmente com base na análise dos títulos, seguida por uma avaliação independente dos resumos por pares, a fim de determinar quais textos seriam lidos na íntegra. Os estudos foram sintetizados por meio de protocolo elaborado pelas autoras e catalogados em tabela no programa Microsoft Excel®. Foram utilizados os quadros e análise crítica dos estudos primários para apresentação desta revisão.

A partir da identificação das melhores evidências técnicas, científicas e normativas, selecionaram-se os tópicos para a composição dos vídeos. A experiência prática das pesquisadoras foi incorporada de forma sistematizada mediante a triangulação com evidências científicas e recomendações normativas, contribuindo para a contextualização do conteúdo. Todos os elementos foram posteriormente submetidos à validação por especialistas, assegurando o rigor técnico-científico e a mitigação de vieses.

A partir dessa análise, deu-se origem à série denominada “Prevenção do Câncer de Colo do Útero” constituída por cinco vídeos. A narrativa dos vídeos foi conduzida por uma enfermeira, em formato de roda de conversa com três personagens. Nesta etapa, a pesquisa contou com auxílio de uma profissional designer. A produção dos vídeos seguiu a técnica de Motion Graphics, com base nos roteiros previamente validados e ajustados. Os vídeos foram construídos no programa Animaker®, que utiliza personagens animados para discutir o tema da prevenção do CCU.

Na etapa de pós-produção, foi realizada a revisão integral do material, com ajustes nas transições, paleta de cores e inserção de textos explicativos, visando aprimorar a clareza e a coesão audiovisual. O material final foi exportado no formato MP4, assegurando sua compatibilidade com diferentes plataformas digitais.

 

Validação da tecnologia socioeducativa

A validação da tecnologia socioeducativa ocorreu em duas dimensões: técnico-científica e ilustrativa, conforme recomendado para estudos metodológicos de desenvolvimento de tecnologias educacionais. Nessa fase, a avaliação por especialistas é utilizada para verificar a clareza, estrutura, relevância e adequação do material produzido(14).

Para a validação técnico-científica, foram selecionados enfermeiros especialistas(19), sendo necessário que o participante preenchesse pelo menos dois dos seguintes requisitos: possuir produção científica na área oncológica; ter experiência na construção e/ou validação de materiais educativos; ser especialista, mestre ou doutor na área oncológica e afins; ser membro de sociedade científica; apresentar experiência clínica mínima de dois anos na área de oncologia; e desenvolver ações de prevenção em oncologia.

Para o cálculo do tamanho da amostra, utilizou-se a fórmula: n = Zα² . P (1-P) / d², em que: Zα² = 1,96; P = 0,85; e d = 0,15. Obteve-se como resultado um total de 22 especialistas, quantitativo considerado adequado para uma avaliação com proporção ideal de 85% de aceitação entre os avaliadores e proporção mínima de 70%, considerando um nível de confiança de 95%(20).

Os especialistas foram previamente identificados por meio da Plataforma Lattes, considerando os critérios de inclusão. Após a seleção, foram convidados por meio de envio eletrônico do instrumento de validação, sendo concedido prazo de 15 dias para devolução das respostas. No décimo dia após o envio, foi encaminhado e-mail de lembrete com vistas a otimizar a taxa de retorno. Os participantes que não responderam dentro do prazo estabelecido foram considerados desistentes.

Como critérios de exclusão, foram considerados inelegíveis os especialistas que não responderam até o 15º dia, que comunicaram manifestação de sofrimento psíquico durante o processo avaliativo ou que apresentaram dificuldade de compreensão inerente ao método proposto.

A coleta de dados referente à validação técnico-científica foi realizada por meio de instrumento estruturado(21), composto por três domínios: objetivos, relevância e estrutura/apresentação, totalizando 17 itens avaliativos. Utilizou-se escala ordinal de quatro pontos, assim definida: 1 – Totalmente Adequado (TA); 2 – Adequado (A); 3 – Parcialmente Adequado (PA); e 4 – Inadequado (I). O instrumento contemplou, ainda, campo aberto para sugestões, possibilitando o aprofundamento crítico e a ampliação das perspectivas acerca do constructo avaliado(22).

Para a análise dos dados, adotou-se o Índice de Validade de Conteúdo (IVC)(23), amplamente recomendado em estudos metodológicos. O cálculo do IVC por domínio foi realizado a partir da soma das respostas classificadas como “Totalmente Adequado” e “Adequado”, dividida pelo número total de respostas em cada domínio. O IVC global foi obtido por meio da média aritmética dos índices dos domínios avaliados, considerando-se como ponto de corte o valor mínimo de 0,70 para validação do conteúdo, conforme preconizado na literatura(14).

Para a coleta de dados da dimensão ilustrativa, foi utilizado o instrumento Suitability Assessment of Materials (SAM)(24), composto por cinco domínios - conteúdo, linguagem, ilustrações gráficas, adequação cultural e motivação - com 13 itens, pontuados de 0 a 2. Os domínios conteúdo, linguagem e motivação possuem pontuação máxima de seis pontos, enquanto ilustrações gráficas e adequação cultural possuem pontuação máxima de quatro pontos, totalizando escore máximo de 26 pontos.

A interpretação dos resultados seguiu a classificação proposta pelo instrumento, baseada em percentual de adequação: materiais com pontuação <40% são considerados inadequados; 40% a 69%, adequados; e >70%, superiores. Assim, adotou-se como critério mínimo de aceitabilidade a classificação como “adequado”, correspondente a pontuação >(14).

Em relação à análise qualitativa, inicialmente, as contribuições foram organizadas em planilha eletrônica e submetidas à leitura flutuante, seguida de codificação aberta, permitindo a identificação de unidades de significado. Em seguida, os conteúdos foram agrupados em categorias temáticas, tais como clareza e linguagem, correção técnico-científica, organização do conteúdo e adequação sociocultural.

A incorporação das sugestões ao material considerou critérios de pertinência científica, coerência com a literatura, alinhamento aos objetivos da tecnologia e aplicabilidade ao público-alvo. Esse procedimento possibilitou a integração sistemática das contribuições qualitativas, assegurando rigor metodológico e minimizando vieses no processo de construção da tecnologia.

 

Aspectos éticos

A pesquisa foi submetida ao Comitê de ética em pesquisa da Universidade do Estado do Amazonas, em conformidade com os preceitos éticos estabelecidos pelas Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), tendo sido aprovada sob o Parecer nº 6.876.876. Todos os participantes foram devidamente esclarecidos quanto aos objetivos do estudo, bem como sobre o conteúdo do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

 

RESULTADOS

Na revisão, identificou-se um total de 30.288 estudos nas diversas fontes de informação. Deste montante, 27.240 foram encontrados na base de dados MEDLINE, 1.510 na LILACS, 116 na CUMED, 112 na BDENF e 54 na base da Secretaria de Saúde Pública de São Paulo. A busca na literatura não convencional resultou em 27 documentos adicionais.

Após a aplicação dos filtros, o número de estudos foi reduzido para 6.223. A análise preliminar dos títulos levou à exclusão de 6.001 artigos, restando 222 para as etapas subsequentes. Em nova triagem, avaliaram-se os resumos em busca de duplicidades, resultando na eliminação de 129 artigos, o que totalizou 93 estudos para leitura na íntegra. Após cuidadosa reavaliação, 60 artigos foram excluídos por não atenderem à pergunta da pesquisa, resultando em 33 trabalhos selecionados para a amostra final.

A partir da análise da revisão, identificaram-se cinco temas centrais: prevenção do câncer do colo do útero; fatores de risco, sinais e sintomas; HPV e vacinação; exame preventivo; e mitos e tabus relacionados ao CCU. Com base neles, estruturou-se a série intitulada “Prevenção do Câncer de Colo do Útero”. Esses eixos temáticos subsidiaram a elaboração de cinco roteiros, organizados de forma hierárquica e objetiva, no formato de duas colunas (falas e descrição das imagens), conforme as recomendações metodológicas para a produção de materiais audiovisuais educativos. Considerando as evidências da literatura, definiu-se que cada vídeo teria duração média de cinco minutos, visando manter a atenção do público e favorecer a assimilação do conteúdo.

Com base nos roteiros validados por enfermeiros especialistas, procedeu-se à produção dos vídeos socioeducativos, desenvolvidos por um profissional designer, utilizando-se a técnica de motion graphics. Foram elaborados cinco vídeos, com linguagem clara e didática, que combinaram personagens animados, elementos gráficos e diferentes planos de cena. O cenário virtual priorizou ambientes acolhedores, semelhantes a salas de espera em serviços de saúde, além de simulações de atividades educativas coletivas e quadros explicativos, com o objetivo de facilitar a compreensão dos conceitos abordados e promover maior engajamento do público-alvo na temática da prevenção do câncer do colo do útero.

 

Validação do conteúdo técnico-científico

O grupo de avaliadores, composto por 22 enfermeiros especialistas, foi responsável pela validação do conteúdo técnico-científico, sendo 100% do sexo feminino, 14 mestres (63,6%), sete doutores (31,8%) e um especialista (4,5%). Além disso, a média do tempo de formação acadêmica dos avaliadores foi de, aproximadamente, 20 anos. A distribuição dos anos de experiência variou de 10 a 41 anos, predominando as faixas de 15 a 18 anos (27,3%), 20 a 27 anos (22,7%) e 36 a 41 anos (18,2%).

A validação do roteiro evidenciou elevada concordância entre os especialistas enfermeiros quanto à adequação da tecnologia proposta. No Domínio 1 - Objetivos, que avalia os propósitos e metas da tecnologia, obteve-se um IVC de 0,96, com predomínio das classificações “Totalmente Adequado” e “Adequado”, sem registros de inadequação. De modo semelhante, o Domínio 2 - Estrutura/Apresentação, relacionado à organização, coerência, formatação e estratégia de apresentação do roteiro, alcançou um IVC de 0,95, indicando alta aceitação, embora com sugestões.

No Domínio 3 (Relevância), que analisa a significação e a pertinência da tecnologia, observou-se o maior nível de concordância entre os avaliadores, com IVC de 0,99 e ausência de avaliações inadequadas. Considerando-se a média dos três domínios, o IVC geral foi de 0,96, confirmando a validação do roteiro e sua adequação para utilização na prática em saúde, segundo a avaliação dos especialistas (Tabela 1).

 

Tabela 1 – Distribuição dos escores e IC* de concordância das respostas obtidas dos especialistas da área da saúde em cada item. Manaus, AM, Brasil, 2025

1-OBJETIVOS – Referem-se a propósitos, metas ou fins que se deseja atingir com a utilização da tecnologia

Itens do domínio OBJETIVOS

TA

A

PA§

I||

TA + A

IVC

1.1.As informações/conteúdos são ou estão coerentes com as necessidades cotidianas do público-alvo da tecnologia.

15

6

01

00

21

0,95

1.2.As informações/conteúdos são importantes para a qualidade de vida e/ou o trabalho do público-alvo da tecnologia.

18

03

01

00

21

0,95

1.3.Convida e/ou instiga a mudanças de comportamento e atitude

13

09

00

00

22

1,00

1.4. Pode circular no meio científico da área.

13

09

00

00

22

1,00

1.5.Atende aos objetivos de instituições que atendem/ trabalham com o público-alvo da tecnologia.

10

10

02

00

20

0,91

Total do IVC - DOMÍNIO 1

0,96

2 - ESTRUTURA/APRESENTAÇÃO - forma de apresentar as orientações. Inclui organização geral, estrutura, estratégia de apresentação, coerência e formatação.

Itens do domínio

ESTRUTURA/APRESENTAÇÃO

TA

A

PA§

I||

TA + A

IVC

2.1 A tecnologia é apropriada para o público-alvo.

15

06

01

00

21

0,95

2.2 As mensagens estão apresentadas de maneira clara e objetiva.

14

08

00

00

22

1,00

2.3 As informações apresentadas estão cientificamente corretas.

14

07

01

00

21

0,95

2.4 O material está apropriado ao nível sociocultural do público-alvo.

10

12

00

00

22

1,00

2.5 Há uma sequência lógica do conteúdo Proposto

13

09

00

00

22

1,00

2.6 As informações estão bem estruturadas em concordância e ortografia

12

07

03

00

19

0,86

2.7 O estilo da redação corresponde ao nível de

conhecimento do público-alvo.

13

08

01

00

21

0,95

Total do IVC - DOMÍNIO 2

0,95

3 - RELEVÂNCIA- grau de significação da tecnologia

Itens do domínio RELEVÂNCIA

TA

A

PA§

I||

TA + A

IVC

3.1 Os temas retratam aspectos-chave que devem

ser reforçados.

15

07

00

00

22

1,00

3.2 A tecnologia permite generalização e transferência do aprendizado a diferentes contextos.

13

09

00

00

22

1,00

3.3 A tecnologia propõe a construção de conhecimentos.

14

08

00

00

22

1,00

3.4 A tecnologia aborda os assuntos necessários para o saber do público-alvo.

13

09

00

00

22

1,00

3.5 A tecnologia está adequada para ser usada por qualquer profissional com o público-alvo.

14

07

01

00

21

0,95

Total do IVC - DOMÍNIO 3

0,99

IC* GERAL: 0,96 (Domínio 1) + 0,95 (Domínio 2) + 0,99 (Domínio 3) / 3 = 0,96

Legenda: IC = Índice de Concordância; TA = Totalmente Adequado;A = Adequado; §PA = Parcialmente Adequado; ||I = Inadequado; IVC = Índice de Validade de Conteúdo.

Fonte: elaborado pelas autoras, 2025.

 

Constatou-se que todos os domínios alcançaram o IVC estabelecido. Apesar disso, houve sugestões e respostas na opção PA que foram consideradas e detalhadas no Quadro 1.

 

Quadro 1 – Considerações dos especialistas (E)* enfermeiros e respostas das pesquisadoras. Manaus, AM, Brasil, 2025

Vídeo 1: Prevenção do Câncer de Colo do Útero

Sugestão

Como estava

Como ficou

Colocaria crescimento desordenado e descontrolado (E2)

Câncer é uma doença que faz com que células do corpo cresçam de forma descontrolada.

Câncer é uma doença que faz com que células do corpo cresçam de forma desordenada e descontrolada.

Descrição da imagem: sugestão para acrescentar a palavra "desordenada" e “metástase" (E10)

Imagens de células crescendo de maneira descontrolada podendo ou não invadir outros órgãos.

Imagens de células crescendo de maneira desordenada e descontrolada podendo ou não invadir outros órgãos (metástases).

Acrescentar a fonte de onde saiu esta informação da idade (E10)

Esse câncer afeta principalmente mulheres acima de 25 anos, mas todas as mulheres que já tiveram ou não relação sexual estão em risco.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil   esse tipo de câncer é o terceiro tipo mais comum nas mulheres, afetando principalmente as  de 40 a 59 anos.

Vídeo 2: Fatores de risco e sinais e sintomas do câncer de colo do útero

Sugestão

Como estava

Como ficou

Sugestão para ajustar o texto (E08, E14)

É bom lembrar que na fase inicial da doença, os sintomas podem não aparecer. Os sintomas aparecem quando a doença já está em um estado mais avançado; pode ocorrer mudanças no fluxo menstrual, com períodos de sangramento excessivamente longos.

É importante lembrar que, no início, o câncer de colo do útero geralmente não apresenta sintomas. Os sinais costumam aparecer apenas quando a doença está mais avançada. Nessa fase, podem ocorrer sangramentos fora do período menstrual, sangramentos muito longos, sangramento durante a relação sexual e dores na barriga.

Algumas repetições, por exemplo, o vírus HPV, foi descrito como "vírus papilomavirus humano", o correto seria Papilomavírus Humano (E15)

Existe um vírus conhecido como HPV, que é o Vírus Papilomavírus Humano

Existe um vírus conhecido como Papilomavírus humano (HPV).

Vídeo 3: HPV e a prevenção do Câncer de Colo do Útero por vacina

Sugestão

Como estava

Como ficou

Ajustar informações sobre o HPV (E07, E14)

O HPV provoca alterações nas células do colo do útero. Se essas alterações não forem tratadas, elas podem, com o tempo, se transformar em câncer.  

O HPV   se for dos tipos cancerígenos podem provocar alterações nas células do colo do útero. Se essas alterações não forem identificadas e tratadas, elas podem, com o tempo, progredir para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca

Ajustar informações sobre o HPV (E13, E19)

As lesões que aparecem devem ser tratadas o quanto antes para evitar que se tornem cancerígenas. Por isso, é tão importante fazer exames preventivos regularmente.

Não existe um tratamento específico para o HPV, porém alguns tipos de HPV podem desenvolver verrugas nos genitais e podem ser removidas com medicamentos ou procedimentos cirúrgicos.

Descrição da imagem: sugestão de modificação (E10)

Ilustração uma pessoa recebendo a vacina, com um destaque no símbolo de proteção.

Ilustração de adolescente recebendo a vacina, com um destaque no símbolo de proteção

Descrição da imagem: sugestão de modificação (E14)

Animação mostrando uma seringa com um coração, simbolizando proteção.

Animação mostrando o percentual de proteção da vacina.

Vídeo 4:  Exame Preventivo do Câncer de Colo do Útero

Sugestão

Como estava

Como ficou

Ajustar a informação: Se der alterações (E10)

Depois que se coleta as células colo do útero, esse material é enviado para um laboratório que irá examinar se está tudo normal ou se tem alguma alteração. Caso dê alguma coisa alterada, que esteja no começo e que não seja tão complicado, é possível tratar e evitar de virar um câncer.  Por isso dizemos que esse exame pode salvar vidas.

Depois que se coleta as células colo do útero, esse material é enviado para um laboratório que irá examinar se está tudo normal ou se tem alguma alteração. Se tiver algo anormal precisa ser avaliado para que se possa tratar ou acompanhar. Lembrando que nem toda alteração significa câncer.   Por isso dizemos que esse exame pode Salvar Vidas...

Ajustar a fonte de informação sobre a idade das mulheres para coleta exame preventivo (E13)

O Papanicolau é indicado para todas as mulheres de 25 a 64 anos, que já tiveram ou têm vida sexual ativa.

Segundo o Ministério da saúde, o Papanicolau é indicado para todas as mulheres de 25 a 64 anos, que já tiveram ou têm vida sexual ativa.

Vídeo 5: Mitos e Tabus sobre o Câncer de Colo do Útero

Sugestão

Como estava

Como ficou

Descrição da imagem: sugestão para trocar a imagem (E10)

Animação mostrando uma mulher sorrindo durante um exame, com um relógio marcando pouco tempo.

Animação mostrando uma mulher entrando no consultório apreensiva e outra saindo após a coleta tranquila

Ajustar sobre o constrangimento (E10)

 Cuidar da saúde deve vir em primeiro lugar. Não precisa ficar constrangidas. Todos são profissionais

Cuidar da saúde deve vir em primeiro lugar. O constrangimento deve ser vencido pensando na prevenção de doenças.  Todos são profissionais.

Acrescentar a porcentagem em caso de detecção precoce (E08)

Quando detectado cedo, o câncer de colo do útero tem tratamento, e muitos casos são curáveis.

Quando detectado cedo, o câncer de colo do útero tem tratamento, e 90% dos casos são curáveis.

Legenda: *(E) = Especialista.

Fonte: elaborado pelas autoras, 2025.

 

Validação da dimensão ilustrativa

Os avaliadores da dimensão ilustrativa da tecnologia socioeducativa foram cinco profissionais da área de design, com idades entre 30 e 65 anos (média de 42,2 anos). Os participantes possuem tempo de atuação na área variando de 3 a 20 anos, com média de 11 anos. A formação acadêmica concentra-se nas áreas de design, publicidade, tecnologia e educação. O grupo possui pós-graduações em Marketing, Publicidade e Propaganda, Design Gráfico e Multimídia, e Tecnologias Digitais, além de mestrados em Interface do Usuário e Educação.

Considerando dez pontos como o mínimo para validação individual, a pontuação mínima geral exigida foi de 50 pontos (multiplicação do parâmetro pelo número de especialistas). Na avaliação geral, atingiram-se 126 pontos (Tabela 2), com uma pontuação média individual de 25,2 pontos, o que classifica o vídeo socioeducativo como adequado. As avaliações da dimensão ilustrativa variaram de 24 a 26 pontos; três especialistas avaliaram o material com a pontuação máxima (26 pontos) e dois com 24 pontos.

 

Tabela 2 – Pontuação individual dos especialistas designers (E.D.)* da validação da dimensão ilustrativa por domínio. Manaus, AM, Brasil, 2025

Especialista Designer

Pontuação por Domínio

Conteúdo

Linguagem

Ilustração Gráfica

Motivação

Adequação Cultural

Pontuação Final

E.D 01

06

06

04

06

04

26

E.D 02

06

05

03

06

04

24

E.D 03

06

06

02

06

04

24

E.D 04

06

06

04

06

04

26

E.D 05

06

06

04

06

04

26

Pontuação por especialista

Total de juízes 26+24+24+26+26 /5

126 / 5

                                        Pontuação média

= 25,2 pontos

Legenda: *E.D – Especialista designer

Fonte: elaborado pelas autoras, 2025.

 

A Tabela 2 apresenta a avaliação da dimensão ilustrativa da tecnologia socioeducativa, realizada por cinco especialistas, conforme o instrumento SAM.

No domínio conteúdo, foi obtido o total de 30 pontos (100%). No domínio linguagem, registrou-se 29 pontos (96,7%). O domínio ilustração gráfica apresentou 17 pontos (85%). Nos domínios motivação e adequação cultural, foram alcançados 30 pontos (100%) e 20 pontos (100%), respectivamente (Tabela 2).

A pontuação total obtida foi de 126 pontos, de um máximo possível de 130 pontos, correspondendo a 96,9% de adequação. A pontuação média foi de 25,2 pontos, em um total máximo de 26 pontos (Tabela 2). De acordo com a classificação do SAM, esse resultado enquadra o material como “superior” (≥70%). As pontuações individuais dos especialistas variaram entre 24 (92,3%) e 26 pontos (100%), mantendo-se todas na faixa de classificação “superior”.

Os resultados obtidos na avaliação dos vídeos socioeducativos, especialmente as elevadas pontuações nos domínios Adequação Cultural (30 pontos) e Motivação (20 pontos), mostram a qualidade técnico-científica e a adequação sociocultural do material, conforme julgamento dos especialistas. Esses achados indicam que a tecnologia apresenta potencial para favorecer a compreensão e o engajamento do público-alvo, embora sua efetividade não possa ser inferida, considerando que ainda não foi aplicada em contexto real.

Nesse sentido, a tecnologia encontra-se em nível de maturidade correspondente ao TRL 4, caracterizado pela validação em ambiente controlado, com necessidade de estudos subsequentes para avaliação de sua aplicabilidade e impacto junto à população(16).

A Tabela 3 apresenta a distribuição das respostas dos especialistas na validação da dimensão ilustrativa da tecnologia socioeducativa, segundo os domínios do instrumento SAM. O valor geral obtido foi de 126 pontos (96,9%) de um total possível de 130 pontos, superando amplamente o parâmetro de aceitabilidade.

No Domínio Conteúdo, todos os itens foram avaliados como “Adequado”, totalizando 10 respostas (100%) em cada item, sem registros de respostas “Parcialmente Adequado” ou “Inadequado”. No Domínio Linguagem, observou-se predominância de respostas “Adequado”, com 28 respostas (93,3%), e 2 respostas (6,7%) classificadas como “Parcialmente Adequado”. Não houve registros de respostas “Inadequado”. No Domínio Ilustrações Gráficas, foram registradas 14 respostas (70%) como “Adequado” e 6 respostas (30%) como “Parcialmente Adequado”, sem ocorrência de respostas “Inadequado”. No Domínio Motivação, todas as respostas foram classificadas como “Adequado”, correspondendo a 10 respostas (100%) em cada item avaliado. No Domínio Adequação Cultural, também se verificou total concordância, com 10 respostas (100%) classificadas como “Adequado” em todos os itens. No total geral, considerando todos os domínios, houve predominância de respostas “Adequado”, com baixa frequência de respostas “Parcialmente Adequado” e ausência de avaliações “Inadequado”.

 

Tabela 3 – Distribuição dos pontos com cada especialista designer de acordo com as respostas obtidas em cada item, segundo conteúdo, linguagem, ilustrações gráficas, motivação, adequação cultural. Manaus, AM, Brasil, 2025

Itens do domínio

00

I*

01

PA

02

A

Pontos

obtidos

DOMÍNIO 01-CONTEÚDO

1.1 O objetivo é evidente, facilitando a pronta compreensão do material

-

-

10

10

1.2 O conteúdo aborda informações relacionadas ao comportamento que ajudem a prevenir e auto cuidar

-

-

10

10

1.3 A proposta do material é limitada aos objetivos, para que o leitor possa compreender no tempo permitido e sem confusão

-

-

10

10

DOMÍNIO 02-LINGUAGEM

2.1 O nível de leitura é adequado para a compreensão do telespectador

-

-

10

10

2.2 O estilo de conversação facilita o entendimento do texto

-

01

08

09

2.3 O vocabulário utiliza palavras comuns

-

-

10

10

DOMÍNIO 03-ILUSTRAÇÕES GRÁFICAS

3.1 O título atrai a atenção e retrata o propósito do material

-

02

06

08

3.2 As ilustrações apresentam mensagens visuais fundamentais para que o telespectador possa compreender os pontos principais sozinho, sem distrações

-

01

08

09

DOMÍNIO 04-MOTIVAÇÃO

4.1 Ocorre interação do texto com o telespectador. Levando-o a resolver problemas, fazer escolhas e/ou demonstrar habilidades

-

-

10

10

4.2 Os padrões de comportamento desejados são modelados ou bem demonstrados

-

-

10

10

4.3 Existe a motivação à autoeficácia, ou seja, as pessoas são motivadas a aprender por acreditarem que as tarefas e comportamentos são factíveis

-

-

10

10

DOMÍNIO 05-ADEQUAÇÃO CULTURAL

5.1 O material é culturalmente adequado à lógica, linguagem e experiência do público-alvo

-

-

10

10

5.2 Apresenta imagens e exemplos adequados culturalmente

-

-

10

10

PONTUAÇÃO GERAL

126 PONTOS

Legenda: I = Inadequado; PA = Parcialmente Adequado; A = Adequado.

Fonte: elaborado pelas autoras, 2025.

 

O Quadro 2 apresenta a relação dos vídeos socioeducativos organizados por temática, compondo a série “Prevenção do Câncer de Colo do Útero”. Nela estão descritos os títulos correspondentes a cada tema abordado, bem como os respectivos links de acesso nas plataformas eduCAPES e YouTube.

 

Quadro 2 – Links para acesso à Plataforma eduCAPES e YouTube. Manaus, AM, Brasil, 2025

 

Vídeo

eduCAPES

YouTube

1

Prevenção do Câncer de Colo do Útero

http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/922130

https://www.youtube.com/watch?v=XDxw80pJQDM

2

Fatores de risco e sinais e sintomas do Câncer de Colo do Útero

http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/922133

https://www.youtube.com/watch?v=jpeMyxOhO-k

3

HPV e vacinação para prevenção do Câncer de Colo do Útero

http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/922136

https://www.youtube.com/watch?v=voxIo4WE4dA

4

Exame preventivo do Câncer de Colo do Útero

http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/922134

https://www.youtube.com/watch?v=Cv90UrWSWJo

5

Mitos e tabus relacionados ao Câncer de Colo do Útero

http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/922135

https://www.youtube.com/watch?v=9aNf5JswjQA

Fonte: elaborado pelas autoras, 2025.

 

DISCUSSÃO

A elaboração de materiais socioeducativos validados é essencial para a disseminação de informações seguras e acessíveis, sobretudo em relação a patologias de elevado impacto como o CCU. Ao fomentar a conscientização e a implementação de medidas profiláticas, tais recursos visam contribuir para a redução das taxas de incidência e mortalidade associadas a essa enfermidade.

Neste estudo, adotou-se a validação multiprofissional com a participação de especialistas das áreas da saúde e do design(14). Enquanto os primeiros validaram o conteúdo técnico-científico, os últimos avaliaram a dimensão ilustrativa. Em ambas as categorias, a tecnologia obteve avaliação satisfatória, o que corrobora sua pertinência e adequação aos objetivos delineados.

O desenvolvimento de materiais educativos que sejam, simultaneamente, atrativos e capazes de transmitir mensagens com clareza, assegurando a apreensão dos conceitos, constitui um desafio metodológico. Recursos como cartilhas, vídeos e folhetos são projetados para qualificar a orientação de pacientes e familiares, favorecendo o processo comunicativo, elevando a adesão ao tratamento e fortalecendo a autonomia na tomada de decisão(25).

Esses materiais permitem a transmissão de informações de forma visual, dinâmica e acessível, facilitando a compreensão de temas cruciais, como a relevância do exame citopatológico, a vacinação contra o HPV e a adoção de hábitos saudáveis. Ademais, vídeos socioeducativos possuem a versatilidade de serem adaptados a diferentes públicos e plataformas, alcançando mulheres de diversas faixas etárias e contextos socioculturais. Tal abordagem interativa não apenas informa, mas também estimula a reflexão e mudanças comportamentais, contribuindo para a prevenção e o diagnóstico precoce do CCU(26).

O rigoroso processo de validação permitiu que os especialistas analisassem a tecnologia sob os prismas da precisão científica, acessibilidade da linguagem e alinhamento pedagógico, assegurando a eficácia da mensagem final.

No que tange ao domínio do conteúdo, avaliou-se a organização geral, a estrutura, a estratégia narrativa, a coerência e a formatação(21). Embora a maioria dos itens tenha obtido um IVC positivo, as observações dos especialistas sobre trechos específicos do roteiro foram incorporadas para otimizar a clareza e garantir a plena compreensão pelo público-alvo.

A readequação textual e a síntese das falas tornaram os diálogos mais dinâmicos, ampliando o potencial de engajamento e a promoção de mudanças na realidade das usuárias. A adequação do conteúdo repercute diretamente em sua relevância, demonstrando que a tecnologia reforça aspectos fundamentais, favorece o aprendizado e estabelece um diálogo profícuo entre os diferentes saberes(27).

Na validação pelo design, a elevada pontuação no domínio "Motivação" indica que os vídeos são capazes de engajar o público-alvo positivamente, estimulando o interesse e a participação ativa. Tais resultados sugerem que o material transcende a função informativa ao incentivar mudanças de atitude, o que potencializa sua eficácia no âmbito da educação em saúde.

A obtenção de 126 pontos (96,9% de adequação) reflete o alto padrão de qualidade e aceitabilidade do material. Este resultado atesta que os vídeos atendem aos critérios de validação, apresentando robusta adequação cultural, clareza comunicacional e capacidade motivacional.

O alcance de um escore próximo ao máximo indica que o conteúdo é relevante e estruturalmente sólido, com potencial para impactar positivamente a adesão feminina às medidas preventivas. Adicionalmente, essa avaliação fortalece a credibilidade da tecnologia, incentivando sua aplicação em contextos de sensibilização e promoção da saúde.

A prevenção do CCU é uma estratégia imperativa para mitigar a morbimortalidade da doença, que permanece elevada em regiões com barreiras de acesso aos serviços de saúde. Nesse cenário, tecnologias audiovisuais desempenham um papel crucial ao capilarizar o alcance das ações educativas(28).

Recursos audiovisuais configuram-se como ferramentas inovadoras para o cuidar e o educar em Enfermagem. Tais tecnologias ampliam as possibilidades de práticas assistenciais, qualificando o cuidado e permitindo que a construção do conhecimento ocorra de forma horizontalizada(27).

Uma tecnologia validada em formato de vídeo é relevante por transpor barreiras informacionais e comunicativas(28). Características visuais e elementos textuais favorecem indivíduos com diferentes níveis de letramento, proporcionando maior adesão. Portanto, o vídeo constitui uma ferramenta estratégica para a modificação de indicadores desfavoráveis relacionados ao CCU.

Ressalta-se o protagonismo do enfermeiro na construção, validação e utilização de tecnologias socioeducativas, atuando como mediador entre o saber científico e a prática comunitária. Sua participação no processo de validação assegurou o rigor das informações, a adequação da linguagem e a pertinência temática.

Como limitação deste estudo, aponta-se a conclusão de apenas duas etapas metodológicas iniciais. A fase de aplicação prática, voltada à verificação da usabilidade e do impacto direto junto ao público-alvo, não foi contemplada neste recorte temporal.

 

CONCLUSÃO

O estudo demonstrou que a tecnologia possui validação pelos especialistas enfermeiros e designers, evidenciada pelas pontuações atribuídas em critérios como clareza, pertinência e aplicabilidade. A utilização deste material em iniciativas de educação em saúde pode ser uma ferramenta valiosa para fortalecer o cuidado preventivo, sensibilizar mulheres sobre a importância do rastreamento regular e incentivar a adoção de práticas de saúde seguras e eficazes. O impacto dessa abordagem reforça a relevância do uso de tecnologias socioeducativas no enfrentamento dos desafios de saúde pública.

Ressalta-se, ainda, o papel do enfermeiro como agente estratégico na implementação de tecnologias socioeducativas, podendo utilizar os vídeos desenvolvidos em diferentes contextos assistenciais e educativos, especialmente na Atenção Primária à Saúde. Sua aplicação tem potencial para fortalecer ações de educação em saúde, ampliar o acesso à informação e contribuir para a prevenção do câncer do colo do útero.

 

*Artigo extraído da Dissertação de Mestrado intitulada “Tecnologia socioeducativa para prevenção do câncer de colo do útero: estudo metodológico”, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem em Saúde Pública da Universidade do Estado do Amazonas, Manaus, Amazonas, Brasil, no ano de 2025.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Universidade do Estado do Amazonas pelo apoio na pesquisa.

 

CONFLITO DE INTERESSES

 

Os autores declaram não haver conflito de interesses. 

 

REFERÊNCIAS

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Submissão: 24-Fev-2026

Aprovado: 13-Abr-2026

 

Editores:

Rosimere Ferreira Santana (ORCID: 0000-0002-4593-3715)

Geilsa Soraia Cavalcanti Valente (ORCID: 0000-0003-4488-4912)

Larissa Marcondes (ORCID: 0000-0002-8745-6486)

 

Autor correspondente: Maria Verbene Costa Aguiar (mvca.mep23@uea.edu.br)

 

Editora:

Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa – UFF

Rua Dr. Celestino, 74 – Centro, CEP: 24020-091 – Niterói, RJ, Brasil

E-mail da revista: objn.cme@id.uff.br 

 

CONTRIBUIÇÃO DE AUTORIA 

Concepção do estudo: Aguiar MVC, Ribeiro MNS, Diniz CX.

Obtenção de dados: Aguiar MVC, Ribeiro MNS, Diniz CX.

Análise de dados: Aguiar MVC, Ribeiro MNS, Diniz CX.

Interpretação dos dados: Aguiar MVC, Ribeiro MNS, Diniz CX.

Todos os autores se responsabilizam pela redação textual e revisão crítica do conteúdo intelectual, pela versão final publicada e por todos os aspectos éticos, legais e científicos relacionados à exatidão e à integridade do estudo.

 

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