ARTIGO ORIGINAL
TREINAMENTO DE HABILIDADES COMO ESTRATÉGIA NO DESENVOLVIMENTO DE AUTOCONFIANÇA E SATISFAÇÃO EM GRADUANDOS DE ENFERMAGEM
Stephany da Conceição Limeira Aguiar1, Bianca Campos Oliveira2, Amanda Ramiro Gomes da Silva3, Vanessa Galdino de Paula4, Cristiane Helena Gallasch5, Patrícia Britto Ribeiro de Jesus6
1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro Biomédico, Faculdade de Enfermagem. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ORCID: 0000-0002-9937-383X. E-mail: stephanyaguiar18@gmail.com.
2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro Biomédico, Faculdade de Enfermagem. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ORCID: 0000-0002-6348-3287. E-mail: bianca.campos.oliveira@gmail.com.
3 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, RJ, Brasil. ORCID: 0000-0002-6383-5449. E-mail: amandaramiro@id.uff.br.
4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro Biomédico, Faculdade de Enfermagem. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ORCID: 0000-0002-7147-5981. E-mail: vanegalpa@gmail.com.
5 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro Biomédico, Faculdade de Enfermagem. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ORCID: 0000-0002-0823-0818. E-mail: cristiane.gallasch@gmail.com.
6 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro Biomédico, Faculdade de Enfermagem. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ORCID: 0000-0003-4523-3740. E-mail: patty_brj@hotmail.com.
RESUMO
Objetivo: Analisar as contribuições do treinamento de habilidades em laboratório para a formação dos graduandos de Enfermagem no que tange às vias de administração de medicamentos. Método: Estudo analítico, observacional, de corte transversal, realizado com 39 estudantes de uma instituição pública de ensino superior. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário eletrônico contendo a Escala de Satisfação dos Discentes e Autoconfiança na Aprendizagem. Os dados foram analisados por estatística descritiva. Resultados: Os escores obtidos evidenciaram níveis elevados de satisfação e autoconfiança entre os graduandos de Enfermagem no contexto do treinamento de habilidades em laboratório. Os itens da escala apresentaram distribuição predominantemente positiva, indicando percepção favorável dos participantes em relação à atividade prática mediada pela simulação. Conclusão: Os achados indicam que o treinamento de habilidades em laboratório, mediado por experiências baseadas em simulação, está associado a elevados níveis de satisfação e autoconfiança entre graduandos de Enfermagem. Os resultados reforçam a relevância da experiência baseada em simulação como estratégia pedagógica no ensino em Enfermagem, ao favorecer a integração entre teoria e prática e apoiar a formação inicial no contexto do cuidado clínico.
Descritores: Enfermagem; Conhecimento; Formação Profissional; Treinamento por Simulação; Satisfação.
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Como citar: Aguiar SCL, Oliveira BC, Silva ARG, Paula VG, Gallasch CH, Jesus PBR. Skills training as a strategy for developing self-confidence and satisfaction in undergraduate nurses. Online Braz J Nurs. 2026;25(1):e20266937. https://doi.org/10.17665/1676-4285.20266937 |
O que já se sabe:
O treinamento de habilidades e as experiências baseadas em simulação favorecem a integração entre teoria e prática, contribuindo para a aprendizagem em Enfermagem.
Estratégias baseadas em simulação tendem a aumentar a motivação e o engajamento dos estudantes durante atividades práticas.
Ainda existe lacuna quanto à avaliação dos efeitos da experiência baseada em simulação nos níveis de satisfação e autoconfiança de graduandos nas etapas iniciais da formação.
O que este artigo acrescenta:
Descreve a percepção dos graduandos quanto à satisfação e à autoconfiança no treinamento de habilidades sobre vias de administração de medicamentos.
Demonstra associação positiva moderada a forte entre satisfação e autoconfiança, ampliando a compreensão sobre a relação entre esses constructos no ensino por experiência baseada em simulação.
Contribui com evidências que reforçam o papel da experiência baseada em simulação como estratégia pedagógica relacionada à percepção de preparo e segurança para a prática clínica na formação inicial em Enfermagem.
INTRODUÇÃO
A formação em Enfermagem requer o desenvolvimento articulado de conhecimentos teóricos e habilidades práticas que sustentem a execução segura dos cuidados e a tomada de decisões clínicas. As experiências baseadas em simulação (EBS) permitem ao estudante entrar em contato com situações próximas da realidade assistencial, favorecendo a integração entre teoria e prática e possibilitando vivências que não podem ser reproduzidas de forma imediata nos cenários clínicos reais(1-2). Nesse contexto, o treinamento de habilidades em laboratório constitui estratégia essencial para o desenvolvimento técnico, cognitivo e emocional do graduando, contribuindo para sua autonomia, raciocínio clínico e segurança no cuidado(3-4).
A experiência baseada em simulação tem sido reconhecida como metodologia ativa capaz de proporcionar ambiente seguro para experimentação, reflexão e aprimoramento de competências, ampliando a capacidade do estudante de aplicar o conhecimento adquirido e fortalecer a autoconfiança para a prática profissional(1,5). Estudos reforçam que a prática simulada contribui para a aprendizagem significativa, prepara o estudante para enfrentar situações complexas e contribui para a melhoria da qualidade do cuidado prestado(6-7).
Apesar do avanço das metodologias de experiência baseada em simulação no ensino em Enfermagem, observa-se que ainda são limitadas as evidências nacionais que investigam especificamente como o treinamento de habilidades em laboratório influencia os níveis de satisfação e autoconfiança de graduandos, sobretudo nas etapas iniciais da formação. Estudos recentes têm reforçado a importância de avaliar esses indicadores para qualificar práticas pedagógicas e orientar a incorporação de estratégias mais eficazes no desenvolvimento de competências clínicas(8-9). Entretanto, persiste uma lacuna quanto à compreensão dos efeitos dessa abordagem em contextos reais de ensino, o que justifica a realização do presente estudo.
Considerando a relevância do treinamento de habilidades para a qualificação do processo de ensino-aprendizagem e para a segurança do estudante antes de sua inserção nos cenários clínicos, torna-se essencial compreender de que maneira essa estratégia contribui para o desenvolvimento das competências fundamentais ao exercício profissional(10-11).
Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar as contribuições do treinamento de habilidades em laboratório para a formação dos graduandos de Enfermagem no que tange às vias de administração de medicamentos.
MÉTODO
Trata-se de um estudo analítico, observacional, de corte transversal. O local do estudo foi uma instituição pública de ensino superior no município do Rio de Janeiro. A coleta de dados ocorreu no período de junho a outubro de 2025, com interrupção em julho, por se tratar de mês de férias acadêmicas.
Nesse contexto, destaca-se que, por se tratar de amostragem por conveniência, não foi realizado cálculo amostral prévio. Assim, a amostra final foi composta por 39 participantes que atenderam aos critérios de elegibilidade: serem graduandos regularmente matriculados no segundo e terceiro períodos e que participaram das aulas teóricas e do treinamento de habilidades sobre vias de administração de medicamentos. Foram excluídos graduandos afastados por licença-maternidade ou por motivos de saúde, bem como aqueles com certificações prévias em cursos técnicos de enfermagem ou outras formações na área da saúde.
O treinamento de habilidades relacionadas às vias de administração de medicamentos foi desenvolvido em um laboratório de prática simulada da faculdade de enfermagem de uma universidade pública, por meio de prática simulada estruturada e guiada por checklist de uso interno, previamente elaborado por docentes da disciplina de semiologia. A atividade contemplou etapas sequenciais do processo de administração segura de medicamentos, incluindo preparo do material, medidas de segurança, execução técnica e cuidados pós-administração, sendo realizada sob supervisão docente.
A atividade foi realizada em três laboratórios de ensino prático, cada um sob a responsabilidade de um docente. Em cada sala, foram organizadas duas estações, com duração média de 15 minutos por discente, distribuídos em grupos de dez alunos, sempre sob supervisão docente. O checklist foi utilizado como guia para a execução das atividades e como instrumento de feedback formativo imediato ao final de cada etapa.
Os participantes foram recrutados durante aulas teóricas da graduação, ocasião em que foram informados sobre os objetivos da pesquisa e convidados a participar. Após o aceite e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), os discentes foram direcionados a um formulário eletrônico (Google Forms), no qual responderam ao questionário contendo a escala proposta. O formulário foi autoadministrado, sem intervenção do pesquisador, garantindo a padronização da coleta e reduzindo possíveis vieses de informação.
As respostas foram fornecidas de forma individual, anônima e voluntária, sem identificação dos participantes ou associação com avaliações acadêmicas, o que contribuiu para minimizar vieses de desejabilidade social. A divulgação do estudo ocorreu em diferentes momentos do período letivo, favorecendo a participação espontânea dos estudantes até o alcance do número final de respondentes. Reconhece-se a possibilidade de viés de seleção, inerente à amostra por conveniência e à participação voluntária; entretanto, buscou-se minimizá-lo por meio de divulgação uniforme da pesquisa e acesso igualitário à participação para todos os estudantes elegíveis.
Para a coleta de dados, foi utilizada a Escala de Satisfação dos Discentes e Autoconfiança na Aprendizagem, validada para a língua portuguesa. Trata-se de um instrumento do tipo Likert de cinco pontos, composto por 13 itens distribuídos entre os domínios satisfação (cinco itens) e autoconfiança (oito itens), originalmente desenvolvido para mensurar a satisfação e a autoconfiança adquiridas a partir da simulação de alta fidelidade(12). Embora o instrumento tenha sido originalmente desenvolvido para esse tipo de simulação, sua validação para a língua portuguesa e seu uso recorrente em diferentes formatos de simulação no ensino em Enfermagem sustentam sua aplicação neste estudo. Para garantir a qualidade dos dados, buscou-se reduzir potenciais vieses de seleção e informação; entretanto, reconhece-se que a amostra por conveniência e a participação voluntária podem introduzir limitações inerentes a esse tipo de estudo.
Os dados foram organizados, codificados e tabulados no Microsoft Excel® e, posteriormente, analisados no software Statistical Package for the Social Sciences (IBM SPSS®), versão 22.0. A análise quantitativa foi realizada por meio de estatística descritiva simples, utilizando medidas de tendência central e dispersão, como média, mediana, desvio padrão, intervalo interquartílico e frequências absoluta e relativa.
Assim, as variáveis do instrumento foram analisadas por item e segundo os domínios Satisfação (cinco itens) e Autoconfiança na Aprendizagem (oito itens), conforme a estrutura original da escala validada. Para a análise estatística, as respostas foram tratadas considerando a escala Likert de cinco pontos, variando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente), e as médias apresentadas refletem o comportamento médio das respostas dentro desse intervalo. Não foram observados dados faltantes nos instrumentos respondidos, razão pela qual não foi necessário empregar técnicas específicas de tratamento de perdas.
Previamente às análises inferenciais, realizou-se a avaliação da distribuição dos dados por meio do teste de normalidade de Shapiro–Wilk. Considerando a natureza ordinal das escalas do tipo Likert e os resultados do teste de normalidade, optou-se prioritariamente pela utilização de métodos não paramétricos.
A análise inferencial teve como objetivo investigar o padrão de associação entre os constructos Satisfação e Autoconfiança. Para tal, empregou-se o coeficiente de correlação de Spearman, adequado para identificar a força e a direção da associação entre variáveis não paramétricas. As análises inferenciais (correlação de Spearman e regressão linear simples) foram conduzidas com caráter exploratório, devendo os achados ser interpretados à luz das limitações de representatividade e do tamanho amostral.
Adicionalmente, como análise complementar de caráter exploratório, foi ajustado um modelo de regressão linear simples, utilizando-se as médias dos itens que compõem cada constructo, consideradas como variáveis contínuas para fins analíticos. Adotou-se nível de significância de 5% (p<0,05).
O protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, sob CAAE 88432725.2.0000.5282 e parecer nº 7.657.735, atendendo à Resolução CNS nº 466/2012, à Resolução COFEN nº 564/2017 e às regulamentações da CONEP/MS.
RESULTADOS
Participaram do estudo 39 estudantes, para os quais a estatística descritiva possibilitou analisar os escores dos constructos “satisfação” e “autoconfiança” dos discentes em relação ao treinamento prático simulado em laboratório utilizado para o ensino das habilidades sobre administração de medicamentos.
Todas as médias apresentadas nos resultados variam de acordo com a escala Likert de cinco pontos utilizada no instrumento, na qual 1 representa discordância total e 5 representa concordância total. Dessa forma, valores mais elevados correspondem a maior nível de satisfação ou autoconfiança.
Os resultados do teste de normalidade de Shapiro-Wilk demonstraram que tanto a Satisfação quanto a Autoconfiança apresentaram distribuição não normal (p < 0,05). Embora a distribuição tenha indicado não normalidade, os escores também foram apresentados como média e desvio padrão, a fim de permitir comparabilidade com estudos prévios; a mediana e o intervalo interquartílico (IQR) foram utilizados como medidas complementares, sendo a tendência central expressa pela mediana. A distribuição visual desses escores pode ser observada no boxplot apresentado na Figura 1.
Figura 1 – Distribuição e variabilidade dos escores médios dos constructos Satisfação e Autoconfiança entre graduandos de Enfermagem (n=39). Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2025

Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
A mediana de Satisfação foi superior à de Autoconfiança. Observou-se maior dispersão em Satisfação (IQR=0,90) do que em Autoconfiança (IQR=0,69), com presença de valores extremos.
A média e o desvio padrão (DP) foram mantidos para possibilitar a comparabilidade com a literatura científica da área. No que se refere ao constructo satisfação, a Tabela 1 apresenta os resultados da análise dos itens da escala que o compõem.
Tabela 1 – Estatísticas descritivas dos itens de avaliação do constructo “Satisfação” utilizando a Escala de Satisfação de Estudantes e Autoconfiança com a Aprendizagem (n=39). Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2025
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Itens da Escala |
Média (DP*) |
DT (1) |
D (2) |
I (3) |
C (4) |
CT (5) |
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Fi (%) |
Fi (%) |
Fi (%) |
Fi (%) |
Fi (%) |
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Constructo “Satisfação” |
4,24 (±0,21) |
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Os métodos de ensino utilizados nesta simulação foram úteis e eficazes. |
4,46 (±0,72) |
- |
- |
5 (12,8%) |
11 (28,2%) |
23 (59,0%) |
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A simulação forneceu-me uma variedade de materiais didáticos e atividades para promover a minha aprendizagem do currículo médico-cirúrgico. |
4,1 (±0,91) |
1 (2,6%) |
- |
8 (20,5%) |
15 (38,5%) |
15 (38,5%) |
|
Eu gostei do modo como meu professor ensinou através da simulação. |
4,56 (±0,91) |
1 (2,6%) |
1 (2,6%) |
2 (5,1%) |
6 (15,4%) |
29 (74,4%) |
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Os materiais didáticos utilizados nesta simulação foram motivadores e ajudaram-me a aprender. |
4,13 (± ,0) |
1 (2,6%) |
2 (5,1%) |
5 (12,8%) |
14 (35,9%) |
17 (43,6%) |
|
A forma como o meu professor ensinou através da simulação foi adequada para a forma como eu aprendo. |
4,46 (± ,88) |
1 (2,6%) |
- |
4 (10,3%) |
9 (23,1%) |
25 (64,1%) |
Legenda: *DP: Desvio Padrão / **Fi: Frequência absoluta. / ***%: Frequência relativa. A média, o desvio padrão, a frequência absoluta e a frequência relativa foram calculados e analisados pela estatística descritiva. / DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; CT – Concordo Totalmente. Nota: (n=39)
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
A análise da Tabela 1 demonstra que os itens mais bem avaliados no constructo “Satisfação” estão relacionados à forma como o professor ensina e à adequação do método à forma de aprendizagem dos discentes. Destacam-se os itens “Eu gostei do modo como meu professor ensinou através da simulação”, com média de 4,56 (±0,91), com maior frequência nas categorias concordo (n=6; 15,4%) e concordo totalmente (n=29; 74,4%), e “A forma como o meu professor ensinou através da simulação foi adequada para a forma como eu aprendo”, com média de 4,46 (±0,88), predominando a resposta concordo totalmente (n=25; 64,1%). O item com menor pontuação neste constructo foi o relacionado à variedade de materiais didáticos e atividades para promover a aprendizagem (µ=4,10±0,91).
A tabela 2 apresenta a análise referente ao constructo autoconfiança.
Tabela 2 – Estatísticas descritivas dos itens de avaliação do constructo “Autoconfiança” utilizando a Escala de Satisfação de Estudantes e Autoconfiança com a Aprendizagem (n=39). Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2025
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Itens da Escala |
Média (DP*) |
DT (1) |
D (2) |
I (3) |
C (4) |
CT (5) |
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Fi (%) |
Fi (%) |
Fi (%) |
Fi (%) |
Fi (%) |
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Constructo “Autoconfiança” |
4,18 (± 0,21) |
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Estou confiante em que domino o conteúdo da atividade de simulação que meu professor me apresentou. |
3,82 (± 0,85) |
- |
2 (5,1%) |
12 (30,8%) |
16 (41,0%) |
9 (23,1%) |
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É responsabilidade do professor dizer-me o que eu preciso aprender na temática desenvolvida na simulação durante a aula. |
4,13 (± 0,86) |
- |
1 (2,6%) |
9 (23,1%) |
13 (33,3%) |
16 (41,0%) |
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Eu sei como usar atividades de simulação para aprender habilidades. |
4,36 (± 0,81) |
- |
2 (5,1%) |
2 (5,1%) |
15 (38,5%) |
20 (51,3%) |
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Estou confiante em que esta simulação incluiu o conteúdo necessário para o domínio do currículo. |
4,54 (± 0,72) |
- |
1 (2,6%) |
2 (5,1%) |
11 (28,2%) |
25 (64,1%) |
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Eu sei como obter ajuda quando eu não entender os conceitos abordados na simulação. |
4,18 (± 0,94) |
- |
2 (5,1%) |
8 (20,5%) |
10 (25,6%) |
19 (48,7%) |
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Estou confiante em que estou desenvolvendo habilidades e obtendo os conhecimentos necessários a partir desta simulação para executar os procedimentos necessários em um ambiente clínico. |
4,05 (± 0,94) |
- |
3 (7,7%) |
7 (17,9%) |
14 (35,9%) |
15 (38,5%) |
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O meu professor utilizou recursos úteis para ensinar a simulação. |
4,1 (± 0,91) |
- |
2 (5,1%) |
8 (20,5%) |
13 (33,3%) |
16 (41,0%) |
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É minha responsabilidade como o aluno aprender o que eu preciso saber através da atividade de simulação. |
4,23 (± 1,01) |
1 (2,6%) |
1 (2,6%) |
7 (17,9%) |
9 (23,1%) |
21 (53,8%) |
Legenda: *DP: Desvio Padrão / **Fi: Frequência absoluta. / ***%: Frequência relativa. A média, o desvio padrão, a frequência absoluta e a frequência relativa foram calculados e analisados pela estatística descritiva. / DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; CT – Concordo Totalmente. Nota: (n=39)
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
No constructo “Autoconfiança”, o item com maior média foi “Estou confiante em que esta simulação incluiu o conteúdo necessário para o domínio do currículo” (µ=4,54±0,72), com maior frequência nas categorias concordo (n=11; 28,2%) e concordo totalmente (n=25; 64,1%). O item com menor média foi “Estou confiante em que domino o conteúdo da atividade de simulação que meu professor me apresentou” (µ=3,82±0,85).
Observa-se que, apesar de alguns itens apresentarem médias mais baixas dentro do constructo, os escores ainda são elevados no contexto da escala (>3,5).
Considerando a ausência de normalidade previamente identificada, procedeu-se à análise da associação entre Satisfação e Autoconfiança por meio de teste não paramétrico de correlação de Spearman. A análise revelou uma associação positiva moderada a forte entre a satisfação e a autoconfiança (ρ = 0,66; p < 0,001).
A Figura 2 apresenta a representação visual da relação entre os constructos a partir dos dados inferenciais obtidos.
Figura 2 – Relação entre os escores médios de Satisfação e Autoconfiança segundo modelo de regressão linear simples (n=39). Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2025

Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
No gráfico de dispersão, observa-se uma tendência ascendente, indicando associação positiva entre os escores médios de satisfação e autoconfiança.
Para explorar a relação preditiva entre os constructos, foi ajustado um modelo de regressão linear simples, cuja adequação foi confirmada pela análise de normalidade dos resíduos (p=0,194). O resultado demonstrou um coeficiente de determinação R²=0,612, indicando que 61,2% da variabilidade da autoconfiança dos graduandos foi estatisticamente associada aos escores de satisfação com o treinamento em laboratório.
DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo demonstraram níveis elevados de satisfação e autoconfiança entre os graduandos após a participação no treinamento de vias de administração mediado por experiências baseadas em simulação. Esses achados indicam que a estratégia esteve associada a percepções mais favoráveis para a aprendizagem e para o fortalecimento da segurança na execução das habilidades, atendendo ao objetivo proposto.
No constructo satisfação, observou-se predominância de avaliações positivas, o que corrobora estudos que identificam a simulação como uma ferramenta associada a maior engajamento, motivação e experiências significativas de aprendizagem(8,9,13,14). A literatura destaca que atividades práticas estruturadas podem favorecer a participação ativa do estudante e ampliar a compreensão dos conteúdos, o que se alinha ao padrão encontrado neste estudo(13,14).
O item menos bem avaliado no constructo satisfação esteve relacionado à reflexão sobre o próprio desempenho. Esse aspecto converge parcialmente com estudos que demonstram que a qualidade do debriefing pode influenciar diretamente a profundidade do processo reflexivo(9,15). Assim, a menor pontuação observada pode refletir a necessidade de aprimoramento dessa etapa para potencializar a consolidação da aprendizagem.
Na avaliação do constructo autoconfiança, os graduandos relataram sentir-se mais preparados para aplicar o conhecimento adquirido, convergindo com achados de pesquisas que indicam a simulação como importante estratégia para fortalecer a autonomia e a segurança do estudante(8,16). Estudos similares também observaram que a percepção de domínio do conteúdo e a familiaridade com o ambiente simulado contribuem para maior autoconfiança durante a prática clínica(9,14).
A associação positiva observada entre Satisfação e Autoconfiança (ρ=0,66) pode ser classificada como moderada a forte, indicando que estudantes mais satisfeitos com a experiência simulada tendem a apresentar níveis mais elevados de autoconfiança na aprendizagem. Resultados semelhantes têm sido reportados em estudos recentes, que demonstram relação consistente entre experiências simuladas bem estruturadas, maior satisfação discente e aumento da autoconfiança para a prática clínica(17).
A análise de regressão linear indicou que 61,2% da variabilidade da Autoconfiança apresentou associação estatística com os escores de Satisfação. Em estudos na área da educação em saúde, valores elevados de R² são incomuns, uma vez que os fenômenos educacionais são multifatoriais e influenciados por variáveis individuais, acadêmicas e contextuais. Evidências recentes sugerem que modelos voltados à compreensão de fenômenos relacionados à simulação raramente alcançam coeficientes de determinação elevados, o que reforça a relevância do valor observado neste estudo(18).
Apesar da associação observada, 38,8% da variância permaneceu não explicada pelo modelo, o que é esperado em constructos de natureza complexa e multifatorial. Estudos recentes destacam que fatores como experiências acadêmicas prévias, maturidade educacional, características individuais e estratégias pedagógicas complementares também influenciam a percepção de autoconfiança dos estudantes(19,20). Assim, a variabilidade não explicada pela satisfação com o treinamento reforça a necessidade de abordagens educacionais integradas e de investigações futuras que considerem múltiplas dimensões do processo formativo.
As limitações deste estudo incluem a amostra por conveniência, o que restringe a generalização dos resultados, e o fato de ter sido realizado em um único cenário de ensino. Além disso, o uso de instrumento de autorrelato pode introduzir vieses, como o de desejabilidade social. O delineamento transversal, sem avaliação prévia, impede o estabelecimento de relações causais ou a análise da evolução temporal da aprendizagem.
Dessa forma, os resultados reforçam que o treinamento mediado por experiências baseadas em simulação constitui uma estratégia associada a maiores níveis de satisfação, ao fortalecimento da autoconfiança e ao apoio ao desenvolvimento de competências essenciais à formação do enfermeiro. Recomenda-se que estudos futuros explorem diferentes formatos de simulação, a influência do debriefing e o uso de delineamentos longitudinais para avaliar a retenção do conhecimento e sua aplicação em ambientes clínicos reais.
CONCLUSÃO
Observou-se elevada satisfação e autoconfiança autorreferidas pelos graduandos após o treinamento de habilidades em laboratório, mediado por prática simulada. Identificou-se associação positiva entre os escores de satisfação e autoconfiança. Esses achados sugerem que atividades práticas estruturadas em laboratório podem apoiar a formação inicial em Enfermagem, devendo sua interpretação considerar as limitações do delineamento transversal e da amostra por conveniência.
CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declaram não haver conflito de interesses.
USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Durante a preparação deste trabalho, os autores utilizaram a ferramenta de inteligência artificial generativa ChatGPT (OpenAI) como apoio para revisão textual, organização do manuscrito e auxílio na busca de artigos científicos. A busca realizada com auxílio da ferramenta teve caráter complementar, sendo os estudos posteriormente analisados criticamente pelos autores quanto à relevância, qualidade e adequação ao tema proposto, antes de sua incorporação ao manuscrito. Após a utilização da ferramenta, os autores revisaram e editaram integralmente o conteúdo e assumem total responsabilidade pela precisão dos dados apresentados e pela integridade das referências citadas.
REFERÊNCIAS
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Submissão: 19-Dez-2025
Editores:
Rosimere Ferreira Santana (ORCID: 0000-0002-4593-3715)
Geilsa Soraia Cavalcanti Valente (ORCID: 0000-0003-4488-4912)
Autor correspondente: Bianca Campos Oliveira (bianca.campos.oliveira@gmail.com)
Editora:
Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa – UFF
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