
PESQUISA DE IMPLEMENTAÇÃO
CORRELAÇÃO ENTRE INDICADORES DE QUALIDADE EM INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS: ESTUDO DE IMPLEMENTAÇÃO
Alexandre Félix Galdino1, Amanda Ribeiro Vivas da Corte2, Marina de Freitas Lopes3, Ramon de Araujo Pontes4, Rayane Cristina de Assis da Silva5, Alice Silva Osterne Ribeiro6, Julia Campos de França7, Celeste Maria Thomaz Campos8, Gladston Jose de Paula Santos9, Francisca Jaqueline Freitas10, Francisco Victor Hugo Magalhães Souza11, Heitor Moreira Gomes12, Stefany Cassano Quintão13, Ana Luiza Campos Sampaio14, Rosimere Ferreira Santana15
1 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0001-9478-7689. E-mail: alexandre21felix@edu.unirio.br.
2 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0008-8210-8379. E-mail: amandavivas@id.uff.br.
3 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0003-3573-9542. E-mail: marina_lopes@id.uff.br.
4 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0008-4342-1362. E-mail: ramonpontes@id.uff.br.
5 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0002-6898-4950. E-mail: rayaneassis@id.uff.br.
6 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0000-0001-5312-8188. E-mail: aosterne@id.uff.br.
7 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0000-0002-8164-3889. E-mail: juliafranca.jf@gmail.com.
8 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0009-8925-3402. E-mail: celestethomaz@gmail.com.
9 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0002-9850-2406. E-mail: gladstonjose@gmail.com.
10 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0008-0087-2550. E-mail: jaqueftorres@gmail.com.
11 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0008-5683-027X. E-mail: homefisiotterapia@gmail.com.
12 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0000-0002-1414-9987. E-mail: lei.heitor@gmail.com.
13 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0004-2878-3083. E-mail: stefanycassanonutri@gmail.com.
14 Villa Vecchia Hospedagens, Serviços e Eventos LTDA. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0009-0006-4186-5205. E-mail: analuizasaampaio@gmail.com.
15 Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. ORCID: 0000-0002-4593-3715. E-mail: rfsantana@id.uff.br.
RESUMO
Objetivo: Correlacionar indicadores de avaliação da qualidade em Instituições de Longa Permanência para Idosos. Método: Estudo de implementação, longitudinal, prospectivo realizado com ciclos de treinamento da equipe multidisciplinar e monitoramento mensal e/ou semestral de 21 indicadores, coletados em planilha em Excel durante um ano (maio/2023 e agosto/2024), discutidos em reunião mensal com a equipe, líder de pesquisa e bolsistas acadêmico. Para análise foi aplicado o Teste de Spearman para correlações significativas (p<0,05; p<0,10). Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Análise longitudinal dos indicadores revelou padrões clínicos geriátricos consagrados na literatura e outros sazonais como: Mortalidade correlacionou-se com desnutrição (0,033); Diarreia com infecção urinária (0,010) Dor (0,032) ausência de visita dos familiares (0,002) pediculose (0,021); Desnutrição com Lesão por pressão (0,026); Infecção urinária com Dor (0,011); Constipação com infeção respiratória (0,026); Queda com funcionalidade (0,043) e Lesão por fricção (0,095; p<0,10); Funcionalidade com Cuidados bucais (0,029); Dor com ausência de visita familiares (0,026) Pediculose (0,010). Conclusão: Esse estudo recomenda a ampliação dos indicadores como estratégia para qualificar a avaliação da assistência prestada nas Instituições de Longa Permanência para Idosos a fim de identificar fragilidades, reconhecer boas práticas e alocar eficientemente os recursos.
Descritores: Instituições de Longa Permanência para Idosos; Enfermagem Geriátrica; Saúde do Idoso; Serviços de Saúde para Idosos; Indicadores de Qualidade.
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Como citar: Galdino AF, Corte ARV, Lopes MF, Pontes RA, Silva RCA, Ribeiro ASO, et al. Correlation between quality indicators in long-term care facilities for older adults: implementation study. Online Braz J Nurs. 2026;25(1):e20266929.http://doi.org/10.17665/1676-4285.20266929 |
O que já se sabe:
Instituições de Longa Permanência para Idosos ampliaram como serviços sócio sanitários híbridos, com necessidades de saúde e social.
No Brasil, a Resolução da Diretoria Colegiada nº 502/2021 da ANVISA estabelece um conjunto mínimo de seis (6) indicadores obrigatórios.
A literatura aponta que indicadores normativos são insuficientes para captar a complexidade do cuidado geriátrico, demanda abordagens multidimensionais e multiprofissionais.
O que este artigo acrescenta:
Estudo implementa e monitora 15 novos indicadores de qualidade sensíveis à geriatria e gerontologia.
A utilização de um programa de treinamento, baseado em ciclos Plan-Do-Check-Act, mostrou-se relevante para implementação dos indicadores.
Houve correlações entre os indicadores que apontam a multicomplexidade e interseções do cuidado gerontológico.
INTRODUÇÃO
A busca pela melhoria contínua da qualidade nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) impulsiona a consolidação de práticas assistenciais seguras e centradas na pessoa idosa(1). Esse processo envolve a avaliação sistemática, o planejamento e a implementação de ações voltadas aos padrões de cuidado e à promoção de resultados assistenciais(2). Nesse contexto, a avaliação da qualidade é mediada por indicadores que mensuram o desempenho institucional e orientam o processo decisório, sustentando a gestão baseada em evidências.
As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) são serviços de caráter residencial destinados a pessoas com 60 anos ou mais que necessitam de cuidados continuados e acompanhamento multiprofissional e suporte à saúde(3). No Brasil, sua origem remonta ao modelo assistencialista e filantrópico, como casas de caridade. Com o avanço do envelhecimento populacional e das políticas públicas voltadas à pessoa idosa, essas instituições passaram por importante transformação normativa e conceitual, incorporando princípios de dignidade, autonomia, promoção da funcionalidade e segurança do paciente(4,5).
A regulamentação sanitária foi consolidada inicialmente pela Resolução da Diretoria Colegiada nº 283 e, posteriormente atualizada pela Resolução da Diretoria Colegiada nº 502 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabeleceu requisitos estruturais, organizacionais e de monitoramento de seis indicadores que devem ser monitorados nas em Instituições de Longa Permanência para Idosos: taxa de mortalidade, incidência de doenças diarreicas, incidência de escabiose, incidência de desidratação, prevalência de lesão por pressão e prevalência de desnutrição(3).
Esses indicadores constituem o mínimo de acompanhamento, mas sua abrangência ainda é restrita diante à complexidade do cuidado geriátrico, constituindo-se necessário ampliar incluindo parâmetros que avaliem aspectos funcionais, emocionais e sociais do envelhecimento. A literatura aponta que indicadores normativos são insuficientes para captar a complexidade do cuidado geriátrico e gerontológico, de forma holística os aspectos multidimensionais e multiprofissionais envolvidos(6-8).
Corroborando com a literatura que ressalta a prevalência de doenças crônicas, as limitações funcionais e a crescente demanda por cuidados gerontológicos entre os principais desafios associados ao envelhecimento, associados aos contextos de vulnerabilidade social, ausência de suporte familiar e alta dependência funcional, exigindo respostas integradas dos sistemas de saúde e assistência social(9-10).
Nesse cenário, as Instituições de Longa Permanência para Idosos assumem protagonismo ao oferecerem cuidado contínuo direcionado à promoção da dignidade e da qualidade de vida dos residentes. Entretanto, as diferenças entre as regiões brasileiras frente às desigualdades estruturais, escassez de profissionais qualificados e limitações de acessibilidade precarizam a qualidade dos serviços das Instituições de Longa Permanência para Idosos pelo Brasil(11). Isso reforça a necessidade de estudos de implementação que revelam a importância do acompanhamento de indicadores multidimensionais e suas correlações com o cuidado.
Contudo, delimitou-se como objetivo desse estudo: Correlacionar indicadores de avaliação da qualidade em Instituições de Longa Permanência para Idosos. Assim, almeja-se o fortalecimento de indicadores multidimensionais, a criação de instrumentos de autoavaliação aplicáveis à realidade institucional de cuidados de longa duração, aliados à capacitação profissional contínua e ao aprimoramento de sistemas de monitoramento baseados em indicadores que orientem a tomada de decisão e promovam a melhoria da qualidade assistencial. Busca-se dessa forma, subsidiar uma abordagem ampliada da qualidade do cuidado, integrando aspectos físicos, emocionais e sociais do envelhecimento.
MÉTODO
Trata-se de um estudo de implementação, longitudinal, prospectivo, adotou-se as diretrizes do SQUIRE 2.0 (Standards for Quality Improvement Reporting Excellence).
Contexto
Estudo realizado em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos, localizada na cidade de Niterói, com 24 anos de contribuição ao envelhecimento digno com cuidado atento, no período de maio de 2023 à agosto de 2024. Essa Instituição de Longa Permanência para Idosos integra como Instituição coparticipante o Projeto de Extensão ILPI Escola no campo de ensino teórico-prático de graduação e Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso.
A instituição possui 40 vagas, variando em sua taxa de ocupação, com 28 idosos institucionalizados, e em grau de complexidade, demandando uma abordagem multidisciplinar no cuidado. Para esse estudo, foram inicialmente incluídos 26 idosos institucionalizados que residem há pelo menos três meses para garantir maior estabilidade nas condições de saúde e consistência nos dados coletados, apesar da variabilidade pela taxa de mortalidade e de admissão. A equipe multidisciplinar da instituição integrou e participou na implementação da pesquisa: 02 médicos, 02 enfermeiros, 02 fisioterapeutas, 02 nutricionistas, 02 psicólogos, 05 residentes e estagiários em medicina e enfermagem, que coletaram e monitoraram os indicadores definidos pelo estudo(12).
Intervenção
A implementação foi um Programa de Extensão da Universidade Federal Fluminense denominado ILPI-Escola fundamentado no modelo Plan-Do-Check-Act (PDCA) onde ciclos contínuos de planejamento, execução, análise e ajustes promovem a melhoria progressiva dos cuidados e da medida dos indicadores(13,14), como demonstrado na Tabela 1.
Tabela 1 – Aplicação prática do ciclo PDCA para implementação de melhoria de qualidade na ILPI. Niterói, RJ, Brasil, 2025
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ETAPA DO PDCA |
APLICAÇÃO PRÁTICA |
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Planejar (Plan) |
O diagnóstico situacional da ILPI foi realizado, identificando as principais fragilidades relacionadas ao acompanhamento da saúde dos residentes e à ausência de indicadores sistematizados. Com base nessa análise, foram selecionados 21 indicadores de saúde, elaborados a partir de evidências científicas e ajustados às necessidades específicas da população institucionalizada. Definiram-se, então, as metas de desempenho, os responsáveis pelas coletas e a periodicidade de monitoramento. |
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Executar (Do) |
Os indicadores propostos foram implementados na rotina da instituição, assegurando a padronização dos registros e a compreensão dos critérios de avaliação. Iniciou-se o registro dos dados e o acompanhamento inicial dos resultados. |
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Verificar (Check) |
Foi realizada a análise dos resultados obtidos a partir dos indicadores aplicados, permitindo identificar avanços, lacunas e não conformidades, além de verificar a adequação dos instrumentos e a adesão da equipe às novas práticas. |
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Agir (Act) |
Com base nas informações analisadas, foram ajustados os indicadores e processos, padronizando as melhorias consolidadas e o reforço das ações que demonstraram efetividade. Buscou-se garantir a sustentabilidade das mudanças e fomentar a cultura de melhoria contínua na instituição. |
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
Cada ciclo contou com a participação da equipe de pesquisa e da instituição, utilizando o monitoramento comparativo de dados antes, durante e após as intervenções como principal instrumento para verificar as mudanças registradas e discutidas nas reuniões mensais. A equipe multidisciplinar revisava continuamente os dados e realizava ajustes necessários, mantendo um ciclo de feedback fundamentado no PDCA, útil para validar a efetividade das intervenções e confirmar sua relação com a melhora da qualidade do cuidado e da saúde dos idosos institucionalizados.
A equipe multidisciplinar atuou na aplicação e monitoramento dos indicadores, com reunião mensal para apresentação e discussão, conforme suas competências: nutricionistas acompanharam desnutrição, desidratação e consistência alimentar; fisioterapeutas quedas, funcionalidade; enfermeiros lesões e contenção; médicos dor, infecções, revisão medicamentosa, desprescrição e alterações comportamentais; odontologista saúde bucal; psicólogo ausência familiar e participação nas atividades. Essa abordagem integrada e multidimensional possibilitou a implementação sistemática e adaptada às necessidades específicas das pessoas idosas institucionalizadas.
Treinamento da equipe
A confiabilidade dos dados foi garantida pela padronização dos procedimentos de coleta de dados e capacitação da equipe multidisciplinar em 4 treinamentos de 2 horas, organizados de modo sistemático para garantir uniformidade na mensuração dos indicadores(9,12,13). A análise abrangeu variáveis ambientais, comunicacionais entre a equipe, de rotatividade de profissionais e adesão dos idosos institucionalizados e sua influência nos resultados observados(14,15).
Para garantir a captação e interpretação contínua das barreiras e facilitadores ao longo da implementação foi adotado um modelo de monitoramento participativo. Reuniões regulares com a equipe multidisciplinar permitiram acompanhar a evolução dos indicadores, levantar dificuldades emergentes e identificar adaptações necessárias. As mudanças contextuais como sazonalidade, alteração no perfil dos idosos institucionalizados ou rotatividade de pessoal foram documentadas e incorporadas à análise para melhor interpretação dos resultados. Também foram implementados sistemas de acompanhamento e auditoria interna, com revisão cíclica dos dados a cada etapa de intervenção(10,16,17).
Medições
Esse estudo avança na avaliação ampliada de 15 Indicadores, são eles: Infecção urinária; Constipação; Queda; Funcionalidade; Cognição; Lesão por fricção; Desprescrição medicamentosa; Mudança de consistência alimentar; Alterações comportamentais; Infecções do trato respiratório; Dor; Cuidados bucais; Ausência de visita dos familiares; Não participação em atividades; Pediculose. Chegou-se a esses indicadores mediante revisão de literatura sistemática e discussão em equipe, esses descritos no Guia prático de mensuração dos indicadores com checklists instrutivos para a equipe multiprofissional, que se encontra como material suplementar a esse artigo descritos na Tabela 2.
As medições eram realizadas diariamente pela equipe assistencial e pela equipe de pesquisa semanalmente, e a discussão integrada dos casos para inclusão em planilha mensalmente. Houve exceção de três (3) indicadores que foram avaliados semestrais, ou a depender da mudança do quadro clínico-social da pessoa idosa.
Tabela 2 – Definição conceitual e operacional das medidas de melhoria da qualidade. Niterói, RJ, Brasil, 2025
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Nº |
INDICADOR |
DEFINIÇÃO CONCEITUAL |
DEFINIÇÃO OPERACIONAL |
REFERÊNCIAS |
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1 |
MORTALIDADE* |
Número de óbitos entre os idosos institucionalizados da instituição. |
Número de óbitos ocorridos e anotados em prontuário médico com o motivo da morte e circunstâncias. |
(3,7,11,16,17) |
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2 |
DOENÇA DIARREICA AGUDA* |
Síndrome causada por vários agentes etiológicos cuja manifestação predominante é o aumento do número de evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência. Com frequência, é acompanhada de vômito, febre e dor abdominal. |
Número de idosos com registro no prontuário do paciente, com número de episódios e aspecto, relação com medicamentos e ou condição clínica. |
(3,18,19) |
|
3 |
ESCABIOSE* |
Parasitose da pele causada por um ácaro cuja penetração causa lesões em forma de vesículas, pápulas ou pequenos sulcos, onde ocorre deposição de ovos. |
Número de idosos com registro no prontuário do paciente e iniciar medidas para prevenção da transmissão para outros idosos institucionalizados. |
(3) |
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4 |
DESIDRATAÇÃO* |
Insuficiência de líquidos corpóreos para manter as funções normais em um nível adequado; deficiência de água e eletrólitos corpóreos com perdas superiores à ingestão. |
Número de idosos com Exame laboratorial Ureia-Creatinina no sangue >20 mg/dL; avaliar visualmente a língua e o ressecamento das mucosas; turgor cutâneo deficiente. Apresentação de 2 destes sintomas: membranas mucosas secas, constipação, hipotensão, língua inchada, olhos fundos e infecção crônica. Considera-se um episódio de desidratação quando: uma hospitalização por desidratação, uma administração no local de fluidos intravenosos para desidratação ou BUN/creatinina >25:1. |
(3,16,19) |
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5 |
LESÃO POR PRESSÃO* |
Dano localizado na pele e/ou tecido mole subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea ou devido ao uso de dispositivos de saúde. A lesão pode apresentar-se em pele íntegra ou como lesão aberta, podendo ser dolorosa. Ocorre como resultado de uma pressão intensa e/ou prolongada ou em combinação com o cisalhamento. |
Número de idosos institucionalizados com lesão por pressão identificada, com risco avaliado por meio da Escala de Braden, registro da categoria da lesão, mensuração do tamanho (comprimento, largura e profundidade), tipo de cobertura utilizada e avaliação do estado nutricional, com reavaliação das lesões de espessura parcial em até duas semanas, conforme registro em prontuário. |
(3,19,20,21) |
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6 |
DESNUTRIÇÃO* |
Condição causada por ingestão ou digestão inadequada de nutrientes, proveniente de dieta não balanceada, problemas digestivos, problemas de absorção ou problemas similares. |
Número de idosos institucionalizados avaliados quanto ao estado nutricional, com registro do peso corporal e identificação de redução da ingestão oral, documentação de perda ponderal, presença de condições comórbidas associadas, investigação de causas potencialmente reversíveis e consideração de alternativas à alimentação oral (sonda enteral ou gastrostomia) quando indicado. A avaliação nutricional deverá ser realizada por meio da Mini Avaliação Nutricional (MAN), circunferência da panturrilha, dobras cutâneas e bioimpedância, quando disponível, bem como dosagem de proteínas séricas em casos graves, conforme registro em prontuário. |
(3,19,20,21) |
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7 |
INFECÇÃO URINÁRIA |
Infecção bacteriana que acomete a bexiga e estruturas associadas, sendo a causa mais comum de hospitalização entre idosos. Pode ser causada pela higiene íntima incorreta, baixa ingesta de água, diabetes e constipação. |
Número de diagnósticos clínicos de infecção urinária confirmados por sintomas (disúria, febre, mudança comportamental) e/ou exame laboratorial em prontuário; urina tipo I e urocultura. |
(22) |
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8 |
CONSTIPAÇÃO |
Sintoma caracterizado por: fezes endurecidas, evacuações irregulares, necessidade de um esforço excessivo para evacuar, uma tentativa persistente de evacuar em tempo excessivo ou que resulte em pouca produção de fezes. |
Número de idosos institucionalizados com registros de constipação intestinal em prontuário pela equipe de enfermagem, caracterizada por relato de cuidadores ou do próprio residente de ausência de evacuação por período prolongado, fezes endurecidas, esforço evacuatório, bem como pela identificação de massa fecal palpável durante avaliação clínica, conforme documentação assistencial. |
(19,23) |
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9 |
QUEDA |
Deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, provocado por circunstâncias multifatoriais, resultando ou não em dano. |
Número de quedas ocorridas entre os idosos institucionalizados em determinado período, com ou sem consequências físicas, registradas em prontuário como evento adverso, com abertura e acompanhamento de protocolo institucional de prevenção e manejo de quedas, conforme documentação assistencial. |
(24) |
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10 |
FUNCIONALIDADE |
Engloba todas as funções do corpo, atividades e participação, indicando os aspectos positivos ou facilitadores da interação entre um indivíduo e os seus fatores contextuais. |
Avaliação semestral da perda ou manutenção da funcionalidade dos idosos institucionalizados por meio de escalas padronizadas, incluindo o Índice de Barthel, o teste Timed Up and Go e a mensuração da força de preensão palmar, com registro dos resultados em prontuário para monitoramento da capacidade funcional ao longo do tempo. |
(16,24,25) |
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11 |
COGNIÇÃO |
Capacidade de perceber, integrar, compreender e responder adequadamente a todos os estímulos do ambiente em que uma pessoa está inserida. |
Avaliação Semestral de idoso institucionalizados com perda ou manutenção da cognição por escalas (MMSE e CDR para os não aplicáveis) e detecção precoce de déficits neurocognitivos. |
(9,13) |
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12 |
LESÃO POR FRICÇÃO |
Ferida na pele comum em indivíduos em extremos de idade, caracterizada pela presença de retalho de pele que pode ser epidérmico, quando há traumatismo que separa a epiderme da derme, ou dermoepidérmico, quando o traumatismo separa a derme e epiderme das estruturas adjacentes. Tem como principais causas cisalhamento, atrito e traumas sem corte. |
Número de casos de lesão por fricção identificados entre os idosos institucionalizados, classificados quanto à gravidade e ao risco, avaliados por meio de escala padronizada (STAR – Skin Tear Audit Research), com registro em prontuário para monitoramento e acompanhamento das lesões. |
(26,27) |
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13 |
DESPRESCRIÇÃO MEDICAMENTOSA |
Interrupção da prescrição de certas medicações baseado na avaliação do risco-benefício de cada medicamento para minimizar a polifarmácia e, consequentemente, os riscos à saúde que podem causar. |
Número de medicamentos suspensos com base na avaliação dos riscos e benefícios, evitando polifarmácia. |
(28,29) |
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14 |
MUDANÇA DE CONSISTÊNCIA ALIMENTAR |
Alteração na consistência da dieta (pastosa, líquida, triturada), por indicação nutricional, médica ou fonoaudiológica frente a necessidade de atendimento às dificuldades de deglutição, disfagia, problemas digestivos ou outras condições neurocognitivas que afetem o comportamento alimentar. |
Número de idosos institucionalizados que tiveram alterações na textura e consistência dos alimentos. |
(20,25) |
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15 |
ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS |
Mudança de comportamento habitual com alterações de humor, expressando apatia, agressividade e/ou agitação. |
Número de idosos institucionalizados com episódios de alterações comportamentais identificados em avaliação pela equipe multiprofissional, mensurados por meio do Inventário Neuropsiquiátrico (NPI), com registro em prontuário para monitoramento da frequência e da gravidade dos sintomas. |
(9,30,31) |
|
16 |
INFECÇÕES DO TRATO RESPIRATÓRIO |
Infecções que provocam obstrução na passagem de ar, afetando o trato respiratório superior e/ou inferior, estando entre as principais causas de morbimortalidade em todo o mundo. |
Número de diagnósticos de infecções respiratórias (vias superiores ou inferiores), com confirmação clínica. |
(16,32) |
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17 |
DOR |
É uma experiência sensorial e emocional associada a alguma lesão real ou potencial dos tecidos. |
Número de idosos institucionalizados com dor identificada em avaliações regulares utilizando escalas de dor padronizadas: EVA e ou Avaliação da dor em escalas para demência avançada (PAINAD). |
(9,10,11) |
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18 |
CUIDADOS BUCAIS |
Visita do odontologista ao residente, conforme solicitado pela família ou pela equipe multidisciplinar. |
Avaliação Semestral realizadas com ações de cuidado bucal escovação supervisionada, uso de prótese adequadas, uso de técnicas adaptadas. |
(19,33) |
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19 |
AUSÊNCIA DE VISITA DOS FAMILIARES |
Controle diante das visitas as pessoas idosas institucionalizados, tanto para acompanhamento quanto para socialização do idoso. |
Número de idosos institucionalizados que não receberam visitas no mês conforme registros de controle de entrada e saída de visitantes. |
(15,34) |
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20 |
NÃO PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADES |
Meio de análise da participação do idoso nas atividades propostas por todos da equipe, regulando sua socialização e os níveis de complexidade e progressão da doença. |
Número de idosos institucionalizados que não participaram de nenhuma das atividades programadas no mês, correlacionando com grau de dependência ou desinteresse, mesmo após adaptação da atividade de forma personalizada. |
(1,13) |
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21 |
PEDICULOSE |
Infestação causada pelo ectoparasita hematófago Pediculus humans capitis, localizada principalmente no couro cabeludo. Causam lesões pruriginosas locais e podem manifestar complicações como infecções bacterianas, micoses e miíases caso não tratado adequadamente. |
Número de casos diagnosticados de pediculose entre os idosos institucionalizados. |
(35) |
*Indicador RDC 502 Anvisa.
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
Análise dos indicadores
As informações foram integradas em planilha de melhoria contínua, permitindo correlacionar resultados e identificar fatores que influenciaram a efetividade das ações(14). Adotou-se abordagem longitudinal com coletas em múltiplos períodos para avaliar variações temporais e distinguir efeitos da intervenção de fatores contextuais ou sazonais(9,10). Os indicadores foram monitorados em ciclos mensais e semestrais por um ano, identificando tendências e padrões(16). Utilizou-se o teste de Spearman, adequado a variáveis ordinais ou contínuas sem normalidade, convertendo dados em rankings e gerando coeficiente de correlação (r) entre -1, correlação negativa perfeita (aumento de uma variável associado à redução de outra), e +1, correlação positiva perfeita (aumento simultâneo de ambas variáveis). Ressalta-se que a correlação não implica relação causal entre as variáveis(9). Adotaram-se níveis de significância de 5% e 10% (p < 0,05; p < 0,10), considerando correlação estatisticamente significativa quando o p-valor foi inferior a esses limites.
Considerações Éticas
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob número de parecer 7.202.873, CAAE: 81010724.8.0000.8160, assegurando conformidade com os princípios éticos da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Ressalta-se que os participantes, ou seus representantes legais, forneceram consentimento informado. Além disso, foi garantido o anonimato dos idosos institucionalizados e a confidencialidade dos dados coletados.
RESULTADOS
Na Tabela 3 apresentam-se as principais características do perfil dos idosos institucionalizados.
Tabela 3 – Perfil dos idosos institucionalizados. Niterói, RJ, Brasil, 2025
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Variável |
n |
% |
|
|
Sexo |
F |
21 |
80,77 |
|
|
M |
5 |
19,23 |
|
Idade |
70-80 |
8 |
30,77 |
|
|
81-90 |
10 |
38,46 |
|
|
91-100 |
8 |
30,77 |
|
Diagnóstico médico principal – motivo da institucionalização |
Síndrome demencial |
23 |
88,47 |
|
|
Psiquiátrico |
3 |
11,53 |
|
Tempo de institucionalização |
1 ano |
7 |
26,93 |
|
|
2 a 3 anos |
6 |
23,07 |
|
|
4 a 5 anos |
6 |
23,07 |
|
|
6 a 7 anos |
3 |
11,53 |
|
|
8 a 9 anos |
2 |
7,68 |
|
|
10 anos |
1 |
3.84 |
|
|
17 anos |
1 |
3.84 |
|
Grau de dependência |
I |
3 |
11,53 |
|
|
II |
14 |
53,84 |
|
|
III |
9 |
34,63 |
|
Idade - média |
85,8 (71-100) |
||
|
Tempo de institucionalização - média |
4,19 (1-17 anos) |
||
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
Observa-se um perfil de idosos majoritariamente feminino, muito idoso com mais de 85 anos ao se analisar a média de idade, com diagnóstico principal o Diagnóstico de Síndrome demencial, com variação de internação ampla, mas como esperado a maioria de 1 a 5 anos, média de 4,19, quanto ao grau de dependência dos cuidados a maioria 88,47% dependem de auxílio para as atividades de vida diária em sua maioria banho e autocuidado.
Na Tabela 4, observa-se as correlações entre os indicadores medidos, ou seja, isso explica a complexidade do cuidado, em que muitas vezes os idosos têm condições clínicas associadas e há necessidade de uma avaliação multidimensional em geriatria nas ILPIs. Ainda mais, em idosos que residem a muito tempo na instituição, ocorre a necessidade de acompanhamento sistemático de avaliação. Ressalta-se, na cor cinza, a correlação significativa no nível 0,05 (bilateral) e, na cor laranja, a correlação significativa no nível 0,10 (bilateral). Cabe ressaltar que os Indicadores Q10 (funcionalidade) e Q11 (Cognição) deram os mesmos resultados nos idosos e foram agrupados pois auxiliam na classificação do Nível de dependência I, II e III. E os Indicadores Q19 Ausência de visita dos familiares e Q20 Não participa das atividades foram encontrados nesse primeiro estudo como nos mesmos idosos, e naqueles mais dependentes, por isso, foram agrupados.
Tabela 4 – Correlação de Spearman entre os indicadores da pesquisa. Niterói, RJ, Brasil, 2025
|
|
|
|
Q2 |
Q3 |
Q4 |
Q5 |
Q6 |
Q7 |
Q8 |
Q9 |
Q10/11 |
Q12 |
Q13 |
Q14 |
Q15 |
Q16 |
Q17 |
Q18 |
Q19/20 |
Q21 |
|
Mortalidade |
Q1 |
Correlação |
-0,110 |
,597* |
-,553* |
-0,184 |
-0,351 |
0,065 |
-0,049 |
0,010 |
-0,187 |
0,085 |
0,400 |
0,192 |
0,176 |
-0,145 |
0,228 |
0,209 |
0,033 |
0,423 |
|
p-valor |
0,696 |
0,019 |
0,033 |
0,511 |
0,200 |
0,818 |
0,863 |
0,973 |
0,506 |
0,763 |
0,140 |
0,492 |
0,530 |
0,605 |
0,414 |
0,454 |
0,907 |
0,116 |
||
|
Doença diarréica aguda |
Q2 |
Correlação |
|
-0,421 |
-0,166 |
-0,288 |
-0,031 |
,639* |
-0,368 |
0,081 |
0,052 |
0,266 |
-0,037 |
-0,064 |
0,143 |
0,053 |
,555* |
0,064 |
,740* |
,589* |
|
p-valor |
|
0,118 |
0,555 |
0,298 |
0,914 |
0,010 |
0,177 |
0,775 |
0,855 |
0,338 |
0,896 |
0,822 |
0,610 |
0,852 |
0,032 |
0,821 |
0,002 |
0,021 |
||
|
Escabiose |
Q3 |
Correlação |
|
|
-0,382 |
-0,105 |
-0,121 |
-0,203 |
0,046 |
-0,033 |
-0,270 |
-0,109 |
0,498 |
0,184 |
0,009 |
0,080 |
-0,203 |
0,158 |
-0,421 |
-0,194 |
|
p-valor |
|
|
0,160 |
0,711 |
0,667 |
0,468 |
0,871 |
0,906 |
0,331 |
0,700 |
0,059 |
0,511 |
0,974 |
0,777 |
0,468 |
0,574 |
0,118 |
0,488 |
||
|
Desnutrição |
Q4 |
Correlação |
|
|
|
0,326 |
,571* |
-0,147 |
0,279 |
0,274 |
0,409 |
-0,096 |
-0,502 |
0,033 |
0,162 |
-0,004 |
-0,350 |
-0,209 |
0,041 |
-0,485 |
|
p-valor |
|
|
|
0,235 |
0,026 |
0,601 |
0,314 |
0,322 |
0,130 |
0,733 |
0,056 |
0,907 |
0,563 |
0,989 |
0,200 |
0,456 |
0,885 |
0,067 |
||
|
Desidratação |
Q5 |
Correlação |
|
|
|
|
0,186 |
-0,316 |
-0,236 |
-0,124 |
-0,184 |
-0,371 |
-0,235 |
0,279 |
-0,186 |
-0,315 |
-0,315 |
-0,184 |
-0,288 |
-0,133 |
|
p-valor |
|
|
|
|
0,506 |
0,252 |
0,397 |
0,659 |
0,511 |
0,173 |
0,399 |
0,313 |
0,507 |
0,253 |
0,252 |
0,511 |
0,298 |
0,637 |
||
|
Lesão por pressão |
Q6 |
Correlação |
|
|
|
|
|
0,102 |
0,312 |
-0,294 |
0,071 |
0,239 |
-0,099 |
0,201 |
0,119 |
-0,007 |
-0,284 |
0,028 |
-0,110 |
-0,422 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
0,716 |
0,258 |
0,288 |
0,803 |
0,392 |
0,725 |
0,474 |
0,673 |
0,979 |
0,304 |
0,922 |
0,695 |
0,117 |
||
|
Infecção urinária |
Q7 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
-0,191 |
0,057 |
-0,049 |
-0,042 |
0,346 |
-0,235 |
0,099 |
0,349 |
,633* |
0,305 |
0,408 |
0,444 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
0,496 |
0,841 |
0,863 |
0,882 |
0,206 |
0,400 |
0,727 |
0,203 |
0,011 |
0,269 |
0,131 |
0,097 |
||
|
Constipação |
Q8 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
-0,170 |
0,230 |
0,082 |
-0,219 |
-0,180 |
0,247 |
,572* |
-0,345 |
0,028 |
-0,249 |
-0,438 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
0,545 |
0,410 |
0,772 |
0,434 |
0,521 |
0,375 |
0,026 |
0,208 |
0,922 |
0,370 |
0,103 |
||
|
Queda |
Q9 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
,528* |
-0,447 |
-0,281 |
0,143 |
0,149 |
-0,110 |
0,265 |
0,189 |
0,411 |
0,133 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
0,043 |
0,095 |
0,310 |
0,612 |
0,595 |
0,697 |
0,340 |
0,500 |
0,128 |
0,636 |
||
|
Funcionalidade /cognição/ nível de dependência |
Q10/ Q11 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,196 |
-0,191 |
0,147 |
0,180 |
-0,033 |
0,177 |
,564* |
0,314 |
0,205 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,484 |
0,496 |
0,602 |
0,520 |
0,908 |
0,528 |
0,029 |
0,255 |
0,463 |
||
|
Lesão por fricção |
Q12 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,142 |
0,044 |
0,047 |
-0,142 |
0,013 |
0,183 |
0,325 |
0,222 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,615 |
0,875 |
0,869 |
0,614 |
0,964 |
0,514 |
0,237 |
0,426 |
||
|
Medicamentos / desprescrição |
Q13 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,235 |
-0,095 |
0,190 |
0,121 |
0,268 |
-0,324 |
0,198 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,398 |
0,736 |
0,499 |
0,669 |
0,335 |
0,239 |
0,479 |
||
|
Mudança de Consistência |
Q14 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,147 |
-0,370 |
-0,088 |
0,060 |
-0,076 |
0,003 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,602 |
0,175 |
0,754 |
0,832 |
0,787 |
0,992 |
||
|
Alterações comportamentais |
Q15 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
-0,102 |
0,412 |
-0,052 |
0,264 |
0,058 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,717 |
0,127 |
0,853 |
0,342 |
0,838 |
||
|
Infecção respiratória |
Q16 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
-0,143 |
0,054 |
-0,128 |
-0,213 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,612 |
0,848 |
0,650 |
0,446 |
||
|
Dor |
Q17 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,478 |
,570* |
,640* |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,072 |
0,026 |
0,010 |
||
|
Cuidados bucais (visita 6 em 6m) |
Q18 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,202 |
0,421 |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,470 |
0,118 |
||
|
Ausência de visita dos familiares/Não participação nas atividades |
Q19 Q20 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
,583* |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
0,022 |
||
|
Pediculose |
Q21 |
Correlação |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
- |
|
p-valor |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
- |
Cor cinza sinaliza a correlação é significativa no nível 0,05 (bilateral).
Cor laranja sinaliza a correlação é significativa no nível 0,10 (bilateral).
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
DISCUSSÃO
O principal dado desse estudo trata da ampliação de indicadores para avaliação do cuidado prestado a pessoa idosa residente em ILPI, como padronização de processos, definições conceituais e operacionais. Acrescido dos dados de correlação obtidos entre os indicadores que revelam a possibilidade de um indicador influenciar o outro, e o efeito cascata, ou seja, a multicomplexidade do cuidado gerontológico.
Por isso, a monitorização preventiva de riscos associados à saúde da pessoa idosa de forma multidimensional e a promoção de transparência na gestão das instituições são requeridas. Para isso, a proposta de inclusão de novos indicadores parece contribuir para uma avaliação abrangente do bem-estar das pessoas idosas institucionalizados, auxiliando na identificação de áreas que necessitam de melhorias.
Os indicadores propostos por profissionais e selecionados com base em evidências científicas permitiram identificar variáveis que impactam a qualidade de vida da pessoa idosa institucionalizada e que podem ser reproduzidos. Entretanto, desafios necessitam ser extrapolados para a implementação desses indicadores em Instituições de Longa Permanência para Idosos como recursos limitados, falta de capacitação da equipe e a necessidade de recursos materiais para implementação das intervenções necessárias (16,17).
No entanto, o monitoramento desses indicadores proporcionou um plano de ação que demonstrou relevante a prática clínica ampliada em geriatria e centrado na pessoa idosa. Abrangendo características significativas para ILPIs, que podem servir como guia para treinamentos e implementação dos planos de atenção integral exigidos nas Instituições de Longa Permanência para Idosos(12,14). As melhores práticas para monitoramento incluem o uso de ferramentas validadas e protocolos baseados em diretrizes internacionais, permitindo avaliação sistemática da funcionalidade, saúde física, mental e social da pessoa idosa (9,10,13). A literatura reforça a importância de abordagens multidisciplinares e da participação ativa dos profissionais na coleta e análise dos dados, garantindo intervenções personalizadas e eficazes(12).
Especificamente, cabe detalhar que o indicador mortalidade, apresentou correlação positiva significativa com a doença diarreica aguda, o que pode indicar que infecções de maior gravidade com desfechos fatais(18). Já o indicador desnutrição apresentou correlação positiva com lesão por pressão dado consagrado na literatura que demonstra relação entre déficit nutricional e integridade da pele(19,20). Esse dado apresentado em equipe proporciona discutir condutas nutricionais, clínicas e condutas de enfermagem.
Também houve correlação entre os indicadores constipação intestinal e mudança na consistência alimentar, sugerindo que alterações dietéticas influenciam o trânsito intestinal. Perda de apetite e dificuldades alimentares associadas a lesões demandam avaliação conjunta desses indicadores para aumentar a sensibilidade e prever danos precocemente. A coexistência de desnutrição e sarcopenia é um preditor de mortalidade por todas as causas mais forte do que sarcopenia isolada(36). E, em idosos institucionalizados, a desnutrição pode ser um marcador precoce de sarcopenia, e intervenções nutricionais e exercícios físicos podem mitigar esses riscos, reduzindo a mortalidade
A constipação apresentou ainda correlação com alterações comportamentais, o que corrobora com a literatura em geriatria que indica o desconforto abdominal, sedentarismo e baixa ingestão de fibras podem impactar negativamente o humor e o comportamento. Ou mesmo na pessoa idosa com demências incapazes de comunicar esse pode ser um sinal de alerta para busca de condições clínicas. Isso reforça a necessidade de avaliação multidimensional contínua dos idosos institucionalizados, com foco em sinais físicos e alterações comportamentais sutis(23).
Identificou-se também correlação significativa entre os indicadores quedas e comprometimento funcional. Essa correlação pode ser influenciada pelos quadros demenciais avançados, esse dado reforça a necessidade de intervenções que promovam a manutenção da mobilidade e da autonomia funcional da pessoa idosa institucionalizada(19,24,25).
Na dimensão dos indicadores dor e sofrimento físico, a dor correlacionou-se com cuidados bucais inadequados e ausência de visitas familiares. Esses achados ressaltam a relação entre sofrimento e aspectos psicossociais, como o isolamento social, reforçando a importância da presença familiar como componente terapêutico(37). A correlação entre os indicadores dor e ausência de visitas familiares sugere que a dor pode limitar o convívio social, dificultando interações, e que a falta de suporte familiar pode intensificar a percepção da dor (34). Já com os cuidados bucais se relacionou com a dor na fragilidade da pessoa idosa que não conseguiam se alimentar por disfagia.
Adicionalmente, a correlação entre dor e cuidados bucais inadequados esteve relacionada à maior fragilidade da pessoa idosa, sobretudo entre aqueles com disfagia e dependência total para a higiene oral, condição que compromete a alimentação, agrava o desconforto físico e contribui para a persistência da dor(33). Esses achados reforçam a importância de abordagens integradas, que considerem simultaneamente aspectos clínicos, funcionais e psicossociais no cuidado à pessoa idosa institucionalizada.
O Indicador ausência de visitas familiares também apresentou correlação com ocorrência de pediculose, que ao analisar qualitativamente as pessoas idosas afetadas, tratavam-se dos mais frágeis e nesses casos necessitavam de suporte familiar para manutenção dos vínculos e apoio aos cuidados ao fim da vida, e por isso, com baixa imunidade e mais susceptível a pediculose(35).
O indicador infecção urinária apresentou correlação significativa com alterações comportamentais, doenças diarreicas agudas e dor. Isso indica que infecções em pessoa idosa podem manifestar-se de forma atípica, com sintomas como agitação, delírios e confusão mental, associados às síndromes geriátricas. Além do desconforto decorrente da inflamação no trato urinário, que pode intensificar alterações comportamentais e aumentar riscos de complicações.
Os indicadores de queda e lesão por fricção apresentaram correlação significativa a 0,10. A ocorrência de quedas frequentemente resulta em lesões cutâneas, entre as quais se destacam as lesões por fricção, por vezes negligenciadas. Essas lesões são particularmente mais frequentes em pessoas idosas devido às alterações fisiológicas do envelhecimento da pele, como redução da elasticidade, diminuição da espessura dérmica e maior fragilidade capilar (27), e requer medidas de prevenção envolvendo toda equipe de cuidados.
Contudo, cabe destacar que do modelo de implementação utilizando o Plan-Do-Check-Act (PDCA) permitiu fundamentar em ciclos iterativos de planejamento, execução, avaliação e ajuste, ratificando ser uma abordagem aplicável. O desenho de ações colaborativas e multidisciplinares dos indicadores foi efetivo para especificidade dos indicadores e para construção de planos de ações personalizados e apropriadas aos contextos, as reuniões eram os momentos de discutir os dados dos indicadores e as intervenções, delineando o modelo teórico-prático.
Como limitações do estudo são a realização da pesquisa em um único cenário e o reduzido número de participantes de pessoas idosas, que pode impactar a representatividade da amostra. Como potencialidades do estudo, destaca-se o acompanhamento ao longo de um período de um ano, permitindo uma avaliação longitudinal, além da realização das medições por um único avaliador, treinado, e do local de trabalho, o que contribui para a padronização dos procedimentos e a redução de vieses interavaliadores.
Os demais indicadores não apresentaram correlações estatisticamente significativas o que pode indicar ausência de correlação ou limitação da amostra para detectar efeitos. Diante das correlações significativas entre os indicadores, é importante retomar que a correlação entre os indicadores não implica causalidade. As correlações encontradas, contudo, fornecem evidências importantes para futuras análises e para o desenvolvimento de estratégias de intervenções conjuntas e ampliadas, orientando a prática clínica, assistencial e da gestão de Instituições de Longa Permanência para Idosos.
CONCLUSÃO
Os resultados desse estudo apontam para recomendar a ampliação dos indicadores como estratégia para qualificar a avaliação da assistência prestada nas Instituições de Longa Permanência para Idosos a fim de identificar fragilidades, reconhecer boas práticas e alocar eficientemente os recursos. A correlação encontrada entre os indicadores demonstra a complexidade do cuidado demandado a equipe multidisciplinar, que necessita de instrumentos, sistemas de monitoramento e programas de melhorias com intervenções apropriadas sensíveis aos resultados esperados em uma instituição de cuidados prolongados. Ainda, os achados deste estudo reforçam que a utilização de um conjunto ampliado de indicadores é fundamental para captar a complexidade do cuidado, a adoção de indicadores clínicos, funcionais, nutricionais, psicossociais e de segurança do paciente permite a consolidação de práticas assistenciais seguras, humanizadas e centradas na pessoa idosa.
Aplicação para prática
O estudo amplia indicadores para uso em Instituições de Longa Permanência para Idosos de modo sistematizado, com definições conceituais e operacionais, que permitem sua replicação na prática clínica, como também pode contribuir para o treinamento de profissionais de ILPI, e futuras pesquisas adotando e testando os indicadores e programa de monitoramento. Oferece ainda um Guia Prático instrucional juntamente com checkslist dos indicadores, próprio para o uso na prática. O uso dos indicadores orienta a implementação de medidas preventivas e de intervenções personalizadas para melhorar a qualidade do cuidado às pessoas idosas institucionalizadas. Em síntese, a integração entre indicadores normativos, clínicos e gerenciais, associada a ciclos contínuos de melhoria, contribui para qualificar o cuidado gerontológico, fortalecer a gestão institucional e promover ambientes de cuidado alinhados às necessidades dos idosos residentes.
CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declaram não haver conflito de interesses.
FINANCIAMENTO
Proex-UFF - Pró-reitora de extensão da Universidade Federal Fluminense.
REFERÊNCIAS
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Submissão: 19-Dez-2025
Aprovado: 27-Abr-2026
Editores:
Rosimere Ferreira Santana (ORCID: 0000-0002-4593-3715)
Geilsa Soraia Cavalcanti Valente (ORCID: 0000-0003-4488-4912)
Autor correspondente: Alexandre Félix Galdino (alexandre21feliz@gmail.com)
Editora:
Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa – UFF
Rua Dr. Celestino, 74 – Centro, CEP: 24020-091 – Niterói, RJ, Brasil
E-mail da revista: objn.cme@id.uff.br
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CONTRIBUIÇÃO DE AUTORIA |
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Concepção do estudo: Santana RF. Obtenção de dados: Corte ARV, Lopes MF, Pontes RA, Silva RCA, Ribeiro ASO, França JC, Campos CMT, Santos GJP, Freitas FJ, Souza FVHM, Gomes HM, Sampaio ALC, Quintão SC. Análise de dados: Galdino AF, Lopes MF, Pontes RA, Silva RCA, Santana RF. Interpretação dos dados: Galdino AF, Lopes MF, Pontes RA, Silva RCA, Ribeiro ASO, França JC, Campos CMT, Santos GJP, Freitas FJ, Souza FVHM, Gomes HM, Sampaio ALC, Quintão SC, Santana RF. Todos os autores se responsabilizam pela redação textual e revisão crítica do conteúdo intelectual, pela versão final publicada e por todos os aspectos éticos, legais e científicos relacionados à exatidão e à integridade do estudo. |
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