ARTIGO ORIGINAL
ATUALIZAÇÃO DOS PARÂMETROS INSTITUCIONAIS DO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES DE PERROCA: ESTUDO METODOLÓGICO APLICADO
Mozara Mota Gentilini1, Fernanda Niemeyer2, Gabrielli Mottes Orlandini3, Thiane Mergen4, Natália Moraes Quevedo5, João Lucas Campos de Oliveira6
1 Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Enfermagem Clínica. Porto Alegre, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-1260-0789. E-mail: mgentilini@hcpa.edu.br
2 Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Educação em Enfermagem. Porto Alegre, RS, Brasil. ORCID: 0009-0000-5350-4753. E-mail: fniemeyer@hcpa.edu.br
3 Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Enfermagem Onco-hematológica. Porto Alegre, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-7288-0858. E-mail: gmorlandini@hcpa.edu.br
4 Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Comissão do Processo de Enfermagem. Porto Alegre, RS, Brasil. ORCID: 0000-0001-5603-905X. E-mail: tmergen@hcpa.edu.br
5 Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Enfermagem Cirúrgica. Porto Alegre, RS, Brasil. ORCID: 0009-0007-4445-8311. E-mail: nmoquevedo@hcpa.edu.br
6 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Enfermagem e de Saúde Coletiva, Departamento de Assistência e Orientação Profissional. Porto Alegre, RS, Brasil. ORCID: 0000-0002-1822-2360. E-mail: joao-lucascampos@hotmail.com
RESUMO
Objetivo: Apresentar o processo de atualização dos parâmetros institucionais para a aplicação do Sistema de Classificação de Pacientes de Perroca. Método: Estudo metodológico aplicado, desenvolvido pelo grupo de trabalho responsável pelo gerenciamento da classificação de pacientes adultos internados em um hospital universitário de porte extra do Sul do Brasil. O estudo foi desenvolvido entre junho de 2024 e agosto de 2025 em seis etapas, incluindo: processo de revisão/atualização dos parâmetros; auditorias internas e externas de concordância entre avaliadores; revisão final e comunicação institucional com as instruções atualizadas, bem como o procedimento operacional padrão relacionado; e incorporação dos parâmetros atualizados ao prontuário eletrônico. Resultados: Embora a concordância classificação/estrato final entre as avaliações tenha sido satisfatória, as áreas de planejamento/coordenação do cuidado, investigação/monitoramento e educação para a saúde tiveram resultados negativos. Isso foi objeto da comunicação institucional para evitar a subjetividade na avaliação, a qual, pelo resultado das auditorias, tende a existir em algum nível. Conclusão: Apresenta-se um rol de parâmetros orientadores institucionais a cada um dos 36 itens do instrumento para a classificação de pacientes. Estes não substituem a escala original, mas corroboram a complexidade do hospital estudado e as inovações no trabalho contemporâneo da enfermagem.
Descritores: Sistemas de Classificação de Pacientes; Carga de Trabalho; Equipe de Enfermagem; Recursos Humanos de Enfermagem no Hospital; Avaliação em Enfermagem.
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Como citar: Gentilini MM, Niemeyer F, Orlandini GM, Mergen T, Quevedo NM, Oliveira JLC. Updating the institutional parameters of the Perroca Patient Classification System: an applied methodological study. Online Braz J Nurs. 2025;24(Suppl 2):e20256888. https://doi.org/10.17665/1676-4285.20256888 |
O que já se sabe:
Sistemas de Classificação de Pacientes são instrumentos elementares para a aferição da carga de trabalho e o dimensionamento da equipe de enfermagem.
A aplicação dos Sistemas de Classificação de Pacientes depende do julgamento clínico do enfermeiro, o que pode levar discordâncias e subjetividades no processo de avaliação.
O que este artigo acrescenta:
Apresenta-se um conjunto de parâmetros institucionais atualizados, relacionados ao Sistema de Classificação de Pacientes de Perroca, que é amplamente reconhecido.
Os parâmetros institucionais não substituem a escala original. Todavia, vão ao encontro da realidade de um hospital altamente complexo, bem como das inovações no processo de trabalho da enfermagem.
Ao incorporar parâmetros mais tangíveis do processo de trabalho, os enfermeiros classificadores poderão ter um juízo menos subjetivo sobre cada item do Sistema de Classificação de Pacientes.
INTRODUÇÃO
Avaliar a demanda de cuidados dos pacientes é uma atividade de organização do trabalho idealizada desde a profissionalização da enfermagem moderna. Esta ação de gerência do cuidado é importante para identificar prioridades da clientela e distribuir recursos necessários à prestação assistencial. Logo, a utilização de instrumentos confiáveis que fundamentam a avaliação da complexidade dos pacientes promove assertividade neste processo executado pelo enfermeiro(1).
Paralelamente à avaliação do nível de complexidade/dependência de cuidados de enfermagem, os Sistemas de Classificação de Pacientes (SCPs) são instrumentos capazes de deduzir a carga de trabalho da equipe de enfermagem atuante em unidades de cuidado ininterrupto(2). Embora não sejam plenamente sensíveis em sua totalidade, devido à própria complexidade do construto “carga de trabalho de enfermagem (CTE)”(3-4), os SCPs são internacionalmente reconhecidos como ferramentas válidas tanto na organização do cuidado direto, quanto no processo de dimensionamento de pessoal de enfermagem(2-7). Este último, dependente da aferição da CTE(1,8).
No Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN)(8) explicita atualmente sete SCPs para a utilização nas instituições de saúde onde há prestação de cuidados ininterruptos. A entidade expõe, ainda, a possibilidade do emprego de outros SCPs, salvaguardando os processos científicos de validação. Isso é importante porque, assim como outros instrumentos de medida, caso o SCP não corresponda precisamente àquilo que se propõe avaliar ou mesmo gere extensa ambiguidade entre diferentes enfermeiros avaliadores, a sua finalidade poderá não ser alcançada(5). Logo, despendendo tempo destes profissionais, mas sem alcançar eficácia no produto da avaliação(9).
Normalmente, os SCPs são dispostos em forma de escala e dependem de um julgamento clínico do enfermeiro no ato de classificar o paciente avaliado sob diferentes elementos do cuidado (in)direto(3). Isso significa que há chance de subjetividade na avaliação. Concordam com tal alusão pesquisadores(5) da Finlândia que, ao investigar a validade e confiabilidade do SCP RAFAELA® - utilizado tanto no país de origem como na Islândia, Noruega e Suécia - concluem que manter níveis satisfatórios de validade e confiabilidade do SCP é um grande desafio. Alternativas para o enfrentamento de tais barreiras incluem não somente o refinamento permanente do SCP e compatibilidade com as demandas contemporâneas do trabalho da enfermagem, como também, treinamento e motivação dos enfermeiros responsáveis pela classificação dos pacientes(5).
Estudo(10) recente investigou a concordância interavaliadores na aplicação do Nursing Activities Score (NAS) considerando três diferentes pares na mensuração: enfermeira de referência versus enfermeiros do setor de terapia intensiva pesquisado; enfermeira de referência versus assistente de pesquisa “1” e enfermeira de referência versus assistente de pesquisa “2”. Embora os pesquisadores tenham concluído que o panorama geral da concordância tenha sido satisfatório, a aplicação em concordância plena do NAS da enfermeira de referência (que também atuava na unidade) com os demais enfermeiros do setor pesquisado não alcançou 70% no total de medidas (n=88). Ademais, entre a enfermeira de referência e os assistentes de pesquisa, 14 dos 23 itens do NAS alcançaram concordância quase perfeita ou perfeita, ao passo que entre a enfermeira de referência e os demais enfermeiros da unidade, apenas dois itens obtiveram tal resultado(10).
Diante do exposto, sustenta-se na literatura científica que o processo de avaliação da CTE e da classificação de pacientes é um procedimento sujeito à subjetividade, pondo em risco a sua confiabilidade(1,5,9-10). Adiciona-se a este fato a constatação empírica dos autores deste estudo, que constituem um grupo de trabalho responsável pelas ações de capacitação, monitoramento e melhorias relacionadas ao SCP para adultos hospitalizados(11) utilizado há mais de 10 anos em uma instituição hospitalar de porte extra e com selo de qualidade atestado pela Joint Commission International (JCI), desde 2013. Com frequência, dúvidas de enfermeiros, adesão deficitária ao processo de classificação e divergências na interpretação de itens do SCP são constatadas. Assim, este estudo objetiva apresentar o processo de atualização dos parâmetros institucionais para a aplicação do Sistema de Classificação de Pacientes de Perroca.
MÉTODO
Tipo de estudo
Trata-se de um estudo metodológico aplicado baseado na construção de um produto técnico-tecnológico. Foi assumido que as tecnologias e inovações contemplam um campo de atividades de caráter científico, organizacional, financeiro ou comercial. Estas se expressam por produtos, processos tecnológicos e serviços totalmente novos ou melhorados; considerando-se a inovação tecnológica como implementada quando estiver aplicada à prática social ou quando for utilizada dentro de um processo produtivo(12). Assim, como critérios institucionais de aplicação do SCP Perroca(11) foram considerados o produto em estudo, com relevância e inovação para ser implementado, tendo em vista seu impacto direto nos processos de estimativa de pessoal de enfermagem(1).
Local
O estudo foi desenvolvido no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), junto ao grupo de trabalho responsável pelo gerenciamento do SCP de Perroca, já consolidado no hospital. Precisamente, o SCP é aplicado em 11 unidades de internação clínico-cirúrgicas não críticas para adultos da instituição e em parte de uma unidade de ambiente protegido, com 29 leitos, a qual tem perfil de internação misto, admitindo adultos e crianças menores de 14 anos. Ao todo, os setores/unidades somam 460 leitos, o que representa mais de 50% do total de leitos (n=860) do hospital. Todas as unidades que utilizam o SCP total ou parcialmente com a clientela contemplam 156 enfermeiros assistenciais, os quais foram capacitados para a aplicação do SCP Perroca, conforme rotina institucional.
Estudos anteriores foram realizados com intuito de estabelecer a rotina de aplicação do SCP Perroca, definida cientificamente em cinco dias subsequentes, na última semana completa (sem feriados) de cada mês(13); bem como, os já referidos parâmetros para preenchimento da escala(14), objeto deste estudo de atualização.
Protocolo de estudo
O processo de atualização do produto objeto deste estudo foi desenvolvido em seis etapas. Cada uma das etapas e seus respectivos procedimentos metodológicos, atores responsáveis e período seguem descritas no Quadro 1 abaixo.
Quadro 1 - Etapas do processo de revisão e atualização dos parâmetros institucionais de preenchimento do Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) de Perroca. Porto Alegre, RS, Brasil, 2024-2025
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Etapa |
Responsáveis |
Procedimentos |
Período |
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1ª Etapa
Revisão e construção |
Grupo de Trabalho responsável pela gestão do SCP Perroca(11) no hospital. Composição do grupo: duas enfermeiras do Serviço de Enfermagem Clínica, sendo uma delas coordenadora do grupo; duas enfermeiras do Serviço de Enfermagem Cirúrgica; uma enfermeira do Serviço de Enfermagem Onco-hematológica; uma enfermeira da Comissão do Processo de Enfermagem; uma enfermeira do Serviço de Educação em Enfermagem; e, dois professores da Escola de Enfermagem da Universidade vinculada aos Serviços de Enfermagem Clínica e Cirúrgica, respectivamente. |
Revisão item a item dos parâmetros vigentes(14) até a revisão ora descrita. Para isso, foram realizados cinco encontros/reuniões do grupo de trabalho, com duração de 2h cada, totalizando 10 horas de revisão. Cada parâmetro de preenchimento era posicionado lado a lado do item respectivo no SCP Perroca original, e ampla e coletivamente debatido. As mudanças institucionais como atualização de Procedimentos Operacionais Padrão (POP), aquisição de novas tecnologias e/ou equipamentos/dispositivos de apoio assistencial ou mudanças de processos em trabalho eram especialmente consideradas na revisão dos parâmetros. Ressalta-se que os parâmetros de preenchimento não substituem ou equivalem aos itens originais da escala. São complementações práticas com elementos de teor institucional para orientação de cada enfermeiro classificador. As atualizações eram realizadas em tempo real em um quadro sinóptico contendo os parâmetros “vigentes” e os “atualizados”. Tais atualizações ocorriam apenas após consenso, precedido de ampla discussão pelo grupo e consulta à literatura científica e/ou outras rotinas de trabalho da instituição. |
Junho a julho de 2024 |
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2ª Etapa
Auditorias internas |
Três enfermeiras do Grupo de Trabalho responsável pela gestão do SCP Perroca(11); duas enfermeiras de Unidades Clínicas e Cirúrgicas do hospital, e uma de Unidade de Ambiente Protegido. |
Foi realizada a auditoria de convergência dos novos parâmetros de preenchimento propostos durante a semana convencional de aplicação do SCP de Perroca. A Escala orientada pelos parâmetros atualizados foi aplicada no mesmo paciente, por duas enfermeiras, sendo uma do grupo de trabalho e outra enfermeira assistencial. |
Agosto de 2024 |
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3ª Etapa
Auditorias externas |
Uma Mestranda em Enfermagem e uma graduanda do último semestre de graduação em Enfermagem, em uma Unidade de Internação Clínica e de Cuidados Especiais. Nesta mesma unidade, as auditorias externas foram, ainda, repetidas por acadêmicos de Enfermagem do 8º semestre de graduação, no desenvolvimento de práticas aplicativas em Administração de Enfermagem. |
Realizou-se novo ciclo de auditoria de convergência na aplicação do SCP guiado pelos parâmetros atualizados. Desta vez, sem a participação de nenhum integrante do grupo de trabalho responsável pela atualização ou mesmo por enfermeira das unidades aplicadoras da escala. Tal como na etapa anterior, os dados desta auditoria foram analisados por frequência absoluta e relativa (%). |
Outubro 2024 repetida em Junho de 2025 |
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4ª Etapa
Revisões finais e comunicação institucional |
Grupo de Trabalho responsável pela gestão do SCP Perroca(11) no hospital. |
De posse dos resultados das auditorias interna e externa de convergência entre avaliadores, o grupo de trabalho revisou novamente o material atualizado e elaborou um anúncio educativo aos enfermeiros das unidades aplicadores, com três objetivos: a) evitar divergências de entendimento em cada um dos itens e/ou critérios de preenchimento; b) divulgar a atualização dos parâmetros no prontuário eletrônico do paciente; e, c) divulgar o procedimento operacional padrão (POP) de classificação de pacientes adultos internados, também atualizado. Este material foi divulgado pela Diretoria de Enfermagem a todos os enfermeiros do hospital. |
Agosto de 2025 |
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5ª etapa
Incorporação dos critérios de preenchimento no prontuário eletrônico |
Comissão do Processo de Enfermagem (COPE). |
Os novos parâmetros foram inseridos no prontuário eletrônico por enfermeiras que atuam na Comissão do Processo de Enfermagem (COPE), as quais possuem perfil para realizar os cadastros no sistema informatizado utilizado na Instituição (AGHUse®). Após as alterações no cadastro, os novos parâmetros passaram a ser visualizados pelos enfermeiros assistenciais para aplicação da Escala. |
Agosto de 2025 |
Este estudo integra um projeto matricial intitulado “Gestão da qualidade e dos recursos humanos no ambiente hospitalar: métricas, métodos e subjetividades”, o qual obteve aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa sob protocolo CAAE nº 47595221.5.0000.5327.
RESULTADOS
Após o processo preliminar de revisão, o grupo de trabalho realizou uma primeira auditoria de concordância entre avaliadores, utilizando os parâmetros já atualizados na aplicação institucional do SCP. Foram realizadas 14 avaliações em duplicata (Tabela 1).
Tabela 1 – Concordância entre avaliadores internos por domínio do Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) e unidade, e concordância na classificação final. Porto Alegre, RS, Brasil, 2024
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Domínio SCP Perroca |
Unidade Hospitalar |
Total por domínio SCP |
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Unidade de Internação Clínica |
Unidade de Internação Cirúrgica |
Unidade de Ambiente Protegido |
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Concordância (Sim/Não)
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Concordância (Sim/Não)
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Concordância (Sim/Não)
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Concordância (Sim/Não) n (%) |
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Planejamento e coordenação cuidado |
3 |
2 |
- |
5 |
1 |
3 |
4 (29%) |
10 (71%) |
|
Investigação e monitoramento |
4 |
1 |
2 |
3 |
3 |
1 |
9 (64%) |
5 (36%) |
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Cuidado corporal |
3 |
2 |
4 |
1 |
3 |
1 |
10 (71%) |
4 (29%) |
|
Cuidado com pele e mucosas |
5 |
- |
1 |
4 |
2 |
2 |
8 (57%) |
6 (43%) |
|
Nutrição |
3 |
2 |
4 |
1 |
3 |
1 |
10 (71%) |
4 (29%) |
|
Locomoção |
3 |
2 |
5 |
- |
4 |
- |
12 (86%) |
2 (14%) |
|
Terapêutica |
1 |
4 |
3 |
2 |
4 |
- |
8 (57%) |
6 (43%) |
|
Suporte emocional |
2 |
3 |
4 |
1 |
2 |
2 |
8 (57%) |
6 (43%) |
|
Educação para a saúde |
3 |
2 |
4 |
1 |
2 |
2 |
9 (64%) |
5 (36%) |
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Concordância Final na classificação dos pacientes por unidade |
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n (%)* |
4 (80%) |
1 (20%) |
3 (60%) |
2 (40%) |
3 (75%) |
1 (25%) |
10 (72%) |
4 (18%) |
*concordância positiva em negrito, para destaque.
As auditorias externas ocorrem em uma única unidade e foram realizadas por meio de 23 avaliações em duplicata (Tabela 2).
Tabela 2 – Concordância entre avaliadores externos por domínio do Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) e concordância na classificação final, em uma unidade de internação clínica e de cuidados especiais. Porto Alegre, RS, Brasil, 2024
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Domínio SCP Perroca |
Concordância n (%)
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Discordância n (%)
|
Total n (%)
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Planejamento e coordenação cuidado |
17 (74%) |
6 (26%) |
23 (100%) |
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Investigação e monitoramento |
15 (65%) |
8 (35%) |
23 (100%) |
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Cuidado corporal |
20 (87%) |
3 (13%) |
23 (100%) |
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Cuidado com pele e mucosas |
17 (74%) |
6 (26%) |
23 (100%) |
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Nutrição |
16 (70%) |
7 (30%) |
23 (100%) |
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Locomoção |
18 (78%) |
5 (22%) |
23 (100%) |
|
Terapêutica |
17 (74%) |
6 (26%) |
23 (100%) |
|
Suporte emocional |
17 (74%) |
6 (26%) |
23 (100%) |
|
Educação para a saúde |
16 (70%) |
7 (30%) |
23 (100%) |
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Concordância na classificação final |
14 (61%) |
9 (39%) |
23 (100%) |
Concluídas as auditorias de concordância, o grupo de trabalho responsável pela atualização dos parâmetros de aplicação do SCP elaborou um material de comunicação institucional para todos os enfermeiros do hospital, contendo as informações sobre este processo de revisão e o procedimento operacional padrão (POP) de classificação de pacientes, também atualizado (Figura 1).

Figura 1 - Boletim informativo sobre o processo de atualização dos parâmetros institucionais de aplicação do Sistema de Classificação de Pacientes de Perroca. Porto Alegre, RS, Brasil, 2025
Por fim, os parâmetros institucionais atualizados são apresentados no Quadro 2 abaixo. É importante sinalizar que, devido à limitação de caracteres no prontuário eletrônico, os parâmetros contam com siglas e abreviações.
Quadro 2 - Demonstrativo da versão original do Sistema de Classificação de Pacientes de Perroca e os parâmetros institucionais complementares para a sua aplicação. Porto Alegre, RS, Brasil, 2025
*Alguns itens da escala original estão sintetizados ou abreviados, sem alteração de conteúdo ou sentido. Isso advém do formato em que a escala foi incorporada ao prontuário eletrônico na instituição pesquisada, que impõe número de caracteres limitado. **Os autores optaram por descrever os parâmetros atualizados por este estudo tal qual foram lançados no prontuário eletrônico da instituição de inquérito. O leitor poderá solicitar esclarecimentos quanto às siglas e/ou outras informações eventualmente não compreendidas.
DISCUSSÃO
De acordo com as auditorias que foram desenvolvidas no processo de atualização dos parâmetros objeto deste estudo, embora a classificação final dos pacientes, ou seja, o estrato/nível de dependência, tenha obtido uma concordância razoável entre avaliadores, alguns domínios do SCP claramente demandam atenção. Autores(11) já referiram que esta divergência pode se manifestar quando os classificadores se deparam com itens de maior subjetividade.
Além da subjetividade na aplicação de um instrumento de avaliação de dependência de cuidados, é importante considerar o número expressivo de enfermeiros que são potenciais classificadores (n=156). Acreditamos que isso reafirma a relevância dos parâmetros institucionais atualizados, visto que, embora estes não substituem a essência de cada item da escala original(11), tais parâmetros podem suscitar a cada enfermeiro elementos mais concretos que subsidiem a decisão por uma classificação fidedigna.
Os SCPs são instrumentos que visam captar a demanda de cuidados de enfermagem de uma determinada clientela. Com efeito, isso direciona o enfermeiro a identificar elementos que nem sempre são plenamente objetivos ou mesmo captáveis facilmente(3), como àqueles identificados por escores de gravidade clínica baseados em critérios exclusivamente objetivos, os quais podem interferir inclusive na carga de trabalho da enfermagem(15).
Uma pesquisa(16) realizada no Centro-oeste do Brasil referiu que a pactuação sobre cada item do SCP entre os enfermeiros classificadores foi um fator oportuno para a efetiva implementação do instrumento na rotina de trabalho. De certa forma, isso pode explicar, em parte, os resultados das auditorias de concordância efetuadas, uma vez que as classificações ocorreram entre os avaliadores internos e externos sem que qualquer tipo de pactuação sobre o entendimento de cada item do SCP e respectivo parâmetro institucional fosse realizada.
O processo de atualização dos parâmetros institucionais de aplicação do SCP Perroca permeou claras modernizações no processo de trabalho da enfermagem. Um exemplo disso, é a figura da Unidade Integrada de Transportes (UNIT), disponível recentemente na instituição para a movimentação intra-hospitalar. Consideramos isso um avanço para a categoria, já que as movimentações/transportes são fatores que demandam tempo importante da jornada de trabalho da enfermagem(17).
O SCP Perroca, utilizado em nossa instituição há mais de uma década, já transpôs o Brasil, alcançando outros países, a exemplo da Turquia(2). Atrelado ao fato de que o campo de estudo desta pesquisa é um hospital de reconhecimento internacional, acreditamos que os parâmetros ora atualizados podem se configurar como um convite para que enfermeiros de diferentes origens cada vez mais se munam de estratégias capazes de refletir a demanda de trabalho de suas equipes.
Este estudo possui teor altamente aplicado e, portanto, existem limitações relacionadas ao seu rigor estatístico, em especial na ausência de uma amostra melhor dimensionada para o cálculo das auditorias de concordância, e a falta de análises mais robustas. Todavia, reiteramos o potencial de contribuição supracitado da pesquisa.
CONCLUSÃO
Este artigo apresenta um rol de parâmetros institucionais a cada um dos 36 itens para a aplicação do SCP de Perroca, amplamente reconhecido e utilizado no campo de estudo há mais de uma década. Estes parâmetros não substituem a escala original, que deve ser compreendida como a fonte conceitual de cada um dos itens avaliativos para a classificar o paciente.
A utilização dos parâmetros institucionais pretende exemplificar elementos concretos do processo de trabalho da enfermagem em uma organização hospitalar de elevada complexidade e porte, visando atenuar a subjetividade na avaliação pelos múltiplos enfermeiros classificadores. Assim, o conjunto dos parâmetros pode ser utilizado como norte e/ou complemento na interpretação sobre cada aspecto de dependência de cuidado avaliado, incluindo realidades similares à pesquisada. Apesar disso, as auditorias de concordância na classificação de pacientes entre avaliadores realizadas neste estudo demonstraram que a plena concordância ainda é um desafio.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Grupo de Trabalho Sistema de Classificação de Pacientes Perroca do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e à Diretoria de Enfermagem da instituição, por viabilizar este estudo.
CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declaram não haver conflito de interesses.
FINANCIAMENTO
O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS). Edital nº 10/2024.
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Editores:
Rosimere Ferreira Santana (ORCID: 0000-0002-4593-3715)
Geilsa Soraia Cavalcanti Valente (ORCID: 0000-0003-4488-4912)
Autor correspondente: João Lucas Campos de Oliveira (joao-lucascampos@hotmail.com)
Editora:
Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa – UFF
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