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PROTOCOLO DE REVISÃO

 

FALHAS NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM PACIENTES ADULTOS HOSPITALIZADOS: PROTOCOLO DE REVISÃO DE ESCOPO*

 

Marina Boroni de Oliveira1, Amanda Rezende Silva de Oliveira1, Vitória dos Santos Zatti1, Ana Carla Dantas Cavalcanti1

 

1 Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil

 

RESUMO

Objetivo: compreender os tipos, causas, consequências e medidas preventivas de falhas na administração medicamentosa em pacientes adultos hospitalizados. Método: revisão de escopo coordenada conforme método do Joanna Briggs Institute para revisões de escopo. Foi realizado um processo de busca em três etapas para adquirir fontes de evidências publicadas e não publicadas. Dois revisores realizaram a seleção das fontes de evidências de forma independente considerando estudos primários sem limitação temporal, geográfica ou linguística, que abordaram erros de medicação em pacientes adultos no contexto hospitalar. Esta revisão de escopo exclui fontes de evidências que relatem opiniões e/ou conceitos e não apresentem resultados originais relacionados com a realização de medicamentos.

 

Descritores: Erro de Medicação; Segurança do Paciente; Evento Adverso.

 

Como citar: Oliveira MB, Oliveira ARS, Zatti VS, Cavalcanti ACD. Failures in drug administration in hospitalized adult patients: scope review protocol. Online Braz J Nurs. 2025;24(Suppl 1):e20256814. https://doi.org/10.17665/1676-4285.20256814

 

INTRODUÇÃO

A Segurança do Paciente é uma questão prioritária em âmbito global, sendo fundamental para a diminuição de falhas assistenciais e eventos adversos (EAs), bem como a promoção de práticas seguras nos serviços de saúde(1). A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem liderado essa discussão, lançando, em 2017, o 3º desafio mundial, denominado “Medicação sem Dano”, que convoca países a adotarem metodologias eficazes de qualidade e segurança dos serviços prestados. Essa iniciativa visa criar um referencial de ações voltadas aos pacientes, profissionais de saúde e Estados Membros, com o objetivo de implantar sistemas mais seguros e facilitar melhorias nas práticas de seleção, prescrição, preparação, dispensação, administração e monitoramento de medicamentos. Tais estratégias buscam reduzir falhas e empoderar pacientes, famílias e cuidadores, incentivando a participação ativa nas decisões relacionadas ao tratamento e ao cuidado(2-3).

No Brasil, a relevância dessa temática é evidenciada desde 2011, quando o Ministério da Saúde estabeleceu resoluções que exigem a implementação de protocolos e a criação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP). Essas diretrizes visam a melhoria da assistência, elaboração do documento denominado Plano de Segurança do Paciente (PSP) contendo as ações de melhoria a serem desenvolvidas e comunicação de EAs ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). Entre os protocolos se destaca o de uso e administração de medicamentos, que objetiva estimular a promoção de hábitos e rotinas seguras na utilização de fármacos, contribuindo para evitar erros e ampliar a confiança dos usuários no sistema de saúde. A implementação dessas medidas, tanto em contextos globais quanto nacionais, é essencial para mitigar riscos e melhorar os desfechos clínicos, fortalecendo a cultura de segurança na utilização de medicamentos(4-7).

O uso de medicamentos é a intervenção mais comum na prática de saúde para o tratamento de doenças e a redução de sintomas, independentemente da faixa etária ou do contexto clínico. No entanto, erros relacionados a este processo representam uma problemática significativa de saúde pública, constituindo um desafio para os profissionais envolvidos nesse processo. Esses erros são considerados evitáveis e resultam do uso incorreto de medicamentos, podendo causar danos à saúde do paciente. Os EAs medicamentosos incluem reações adversas a medicamentos (RAM) e eventos decorrentes de erros de medicação (EM), ambos relacionados aos processos de trabalho da equipe multiprofissional. Estima-se os custos associados a esses erros alcançando, aproximadamente, 42 bilhões de dólares anualmente, conforme relatado pela Organização Mundial de Saúde. Tais dados ressaltam a necessidade urgente de implementar estratégias eficazes para a minimização de riscos e a adoção de medidas para a prática assistencial segura na administração de medicamentos(2,8).

Entre as principais causas de erros de administração de medicamentos estão ilegibilidade, nomes e embalagens de medicamentos semelhantes, e interrupções durante o preparo e/ou administração de medicamentos(9). Além disso, outros fatores como a falta de treinamento, pouca experiência, escassez de tempo, ausência de diretrizes, estresse e carga de trabalho elevadas podem ser fatores contribuintes para a problemática e, consequentemente, para a ocorrência de EAs(10).

Entender as características das falhas na administração de medicamentos em pacientes adultos hospitalizados é um passo importante para criar programas que ajudem a reduzi-las. Para isso, é essencial identificar as causas dessas falhas antes de implementar intervenções adequadas(11). No entanto, ainda há uma lacuna na literatura científica: faltam revisões sistemáticas ou de escopo que abordem, de forma clara, essas características em pacientes adultos hospitalizados.

Uma busca preliminar realizada, em 20 de agosto de 2024, nas bases MEDLINE/PubMed e LILACS/BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) revelou que não existem protocolos ou revisões atuais ou em andamento focados nesta temática. Uma busca inicial com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), Medical Subject Headings (MeSH) e Embase Subject Headings (Emtree), confirmou a ausência de revisões sobre o tema, apesar da existência de estudos primários que comprovam a viabilidade da investigação. Portanto, o objetivo deste estudo é compreender os tipos, causas, consequências e medidas preventivas de falhas na administração de medicamentos em pessoas adultas hospitalizadas, contribuindo para o entendimento e a mitigação desse problema crítico na prática clínica.

 

MÉTODO

Revisão de escopo a ser desenvolvida com base nas recomendações do Joana Briggs Institute (JBI) e em conformidade com o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews e Meta-analyses (PRISMA). Realizou-se o registro da revisão de escopo na plataforma Open Science Framework (OSF), na qual esse pode ser consultado na íntegra (https://osf.io/x6e2u/), sob DOI: 10.17605/OSF.IO/X6E2U.

 

Pergunta da revisão

 “Quais são os tipos, causas, consequências e medidas de prevenção dos erros na administração de medicamentos em pacientes adultos hospitalizados?”.

Essa questão busca mapear as evidências científicas disponíveis sobre as características desses erros, considerando a complexidade e as intervenções necessárias para sua prevenção, a fim de orientar práticas seguras e apoiar políticas de segurança do paciente na área hospitalar.

 

Critério de elegibilidade

Participantes

Esta revisão considera fontes de evidência oriundas de estudos qualitativos e/ou quantitativos sobre pacientes adultos (18 a 64 anos) no contexto hospitalar, independente do setor ou especialidade. Fontes de evidência que retratem apenas a perspectiva ou opiniões de profissionais e gestores serão excluídas.

 

Conceito

Serão incluídos estudos publicados e não publicados que explorem os tipos, as causas, as consequências e as medidas preventivas das falhas na administração de medicamentos, sem limitação temporal ou linguística. Serão excluídas evidências que relatem definições e/ou opiniões relacionadas a erros no processo de administração de medicamentos.

 

Contexto

Esta revisão de escopo considera todas as fontes de evidência que relatam estudos realizados no contexto da atenção secundária à saúde, sem limitação de localização geográfica global. Estudos realizados fora do ambiente hospitalar, como serviços de internação (por exemplo, cuidados ambulatoriais), serão excluídos desta revisão.

 

Tipos de fontes

Esta revisão de escopo considera desenhos de estudos qualitativos, quantitativos e de métodos mistos revisados por pares. A literatura cinza, como pré-publicações, teses, dissertações, relatórios governamentais e relatórios de organizações profissionais, também será considerada para inclusão. Resumos de eventos, cartas e editoriais serão excluídos. Dessa forma se espera o retorno de materiais e evidências variadas, os quais contribuirão para a construção de um diagnóstico em relação ao tema proposto.

 

Estratégia de pesquisa

A estratégia inicial de busca foi realizada com o auxílio de uma bibliotecária especializada. O processo de busca foi conduzido em três etapas: inicialmente, uma busca preliminar foi delineada com base nos componentes do acrônimo PCC, associada ao mapeamento de termos nos vocabulários controlados, como DeCS, MeSH e Emtree. Para combinar os termos foram empregados operadores booleanos: o operador OR para agrupar sinônimos e o operador AND para estabelecer a interseção entre os dois.

Uma busca inicial foi efetuada nas bases MEDLINE/PubMed e LILACS/BVS objetivando identificar estudos relevantes e analisar a existência de revisões sistemáticas ou de escopo relacionado. Com base nesta busca preliminar, foram incorporados termos extraídos de títulos, resumos e descritores/MeSH. A estratégia final foi elaborada e aplicada, com ajustes específicos, nas bases de dados: LILACS, BDENF, IBECS, SES-SP, WPRIM, CUMED, MedCarib, PREPRINT-SciELO/Portal Regional da BVS; CINAHL com Texto Completo, Academic Search Premier e Fonte Acadêmica/EBSCO; EMBASE e SCOPUS/Elsevier; MEDLINE/PubMed; APA PsycInfo; Web of Science Core Collection e WOS Proquest/Clarivate Analytics, além do Google Acadêmico.

A coleta inicial foi realizada em 30 de agosto de 2023, e uma atualização ocorreu em 20 de agosto de 2024, não havendo limitações quanto ao idioma ou período de publicação. As estratégias de busca foram adaptadas conforme as especificidades de cada base, sem aplicação de filtros, e estão disponíveis em um repositório de acesso aberto (https://osf.io/9bdgp/), sob DOI: 10.17605/OSF.IO/9BDGP.

 

Seleção de evidências

Os resultados obtidos nas buscas foram transferidos para o software EndNote v.X9 (Clarivate Analytics, PA, EUA), no qual as duplicatas foram eliminadas. A triagem dos estudos ocorreu na plataforma online Rayyan QCRI20(12), começando pelos títulos e resumos; posteriormente, o material que permaneceu foi revisado na íntegra, sendo confirmado e selecionado. Dois revisores, previamente treinados, conduziram a seleção de forma independente, em dispositivos separados, sem contato.

Inicialmente, ambos os revisores examinaram os títulos e resumos de maneira independente, com o intuito de identificar estudos que cumpram os critérios de inclusão. Os estudos selecionados passaram por uma leitura completa, com exclusão daqueles que não responderem à questão da pesquisa da revisão. Em caso de divergência na seleção, as discordâncias foram determinadas por um terceiro revisor.

Para assegurar a qualidade e a transparência do processo, os resultados foram organizados em um fluxograma, conforme o modelo PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR).

 

Extração de dados

Os dados foram extraídos das fontes de evidência incluídas na revisão de escopo por dois revisores, de forma independente e verificados por um terceiro revisor. Um teste piloto de extração de dados foi realizado em 10% das fontes de evidência consideradas adequadas para inclusão na revisão. Uma planilha do Excel, desenvolvida pelos autores, foi utilizada como instrumento de extração de dados. Os dados extraídos envolvem: autoria, ano e país de publicação, objetivos, desenho do estudo, população e amostra, resultados. Se apropriado, os autores dos estudos ou fontes de evidência serão contatados duas vezes para buscar mais esclarecimentos e fornecer quaisquer dados adicionais.

 

Análise e apresentação de dados

Os dados relevantes de cada fonte de evidência incluída foram extraídos para identificar tipos, causas, consequências e medidas preventivas de falhas na administração de medicamentos. Os dados estão organizados por detalhes dos participantes e do contexto e apresentados em formato tabular, sob a ótica das classificações apresentadas pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde. Os resultados da revisão estão ainda sintetizados em gráficos de barras e gráficos de setores, se relevante, e um resumo narrativo foi fornecido para acompanhar as tabelas e gráficos, descrevendo como os resultados se relacionam com a questão de pesquisa.

 

*Artigo extraído da Dissertação de Mestrado intitulada “Checklist de prevenção de falhas na administração de medicamentos: Desenvolvimento e Validação”, apresentada ao Programa de Mestrado Profissional da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil.

 

CONFLITO DE INTERESSES

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

 

REFERÊNCIAS

1. World Health Organization. Medication Without Harm: WHO Global Patient Safety Challenge [Internet]. Geneva: WHO; 2017 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/WHO-HIS-SDS-2017.6

 

2. World Health Organization. Plano de ação global para a segurança do paciente 2021-2030: Em busca da eliminação dos danos evitáveis nos cuidados de saúde [Internet]. Genebra: WHO; 2021 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://www.conass.org.br/wp-content/uploads/2022/11/document.pdf

 

3. World Health Organization. World Patient Safety Day 2023: Engaging Patients for Patient Safety [Internet]. Geneva: WHO; 2023 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/events/detail/2023/09/17/default-calendar/world-patient-safety-day-2023--engaging-patients-for-patient-safety

 

4. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Segurança do paciente: guia para a prática [Internet]. São Paulo: COREN-SP; 2022 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/Seguranca-do-Paciente-WEB.pdf

 

5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 63 de 25 de novembro de 2011. Dispõe sobre os Requisitos de Boas Práticas de Funcionamento para os Serviços de Saúde [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2011 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2011/rdc0063_25_11_2011.html

 

6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 36 de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2013 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/rdc0036_25_07_2013.html

 

7. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Portaria MS/GM nº 529 de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2013 [citado 2024 Nov 02]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013.html

 

8. Vitorino M, Aguiar P, Sousa P. In-hospital adverse drug events: analysis of trend in Portuguese public hospitals. Cad Saude Publica. 2020;36(3):e00056519. https://doi.org/10.1590/0102-311x00056519

 

9. Brabcová I, Hajduchová H, Tóthová V, Chloubová I, Červený M, Prokešová R, et al. Reasons for medication administration errors, barriers to reporting them and the number of reported medication administration errors from the perspective of nurses: A cross-sectional survey. Nurse Educ Pract. 2023;70:103642. https://doi.org/10.1016/j.nepr.2023.103642

 

10. Gebrye DB, Wudu MA, Hailu MK. Magnitude and Predictors of Medication Administration Errors Among Nurses in Public Hospitals in Northeastern Ethiopia. SAGE Open Nurs. 2023;9:1-11. https://doi.org/10.1177/23779608231201466

 

11. Marufu TC, Bower R, Hendron E, Manning JC. Nursing interventions to reduce medication errors in paediatrics and neonates: Systematic review and meta-analysis. J Pediatr Nurs. 2022;62:e139-e147. https://doi.org/10.1016/j.pedn.2021.08.024

 

12. Ouzzani M, Hammady H, Fedorowicz Z, Elmagarmid A. Rayyan—a web and mobile app for systematic reviews. Syst Rev. 2016;5:210. https://doi.org/10.1186/s13643-016-0384-4

 

Submissão: 20-Nov-2024

Aprovado: 11-Mar-2025

 

Editores:

Rosimere Ferreira Santana (ORCID: 0000-0002-4593-3715)

Geilsa Soraia Cavalcanti Valente (ORCID: 0000-0003-4488-4912)

Paula Vanessa Peclat Flores (ORCID: 0000-0002-9726-5229)

 

Autor correspondente: Marina Boroni de Oliveira (marinaboroni@yahoo.com.br)

 

Editora:

Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa – UFF

Rua Dr. Celestino, 74 – Centro, CEP: 24020-091 – Niterói, RJ, Brasil

E-mail da revista: objn.cme@id.uff.br

 

CONTRIBUIÇÃO DE AUTORIA 

Concepção do projeto: Oliveira MB, Cavalcanti ACD.

Obtenção de dados: Oliveira MB, Oliveira ARS, Zatti VS.

Análise e interpretação dos dados: -

Redação textual e/ou revisão crítica do conteúdo intelectual: Oliveira MB, Oliveira ARS, Zatti VS, Cavalcanti ACD.

Aprovação final do texto a ser publicada: Oliveira MB, Oliveira ARS, Zatti VS, Cavalcanti ACD.

Responsabilidade pelo texto na garantia da exatidão e integridade de qualquer parte da obra: Oliveira MB, Oliveira ARS, Zatti VS, Cavalcanti ACD.

 

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