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HABILITY OF AGED TO PERFORM ACTIVITIES OF DAILY LIVING: A DESCRIPTIVE STUDY

 CAPACIDADE DOS IDOSOS DE DESEMPENHAR ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA: UM ESTUDO DESCRITIVO 

LA CAPACIDAD DE LOS ANCIANO PARA REALIZAR ACTIVIDADES COTIDIANAS: ESTUDIO DESCRIPTIVO 

Simone Souza Nascimento¹, Luciano Ramos de Lima²,Cris Renata Grou Volpe³,Silvana Schwerz Funghetto³, Margo Gomes de Oliveira Karnikowiski³, Marina Morato Stival³ 

¹ Faculdade Anhanguera- Anápolis - GO , ² Uni Evangélica- Anápolis - GO, ³ Universidade de Brasília (UnB ), Brasília-DF  

Abstract. Problem:The decrease or loss of functional capacity is a process that can be aggravated by diseases. Objective: to evaluate the capacity of the aged to perform activities of daily living and instrumental activities of daily living. Method: a quantitative descriptive research, in day hospital of old in Anápolis-GO. The 30 aged participated and answered 3 instruments: questionnaire, Lawton Scale and Functional Independence Measure.Results: In the Activities of Daily Living had been observed more dependency for use of ladders, memory, locomotion, control of urine, problem solving, social interaction and get dress below the waist. For the Instrumental Activities of Daily Living had partial dependency housekeeping and shopping, and full-pending use the phone and take care of finances. Conclusion: wich this results it is possible to infer that strategies that seek to the improvement of the aged's functionality can favor the aging autonomous, independent and free from offences to the health.

Keywords:  Aged. Activities of Daily Living. Nursing. Geriatric Assessment. 

Resumo. Problema:A diminuição ou perda da capacidade funcional é um processo que pode ser agravado por doenças. Objetivo: avaliar a capacidade de idosos de desempenhar as atividades de vida diária e atividades instrumentais de vida diária. Método: Pesquisa de abordagem quantitativa, descritiva realizada em hospital dia do idoso de Anápolis-GO. Participaram 30 idosos que responderam três instrumentos: questionário, Escala de Lawton e Medida de Independência Funcional. Para análise dos dados foi utilizada estatística descritiva. Resultados: Nas Atividades de Vida Diária observaram-se maior dependência para uso de escadas, memória, locomoção, controle de urina, resolução de problemas, interação social e vestir-se abaixo da cintura. Para as Atividades Instrumentais de Vida Diária dependência parcial para arrumação da casa e em fazer compras, e dependência completa usar o telefone e cuidar das finanças. Conclusão: Diante dos resultados é possível inferir que estratégias que visem à melhoria da funcionalidade do idoso podem favorecer o envelhecimento autônomo, independente e livre de agravos à saúde.

Palavras-Chave: Idoso. Atividades Cotidianas. Enfermagem. Avaliação Geriátrica. 

INTRODUÇÃO

A população mundial está evoluindo para o envelhecimento e o Brasil não está fora desta realidade. Esse fenômeno tem alterado a estrutura da pirâmide populacional brasileira, uma vez que não acontece de forma uniforme e programada, apesar de existirem políticas e estudos sobre a temática. Em 2006, no estado de Goiás, o número de pessoas idosas para cada 100 indivíduos jovens era de 28,7 e a proporção de idosos dependentes era de 12,2% no referido ano(1).

 A diminuição ou perda da capacidade funcional com a idade é um processo fisiológico, mas que pode ser agravado por estados de doença. Tais doenças muitas vezes crônicas e associadas geram uma queda significativa na qualidade de vida da pessoa idosa por limitar sua independência e autonomia. As principais causas de deficiências e incapacidades nos idosos são doenças como osteoporose, osteoartrite, artrite reumatóide, doença de Parkinson, acidente vascular cerebral, diabetes mellitus, doença de Alzheimer, sedentarismo, alterações visuais e auditivas e eventos agudos, como fraturas (decorrentes principalmente de quedas)(2,3,4,5).

Alguns autores consideram que incapacidade funcional caracteriza-se pela presença de dificuldade no desempenho de certos gestos e de certas atividades da vida cotidiana ou mesmo pela impossibilidade de desempenhá-las podendo levar à dependência funcional. As principais causas são as doenças crônicas e os eventos agudos como fraturas (decorrentes principalmente de quedas), acidentes vasculares cerebrais, artrites entre outros. Contudo as condições econômicas, demográficas, psicossociais, culturais, a situação ambiental, o estilo de vida, o estado físico e mental dos idosos, hospitalização, dificuldades visuais e auditivas e internação em serviços de longa permanência podem influenciar na capacidade funcional para realização das atividades de vida diária (AVDs). Outros estudos afirmam que doença crônica não está sempre associada a limitações e à perda de autonomia, e que isso dependerá da forma com a qual o indivíduo convive com a situação(6,2,3,4,5).

As implicações de incapacidade funcional refletem para a família, a comunidade, para o sistema de saúde e para a vida do próprio idoso, uma vez que ocasiona maior vulnerabilidade e dependência na velhice, e contribui para a diminuição do bem-estar e da qualidade de vida dos idosos(4). Por conseguinte, as limitações físicas que impedem a realização das tarefas cotidianas de vida devem ser avaliadas para a formulação de um plano de tratamento em longo prazo, sendo fundamentados em escalas de avaliação da capacidade funcional(3).

Atualmente muitos idosos brasileiros têm vida laboral. Este se torna um fator determinante para maior sobrevida e qualidade no prolongamento da vida. Essa participação na vida produtiva também contribui para mudar o papel do idoso dentro da família, reduzindo a dependência do idoso e valorizando sua contribuição à sociedade. Uma vida ativa pode ser capaz de manter por mais tempo a capacidade funcional. E por isto, mesmo quando saudáveis reclamam da condição de dependência para realização de atividades práticas(6,7,8).

Logo, conhecer a capacidade funcional dos idosos é importante, uma vez que a qualidade de vida desta população está muito relacionada à autonomia e independência para realização das Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs). Estas condutas permitem avaliar e acompanhar o idoso no seu envelhecer, a fim de detectar precocemente as dificuldades/incapacidades que possam limitar a vida do idoso, e, conseqüentemente, acarretar prejuízos biológicos, fisiológicos, psicológicos e sociais.

Além disso, este estudo oportuniza conhecer a magnitude da avaliação de saúde no tratamento e prevenção de situações que podem levar a dependência e perda da autonomia. No campo profissional esclarece as causas de incapacidade no idoso, o que permite, em trabalhos futuros, delinear a elaboração de um plano de cuidados que minimize ou erradique as conseqüências da incapacidade de o idoso realizar independentemente suas atividades de vida diária e atividades instrumentais de vida diária, favorecendo assim a autonomia e a qualidade de vida.

Neste sentido, objetivou-se avaliar a capacidade de idosos de desempenhar as atividades de vida diária e atividades instrumentais de vida diária. 

MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa do tipo descritiva exploratória com delineamento transversal realizada em um hospital-dia do idoso da cidade de Anápolis-GO. O referido hospital é referência na prestação de serviços especializados na reabilitação e reinserção social de pacientes com idade acima de sessenta anos, que necessitam de atenção especializada e que possa manter um convívio familiar, portadores de seqüelas por AVC, e outras doenças neurológicas, doenças ósteo-articulares e demências em grau leve.

Os critérios para inclusão na pesquisa foram: maiores de 60 anos (de acordo com a Política Nacional do Idoso- Lei 8.842 de 1994) e estar cadastrado no Hospital-dia do Idoso para tratamento ou acompanhamento médico.

A amostra foi não-probabilística por conveniência composta por 30 pacientes idosos que tinham consulta agendada com o médico do Hospital-dia do Idoso de Anápolis. A coleta de dados ocorreu no mês de outubro de 2009. As pesquisadoras foram treinadas para aplicação das escalas. A entrevista foi realizada pelas pesquisadoras após o atendimento médico, de forma individualizada em uma sala reservada nas dependências do Hospital-dia do Idoso, pois assim não houve nenhum tipo de influência em suas respostas e respeitou-se a privacidade do paciente. Foi autorizada a entrada do acompanhante quando o idoso solicitou.

Foram utilizados três instrumentos. O primeiro referiu-se a um questionário semi-estruturado para caracterização geral dos idosos com 18 questões que abordavam sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda, prática de exercícios físicos, tabagismo, etilismo, condições mórbidas crônicas e o uso de medicamentos. Foram utilizadas a Escala de Lawton(9) e a Medida de Independência Funcional (MIF)(10) para avaliar as atividades instrumentais de vida diária e as atividades de vida diária, respectivamente. As perguntas foram lidas pelas pesquisadoras e as respostas dos idosos e/ou acompanhante foram anotadas no instrumento de coleta de dados.

A Medida de Independência funcional foi utilizada para avaliar as AVDs. É uma escala com questões fechadas, de múltipla escolha, com possibilidade de escolha de apenas uma alternativa. Pela MIF foi possível caracterizar os graus de dependência pelas dimensões e categorias. Cada categoria da MIF recebe uma pontuação de 1 a 7, sendo 1=ajuda total, 2=ajuda máxima (indivíduo realiza ≥25% da tarefa), 3=ajuda moderada (indivíduo realiza ≥50% da tarefa), 4=ajuda mínima (indivíduo realiza ≥75% da tarefa), 5=supervisão, 6=independência modificada e 7=independência completa. O somatório de todos os escores permitiu a classificação do idoso em cada atividade e no conjunto de atividades.

A Escala de Lawton foi utilizada para avaliar as AIVDs: usar o telefone, transporte, compras, preparar refeições, tarefas domésticas, medicações e cuidar das finanças.

Para análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva com análise exploratória que incluiu cálculos de médias, desvio padrão, freqüências relativa e absoluta, além de Coeficiente de Spearman para verificação da associação entre variáveis. O programa Satistical Package Science Statistical versão 15.0 foi utilizado.

Os participantes assinaram, após esclarecimento dos objetivos e métodos da pesquisa, o Termo de consentimento livre esclarecido de acordo com a Resolução nº. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS)(11). O projeto de Pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos da Anhanguera Educacional e aprovado com parecer 197/2009.  

RESULTADOS

Entre os 30 idosos entrevistados 80% eram do sexo feminino e com idade média de 67,87. Houve predominância de idosos entre 60 a 69 anos (63,4%) e menor prevalência entre idosos com idade mais avançada (3,3%). Quanto ao estado civil 53,3% eram casados e  indivíduos de baixa escolaridade, no qual 9 (30,0%) eram analfabetos e 21 (70,0%) cursaram poucos anos do ensino fundamental.

Foi possível observar que 8 idosos moravam sozinhos (26,7%), 14 (46,6%) moravam com mais uma pessoa e destes, 11 (36,7%) moravam apenas com o cônjuge. A renda mensal da maioria dos idosos foi de até um salário mínimo (90,0%), o que é esperado, devido o recebimento de pensões (16,6%) e aposentadorias (76,7%).

Vários fatores são indicados como predisponentes para limitação funcional, estando entre eles a idade, a escolaridade, a renda, o estado civil, a prática de exercícios físicos, tabagismo e etilismo, condições mórbidas crônicas e o uso de medicamentos.

Apenas 26,7% dos idosos praticavam caminhadas como exercício físico regularmente. O hábito de fumar e de ingerir bebidas alcoólicas foi pouco referido, sendo que apenas 13,3% e 10,0% relataram tais hábitos, respectivamente. Todos os idosos referiram alguma alteração visual, sendo as mais freqüentes a presbiopia e miopia autorreferidas, ambas com 33,3%. Quanto às alterações auditivas, 20 indivíduos (66,7%) referiram-nas, sendo a de maior prevalência o prurido, referido por 8 (26,6%) seguido do zumbido por 5 (16,7%).

A maioria dos idosos (73,3%) referiu pelo menos uma história de queda, principalmente após os 60 anos de idade. Entretanto, apenas a metade deles relatou fraturas, com maiores indicações na clavícula (26,7%) e nos membros inferiores (13,3%). Quanto aos antecedentes cirúrgicos, 24 idosos (80,0%) foram submetidos a pelo menos um procedimento cirúrgico durante a vida.

As doenças referidas pelos idosos foram: hipertensão arterial sistêmica (22), doenças ósteo-articulares (16), cardíacas (17), diabetes mellitus (7), acidente vascular cerebral (3), gastrite (2), labirintite (2) e epilepsia (1). Cabe ressaltar que dois idosos não referiram algum agravo à própria saúde, assim como houve casos de múltiplas doenças associadas.

As medicações mais utilizadas pelos idosos foram os anti-hipertensivos (73,3%), antiagregantes plaquetário (23,3%), antiepilépticos e tranquilizantes (20,0%), anti-arrítmicos (16,7%), protetores da mucosa gástrica (16,7%), hipoglicemiantes (13,3%), antilipêmicos (13,3%), anti-inflamatórios não-esteróides (13,3%), cálcio (13,3%) e nootrópicos (10,0%).

Na Tabela 1 observa-se a média e desvio padrão dos valores das categorias determinantes da MIF. Nota-se elevados valores médios podendo portanto considerar a maioria dos idosos indepenpendentes. A atividade que resultou em menor escore foi subir escadas (M=5,1) e o maior escore foi observado em alimentação (M=6,7).

Apesar da maioria dos idosos ser considerada independente para as atividades de vida diária, alguns apresentaram dependência em variados graus e com maior freqüência para locomoção em escadas (66,7%), memória (63,3%), locomoção em lugares planos (56,7%), controle de urina (53,3%), resolução de problemas (50,0%), interação social (33,3%) e vestir-se abaixo da cintura (26,7%). 

Tabela 1. Média e desvio padrão das categorias determinantes da capacidade de desempenhar as atividades de vida diária segundo a MIF. Anápolis-GO, 2009.

 Atividades

                                        

M ±DP

 

 

 

 

 

Autocuidado

 

 

 

Alimentação

 

6,7  ±1,2

 

Higiene Matinal

 

6,6  ±1,5

 

Banho

 

6,6  ±1,5

 

Vestir-se acima da cintura

 

6,3  ±1,7

 

Vestir-se abaixo da cintura

 

5,9  ±1,8

 

Uso do vaso sanitário

 

6,4  ±1,5

 

Controle dos esfíncteres

 

 

 

Controle de urina

 

5,8  ±1,6

 

Controle de fezes

 

6,5  ±1,2

 

Transferências

 

 

 

Leito-cadeira

 

6,3  ±1,3

 

Vaso sanitário

 

6,4  ±1,5

 

Chuveiro

 

6,5  ±1,5

 

Locomoção

 

 

 

Locomoção

 

5,8  ±1,6

 

Escadas

 

5,1  ±2,1

 

Comunicação

 

 

 

Compreensão

 

6,5  ±1,2

 

Expressão

 

6,5  ±1,2

 

Cognição social

 

 

 

Interação social

 

6,1  ±1,3

 

Resolução de problemas

 

5,6  ±1,9

 

Memória

 

5,3  ±1,5

 

 

O resultado da MIF pode variar de 18 a 126 pontos, na qual quanto menor a pontuação, maior a dependência, e vice-versa. Neste estudo os resultados da MIF variaram de 35 a 126 com média de 111,4± 21,8 revelando maior independência dos idosos.

Comparando-se os escores da MIF total com a idade, o Coeficiente de Spearman não revelou uma relação estatisticamente significativa (p=0,625), o que não demonstra relação entre a idade e a menor capacidade de realizar as atividades de vida diária (FIGURA 1).

FIGURA 1. Correlação entre idade e MIF total dos idosos. Anápolis, 2009.

 

A avaliação da dependência na realização das atividades instrumentais de vida diária foi realizada por meio da aplicação da Escala de Lawton. Em todas as atividades, a maioria dos idosos conseguia realizar sem ajuda, variando de 50,0 a 80,0% dos indivíduos, com uma média de 66,2% de independência total para as tarefas. As atividades que indicaram maior dependência de ajuda foram fazer compras e arrumar a casa, ambas representando 36,7% da amostra. Já aquelas que os idosos não eram capazes de realizar foram usar o telefone e cuidar das finanças freqüentes, em ambos os casos, em 16,7% dos indivíduos (FIGURA 2).

FIGURA 2. Capacidade de realizar as atividades instrumentais de vida diária. Anápolis, 2009. 

DISCUSSÃO

Em relação à caracterização dos idosos observa-se que outros estudos encontram resultados semelhantes observando que há maior procura dos serviços de saúde pelas mulheres e elas apresentam uma expectativa de vida maior que os homens. Entretanto, pesquisas complementam que a quantidade de anos a serem vividos a mais que os homens refletem maior comprometimento da qualidade de vida (2,4,5,10,12,13).

Quanto ao estado civil resultados semelhantes foram encontrados como a maioria serem casados e a maior prevalência de viuvez no sexo feminino(12). Em relação à escolaridade pesquisadores expõem a idéia de que a escolaridade é um fator de relação importante com a incapacidade funcional, indicando que indivíduos de baixo ou nenhum grau de instrução apresentam maiores chances de serem dependentes(4,5,14).

Foi evidenciado que o fato de o idoso morar sozinho é um fator que causa maior independência, enquanto aqueles que vivem em lares multigeracionais apresentam chance duas vezes maior de apresentarem dependência moderada a grave(6). Já referente à renda, estudos recentes relacionam maiores taxas de incapacidade funcional a idosos mais pobres, visto que com menores condições econômicas, o cuidado com a saúde também se torna ineficiente(11,14).

Analisando os fatores indicados como predisponentes para limitação funcional, observou-se neste estudo baixa adesão à atividade física. Observa-se que uma vez encontrado neste estudo idosos com maior capacidade funcional esperava-se resultados de um número maior de idosos praticantes de atividade física. A atividade física regular é referida como uma alternativa para a prevenção de incapacidade funcional no idoso, visto que estas colaboram com a manutenção do sistema músculo-esquelético e com o envelhecimento saudável(15). Autores relacionam a importância da atividade física na avaliação de conseqüências de agravos e doenças crônicas, muito comum neste estrato populacional, tornando-a a principal usuária dos serviços de saúde(7,13).

Quanto às alterações visuais e auditivas foi ressaltado que alterações em ambas as condições, isolada ou associadamente, interferem na capacidade de realizar atividades diárias e na qualidade de vida(6).

Observou-se elevada prevalância de história de quedas, pois a maioria dos idosos relatou pelo menos uma queda. Ressalta-se que a queda pode afetar diretamente a capacidade funcional do indivíduo uma vez que pode resultar em fraturas deixando o idoso dependente para algumas atividades. A prevalência de quedas em indivíduos idosos é um tema de grande importância visto que as conseqüências destes eventos refletem prejuízos nos aspectos psicológico e físico do indivíduo. Estudos demonstram maior ocorrência de tais eventos em mulheres, devido maior perda de massa muscular e óssea(16).

Doenças e consumo de medicamentos têm sido relacionados à capacidade funcional. A hipertensão arterial, as doenças cardíacas, pulmonares e articulares têm maior influência sobre a capacidade funcional do idoso do que outras doenças, em especial o diabetes mellitus que pode levar a complicações vasculares e neuropáticas(4). O número de medicamentos utilizados associam-se à maior incapacidade funcional, seja pelas limitações impostas pelas doenças ou pelo próprio tratamento(5). A maioria dos idosos foi independente para as atividades de vida diária. Foi encontrado em outro estudo um percentual de 57,9% de independência para as AVD, evidenciando maiores comprometimento parcial para controle dos esfíncteres, uso de escadas, banho, deambulação, alimentação, transferência leito-cadeira, e comprometimento total da dependência para uso de escadas, banho, vestir-se, uso do vaso sanitário, transferência da cama para a cadeira, alimentar-se e deambular, semelhantes aos encontrados neste estudo(13). Subir ou descer escadas foi a categoria que maior demonstrou dependência em outro estudo(17).

Acredita-se que quanto maior a idade mais comprometida fica a funcionalidade de um indivíduo. Dessa forma, idosos tendem a apresentar diminuição da capacidade funcional, e ainda, principalmente aqueles mais velhos, dependência na realização das atividades de vida diária (6,12). Este estudo não demonstrou relação entre a idade e a capacidade de realizar as atividades de vida diária. Entretanto, resultados diferentes foram encontrados em outro estudo no qual quanto maior a idade, maiores eram os graus de dependência funcional(18). Outro estudo refere maior déficit de capacidade funcional em idosos institucionalizados, ratificando de que a manutenção do idoso na comunidade garante maior independência(6).

Na avaliação pela Escala de Lawton a maioria dos idosos conseguia realizar sem alguma ajuda as ativiadades. As atividades que indicaram maior dependência de ajuda foram fazer compras e arrumar a casa. Já aquelas que os idosos não eram capazes de realizar foram usar o telefone e cuidar das finanças freqüentes. Os resultados referentes a fazer compras, usar o telefone e cuidar das finanças podem ser justificados pelo baixo nível de escolaridade encontrado neste estudo, enquanto arrumar a casa esteve relacionado aos indivíduos do sexo masculino, que a referiram como uma atividade de responsabilidade feminina e por isso não a realizavam.

Em um estudo foi verificado a capacidade de idosos da comunidade em desenvolver AVD utilizando a mesma escala do presente estudo, no qual as atividades que os idosos apresentaram maior prevalência de dependência parcial foram cuidar das finanças, utilizar transporte e atividades domésticas, e de dependência total em atividades domésticas e utilizar o telefone(13).

Não houve significância nas relações entre variáveis neste estudo, o que pode ser resultado da pequena amostra utilizada. Por conseguinte, é necessário ressaltar que a qualidade no atendimento prestado na unidade pode estimular os idosos a cuidarem mais de si, mantendo-o ativo por mais tempo e com menores números incapacidades e menor dependência funcional.  

CONCLUSÃO

Neste estudo foi possível observar que a maioria dos idosos era independente, apresentando dependências na realização de tarefas isoladamente. Para as Atividades de Vida Diária observaram-se maiores freqüências de dependência, em ordem decrescente, para uso de escadas, memória, locomoção, controle de urina, resolução de problemas, interação social e vestir-se abaixo da cintura. Para as Atividades Instrumentais de Vida Diária prevaleceu dependência parcial para nas atividades referentes à arrumação da casa e em fazer compras, e dependência completa usar o telefone e cuidar das finanças. Observou-se também a falta de realização de atividades físicas, associada às doenças crônico-degenerativas, uso de polifármacos e a eventos, muitas vezes recorrentes, de quedas e procedimentos cirúrgicos, fatores estes que influenciam negativamente na capacidade funcional do idoso. Entretanto, neste estudo, não houve relação estatisticamente significativa entre as variáveis analisadas, o que pode ser reflexo da qualidade do atenção que tem sido dispensada a esta população.

Além disso, a existência de muitos instrumentos de avaliação e a falta de padronização para esse tipo de pesquisa dificulta a comparação com outros estudos. Além disso, como as informações sobre a realização das AVD e AIVD são autorreferidas, estas podem ter sofrido influência da função cognitiva, da cultura, da linguagem e da escolaridade de cada um dos indivíduos que compuseram a amostra deste estudo.

Não bastasse o processo multifatorial que se configura o envelhecimento, a menor procura de indivíduos do sexo masculino pelos serviços de saúde são preocupantes, visto que condições mórbidas podem permanecer não-diagnosticadas por muitos anos e agravando-se, levando-os a viverem menos e com menor qualidade de vida que as mulheres.

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

Sabe-se que a incapacidade ocasiona maior vulnerabilidade e dependência na velhice, levando à diminuição do bem-estar e da qualidade de vida dos idosos. O diagnóstico e tratamento precoces das condições causadoras de incapacidade e da própria incapacidade permite elaborar, em estudos futuros, um plano estratégico, conforme a necessidade do indivíduo, a fim de corrigir tais condições e de garantir qualidade de vida. É importante ainda inferir que, como os problemas de saúde enfrentados pelo idoso são resultados dos precários cuidados com a saúde, das condições de moradia, educação, alimentação, higiene e prática de atividade física, é necessário que as políticas públicas de saúde, saneamento básico, segurança e educação estejam voltadas, também, aos jovens e adultos, a fim de garantir o envelhecimento saudável desta população.

O planejamento de estratégias que visem à melhoria da qualidade e estilo de vida da população idosa pode refletir em um envelhecimento autônomo, independente e livre de agravos à saúde e bem-estar do mesmo.

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18.   Nobrega SOB, Pontes LM, Torres MS, Sousa MSC. Análise da auto-avaliação da capacidade funcional por atividades de vida diária (AVD’s) de idosos cadastrados em postos de saúde da família (PSFf) do município de João Pessoa. Livro de Memórias do IV Congresso Científico Norte-nordeste – CONAFF [Internet]; 2007 [citado 2009 outubro 06]. Disponível em: http://www.sanny.com.br/pdf_eventos_conaff2/Artigo21.pdf

 

Contribuição dos autores: Concepção e Desenho: Marina Morato Stival, Simone Souza Nascimento; Coleta de dados: Simone Souza Nascimento, Luciano Ramos de Lima, Cris Renata Grou Volpe, Silvana Schwerz Funghetto; Análise, Interpretação e Escrita do Artigo: Simone Souza Nascimento, Luciano Ramos de Lima, Cris Renata Grou Volpe, Silvana Schwerz Funghetto, Margo Gomes de Oliveira Karnikowski, Marina Morato Stival ; Revisão Crítica do Artigo: Silvana Schwerz Funghetto, Margo Gomes de Oliveira Karnikowski, Marina Morato Stival; Aprovação Final do Artigo: Simone Souza Nascimento, Luciano Ramos de Lima, Cris Renata Grou Volpe, Silvana Schwerz Funghetto, Margo Gomes de Oliveira Karnikowski, Marina Morato Stival.

Endereço para correspondência: Marina Morato Stival, Quadra 203, lote 4 apt 702, bloco A, Residencial Pau Brasil,  Brasília – DF. CEP: 71939-360 E-mail: marinamorato@unb.br

 

 

 





 

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