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Primiparous understandment on breastfeeding – descriptive quantitative study
Conhecimento de primíparas sobre aleitamento materno - estudo descritivo quantitativo
 

Diana Soares de Azevedo1, Ana Cândida Serafim dos Reis1, Lydia Vieira Freitas1, Thaís Marques Lima1, Priscila Bomfim Costa1, Patrícia Neyva da Costa Pinheiro1, Ana Kelve de Castro Damasceno1 

1.  Universidade Federal do Ceará, CE, Brasil.

 Abstract. We tried to verify the puerperals’ understandment on breastfeeding e its caracteristics. Descriptive in nature with quantitative aproach, realized between november of 2006 and january of 2007 at a reference maternity, with 252 puerperal interns. Most women were between the ages of 19 and 25 (123; 48,8%), 8 study years or more (150; 59,5%), lived with theirs partners (191; 75,8%) and were housewifes (184; 73%). Most of them were going throught their first pregnancy (218; 86,5%), went through seven or more pre-natal apointments (123; 48,8%), prefered vaginal delivery (176; 69,8%), believed that the best moment to iniciate breastfeeding is right after delivery (121; 48,0%) and said had received information on breastfeeding (219; 86,9%). Regarding their understandement on breastfeeding, they know that maternal diseases may impose it (80; 31,7%), refered to liquid ingestion as a possible lactine prodution estimulate (130; 51,1%) and pointed out that massages (72; 26,2%) and milking (67; 28,6%) ease the mamalian shrinkcage. Many issues still need to be improoved to assure breastfeeding carries on until the recommended period and with success.

Key words: Breastfeeding, Knowledge, Postpartum period. 

Resumo. Buscou-se verificar o conhecimento de puérperas sobre a amamentação e suas características. De caráter descritivo com abordagem quantitativa, realizado de novembro de 2006 a janeiro 2007, em maternidade de referência. A população se constituiu de puérperas internadas na instituição e a amostra foi de 252 puérperas. A maioria das mulheres tinham entre 19 e 25 anos (123; 48,8%), 8 ou mais anos de estudo (150; 59,5%), moravam com seus companheiros (191; 75,8%), e eram donas-de-casa (184; 73%). Quanto à história obstétrica, a maioria era primigesta (218; 86,5%); compareceu a mais de 6 ou mais consultas pré-natal (123; 48,8%); referiu parto vaginal (176; 69,8%), considera o momento logo após o parto o mais adequado para o inicío da amamentação (121; 48,0%), relataram orientações sobre aleitameno materno (219; 86,9%). Quanto ao conhecimento deste, as puérperas afirmaram que doenças maternas podem interferir na amamentação (80; 31,7%); referiram a possibilidade de estimulação da produção láctea através da ingesta hídrica (130; 51,5%) e citaram como forma de cuidar do ingurgitamento mamário, a ordenha (72; 28,6%) e as massagens (67; 26,2%). Muitas questões ainda devem ser melhoradas a fim de que se garanta a amamentação até o periodo recomendado e para que este processo aconteça com êxito.

Palavras-chave: Aleitamento Materno, Conhecimento, Período pós-parto.  

Introdução 

         O ato de amamentar representa um dos primeiros atos de cuidado da mãe para com o seu filho, dadas as suas vantagens nutricionais e psicológicas, que favorecem a formação do vínculo entre a mãe e o bebê.

Com relação ao período ideal da realização do Aleitamento Materno (AM), recomenda-se que seja realizado exclusivamente por seis meses e posteriormente, associado a alimentos complementares por pelo menos dois anos, segundo o desejo da mãe e da criança(1).

         Atribui-se  a melhora nos índices de AM à implementação de atividades educativas, ao envolvimento institucional, e à oferta de serviços de saúde que atendam especificamente ao binômio mãe-bebê, promovendo sua saúde na atenção básica.

         Em virtude dos numerosos benefícios que a amamentação ao seio proporciona, principalmente para a criança e a mãe, é relevante que as nutrizes recebam informações tanto acerca das vantagens do AM para seus filhos e para elas, bem como sobre os principais problemas que podem desencorajá-las a amamentar, evitando assim o desmame precoce.

Apesar da reconhecida e comprovada importância da amamentação para a solidificação das relações interpessoais e para a maturidade física e emocional da criança(2), existem alguns fatores que interferem no bom desenvolvimento desse processo, levando muitas mulheres a praticar o desmame precoce.

Profundas transformações sociais contribuíram para esta prática, uma vez que muitas mulheres começaram a se inserir no mercado de trabalho e delegar a terceiros o cuidado de seus filhos(3).

         Além deste fator, ressalta-se à falta de conhecimento das mães sobre AM. Alguns estudos mostraram que esse desconhecimento é uma das causas que contribuem para a redução dos índices de Aleitamento Materno Exclusivo (AME) e Aleitamento Materno Misto (AMM). Ressalta-se que a falta de conhecimento prejudica as mães com relação ao desenvolvimento do período gestacional e puerperal, bem como o  processo de amamentação(4).  

         Em virtude desse achado, faz-se importante a orientação das mães acerca dos aspectos relevantes do AM, tanto no período pré-natal como após o nascimento do bebê, por parte de uma equipe multidisciplinar de saúde. Essas atitudes poderão proporcioná-las informações corretas sobre amamentação e auxiliá-las na decisão de oferecer ou não o leite materno para o seu filho de forma adequada.

         Dentre os profissionais envolvidos na promoção à amamentação destaca-se o papel do enfermeiro, por ser um profissional que estabelece uma estreita relação com as mães, iniciando-a no pré-natal de baixo risco e nele tendo a oportunidade de abordar temas relevantes e indispensáveis, como aspectos voltados para o incentivo do aleitamento materno. O pré-natal deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar de saúde, e os casos de pré-natal de baixo risco podem ser realizados exclusivamente pelo enfermeiro, como consta em sua Lei do Exercício Profissional.(5)

Acredita-se que com apoio e o acompanhamento realizado por este profissional no período do pós-parto na maternidade, no domicílio e durante o acompanhamento de puericultura, a mulher e o pai do neonato certamente estarão mais confiantes e seguros, sendo estas condições essenciais para o sucesso da amamentação(6).

Os enfermeiros que prestam atendimento às mulheres no pré-natal são, geralmente, os primeiros a avaliar as expectativas e pretensões das mães relacionadas à alimentação de seus filhos. Dentre as suas competências incluí-se orientá-las e aos seus companheiros sobre os principais aspectos relativos à amamentação. Nesse período deve-se realizar o exame das mamas e mamilos, e qualquer problema identificado deve ser solucionado ou minimizado, para que após o nascimento do bebê a amamentação seja praticada com mais eficácia e segurança(7).

Esse estudo centrou-se nas primíparas, mulheres que possivelmente estão amamentando pela primeira vez, logo são muitos os fatores que podem interferir na decisão dessa mulher em amamentar, dentre eles a falta de conhecimentos sobre o manejo e importância da amamentação os quais constituem em um grande desafio. Por isso, amamentar no contexto que envolve essas mulheres merece atenção, a fim de que amamentação represente um grande aprendizado e aconteça com êxito e prazer.

         Com isto, realizou-se este estudo com o intuito de verificar o nível de conhecimento de puérperas de uma maternidade escola sobre o AM e as características relacionadas a esta ação. 

Metodologia 

         Estudo de natureza descritiva com uma abordagem quantitativa, realizada em novembro de 2006 a janeiro 2007, no Alojamento Conjunto (AC) de uma maternidade pública de referência, que desenvolve atividades voltadas ao ensino, pesquisa e extensão, sendo também referência na prestação de cuidados a recém-nascidos e mulheres.

         A população se constituiu de puérperas internadas no AC da instituição. Considerando-se  um intervalo de confiança de 95%, um nível de significância de 0,06 e uma prevalência prevista de 50%.

Tivemos como critérios de inclusão para a seleção da amostra as primíparas que estivessem com os seus bebês em condições de amamentação após o nascimento e que aceitassem participar do estudo. Com isto, obteve-se uma amostra de 252 puérperas.

         O instrumento de coleta de dados foi um formulário contendo perguntas objetivas, que abordou características pessoais, história reprodutiva, além de alguns aspectos do AM para testar o conhecimento das mães sobre o mesmo.

         Utilizou-se o programa estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 13.0 para o processamento e análise dos dados. Os dados obtidos após a aplicação do formulário foram agrupados, organizados e apresentados em quadros e tabelas e posteriormente discutidos com a literatura pertinente.

         O projeto foi enviado para o Comitê de Ética da instituição, a qual foi o cenário da pesquisa, sendo este o primeiro procedimento realizado para o desenvolvimento da investigação, e foi aprovado segundo protocolo 22/05, de acordo com a resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde referente a ética em pesquisa com seres humanos. Todas as participantes do estudo foram orientadas quanto aos objetivos da pesquisa e, depois de lerem o Termo de Consentimento Livre e Escrarecido, assinaram-no como forma de consentir sua participação no presente estudo. 

Apresentação e discussão dos resultados 

         Inicialmente, apresentou-se  uma análise descritiva dos dados sócio-demográficos e obstétricos das primíparas, e a associação dessas variáveis com a pretensão das mulheres em realizar o AME até os seis meses. 

Tabela 1. Distribuição dos dados sócio-demográficos segundo a pretensão das mães em realizar o AME até a idade recomendada, MEAC, Fortaleza, CE, 2006-2007 

Variáveis

Aleitamento materno exclusivo

 

Não

Sim

Não Sabe

Total

p

 

N

%

N

%

N

%

N

%

 

Idade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<19 anos

18

22

56

68,3

8

9,8

82

32,5

 

19 a 25 anos

39

31,7

76

61,8

8

6,5

123

48,8

0,19

 > 25 anos

18

38,3

28

59,6

1

2,1

47

18,7

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escolaridade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

de 0 a  7  anos

34

33,3

58

56,9

10

9,8

102

40,5

0,12

> ou = a 8 anos

41

27,3

102

68

7

4,7

150

59,5

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estado Civil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Solteira

22

36,1

38

62,3

1

1,6

61

24,2

0,12

Casada/ União consensual

53

27,7

122

63,9

16

8,4

191

75,8

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ocupação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dona-de-casa

50

27,2

120

65,2

14

7,6

184

73

 

Trabalha fora-20h

2

28,6

5

71,4

-

-

7

2,8

0,61

Trabalha Fora-40h

20

40,8

27

55,1

2

4,1

49

19,4

 

Outros

3

25

8

66,7

1

8,3

12

4,8

 

A análise evidenciou a partir dos valores de  “p” encontrados (maiores que 0,05), que as correlações não foram estatisticamente significante. Contudo, este valores são importantes para a prática de enfermagem na atenção ao binômio mãe e filho, dada a visibilidade da situação de vida destas mulheres.

Verificou-se também que as mulheres (48,8%) tinham entre 19 e 25 anos, mostrando representativo percentual de jovens, porém fora do período da adolescência e, ainda, somando os percentuais das mães que tinha uma idade igual ou superior a 19 anos temos um total 170 (67,5%).

Encontrou-se  82 (32,5%) mulheres menores de 19 anos, percentual elevado, já que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 25% dos partos ocorridos em maternidades sejam de adolescentes. Ressalta-se que adolescentes tem mais dificuldade para amamentar devido à sua imaturidade psicológica e inexperiência(8).

         Porém, apesar de termos mulheres em diferentes idades, não observou-se diferenças significantes quando essa variável foi associada a intenção em realizar o AME, já que estes índices foram semelhantes nas diversas faixas etárias. Entretanto, existiu prevalência menor nas mulheres maiores de 25 anos, onde apenas 28 (59,6%) delas referiram que iriam amamentar os seus filhos de forma exclusiva até os seis meses. Estudos mostram ausências maiores de AME em mulheres mais velhas quando comparada com aquelas na faixa etária de 20 anos, não sendo registrado associação com escolaridade, estado civil e tipo de parto(9).

         Em relação à escolaridade, 150 (59,5%) puérperas tinham 8 e/ou mais anos de estudo, com isso infere-se que possivelmente elas deveriam ser capazes de assimilar melhor os conteúdos transmitidos às mesmas, uma vez que, o número de anos de estudo é um indicador essencial para a análise do nível de instrução da população(10).

Observou-se também que entre as que tinham 8 e/ou mais anos de estudo, 102 (68%) relataram que iriam realizar o AME. Comparando às mulheres que tinham de 0 a 7 anos de estudo, temos que 58 (56,9%) pretendiam amamentar exclusivamente. Logo, observou-se que a escolaridade materna é um fator que influencia na adesão e manutenção do AME até a idade recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS).

         Quanto ao estado civil, 61 mulheres (24,2%) eram solteiras, e somando as mulheres casadas com as que relataram união estável temos um total de 191 (75,8%) de mulheres que moravam junto com os seus companheiros, entretanto não observamos diferenças significativas entre as solteiras e casadas/união estável quanto a pretensão em realizar AME. Apesar disso, a presença do companheiro por si só já oferece um suporte emocional a essa mulher.

         Com relação à ocupação das puérperas entrevistadas, a maioria 184 (73%) relatou ser dona-de-casa, e percebe-se  através dessa informação que essas mulheres poderiam dispor de mais tempo para se dedicar à amamentação. Dessas mulheres, 120 (65,2%) afirmaram que iriam realizar o AME até os seis meses de vida dos seus filhos.

Já cerca de 49 (19%) delas referiram possuir empregos que exigiam uma carga horária de 40 horas semanais, possivelmente essas mulheres teriam menos tempo para se dedicar à amamentação e este poderia representar um fator de risco para o desmame precoce e para a introdução de outros alimentos antes do tempo recomendado.

Entre elas, 27 (55,1%) pretendem amamentar exclusivamente. Com isso, observou-se que apesar de uma elevada jornada de trabalho, a maioria delas pretende realizar o AME. Entretanto o número de mulheres que realmente iram praticar o AME é preocupante pois a mulher que está inserida no mercado de trabalho tende a optar pelo trabalho em detrimento da amamentção, pois as adaptações exigem da mulher um grande esforço físico e, na maioria das vezes, os locais de trabalho não permitem adequações necessárias(11).         

Tabela 2. Distribuição dos dados obstétricos segundo a pretensão das mães em realizar o AME até a idade recomendada, MEAC, Fortaleza, CE, 2006-2007

Variáveis

Aleitamento materno exclusivo

 

Não

Sim

Não Sabe

Total

p

 

N

%

N

%

N

%

N

%

 

N° de Consultas no pré-natal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 a 3

6

54,5

4

36,4

1

9,1

11

4,4

0,36

4 a 6

32

27,1

77

65,3

9

7,6

118

46,8

 

A partir de 7

37

30,1

79

64,2

7

5,7

123

48,8

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nº de gestações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Primigestas

69

31,7

134

61,5

15

6,9

218

86,5

0,22

Não-primigestas

6

17,6

26

76,5

2

5,9

34

13,5

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tipo de Parto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vaginal

56

31,8

110

62,5

10

5,7

176

69,8

0,39

Cesáreo

19

25

50

65,8

7

9,2

76

30,2

 

              Quanto à história obstétrica, 218 mulheres (86,5%), eram primigestas e outras 34 (13,5%), não-primigestas. No grupo de primigestas 134 (61,5%) relataram que amamentariam exclusivamente até os seis meses e entre as não-primigestas 26 (76,5%) afirmaram que iriam realizar o AME até o período adequado. Observando-se uma prevalência maior de pretensão em realizar o AME no grupo de não-primigestas, isto se deve ao fato de que as primigestas teriam maior dificuldade para iniciar e manter a lactação, devido a sua inexperiência. Isto concorda com outra pesquisa na qual se verificou que o grupo de primigestas apresentou um risco maior de não amamentar exclusivamente quando comparado ao de não-primigestas(9).

         Segundo o número de consultas pré-natal, a maioria 123 (48,8%) compareceu a sete ou mais consultas e, portanto, deveriam ter recebido orientações sobre AM, uma vez que o número de consultas realizadas é maior que seis, conforme o recomendado pelo Ministério da Saúde. Esta pesquisa mostrou a importância das consultas pré-natal com relação a intenção em realizar o AME, já que nossos dados ressaltam evidências de que a maioria delas recebeu orientação sobre amamentação durante o acompanhamento pré-natal.

         Durante o pré-natal é preciso identificar os conhecimentos prévios que as gestantes trazem sobre AM, as possíveis vivências e experiências práticas com o assunto, as influências sociais e familiares, a fim de se promover uma melhor educação em saúde, assim como, garantir a efetividade da assistência puerperal. Enfatiza-se que durante e após o nascimento do bebê a presença do enfermeiro é fundamental, auxiliando as mães a iniciar a amamentação para que esta ocorra precocemente e de preferência na primeira meia hora após o parto. A observação da técnica da amamentação e da pega do recém-nascido deve ser realizada no intuito de se corrigir possíveis falhas que possam culminar com o desmame precoce(12).

Em relação ao tipo de parto, 176 mulheres (69,8%)  referiram ter tido seus filhos através de parto vaginal e 76 (30,2%) através de parto cesáreo, podemos observar na prática que as mulheres que são submetidas a esse tipo de parto apresentam maior dificuldade para iniciar a amamentação, devido ao seus estado pós-operatório e ao protocolo de atendimento. No entanto, no presente trabalho o tipo de parto não influenciou a pretensão das mães em realizar o AME. Porém, em um estudo, as crianças nascidas através de parto cesáreo apresentavam maior risco para o desmame precoce(13). Esse fato demonstra, a relevância do incentivo à prática do parto vaginal quando mãe e bebê estiverem clinicamente aptos, dada a sua comprovação para uma possível amamentação bem-sucedida.

         Na tabela a seguir, iremos fazer a associação da variável tipo de parto com o conhecimento das mães acerca do momento ideal para se iniciar à amamentação.  

Tabela 3. Distribuição dos dados relacionados ao tipo de parto segundo o conhecimento das mães sobre o momento ideal da primeira mamada, MEAC, Fortaleza, CE, 2006-2007

Variável

Momento Ideal da Primeira Mamada

 

Logo após o parto

1 a 6 horas pós-parto

No dia seguinte

Quando o bebê solicitar

Não sabe

 

N

%

N

%

N

%

N

%

N

%

Tipo de parto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vaginal

90

51,1

61

34,7

1

0,6

-

-

24

13,6

Cesáreo

31

40,8

31

40,8

7

9,2

1

1,3

6

7,9

Total

121

48

92

36,5

8

3,2

1

0,4

30

11,9

     Conforme observado, 121 (48%) puérperas consideram o momento logo após o parto o mais adequado para iniciar a amamentação. Consideramos que esse momento é crucial para o estabelecimento da lactação, do vínculo afetivo entre mãe e bebê, além de favorecer a mulher, pois diminui o sangramento e auxilia na contração uterina.

Observou-se também que entre as mulheres que sofreram parto vaginal, 90 (51,1%) delas considerou que o momento logo após o parto é o ideal para que se inicie o processo de lactação, enquanto que  31 (40,8%) mulheres que realizaram parto cesáreo disseram o mesmo.

Estudo realizado no Rio Grande do Sul, com 2741 mães, mostrou que mulheres que fizeram cesariana possuem duas vezes mais chances de não amamentar na primeira hora de vida e o uso de objetos como a chupeta foi apontado como fator para aumento de risco de não amamentação nas primeiras horas após o parto(14).

         A seguir, foram apresentados e discutidos os dados relacionados à orientação em aleitamento materno.          

Tabela 4. Distribuição das variáveis conforme orientação sobre aleitamento materno, MEAC, Fortaleza, CE, 2006-2007

Variáveis

N

%

Recebeu orientação

 

 

  Sim

219

86,9

  Não

33

13,1

 

 

 

Local da orientação

 

 

  Pré-Natal

23

9,1

  Maternidade

101

40,1

  Pré-natal e maternidade

93

36,9

  Outros

2

0,8

  Não foi orientada

33

13,1

 

 

 

Quem orientou

 

 

  Enfermeiros

88

34,9

  Médicos

49

19,4

  Outros

42

16,7

  Não sabe/Não lembra

40

15,9

  Não se aplica

33

13,1

 Analisando as informações contidas na tabela 4, percebeu-se que a maior parte das puérperas (86,9%) referiram ter recebido orientação acerca do AM. Percebeu-se, assim, a importância dada ao tema nos diversos seviços de saúde, devido a sua eficácia comprovada na promoção da saúde infantil. Entretanto, apesar da alta prevalência, deve-se questionar e analisar como essas mulheres estão recebendo e assimilando essas informações e se as mesmas estão sendo repassadas de forma clara, além das suas influências na decisão da mulher em manter o AME até os seis meses. Apesar disso, apenas o fato de serem orientadas sobre aleitamento materno não implica diretamente em uma  amamentação adequada, pois estão também envolvidos nesse processo fatores sócio-econômicos, culturais, entre outros. 

         Quanto ao local de orientação, somando os percentuais das mães que referiram ter sido orientadas no pré-natal e das que foram orientadas em ambos (pré-natal e maternidade), encontrou-se um total de 116 (46%) das mulheres que receberam orientação sobre amamentação no serviço pré-natal. Sabemos que uma adequada orientação sobre AM nesse período, é um dos fatores responsáveis pelo sucesso do mesmo.

         Somando os percentuais das mesmas que referiram ter sido orientadas na maternidade, temos 194 (77%) das mães. Ressaltamos que a orientação pós-parto é essencial para que a mãe inicie e mantenha uma lactação adequada, além de ajudá-las a evitar e minimizar problemas que venha a ocorrer com a mama, como o ingurgitamento e as fissuras. Porém, dada a relevância do pré-natal na promoção do AM, consideramos baixa a prevalência das mulheres que foram orientadas nesse serviço, já que a maioria (77%) referiram orientação na maternidade e comparando a porcentagem das mães que foram orientadas somente no pré-natal e apenas na maternidade, temos 9,1% (pré-natal) e 40,1% (maternidade).

Não desconsidera-se a contribuição da orientação pós-parto para uma lactação satisfatória, porém questiona-se a qualidade da assistência pré-natal no que se refere a orientação das mulheres sobre amamentação, considerando que aproximadamente 50% delas relataram sete ou mais consultas pré-natal e, portanto, deveriam ter sido orientadas sobre amamentação durante esse acompanhamento. O presente estudo baseou-se nas informações repassadas pelas puérperas e que pessoas diferentes podem interpretar a mesma informação de uma forma diferente, além da possiblidade de não compreender o que foi transmitido.

         Observou-se que foram os enfermeiros 88 (34,9%) os profissionais mais citados pelas mulheres como principais orientadores sobre amamentação, e entre os outros profissionais citados, 12 (28,5%) faziam parte da equipe de técnicos e auxiliares de enfermagem. Logo, percebeu-se a contribuição da equipe de enfermagem como um todo no incentivo e promoção ao AM. Além disso, o enfermeiro é o profissional que, na maioria das vezes, realiza integralmente o pré-natal de baixo risco das gestantes tendo durante esse período a oportunidade de realizar um importante trabalho de educação em saúde, abordando vários aspectos dentre eles pontos essenciais do AM.  O profissional enfermeiro também treina e capacita sua equipe de técnicos e auxiliares para a realização da orientação adequada das gestantes e puérperas sobre amamentação. 

Sendo o enfermeiro o profissional que possui uma relação mais estreita com a mulher durante o ciclo gravídico-puerperal, o seu papel tem real importância nos programas de educação em saúde, e durante o pré-natal ele deve preparar a gestante para o aleitamento, a fim de que no pós-parto o processo de adaptação da puérpera ao AM ocorra de forma tanqüila e seja realizado com sucesso(15).

Apesar dessa importante contribuição dos enfermeiros no que diz respeito à amamentação, ressaltamos a necessidade de um trabalho multidisciplinar onde cada profissional de saúde deveria abordar os aspectos do aleitamento materno que mais se relacionam com a sua área de atuação, sejam eles nutricionistas, médicos, assistentes sociais, entre outros. Com isso, as mulheres seriam as grandes beneficiadas por uma assistência integral e completa tanto para ela como para seu filho.  

Tabela 5. Distribuição das respostas das puérperas quanto ao horário das mamadas durante a realização de AME, MEAC, Fortaleza, CE, 2006-2007

 

N

%

Intervalo das mamadas

 

 

  De hora em hora

10

4

  A cada 2 horas

33

13,1

  A cada 3 horas

66

26,2

  A cada 4 horas ou mais

1

0,4

  Em regime de livre demanda

120

47,6

  Não sabe

22

8,7

 

 

 

Fatores que contraindicam a amamentação

 

 

  Doenças da mãe

80

31,7

  Uso de medicamentos

8

3,2

  Uso de drogas

6

2,4

  Outros

5

2,0

  Não existe

76

30,2

  Não sabe

77

30,6

 

 

 

Fatores que podem estimular a produção de leite

 

 

  Ingesta hídrica

130

51,5

  Alimentação saudável

27

10,8

  Sucção do bebê

22

8,7

  Outros

16

6,4

  Não sabe

57

22,6

 

 

 

Cuidados com a mama ingurgitada

 

 

  Ordenha

72

28,6

  Massagens

67

26,6

  Compressa morna

22

8,7

  Amamentar

11

4,4

  Compressa gelada

9

3,6

  Outros

5

2,0

  Não sabe

66

26,2

         Conforme observamos na tabela 5, a maioria das mães 120 (47,6%) sabia que a amamentação deve ser sob livre demanda, ou seja, não são estabelecidos horários regulares para amamentar o bebê nesse período, já que mamar com frequência é uma característica normal do recém-nascido. Apesar da maioria das mães saber que o AM deve ser realizado sob livre demanda, consideramos alto o número de mulheres que afirmaram que deve se estabelecer horários regulares para a amamentação, sendo que 109 (43%) deles consideraram intervalos de uma a três horas como ideal para amamentar seus filhos e destas 66 (26,2%) amamentariam seus bebês a cada três horas.

         Conforme observado, 80 (31,7%) puérperas afirmaram que doenças da mãe podem impedir que o AM seja realizado, apesar de sabermos que nem toda doença contra-indica a amamentação. Recomenda-se suspender a amamentação quando a mãe é portadora do HIV visto que o mesmo é excretado no leite humano e pode ser transmitido ao bebê durante a amamentação. Cerca de 35% da transmissão vertical do HIV ocorre intra-útero, principalmente durante as últimas semanas gestacionais e por intermédio do AM(16). Ressaltaram também que doenças na mãe como infecção urinária, infecção bacteriana de parede abdominal, mastite ou outras em que o estado geral da mulher não esteja muito comprometido não indicam a interrupção permanente ou temporária da amamentação.

         Um percentual considerável 77 (30,6%) das mulheres não tinham informações sobre nenhuma situação que poderia culminar com a interrupção ou não realização do AM, e outras 76 (30,2%) consideram que não existe nenhuma situação em que a mãe seja desaconselhada em realizar a lactação, isso poderia ser explicado pela naturalidade da prática da amamentação tão difundida e recomendada atualmente.

         O uso de medicamentos e drogas, apesar de representar um grande risco para os bebês foi citado por apenas 14 (6,6%) das entrevistadas. Apesar disso, faz-se necessário à conscientização das puérperas quanto ao cuidado no uso indiscriminado de medicamentos durante a lactação e a necessidade de consultar um profissional de saúde qualificado para a indicação dessas drogas, visto que algumas delas não possuem informações seguras sobre a sua utilização durante a amamentação ou são contra-indicadas durante esse processo. Acrescenta-se também os malefícios que as drogas chamadas lícitas (álcool) e ilícitas (maconha) podem fazer tanto para o bebê como para a mãe.

         Com relação aos fatores que podem estimular à produção de leite, observou-se que a ingestão de líquidos foi citada pela maioria das primíparas 130 (51,5%). Uma alimentação saudável, rica em frutas e verduras foi citada por 27 (10,7%) das entrevistadas.

         Quando o mamilo recebe o estímulo da sucção, a ocitocina (importante hormônio do processo de lactação) é produzida provocando a ejeção do leite, logo esse mecanismo é essencial para uma amamentação bem sucedida. Quanto às formas de cuidar do ingurgitamento mamário, dentre elas a maior parte citou a ordenha 72 (28,6%) e as massagens 67 (26,2%). Somando os percentuais das primíparas que sabiam alguma maneira de cuidar de uma mama ingurgitada temos um percentual de  186 (73,8%), contrastando com um estudo no qual a maioria das puérperas participantes (57%) desconheciam estes cuidados. 

Considerações finais  

         Conhecimentos corretos sobre aspectos relevantes do AM contribuem significativamente para o sucesso desse processo, porém esse fato isoladamente não determinará que a prática da amamentação seja realizada com plena eficácia, pois apesar de 86,9% das mulheres terem recebido informações a respeito do AME, muitas delas não demonstram conhecimentos corretos e outras não os põem em prática.

Diante disso, percebe-se a necessidade de programas educativos mais consistentes e uma assistência integral a mulher que contemple todo o ciclo gravídico-puerperal, além de um cuidado global à sáude da criança. 

         Enfatiza-se a importância do pré-natal, visto que a orientação sobre AM durante a sua realização e o número de consultas realizadas estão associados a um melhor conhecimento das mães sobre amamentação e apenas 9,1% da mulheres obtiveram infomações durante estas consultas. Além disso, é fundamental que as mães recebam informações corretas, tanto no pré-natal como no período pós-parto, visto as particularidades que cada momento desse apresenta sobre os aspectos da amamentação. 

Deve-se estar atento, também, às questões subjetivas da amamentação, como a alegria do contato físico entre a mãe e o filho, a superação dos obstáculos nas primeiras tentativas, os possíveis sentimentos de culpa, ansiedade e frustração diante da incapacidade em superar as dificuldades do AM, pois muitas vezes essas quentões não são aceitas como válidas para os profissionais envolvidos e estes, acabam ligando o AME apenas ao campo dos fatores biológicos(11).

         Muitas questões devem ser melhoradas a fim de que se garanta o AME até o período recomendado e para que o processo de amamentação como um todo aconteça com êxito. Entre eles, a qualidade da informação repassada para essas mulheres tanto no pré-natal como no puerpério, os principais fatores envolvidos na interrupção precoce da amamentação, como profissionais e instituições públicas podem intervir positivamente e se as leis trabalhistas que apoíam e protegem as nutrizes estão sendo realmente cumpridas. Essas e outras questões se respondidas e resolvidas adequadamente podem garantir o AME até os seis meses de vida do lactente. 

Referências  

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2. Rafael ER, Silva RM, Rodrigues MSP. O significado da amamentação para a mulher primípara. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2005; 9(2): 221-8.

3. Joca MT, Oliveira RL, Barbosa RCM, Pinheiro AKB. Compreendendo o aleitamento materno através da vivência das nutrizes. Rev Rene. 2005; 6 (3):48-55.

4. Mascarenhas D, Cruz I. Lactation Counseling in the Intensive Care Unity - an exploratory study. Online Brazilian Journal of Nursing [periódico on-line]. 2006 [Acesso 2009 Jan 10]; 5(2). Disponível em: http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/viewArticle/388/90.

5. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção a Saúde. Pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada. Brasília; 2005.

6. Rêgo RMV, Souza AMA, Silva MJ, Braga VAB, Alves MDS, Cardoso MVLML. Support and encouragement of the father in breastfeeding: bibliographic study. Online Braz Journal of Nursing [periódico on-line]. 2009; [Acesso 2009 Maio 2]; 8(1). Disponível em: http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/view/2100

7. Lowdermilk DL, Perry SM, Bobak IM. O cuidado em enfermagem materna. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2002. p. 573-4.

8. Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, Coordenadoria de Apoio ao Desenvolvimento da Atenção à Saúde. Manual das equipes de saúde da família. 2ª ed. Fortaleza; 2004.

9. Bicalho-Mancini PG, Velásquez-Meléndez G. Aleitamento materno exclusivo na alta de recém-nascidos internados em berçário de alto risco e os fatores associados a essa prática. J Pediatr.  2004; 80(3): 241-8.

10.           Fundação Carlos Chagas. Mulheres brasileiras, educação e trabalho. [homepage na Internet]. [acesso 06 dez 29] Disponível em: http://www.fcc.org.br/mulher/series-historicas/mbet.html.

11.           Silva RMR, Marcolino C. The experience of the breastfeeding/early weaning process by women orientated to breastfeeding: a qualitative study. Online Brazilian Journal of Nursing [periódico on-line]. 2009; [Acesso 2009 Maio 2];8(1). Disponível em: http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/view/j.1676-4285.2009.2019/460

12.           Almeida NA, Fernandes AG, Araújo CG. Aleitamento materno: uma abordagem sobre o papel do enfermeiro no pós-parto. Rev Eletrônica Enferm. 2004; 6(3):358-67.

13.           Figueiredo MG, Sartorelli DS, Zan TAB, Garcia E, Silva LC, Carvalho FLP, et al. Inquérito de avaliação rápida das práticas de alimentação infantil em São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil. Cad Saúde Pública. 2004; 20(1):172-9.

14.           Silveira RB, Albernaz E, Zuccheto LM. Fatores associados ao início da amamentação em uma cidade do sul do Brasil. Rev Bras Saúde Matern Infant.2008; 8(1):35-43.

15.           Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Políticas de Saúde. Programa de humanização do pré-natal e nascimento. Brasília; 2000.

16.           Lamounier JA, Moulin ZS, Xavier CC. Recomendações quanto à amamentação na vigência de infecção materna. J Pediatr. 2004; 80(5):181-8 

Contribuição das autoras: As autoras contribuíram em todas as etapas do estudo: concepção e desenho; colheita de dados, análise e interpretação; escrita do artigo; revisão crítica do artigo.

Endereço para correspondência: Av. Porto Velho, 650. Henrique Jorge. CEP: 60510-040. Fortaleza-CE. E-mail: lydia_v_freitas@yahoo.com.br

 

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