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The postmodern everyday life and the incidence of stroke in young adults: a descriptive-exploratory study

O quotidiano pós-moderno e a incidência de acidente vascular encefálico em adultos jovens: um estudo descritivo-exploratório 

Juliana Vieira Fernandes1, Cristiane Alves1, Roberta de Freitas1, Alacoque Lorenzini Erdmann1, Rosane Gonçalves Nitschke1, Magda Santos Koerich1 

1 Universidade Federal de Santa Catarina, SC, Brasil 

Abstract: We sought to understand the everyday life of people who had suffered from Stroke, relating it with the contemporary nuances, in younger than 45 years, in a public hospital from Florianópolis, Brazil. This is a qualitative, exploratory-descriptive study. Data were collected through recorded interviews, that were transcripted and analyzed according to Bardin’s method. The following categories emerged: Way of Life; Meaning Life; Rethinking Before, Here-and-Now, and Afterwards. The results pointed-out that the contemporary way of life contributes for the prevalence of cerebrovascular diseases in younger ages. It was noticed that the majority of causes of Stroke in young adults is prevented, emphasizing the importance of measures for health promotion and prevention of illnesses. We stand out for the necessity of rethinking how nursing can contribute for the prevention of health aggravations due to contemporary way of life, promoting a more healthful life.

Keywords: Stroke; Nursing; Health Promotion; Adult Health.

Resumo: Buscou-se compreender o quotidiano das pessoas que vivenciam situação de Acidente Vascular Encefálico (AVE) relacionando-o com as nuanças da contemporaneidade, em menores de 45 anos, num hospital público do município de Florianópolis/SC. Trata-se de um estudo descritivo exploratório com abordagem qualitativa. Os dados foram coletados através de entrevistas gravadas e transcritas, sendo analisados segundo análise de conteúdo de Bardin. Emergiram as categorias: Modos de vida; Significando o viver; Repensando o antes, o aqui agora e o depois. Os resultados apontam que as maneiras de viver contemporâneas contribuem para a prevalência de doenças cerebrovasculares em idades cada vez mais precoces e ainda sinaliza que a maioria das causas para AVE em adultos jovens é evitável, enfatizando a importância de medidas para promoção de saúde e prevenção de doenças. Destacamos que é preciso repensar como a enfermagem pode contribuir para a prevenção de agravos decorrentes da maneira de viver contemporânea, promovendo um viver mais saudável.

Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico; Enfermagem; Promoção da Saúde; Saúde do Adulto. 

Introdução    

Trilhamos um longo caminho, provocador e desafiante, em busca de alcançar o sonho de viver saudável no quotidiano contemporâneo. Compartilharemos aqui os resultados de nossa investigação sobre como atingir meios para ser feliz, para estar junto, para fazer junto, para acolher, para cuidar, para amar e enfim para buscar maneiras de viver saudável nesses tempos pós-modernos. Inspiramo-nos no mundo interplanetário, na possibilidade de fazer uma analogia da nossa experiência com o viver momentos em uma viagem interplanetária.

A decolagem iniciou-se quando mergulhamos nas práticas e saberes da Enfermagem e percebemos que o cuidado ao ser humano é complexo, amplo e precisa acontecer de forma holística e humanizada. Em nossa trajetória alguns fatos chamaram muito nossa atenção, como os aspectos socioeconômicos, culturais, políticos e religiosos estarem fortemente ligados ao processo de viver e adoecer dos seres humanos, inseridos no seu quotidiano.

Entendemos o quotidiano como “a maneira de viver dos seres humanos que se mostra no dia-a-dia, expresso por suas interações, significados, crenças, valores, imagens e imaginário, desempenho de papéis, delineando assim o seu processo de viver, num movimento de ser saudável e adoecer, ao longo do ciclo vital1:5”.    

Nesta perspectiva, observamos que o ritmo de vida assumido atualmente, muitas vezes, está comprometendo a saúde das pessoas e ocasionando notório aumento das comorbidades. Frente a esta situação repensamos a atuação da Enfermagem no quotidiano contemporâneo, ou pós-moderno, e suas nuanças no cuidado aos seres humanos.

A pós-modernidade é compreendida e apresentada como o quotidiano em uma sociedade da imagem; pós-moderno é apenas aquilo que está após a cultura moderna2. “O pós-moderno é o que, nas últimas décadas do século XX, adota uma postura independente, em face das transformações profundas ocorridas na ordem socioeconômica”3:1608 .     

A motivação em trabalhar com o quotidiano pós-moderno está relacionada à nossa inserção, como alunas bolsistas, no Projeto Ninho: Criando um Espaço para Cuidar Transdisciplinarmente da Saúde das Famílias. Este projeto de extensão é coordenado, há 12 anos, pela Prof.ª Dr.ª Rosane Gonçalves Nitschke, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e se realiza em um Núcleo de Educação Infantil (NEI), no município de Florianópolis/SC. Caracteriza-se como a criação de um espaço alternativo, onde as famílias, que possuem um vínculo com o NEI, possam refletir sobre o ser saudável no quotidiano4.

Outro fato que também nos estimulou foi à participação nas atividades de estudo e pesquisa realizadas no Núcleo de Pesquisa e Estudos sobre Enfermagem, Quotidiano, Imaginário e Saúde de Santa Catarina (NUPEQUIS-SC), onde despertamos a paixão em trabalhar com o quotidiano e o imaginário.

A bagagem que trazemos para essa aventura interplanetária certamente colaborou para a escolha do tema, procuramos optar por um assunto inovador e relevante, além do desejo de proporcionar benefícios para a práxis profissional e para a adoção de uma melhor qualidade de vida no quotidiano.

O foco desse Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Enfermagem da UFSC foi direcionado às pessoas acometidas por uma situação que vem crescendo significativamente no mundo: o Acidente Vascular Encefálico (AVE), uma terminologia mais atual e correta, embora, muitos trabalhos ainda utilizem o termo Acidente Vascular Cerebral (AVC), visto a sua consagração. É sabido que esta doença tornou-se comum nas últimas décadas, porém, o que despertou ainda mais curiosidade é a sua incidência em pessoas jovens, exibindo uma limitação ao ser saudável no quotidiano.

A preocupação com esta temática já não é novidade, pois, é fato que nos últimos anos houve importante mudança em relação à etiologia e características das doenças enfocadas nos sistemas de saúde. Segundo indicadores do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1930 cerca de 50% das mortes no Brasil relacionavam-se a doenças infecciosas ou parasitárias, enquanto as doenças do aparelho circulatório, incluindo o AVE, eram responsáveis por 12%. Já a partir de 2003, as doenças do aparelho circulatório correspondiam a 28,4% das mortes no Brasil, refletindo importantes alterações na causalidade das mortes em brasileiros5.

O Ministério da Saúde evidencia que, entre as dez causas líderes de mortes no Brasil, as Doenças Cerebrovasculares (AVE Isquêmico, Hemorrágico e outros) encontram-se em primeiro lugar, salientando ainda que as mudanças nos modos de vida causaram novos riscos à saúde. Pesquisas brasileiras alertam para os principais fatores de risco atribuíveis às mortes nas Américas neste século, estando relacionados ao Tabagismo, Hipertensão, Sobrepeso, Hipercolesterolemia, Baixo consumo de frutas e legumes, Álcool, Sedentarismo, Sexo não seguro, Poluição do ar, Água/Saneamento/Higiene, Baixo peso, Deficiência de ferro e Drogas ilícitas5.

Os dados expostos nos levaram à reflexão sobre o estilo de vida adotado nesses tempos pós-modernos, apontando como a Enfermagem pode contribuir para a prevenção de agravos decorrentes da maneira de viver contemporânea, promovendo um viver mais saudável.

Dentre esses agravos destaca-se o AVE, que refere-se a uma anormalidade funcional do sistema nervoso central e ocorre quando o suprimento normal de sangue e oxigênio no cérebro é interrompido, o que pode envolver uma artéria, uma veia ou ambos6. “O Acidente Vascular Cerebral é uma questão de saúde urgente semelhante ao infarto do miocárdio” 7:1997.

 “Dentre as doenças crônico-degenerativas, as cerebrovasculares constituem a terceira causa de morte no mundo, precedida pelas cardiopatias em geral e o câncer. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) - isquêmico ou hemorrágico, transitório ou definitivo – é a doença cerebrovascular que apresenta maior incidência, tem maior morbidade e resulta em incapacidades” 8:155.

Destacamos que a escolha da faixa etária  Adulto Jovem (15 a 45 anos) conforme a maioria dos trabalhos científicos, baseou-se no alerta que algumas pesquisas trazem sobre o acometimento de doenças, incomuns neste ciclo da vida, estarem apresentando-se com certa freqüência nos sistemas de saúde, sugerindo que campanhas de prevenção e promoção devam ser incentivadas. A seleção deste grupo etário também ocorreu por acreditarmos que os programas de promoção de saúde e prevenção de doenças no quotidiano, ou seja, as maneiras de viver saudável, precisam ser estimulados precocemente.

Vale lembrar que o número cada vez maior de adultos-jovens acometidos pelo AVE caracteriza a rapidez e a pressa do viver na sociedade pós-moderna,  “onde a falta de tempo passa a ser um dos determinantes do adoecer, afastando-nos do caminho do ser saudável” 9:24.

Sob essa ótica é que construímos o presente estudo, acreditando que a Enfermagem possa ser facilitadora do processo de promoção de saúde do ser humano e sua família, auxiliando-os a resignificar seu quotidiano e preparando-os para caminhar em direção a sua autonomia para o ser saudável. Isto porque acreditamos ser possível que “[...] a Enfermagem, por ser uma profissão que integra ciência, arte e sensibilidade, torne-se o fio condutor no resgate do ser e da família saudável nesses tempos pós-modernos”10:15.

Assim, propomos a metáfora dessa viagem interplanetária através de um sistema solar denominado como Unidade de Neurologia, situado na galáxia de um hospital público, localizado no centro do universo de Florianópolis, um município do sul do Brasil, com o objetivo de compreender o quotidiano das pessoas jovens que vivenciam situação de AVE, relacionando-o com as nuanças da contemporaneidade.  

Metodologia 

Para alcançar nosso objetivo, optamos por um estudo descritivo-exploratório de abordagem qualitativa, com suporte nos pressupostos teóricos e da Sensibilidade de Michael Maffesoli, que integram a sociologia compreensiva com a área da saúde11.

A escolha deste autor surgiu pelo interesse em trabalhar a temática do quotidiano, visto que no dia-a-dia emergem as fragilidades e potencialidades para o processo de ser saudável. O referencial apresentado por Maffesoli sustenta a proposta deste estudo em compreender as maneiras de viver dos seres humanos que vivenciam a situação de AVE, pois, encontramos no quotidiano contemporâneo o novo perfil epidemiológico.

Outro aspecto que nos estimulou para escolha desse marco teórico é que Maffesoli privilegia, enquanto objeto de análise, tudo aquilo que não é produzido pelo cálculo, pela intenção, pela estratégia, enfim, pela racionalidade; adotando a sociologia do aqui e agora.

Para obtenção de dados adotamos a observação e entrevistas individuais conforme a técnica de entrevista guiada. Nesta modalidade “O pesquisador conhece previamente os aspectos que deseja pesquisar e, com base neles, formula alguns pontos a tratar na entrevista, as perguntas dependem do entrevistador e o entrevistado tem a liberdade de expressar-se como quiser, guiado pelo entrevistador”12.

Seguindo o estilo literário de Maffesoli, apresentaremos esse estudo através da metáfora de uma Viagem Interplanetária, em que o sistema solar onde coletamos os dados foi a Unidade de Neurologia da galáxia de um hospital público localizado no centro do universo de Florianópolis/SC. A escolha desta instituição deu-se pelo fato da mesma ser referência estadual em neurologia.

Os planetas (sujeitos) da pesquisa foram cinco pessoas internadas com diagnóstico médico de AVE e com idade inferior a 45 anos, no período de Julho a Outubro de 2008. 

Utilizamos como critérios de inclusão: pessoas com quadro clínico geral estável e cognição preservada. Conseqüentemente os critérios de exclusão foram: pessoas com quadro clínico geral instável, ou seja, em risco de morte iminente, comprometimento cognitivo, comprometimento da linguagem (afasia), presença de dores e desconfortos e momentos inoportunos.

As questões norteadoras foram às seguintes: “Como era o seu dia-a-dia até o momento de ocorrer a situação de AVE?”; “Como está o seu dia-a-dia após ocorrer a situação de AVE em sua vida?”; “O que você considera que o levou a situação de AVE?”; “O que é para você um dia-a-dia saudável?”.

Seguimos as sugestões de Minayo, que nos permitiu compreender o tema em maior profundidade, através de comparações e interpretações; além de podermos perceber que a repetitividade e a saturação dos dados sinalizam a finalização da coleta de dados.  Reportando a autora enfatizamos que “a pesquisa qualitativa não pode basear-se em critérios numéricos para garantir sua representatividade. Uma boa amostragem é aquela que possibilita abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões”13:46.

As entrevistas foram gravadas e transcritas, sendo que, após os encontros realizamos anotações, com o intuito de facilitar a análise, adotando-se o Diário de Campo. As observações foram registradas da seguinte forma: Notas de Interação (NI), onde se relatam as interações, contemplando-se a reconstrução de diálogos e entrevistas; a descrição dos locais, eventos especiais e atividades; a descrição dos sujeitos com o comportamento dos observados e do observador, entre outros aspectos. Nas Notas Reflexivas (NR), registram-se os sentimentos, percepções e reflexões do próprio investigador-cuidador.  Nas Notas Metodológicas (NM) são anotados aspectos referentes às técnicas e métodos utilizados, problemas detectados na coleta de dados e como resolvê-los, além de decisões sobre rumos a serem tomados. Enquanto nas Notas Teóricas (NT) são relatadas reflexões sobre aspectos teóricos, ou seja, desenvolve-se uma conversa constante entre o pesquisador-cuidador, a realidade e os autores das referências bibliográficas14.

Para análise dos dados, adotamos Análise de Conteúdo, buscando as categorias emergentes15, com respaldo na afirmação de  que “a análise de conteúdo se encaixa perfeitamente em estudos qualitativos pela possibilidade de categorização dos resultados”12.

A análise de conteúdo é composta por três momentos: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados. Durante o prosseguimento da análise ponderamos ir além dos significados, da leitura simples do real, aplicando o método em tudo que foi dito nas entrevistas.

Na etapa da pré-análise, surgiram os questionamentos do trabalho que foram ordenados em indicadores. A preparação do material foi feita através das entrevistas transcritas organizadas em colunas, com vazia à direita, para anotar e marcar falas semelhantes e incomuns, sempre de acordo com os objetivos da pesquisa. Os temas freqüentemente repetidos foram recortados dos textos para codificação.

Na etapa da exploração do material houve a codificação, que compreendeu a escolha da unidade de registro (recorte) e a escolha de subcategorias (classificação e agregação) que posteriormente se unificaram formando três categorias nucleadoras, designadas como: 1) Modos de vida; 2) Significando o viver e; 3) Repensando o antes, o aqui e agora e o depois.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC mediante o parecer de nº 143/08 e também pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição onde o estudo foi realizado e atendeu às diretrizes e normas da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde16.

Para cada pessoa entrevistada atribuímos um nome fictício, evitando-se, dessa forma, sua identificação. Concedemos aos participantes nomes de planetas, pois, consideramos que este estudo foi uma longa e profunda viagem e que cuidar de si é cuidar do Universo. 

Resultados e Discussão 

Os resultados surgiram a partir dos significados que os participantes atribuíram aos eventos vivenciados. Assim, o simbólico se mostra a partir das interações pessoais, do compartilhamento de significados, envolvendo os valores e crenças que temos como também a maneira como lidamos com as diversas situações da vida.

Diante do elucidado, destacamos os sentimentos, significados e percepções trazidas pelos adultos jovens acometidos por AVE, revelados através das categorias: Modos de vida; Significando o viver; Repensando o antes, o aqui e agora e o depois.

1)       Modos de vida

Nesta categoria emergiram as maneiras de viver adotadas pelos participantes no seu dia-a-dia, caracterizado pelo trabalho, convivência familiar, tarefas quotidianas, hábitos de vida, enfim seu modo de vida contemporâneo.

O estilo de vida é guiado pelos hábitos no quotidiano das pessoas ao longo da vida e essas atitudes refletem diretamente em sua saúde. Na sociedade atual “o homem traz a essência do bem, devendo controlar o mundo e a si para atingi-lo”17:34. Nessa lógica, o homem trilha seu próprio caminho em busca de ser saudável.

Urano de 37 anos, sexo masculino, aponta para alguns obstáculos neste trajeto, tais como: tabagismo, etilismo e uso de drogas ilícitas.

“Tensão do dia-a-dia, nervosismo, cigarro, praticamente o uso de drogas” (Urano).

Neste contexto, Júpiter, 38 anos, sexo masculino, nos lembra que a alimentação também desempenha papel preponderante no modo de vida das pessoas, isto nos remete, principalmente, a criação dos fast foods que ostentam o culto pela velocidade e estimulam um comportamento pouco saudável, conforme afirmado nesta fala:

O almoço era normal, comia em casa. Mas a partir da tarde era só lanche e na rua” (Júpiter).

É dentro deste quotidiano denominado como fast life, herança do fast food, de paradoxos como desemprego e work-aholics, assim como de contradições entre a desnutrição e a obesidade, é que temos caracterizado nosso tempo 18,9,10. Desta mesma forma contraditória é que o AVE alcança o topo do ranking mundial, sendo uma das principais doenças da atualidade, devido sua elevada incidência, morbidade e mortalidade, contudo, ao mesmo tempo, é altamente passível de prevenção.

Em muitos depoimentos, notamos a influência exercida pelo trabalho no viver das pessoas, quando realizado de forma excessiva e exaustiva, relatado pelos participantes como fator predisponente para o estresse. Apesar de esta palavra ser usada de forma supérflua atualmente, a mesma surgiu em todas as entrevistas, ligada principalmente ao trabalho em demasia.

[...] Sábados e domingos era corrigindo prova, preparando aula, porque o professor não tem só um trabalho em sala de aula, ele tem a preparação da aula[...]” (Marte).

Tal situação é reforçada por estarmos inseridos em uma sociedade produtivista que visa o lucro acima de valores morais e éticos. “A crise de valores e modo de vida, com avanços tecnológicos invadindo o mundo interior e abalando até os momentos que ainda podiam ser vividos com um pouco mais de tranqüilidade, trazendo novos hábitos e novos arranjos nas regras sociais e também, em toda uma carga social do progressismo talvez não experimentada pelos homens de outras épocas, do prazer do consumo e a necessidade de buscar cada vez mais as ‘melhorias’ de um idealismo obsessivo e fanático”19:64.

Essa inversão de valores também foi demonstrada a partir de relatos de insatisfação profissional, com destaque para a baixa remuneração e falta de reconhecimento pelas tarefas executadas, denotando as modificações que a estrutura socioeconômica vem sofrendo nesses tempos pós-modernos, onde o indivíduo deve produzir sempre mais e utilizar sua força física e mental para fins políticos e econômicos, distanciando-o de práticas quotidianas saudáveis.

Saturno, 46 anos, sexo feminino, vivenciou o segundo episódio de AVE, sendo que o primeiro ocorreu aos 42 anos. Durante a entrevista referiu que:

“[...] tinha que arear a parede, lavar o chão, banheiro, então é bem pesado” (Saturno).

Também destacamos o comentário de Marte, 35 anos, sexo masculino:

“[...] fui professor durante doze anos, parei justamente por causa do excesso de estresse, e hoje em dia pra gente trabalhar em sala de aula é bastante complicado o reconhecimento do trabalho e principalmente as condições de trabalho [...]” (Marte).

Constatamos que os momentos de lazer ao lado da família muitas vezes são prejudicados e atos simples, como acompanhar os filhos à escola, torna o quotidiano exaustivo, em decorrência de outras atividades consideradas principais, como por exemplo, o trabalho. Assim, a descontração e o relaxamento ficam relegados ao final de semana, tornando o dia-a-dia mais cansativo, “[...] nessa espantosa inversão que faz com que as coisas passem a dominar aqueles que deveriam ser seus possuidores”17:36. Esse domínio do tempo sobre o viver transcende os limites do corpo físico e espiritual tornando o ritmo da vida turbulento e estressante.

2)       Significando o viver

Durante nossas conversas presenciamos, tanto através da comunicação verbal quanto da comunicação corporal, que as respostas eram formuladas de acordo com os valores e crenças pessoais em consonância com as noções que possuem sobre o assunto em questão.

A maioria dos participantes relatou que seu dia-a-dia, antes do AVE, era normal e em seguida começavam a pensar e contar sobre o dia frenético que levavam constantemente. Alguns faziam estas colocações involuntariamente, outros depois de algumas provocações por parte dos entrevistadores. A partir de então, começamos a verificar que surgiu uma noção de normalidade, ou seja, o significado de normalidade para estes adultos jovens vítimas de AVE:

Ah, como é que eu vou dizer assim [...] dentro da normalidade! Eu trabalhava durante o dia como vendedor [...] durante a noite eu dou aula de matemática e física. E sempre trabalhei assim, fui professor durante doze ano, parei justamente por causa do excesso de estresse” (Marte).  

Era normal, o dia-a-dia é assim mesmo. Um pouco cansativo, um pouco... era tranqüilo, mas tinha dias que era cansativo” (Vênus, 25 anos, sexo feminino).  

Normal, variado..., lavava roupa, fazia comida, arrumava a casa [...] trabalhava de limpeza, oito horas por dia.... tinha que arear a parede, lavar o chão, banheiro, então é bem pesado” (Saturno).  

Normal, como qualquer civil. Acordo. Levava os meus filhos pro colégio, normal, fumava demais, não bebia... Intenso. [...] Eu não parava nunca, eu nunca fui de ficar quieto, eu nunca fui preguiçoso” (Urano).

Um quotidiano de normalidade, destacando a aceitação da vida, possível pela fragmentação do tempo onde as ações pontuais constituem a banalidade da vida; a duplicidade que permite os pequenos desvios da vida quotidiana, conservando as aparências de normalidade e ao mesmo tempo preservando espaços de liberdade; o silêncio e a astúcia criando espaços que tornam viáveis a resistência e a permanência da socialidade; a solidariedade orgânica que une os membros de um corpo social através da estruturação simbólica e do imaginário coletivo19.

Em seu imaginário, os entrevistados atribuíram outras respostas, agora relacionadas à sua  compreensão sobre o que é ser saudável no quotidiano. A noção que temos de ser saudável é alcançar o equilíbrio com o corpo, espírito e a mente. É sentir-se bem na interação entre o ser humano e o mundo, levando em consideração que ser saudável também é singular para cada pessoa20.

Um dia-a-dia saudável é um dia que você levanta tranqüilo[...] toma teu café da manhã, vai pro teu trabalho, volta, dentro da normalidade, sem você ta preocupado com ter que fazer alguma coisa, fazer isso ou fazer aquilo, ou ficou alguma coisa pra amanhã” (Marte). 

 “Uma alimentação balanceada, maior contato com a natureza. Sol, mar, praia, isso é muito bom, nadar, correr, jogar uma bolinha na beira da praia” (Urano).

Constatamos que o questionamento fez com que Marte repensasse acerca de seu estilo de vida. Entretanto, não podemos deixar de lado nosso olhar crítico sobre alguns fatores. Levamos em conta que algumas respostas possam corresponder a frases prontas, ou seja, que algumas pessoas podem ter respondido aquilo que os profissionais de saúde desejam ouvir e não o real significado de viver saudável para eles.

Além disso, é sabido que ter conhecimento sobre saúde não é sinônimo de ser modelo de pessoa saudável, a exemplo disto temos vários profissionais de saúde que, por diversas circunstâncias, cultivam péssimos hábitos de vida. Esse contraponto se reafirma em nossa investigação, pois, deduzimos que os hábitos comportamentais independem do nível de esclarecimento das pessoas.

Ainda retratando os significados observamos que os participantes consideraram as condutas do dia-a-dia, desencadeadoras do AVE, conforme essa afirmação:

Eu acho que foi um aglomerado! Pode ser o cigarro que eu fumava uma carteira por dia...” (Jupiter)

Ousamos inferir que o maior fator de risco para o adoecimento é o desequilíbrio constatado em todos os relatos desta pesquisa. Ao mesmo tempo em que as informações sobre hábitos de vida saudáveis ganham espaço nos meios de comunicação averiguamos quanto o sistema socioeconômico proposto tem contribuído para propensão de atitudes pouco harmoniosas.

Em consonância com esta percepção refletimos que “O processo de viver está relacionado às questões econômicas, políticas, sócio-culturais e históricas. O modelo capitalista com ênfase na produção, consumo e lucro constitui-se em um dos complexos cenários de viver humano. Este, influencia as diversas dimensões da vida, seja no biológico, social e profissional em cada etapa da vida, gerando (im)possibilidades de movimentos para mudanças”21:176.

Repensando o antes, o aqui e agora e o depois.

O antes...

Em muitos momentos pode-se perceber que o quotidiano destes adultos jovens resumia-se as tarefas relacionadas ao emprego e as rotinas do lar.

Para muitas pessoas o trabalho tem grande significado em suas vidas, podendo trazer satisfação, estrutura e segurança. No entanto, quando em demasia e em situações insalubres pode ser fonte de estresse e preocupação, conforme declara Jupiter: 

Era um dia estressado! Serviço de manhã e à tarde, de domingo a domingo. Eu prestava serviço para uma cozinha industrial. Aquela lida o dia todo de entrega de alimentação. Sábado, feriado, todos os dias” (Júpiter).

Combinado a isso vem as múltiplas jornadas, enfrentadas principalmente pelas mulheres que, após o processo de emancipação, acumularam atividades. Além de tornarem-se trabalhadoras como os homens, não deixaram de cuidar dos serviços domésticos e da família. Esta condição nos remete a uma característica marcante da vida pós-moderna, ou seja, “lembrar a progressiva ênfase na produção, na construção, no ativismo. Numa palavra, o trabalho como realização do indivíduo e da sociedade”17:33.

Deste modo, o lazer e a atividade física que são primordiais para uma vida equilibrada, ficam em segundo plano, esquecidos. A alimentação não recebe a importância que precisa; as refeições são preparadas e ingeridas de forma rápida para que seja possível honrar os outros compromissos do dia. Hábitos como tabagismo, etilismo e o uso de drogas ilícitas muitas vezes são utilizados como ‘respiradouros’ para suportar tanta desordem. Todas essas circunstâncias contribuem para o desencadeamento de doenças de origem circulatória, como o AVE.

Os fatores de risco do AVE em pessoas acima de 45 anos (idade habitual) são muito semelhantes aos do AVE em adultos jovens. Isto porque “os componentes chaves da síndrome metabólica e tabagismo estão associados com AVC isquêmico em adultos jovens”22:961. Daí a importância de realizar um rastreamento e prevenção sobre esta população na tentativa de reduzir a incidência de doenças cerebrovasculares em adultos jovens.

Quanto ao uso de drogas ilícitas, o uso de cocaína esteve associado a um maior risco de AVE isquêmico e hemorrágico, enquanto as anfetaminas associam-se apenas ao AVE hemorrágico. Já a ingestão recente de álcool, particularmente a intoxicação, pode provocar o início do AVC em adultos jovens 23,24.

Tais informações associam-se às seguintes falas:

 “Todas, nenhuma injetável, nunca fui de injetar... Crack, LSD...” (Júpiter).  

 “Durante vinte anos uma carteira por dia. Dos 18 anos aos 38 anos. Foi o cigarro, estresse, a bebida porque eu tomava cervejinha todos os dias. E o estresse mais ainda, que eu perdia o meu humor” (Urano).

Percebemos, nessas colocações, que as pessoas entrevistadas relacionavam seus hábitos de vida como possíveis causas para o AVE. Um estilo de vida nem sempre adotado livremente, mas imposto a partir das condições, necessidades e contexto de seu viver, uma característica da sociedade contemporânea, em que “as rápidas transformações no mundo do trabalho, o avanço tecnológico e os meios de informação e comunicação incidem fortemente sobre as pessoas, aumentando também os desafios dos profissionais da saúde e da educação”25.

 O Aqui e Agora...

A ocasião da internação, após um episódio de AVE torna-se um momento de meditar não somente acerca do que levou o indivíduo a chegar a tal situação, mas principalmente de como será construído o seu quotidiano quando retomar a vida na comunidade.

 O AVE pode ser responsável por diversas manifestações clínicas ocasionando qualquer sinal ou sintoma neurológico, dependendo de qual área do encéfalo foi afetada. Entretanto, as mais comuns são: déficit de força unilateral (hemiparesia ou hemiplegia), distúrbio de sensibilidade de um lado do corpo (hemi-hipoestesia ou hemiparestesia), distúrbio de marcha (ataxia), déficit no campo visual (hemianopsia ou quadrantanopsia), distúrbios de linguagem (afasia) e da fala (disartria), dificuldade na deglutição (disfagia), vertigem, náuseas, vômitos e cefaléia26.

Estas incapacidades geram muitas vezes a perda da autonomia e com isto, um longo caminho a ser percorrido, em busca de uma melhor qualidade de vida dentro do que é possível na situação.

É triste, chato a limitação! Uma pessoa saudável, que não tinha nenhum problema, eu tenho dificuldade pra ir ao banheiro, dificuldade de tudo, praticamente, até de abrir o chocolate. Limitações, não é fácil não” (Urano).

O período de internação precisa ser tranqüilo, com incentivo para o retorno às atividades diárias, desde a higiene pessoal, o caminhar, as habilidades manuais, incluindo exercícios de linguagem, leitura e memória, além de outros, conforme as necessidades individuais. Nesse momento é imprescindível a colaboração dos profissionais da saúde e, principalmente dos familiares.   

 O Depois...

O AVE em adultos jovens é um evento relativamente raro e ocorre em 1 a 10% de todos os AVEs. Porém, as complicações fisiológicas e psicológicas permanecem por tempo prolongado e indeterminado, modificando o quotidiano familiar e as relações interpessoais27.

Presenciamos na fala de Saturno os desafios e as expectativas em torno do quotidiano após, seu retorno a vida familiar e em sociedade, constatando as mudanças e adaptações impreteríveis em virtude das seqüelas. Algumas vezes fica inviável o exercício de várias tarefas, desde as atividades básicas como comer ou escovar os dentes, até o retorno ao emprego.

 “Na primeira vez eu só não tinha mais força, agora eu tô totalmente sem movimentação[...] Antes eu não tinha força, mas os dedos mexiam, lavava roupa, só não fazia esforço, limpava a casa, agora vou ter que me acostumar com isso” (Saturno).

Tudo isso requer uma adaptação não somente por parte da pessoa acometida, mas, também dos familiares e amigos. O retorno ao domicílio implica em decisões como a de quem serão os “cuidadores”, bem como, a necessidade de adaptações de recursos materiais que facilitem o cuidado e que ofereçam mais conforto.

Sabe-se que o AVE tem uma forte ligação com o perfil do estilo de vida. Muitas pessoas apresentam comportamentos inadequados à sua saúde, expondo-se aos fatores de risco. Após o impacto inicial causado pela doença, as pessoas começam a repensar sobre seus hábitos de vida e planejam atitudes mais equilibradas, verificando a necessidade na alteração de comportamentos de risco para evitar recidiva da doença, evidenciando que, muitas vezes, passamos a cuidar muito melhor de nossa saúde, devido há algum problema.

 “A minha pessoa está melhor porque eu perdi bastante peso. Perdi dez quilos! Também estou fazendo uma dieta melhor, fazendo exercícios e dormindo cedo. Tô tomando o maior cuidado para que não aconteça de novo” (Júpiter).

Resignificar o depois é certamente uma grande batalha, a perda da autonomia sobre o próprio corpo e o rompimento com o quotidiano habitual podem refletir em constrangimento, tristeza e dor. Neste momento é imprescindível o apoio e o carinho dos familiares e amigos no incentivo aos tratamentos e nas readaptações necessárias para uma melhor qualidade de vida.

 Considerações finais

 Apesar do número considerável e crescente de casos de AVE em adultos jovens, o tema ainda é pouco explorado. Através da revisão de literatura constatamos a escassez de publicações sob forma qualitativa em relação a este tema, principalmente de publicações nacionais.

Após conhecer o quotidiano destes adultos jovens acometidos por AVE, reafirmamos que o dia-a-dia e o estilo de vida estão profundamente relacionados ao processo saúde-doença dos seres humanos, o que vem aumentar os desafios dos profissionais da saúde e da educação.

 Observamos que a maioria das causas para as doenças cerebrovasculares são evitáveis, enfatizando a importância da adoção de medidas simples e de menor custo, com vistas à promoção da saúde, no entanto, o AVE está entre as maiores causas de morbimortalidade mundial. Isto reforça as maneiras de viver contemporâneas, onde os fatores de risco cardiovasculares se sobrepõem, tornando-se cada vez mais prevalentes e em idades mais precoces.

Ao final desta viagem metafórica acreditamos ter cumprido a finalidade proposta de compreender o quotidiano dos adultos jovens que vivenciam situação de AVE. Por meio dos pressupostos sensíveis de Maffesoli, decolamos em busca de contribuições para a enfermagem promover o ser saudável na contemporaneidade. Em nossa viagem pelo mundo da profissão, percebemos que a enfermagem acontece onde existem pessoas, famílias, comunidades, prestando algo precioso e que a sociedade atual carece muito: o cuidado.

Constatamos que a enfermagem como profissão, ciência e arte pode conduzir e facilitar o encontro do ser humano com a prática do equilíbrio diário, alcançando a harmonia precisa. 

A promoção da saúde é o grande desafio para fazer frente ao melhor viver com saúde, o viver mais saudável, com estratégias ou ações que possibilitem a autonomia do cidadão no exercício do cuidar de si e do outro com sustentação técnico-científica que assegure o viver mais livre de riscos ou vulnerabilidade a agravos.

Lançamos o desafio de novas investigações sobre este assunto não somente aos profissionais de enfermagem e/ou da área da saúde, mas também aos profissionais de outras áreas, pois, levamos em conta a multidimensionalidade e complexidade das pessoas e consideramos que o cuidado precisa acontecer de forma transdisciplinar contemplando as necessidades do quotidiano.

Ao encerrar o estudo, tornou-se claro para nós que este não é o final do percurso, mas sim uma provocação para novas decolagens em busca do ser saudável nesses tempos pós-modernos.

Referências

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Contribuição dos autores: - Concepção e desenho: Juliana Vieira Fernandes - Análise e interpretação: Alacoque Lorenzini Erdmann, Rosane Gonçalves Nitschke e Magda Santos Koerich - Escrita do artigo: Juliana Vieira Fernandes, Cristiane Alves e Roberta de Freitas - Revisão crítica do artigo: Alacoque Lorenzini Erdmann, Rosane Gonçalves Nitschke e Magda Santos Koerich - Aprovação final do artigo: Alacoque Lorenzini Erdmann - Pesquisa bibliográfica: Juliana Vieira Fernandes, Cristiane Alves e Roberta de Freitas - Colheita dos dados: Juliana Vieira Fernandes, Cristiane Alves e Roberta de Freitas.  

Endereço para correspondência: Rua São Vicente de Paula, 444, Agronômica, Florianópolis/SC. CEP: 88025-330. julianavf@hotmail.com 

Notas: Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina, desenvolvido em 2008, pelas estudantes: Juliana Vieira Fernandes, Cristiane Alves e Roberta de Freitas, orientadas pela Profª Dra Alacoque Lorenzini Erdmann com colaboração das Professoras Dra Rosane Gonçalves Nitschke e Msc Magda Santos Koerich.