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Support and encouragement of the father in breastfeeding: bibliographic study

Apoio e estímulo do pai na amamentação: estudo bibliográfico

Apoyo y estímulo del padre en la lactancia materna: estudios bibliográficos

 Rita Maria Viana Rêgo1, Ângela Maria Alves e Souza2, Maria Josefina da Silva2, Violante Augusta Batista Braga2, Maria Vera Lúcia Moreira Leitão Cardoso2 e Maria Dalva Santos Alves2

1UFS, SE, Brasil; 2UFC, CE, Brasil.

Abstract: The participation of the father in the breastfeeding must be culturally assimilated by health professionals and by the society. This is a bibliographical descriptive and documentary study, aims to present the theoretical production in relation to the father's involvement breastfeeding in and public policy. The collected data was from 1992 to 2006 and the sources for collection were LILACS; SCIELO; MEDLINE; ADOLEC and BDEN from the Health Virtual Library– BIREME in September 2007 with the keywords: Paternity, Breastfeeding and Public Policies. Among the 140 studies found, one, published in a international magazine recommended other directions in research and Public Policies to encourage the father’s involvement. We  hope that this research offers reflections and changes in the practice of nurses to take care/care in maternal and child attention in which the father is included as a participant in breastfeeding and in the mother’s and child care. Urge activities and publications to recognize the father in this process.

Keywords: Paternity, Breast Feeding; Public Policy.

Resumo:A participação do pai na amamentação precisa ser culturalmente assimilada pelos profissionais de saúde e sociedade. Estudo bibliográfico e documental, do tipo descritivo, objetiva apresentar a produção teórica no que concerne ao envolvimento do pai na amamentação e políticas públicas. Contou como recorte histórico o período de 1992 a 2006. Coletou-se material nos bancos de dados LILACS; SCIELO; MEDLINE; ADOLEC e BDEN da Biblioteca Virtual de Saúde – BIREME em setembro de 2007 com os descritores: Paternidade, Aleitamento Materno e Políticas Públicas. Dos 140 estudos, um publicado em revista internacional recomendou novos direcionamentos em pesquisa e políticas públicas para encorajar o envolvimento dos pais na amamentação. Espera-se que esta pesquisa proporcione reflexões e mudanças das práticas dos enfermeiros para cuidar/cuidado na atenção materno infantil em que o pai seja incluído como partícipe na amamentação, nos cuidados com filho e a mãe. Urgem ações e publicações que reconheçam o pai neste processo.

Palavras-chave: Paternidade, Aleitamento Materno; Políticas Públicas.

Resúmen: La participación del padre en el amamantamiento necesita ser cultural asimilación por los profesionales de salud y por la sociedad. Investigación bibliográfica y documental, descriptiva, cuyo objetivo fue presentar la producción teórica con relación al envolvimiento del padre en la lactancia y en las políticas públicas. Se obtuve el recorte histórico del periodo de 1992 a 2006. Se colectó el material en los bancos de datos LILACS; SCIELO; MEDLINE; ADOLEC e BDEN de la Biblioteca Virtual de Salud – BIREME en septiembre de 2007 con los descriptores: Paternidad, Lactancia Maternal y Políticas Públicas. De los 140 estudios, uno publicado en revista internacional recomendó nuevas direcciones en investigación y políticas públicas para encorajar el envolvimiento de los padres en el amamantamiento. Se desea que esta investigación ofrezca reflejos y cambios de las prácticas de los enfermeros para cuidar/ cuidado en la atención maternal infantil en que el padre sea un participante en la lactancia, en las atenciones con el hijo y la madre. Se necesita, así, acciones y publicaciones que reconozcan el padre en éste proceso.    

Palabras-clave: Paternidad; Lactancia Materna; Políticas Públicas.  

Introdução 

É consenso entre as autoridades nacionais e internacionais do mundo científico a excelência do leite humano para a criança. Alguns autores já referiram que o homem é o único animal mamífero que oferece outro leite que não o seu para a sua cria(1,2). Apesar das evidências em relação à superioridade do leite materno do ponto de vista nutricional, imunológico, formação de vínculo afetivo, ecológico, econômico, entre outros, o aleitamento exclusivo e a alimentação complementada ainda estão bastante aquém do recomendado pelo Ministério da Saúde (MS) e Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de seis meses e dois anos ou mais, respectivamente (3).

Denomina-se aleitamento exclusivo quando a criança recebe apenas leite humano, e medicamentos, quando prescritos, não sendo incluídos chás e água. Alimentação complementada diz respeito à continuidade da amamentação com a introdução gradual de outros alimentos consumidos pela família para que possa ser observada alguma reação alérgica ou intolerância, além de possibilitar oportunidade para que a criança desenvolva o sabor seletivo dos alimentos (3).

Praticamente todas as mulheres podem produzir leite em quantidade suficiente para um ou mais filhos. É indispensável, no entanto, o apoio à família, e que os serviços de saúde disponham de profissionais capacitados, aptos para o suporte à amamentação(1,2,4,5). Autores recomendam treinamentos sobre amamentação para o profissional de Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN) visando minimizar dificuldades da mãe lactante(6) . Há também preocupação com a continuidade desta assistência em domicílio, principalmente no período em que costumam ocorrer maiores dificuldades no manejo da amamentação, entre o 3º e o 5º dias, quando as mães normalmente já receberam alta da maternidade(7).

Acredita-se que com apoio e o acompanhamento realizado por profissionais treinados no manejo da lactação desde o pré-natal, durante a internação na maternidade e no domicílio após a alta, a mulher e o pai do neonato certamente estarão mais confiantes e seguros, condições essenciais para o sucesso da amamentação.

O casal deve receber esclarecimentos quanto aos benefícios do leite humano para a criança, a mulher, a família e a sociedade, mas a decisão de amamentar é do casal, e principalmente da mulher e desse modo, toda ação educativa deve ser desprovida de imposição.    

A observação da mamada e da interação mãe, filho e pai pelos profissionais de saúde devem anteceder qualquer intervenção. O conhecimento dos parâmetros corretos de uma amamentação eficiente é condição sine qua non para este acompanhamento, que deve ocorrer em condições de tranqüilidade, sem a ansiedade para transmitir as orientações. Quando há adesão por parte da mulher e esta segue as recomendações adequadas para a amamentação eficaz, é suficiente elogiar e estimular sua continuidade.

O pai pode ser um importante aliado, verdadeiro parceiro na amamentação, desde que a sua participação seja estimulada já no pré-natal. O fato do profissional de saúde convidar o homem para acompanhar sua mulher gestante às reuniões e consultas individuais pode gerar confiança, auto-estima e oportunidade de ligação afetiva com o filho o que certamente deve evitar insegurança e apreensão comum aos futuros pais.

A ansiedade, diante de uma nova situação; o medo, por não saber ao certo o que e como fazer para atender as exigências do recém-nascido; e as inúmeras dúvidas podem ser percebidas negativamente pelo homem, principalmente quando ele não é estimulado a desenvolver uma ligação afetiva com o bebê e sua companheira desde a gravidez (8).  

 É importante considerar que muitas mulheres durante a gravidez e até mesmo durante o planejamento da gestação reconhecem e se beneficiam do apoio do esposo e dos familiares. Em estudo que objetivou compreender o significado da gestação para grávidas diabéticas, constatou-se que o fato do casal planejar e desejar a gravidez, foram essenciais para que esse evento fosse vivido com prazer marcando de forma decisiva, o significado da gestação para estas mulheres (9).  

A gestação é uma experiência que deve envolver a mãe e o pai da criança e estes precisam de ajuda desde a gravidez para lidar com as expectativas da chegada do filho que esperam. Quando a figura paterna ocupa espaço no ciclo gravídico puerperal, a enfermeira pode orientar não apenas a mulher, mas também o casal, por ocasião da consulta de Enfermagem(10)

Na sociedade ocidental, tradicionalmente, vivenciar a gestação, a educação e a saúde dos filhos faz parte das tarefas que, na divisão sexual do trabalho, cabe à mulher. A responsabilidade do homem no desenvolvimento gestacional parece não fazer parte do imaginário masculino, podendo ser confundido com o desenvolvimento fetal(11). Intuímos que o fato da gestação acontecer no útero materno, o pai algumas vezes se sente desobrigado de participar dos eventos ocorrentes em torno desta gestação. 

A Sociologia destaca na família contemporânea a figura do pai como pessoa instrumental, responsável pela segurança física e financeira. A atenção, a educação e o carinho são tarefas que ficam sob a responsabilidade da mãe, que representa a figura expressiva, de suporte afetivo e integrador da família(11); assim, a amamentação também pode ser percebida pelo senso comum como “coisa de mulher” sendo o homem por vezes, excluído desse contexto.   

Em relação a esta cultura, destaca-se um fato interessante ocorrido durante comemorações da 13ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) no ano de 2004, em Aracaju, Estado de Sergipe/Brasil, no qual foram realizados encontros para ciclos de palestras em 22 (vinte e duas) escolas públicas do ensino médio sendo que alunos do curso de enfermagem da Universidade Federal de Sergipe (UFS) foram treinamentos sobre o tema e incluídos nestas práticas educativas. Em um destes encontros, inicialmente havia aproximadamente duzentas mulheres no auditório e o argumento da direção da escola, quando questionada em relação ao público unicamente feminino foi de que o tema aleitamento diz respeito às mulheres. Com a permissão da direção os alunos também foram convidados e aquele encontro dialogal constituiu oportunidade para esclarecimento do importante papel do pai na amamentação. Os homens que lá estavam se antes tinham a idéia de que aleitamento é apenas para mulher, sentiram-se bastante valorizados e incluídos no processo superando as mulheres em questionamentos.

 Para melhor entender a problemática da cultura de exclusão do pai da amamentação, faz-se necessário reportar-se para a família, no sistema colonial, em que o pai monopolizava o interesse da prole e da mulher. Não era compromisso dele qualquer manifestação afetiva para com os filhos, que tinham uma posição secundária a serviço do poder paterno. A imagem da criança frágil, portadora de uma vida delicada merecedora de cuidados especiais, é uma situação recente(12).

Na atualidade, a sociedade patriarcal vem modificando-se gradativamente. A mulher cada vez mais ocupa posição de destaque em cargos públicos e a educação dos filhos é partilhada entre o casal. Ações valorizam, incentivam e incluem os homens como partícipes em todo o processo reprodutivo, no cuidado dos filhos e também na vivência da amamentação.

No que concerne à valorização do cuidado paterno, no Brasil, desde o ano de 2003, acontecem campanhas realizadas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com o objetivo de divulgar a importância da função paterna, os direitos e os deveres dos pais e a mobilização da sociedade para a aprovação, pelo Congresso Nacional, da lei que regulamenta a guarda compartilhada(13)

Em pesquisa realizada no Serviço de Puericultura de um hospital e maternidade municipal de Fortaleza-CE, Brasil com 14 mães que objetivou apreender o significado da amamentação para adolescentes nutrizes, observou-se que seis mulheres estavam acompanhas de seus respectivos maridos, os quais demonstraram interesse em aprender como participar, não apenas do processo da amamentação, mas, do cuidado de seus filhos(14)

O estudo do tema emergiu da necessidade de verificar as produções científicas que discorreram sobre as políticas públicas de incentivo ao aleitamento materno e se estas relacionaram o pai na amamentação. A inquietação que ocasionou a referida busca bibliográfica baseou-se no respaldo da literatura somado a percepção de que a presença do pai pode contribuir de forma significativa para o sucesso na amamentação. 

Metodologia

 

 Trata-se de um estudo bibliográfico, documental, do tipo descritivo realizado de 1992 a 2006. O material bibliográfico foi obtido em bancos de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BIREME), quais sejam: LILACS; SciIELO; MEDLINE; ADOLEC e BDENF, com os descritores Paternidade, Aleitamento Materno e Políticas Públicas tendo sido encontrado cinco, um, dois, 85 e 47 respectivamente, perfazendo um total de 140 estudos. A coleta deste material ocorreu no mês de setembro de 2007. 

De posse dos 140 estudos identificados, procedeu-se à leitura dos títulos e quando as palavras aleitamento materno, amamentação, políticas públicas, paternidade, pai, família e humanização da assistência encontravam-se presente efetuou-se a leitura dos resumos.

A decisão de examinar o estudo na íntegra aconteceu quando se verificou a possibilidade de os autores apontarem o tema políticas públicas ou o pai no apoio e estímulo à amamentação, constituindo-se dessa forma os critérios de inclusão para este estudo.

 

Resultados

 

            Após levantamento da produção científica encontrada nos bancos de dados selecionados, os resultados foram dispostos em duas situações distintas consideradas: utilização dos descritores Paternidade, Aleitamento Materno e Políticas Públicas e a forma de leitura realizada (quadro 1) e a produção científica relacionada à temática amamentação, políticas públicas e envolvimento ou não do pai, segundo anos e fontes de publicação e os bancos de dados (quadro 2).

 

Quadro 1 - Distribuição dos estudos disponíveis nos bancos de dados, Fortaleza 2008

 

 

Forma de Leitura Realizada

Banco de Dados

 

Total

LILACS

SCIELO

MEDLINE

ADOLEC

BDENF

Apreciação do Título

5

1 *

2

85**

47***

 

     140

 

Leitura do Resumo

Artigo

-

-

2

19

13

34

 

 

      49

Livro

-

-

-

03

1

4

Tese

1

-

-

06

2

9

Monografia

-

-

-

01

-

1

Conferência

-

-

-

01

-

1

Leitura na Íntegra

Artigo

3

-

-

-

6

9

        9

Tese

-

-

-

-

-

-

Fonte: Base de dados do LILACS; SCIELO; MEDLINE; ADOLEC e BDENF. * repetido do banco de dados LILACS; ** havia um estudo repetido no mesmo banco de dados; *** Havia dez estudos repetidos no mesmo banco de dados

 

Dos cinco estudos encontrados na LILACS, procedeu-se a leitura do resumo de uma tese e três artigos na íntegra. O banco de dados SCIELO não foi privilegiado haja vista que o único estudo disponível já havia sido apreciado no LILACS. Da MEDLINE, realizou-se a leitura dos resumos de dois artigos e, dos 85 estudos da ADOLEC, procedeu-se à leitura de 30 resumos, sendo 19 artigos, três livros, seis teses, uma conferência, uma monografias; Dos 47 estudos da BDENF, procedeu-se à leitura dos resumos de 13 artigos, um livro e duas teses e seis artigos foram lidos na íntegra.

Portanto, 82 dos 140 estudos foram excluídos pela leitura dos títulos sendo que um pertencia ao LILACS, 55 ao ADOLEC, 25 ao BDENF. Houve repetição de estudos no mesmo banco de dados uma vez no ADOLEC e dez vezes do BDENF. A exploração dos dados permetiu identificar o ano e fonte de publicação e os respectivos bancos de dados indexados conforme apresentado no quadro 2.

Quadro 2 - Distribuição da produção científica relacionada à temática amamentação, políticas públicas e envolvimento ou não do pai.Fortaleza 2008.

 

Ano de publicação

 

Fonte de Publicação

Banco de Dados

LILACS

ADOLEC

BDENF

1999

Pediatria. moderna

(A1)

 

 

2002

Future Child

 

(A2)

 

 

2005

Universidade de São Paulo

(T1)

 

 

Rev. bras. saúde materno. Infantil

(A3)

 

 

Rev. Latino-Am. Enfermagem

 

 

(A4)

2006

Texto & contexto Enfermagem

(A5)

 

 

Fonte: Base de dados do LILACS; SCIELO; MEDLINE; ADOLEC e BDENF. OBS: Tese (T); Artigo (A).  

A base LILACS foi a que mais indexou estudos relacionados às temáticas. Encontrou-se uma dissertação do Programa de Pós-Graduação em Ciências da USP (T1)(15) e três artigos (A1)(16), (A3)(17) e (A5)(18), que incluem políticas públicas voltadas para o aleitamento.

O artigo (A1)(16) publicados em 1999 analisa criticamente a inserção do aleitamento materno nos programas e políticas nacionais de saúde, enfatizam que, nos séculos XVIII e XIX, os profissionais de saúde, bem como os programas e campanhas, tinham em comum a fundamentação behaviorista que visava modificação de comportamentos. Para as autoras estes profissionais consideravam o aleitamento natural como um direito da criança e dever sagrado da mulher. Destaca a representação da mulher no século XIX e XX, uma mistura de imagens da mãe piedosa da Igreja, mãe-educadora do Estado positivista, a esposa-companheira do aparato médico-higienista. Denunciam os puericultores de se infiltrarem na vida privada das famílias, transformando um saber próprio das mulheres (amamentação) em medicalização do ato de amamentar. Conclui dizendo ser inegável que as políticas sociais públicas e os programas de incentivo ao aleitamento natural são necessários(16).  Todavia, sua leitura está voltada para os profissionais de saúde como principais atores, como sujeitos sociais, capazes de transformar a prática da amamentação. Por isso, resume-se que a omissão do apoio do pai e dos familiares na amamentação retrate a realidade da época.

As políticas de incentivo ao aleitamento materno no Brasil flutuaram bastante em diferentes épocas. Algumas leis facilitaram o processo de aleitar. Em 1966, o Governo brasileiro definiu o período de licença-maternidade em 84 dias para favorecer maior permanência da mãe junto ao filho e propiciar oportunidade de aumentar os índices de aleitamento materno(3). A ampliação da licença maternidade para 120 dias aconteceu em 1985 por ocasião do I Congresso Pan-Americano de Aleitamento Materno, realizado em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul/Brasil no período de 12 a 15 de maio de 1985  portanto 19 anos após ter sido instituída e também teve o propósito de aumentar a permanência da mãe junto ao filho e diminuir os custos do País com internações hospitalares provenientes de doenças na primeira infância(3). Percebe-se a preocupação dos poderes público com o binômio mãe e filho e, com a morbimortalidade que, consequentemente, onera a economia nacional. 

 A licença-paternidade de cinco dias foi concedida pela Constituição Federal/88 em seu artigo 7º, XIX e art. 10, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o que até então, era de apenas um dia, conforme estabelecia o artigo 473, III da CLT. A licença-paternidade possibilita ao trabalhador ausentar-se do serviço para auxiliar a mãe de seu filho, que não precisa ser necessariamente sua esposa(19). No dia 06/08/2008 a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou projeto que amplia a licença paternidade para 15 dias que tramita na Câmara.

Em ADOLEC, encontrou-se um artigo (A2)(20) publicado em 2002, numa revista internacional em que os autores recomendam novos direcionamentos em pesquisa e nas políticas públicas para encorajar um melhor envolvimento dos pais na ampla diversidade da estrutura familiar na sociedade atual(20). Registrando-se ai, a preocupação com a inserção do pai na amamentação fora do Brasil. 

A dissertação (T1) (15) publicado em 2005 teve como objetivos reaver a história das políticas públicas adotadas pelo Governo Federal e do Estado de São Paulo, verificar se os mecanismos de proteção social formal de uma prática biológica como o ato de amamentar aparece nas dissertações e teses de pós-graduação das instituições públicas de ensino superior de São Paulo. A autora aponta que há tendência de maior interesse da academia sobre esse tema, quando existe política pública nacional, que define diretrizes com base nas recomendações internacionais e que esperava encontrar na produção acadêmica avaliada confluência mais consistente com a política pública que enfocasse a implementação, a execução e a avaliação dessas políticas. Na sua compreensão, estes aspectos foram relativamente pouco abordados nos estudos por ela analisados(15).

Verifica-se que a política de aleitamento materno nasceu e foi institucionalizada em 1979, com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF). Em 2002, com a publicação da nova legislação das Normas Brasileiras para Comercialização de Alimentos para Lactentes e Criança na Primeira Infância, “Bicos, Chupetas e Mamadeiras” a maior vitória da Política Nacional de Aleitamento Materno(19)

Observa-se, portanto, que a Legislação regulamenta a publicidade de fórmulas lácteas, desses artefatos (bicos, chupetas e mamadeiras), cientificamente comprovadas como prejudicial à criança pelas implicações higiênicas, ortodônticas e alimentares desfavorecendo a produção efetiva do leite humano.

Foi em 2004 que diretrizes para o planejamento da Política Nacional de Aleitamento Materno no Brasil foram estabelecidas, dentre as quais a redefinição de ações de promoção, proteção e apoio, de metas para aumentar os índices de aleitamento, fortalecimento das coordenações estaduais e municipais com implantação e implementação de comissões e de bancos de leite(19).

O artigo (A3)(17) também, como a dissertação publicado em 2005, teve como objetivo descrever e analisar dados de um inquérito realizado em Londrina, acerca de práticas alimentares no primeiro ano de vida. As autoras analisaram os fatores de risco para interromper a amamentação exclusiva em menores de quatro meses e desmame em menores de um ano.  Concluíram que as taxas de aleitamento foram consideradas baixas, destacando a necessidade de se estabelecerem políticas públicas adequadas para alimentação da criança(17).  

O artigo (A4) (21) indexado pela BDENF publicado em 2005 na Revista Latino Americana de Enfermagem, embora tivesse como objetivo compreender como a família convive com a problemática da desnutrição infantil, as autoras, nas conclusões, referiram que esta patologia tem como um de seus multi fatores o desmame precoce, e acrescentaram que em sua maioria, a mãe é quem assume a responsabilidade dos filhos, pois nem sempre pode contar com o apoio do pai da criança(21). Neste artigo percebe-se que existe a valorização do pai nos cuidados da criança e na amamentação. 

No artigo (A5) (18), publicado em 2006, as autoras referem que a partir de 1980, políticas públicas em prol da amamentação começaram a ser desenvolvidas, principalmente em países subdesenvolvidos. Tem como foco a amamentação sob a ótica da sexualidade e dos direitos reprodutivos. Traz algumas reflexões sobre a amamentação, enfocando a sexualidade e os direitos reprodutivos das mulheres, na cultura ocidental. Os autores concluem dizendo que cabe à mulher, detentora de seu corpo, o direito de gestar, parir e amamentar, e aos profissionais de saúde o acolhimento a estas mulheres, a compreensão do seu modo de vida e o respeito às suas opiniões; e que estes devem também apoiá-las no processo de amamentação(18). O pai foi omitido, talvez porque não era objetivo do estudo analisado. É importante lembrar, no entanto, que a sexualidade é troca (carinho, afeto, respeito, amor), não podendo ser apreciada de forma unilateral.

A amamentação pode desencadear modificações no relacionamento conjugal, mas alguns homens não a consideram como negativa em suas vidas e sentem satisfação em apoiar a sua companheira(8)

A Política Nacional de Aleitamento Materno, atualmente, tem como objetivos promover, proteger e apoiar a prática do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e complementado até os dois anos de idade ou mais constituindo prioridades do Ministério da Saúde(3). Muitos avanços ocorreram no sentido de promover a amamentação, mas o pai tem sido muito pouco lembrado. Inicialmente, a prioridade foi voltada para a criança, com o intuito, principalmente, de reduzir os índices de morbimortalidade infantil. Questões culturais, de gênero, sexualidade, simbolismo, apoio à mulher, foram gradativamente sendo foco de interesse de alguns grupos acadêmicos.

Diversas iniciativas podem ser consideradas importantes ações de políticas públicas voltadas para o apoio e para o estímulo ao aleitamento no Brasil, dentre as quais se destacou: Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), Projeto Bombeiro Amigo do Peito (PBAP), Carteiro Amigo da Amamentação (CAA), Iniciativa Unidades de Saúde Amiga da Amamentação (IUBAAM), Metodologia Mãe Canguru (MMC) e Semana Mundial da Amamentação (SMAM).

A IHAC nasceu a partir de uma reunião organizada pela OMS/UNICEF, ocorrida em Speddale degli Innocenti, Florença, Itália, em 1990, com a participação de vários países, inclusive o Brasil. Deste encontro, resultou um documento - Aleitamento Materno na Década de 90: Uma Iniciativa Global - um conjunto de metas, intitulado Declaração de Innocenti, que recuperou para a mulher o direito de aprender e praticar a amamentação com sucesso. A IHAC é reconhecida mundialmente pelo seu papel transformador e, o Brasil, hoje necessita emergencialmente de uma séria adesão em todas as esferas do Governo(19).

O PBAP foi lançado em 1992 em parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal e o Corpo de Bombeiros Militar do DF, com o objetivo de aumentar a captação do leite humano ordenhado no domicílio(19).

O Projeto CAA foi lançado em Fortaleza, Estado do Ceará, em 1996, em uma parceria entre a Empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos e a Secretaria Estadual de Saúde do Ceará, com o objetivo de ampliar a divulgação de informações relevantes sobre a importância da amamentação às gestantes e nutrizes. A sua expansão ocorreu em 1999, primeiro para o Nordeste e posteriormente para todo o Brasil, a partir da iniciativa dos Ministérios da Saúde e das Comunicações(19).

A IUBAAM tem por objetivo a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno por meio das unidades básicas de saúde que devem estar mobilizadas para o Sucesso da Amamentação. O Estado do Rio de Janeiro foi o pioneiro no Brasil criando em 1999 a primeira IUBAAM que vem sendo implementada pela Secretaria de Estado da Saúde com o apoio do Grupo Técnico Interinstitucional de Incentivo ao Aleitamento Materno(22).    

 Em 2001, a Área Técnica de Saúde da Criança do Aleitamento Materno do Ministério da Saúde (MS) elaborou um manual de capacitação de avaliadores tendo sido ministrados cursos pilotos de capacitação de equipes e de avaliadores da IUBAAM. A normatização foi concluída neste mesmo ano, mas, em 2002, foi considerada incompatível com as estratégias e recursos do MS (22).

O MMC é uma política pública em que o pai não poderia ser excluído. No Brasil, em 5 de julho de 2000, foi publicada a Portaria 693/GM, que estabeleceu a Norma de Orientação para a Implantação do Método Canguru(23). Foi idealizado na Colômbia, em 1979, pelos doutores Edgar R. Sanabria e Hector Martinez como uma evolucionária forma de preservar a vida e humanizar a atenção ao recém-nascido prematuro e de baixo-peso(24).

Esta metodologia consiste na colocação do bebê no colo de um adulto, na posição canguru (contato pele-a-pele) 24 horas no dia. Ela possui três fases: na primeira, o recém nascido está sob cuidados da equipe de saúde na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI); na segunda, no Alojamento Conjunto (AC); e na terceira, é acompanhado ambulatorialmente(23). Em todas as fases, os familiares, principalmente o pai, podem e devem ser incluídos, haja vista que a eficiência do método é influenciada pelo tempo de permanência da criança em posição canguru, não podendo ser atribuição exclusiva da mãe. 

Com o objetivo de sensibilizar e alertar as mães, os pais, as famílias e a sociedade quanto ao valor imensurável do leite materno para a saúde da criança, a SMAM é uma política mundial. Esta foi uma iniciativa da Aliança Mundial pelo Aleitamento Materno (WABA), em parceria com o UNICEF, celebrada em 180 países. No Brasil, essas ações são hoje coordenadas pelo MS(25)

A participação do pai na amamentação foi privilegiada por ocasião da XIII Semana Mundial do Aleitamento Materno, que aconteceu no período de 12 a 18 de setembro de 2004. O tema no Brasil foi definido como “Amamentação Exclusiva: Segura, Saudável e Sustentável” e teve como simbolismo o laço dourado(25). O primeiro lançamento deste simbolismo aconteceu no ano anterior por ocasião do VIII Encontro Nacional de Aleitamento Materno - ENAM na cidade de Cuiabá-MT no último dia do evento que ocorreu no período de 8 a 12 de novembro de 2003.

A cor dourada do laço quer dizer que a amamentação vale “ouro” para as crianças. Cada parte do laço tem uma mensagem especial. Um lado dele representa a mulher e o outro o bebê. Eles são simétricos para dizer que mãe e criança têm a mesma importância para o sucesso da amamentação. O nó central significa o pai/companheiro, a família e a sociedade. Sem este nó não existiria o laço, eles diz que o apoio é fundamental para a amamentação. As pontas do laço representam o futuro - a amamentação exclusiva por seis meses e continuada por dois anos ou mais, complementada com comida caseira, gerarão crianças saudáveis e felizes. O laço é uma iniciativa do UNICEF e tem sido utilizada para estandar de ouro a alimentação infantil(26).

Estudos revelam que as opiniões do pai articulam conhecimentos referentes às vantagens nutricionais e psicológicas do aleitamento para a criança, realização da maternidade para a genitora e vínculo mãe-filho. Concluem asseverando que o pai precisa ser integrado a este momento e que seus resultados podem preencher lacunas teóricas acerca da participação do homem neste cenário, (27).

 

Considerações Finais 

É possível assinalar que a literatura brasileira ainda é incipiente quanto à publicação de estudos que privilegiem o pai no apoio e no estímulo à amamentação, pelo menos no que diz respeito à indexação de dados contidos nas fontes escolhidos pelas autoras. Políticas públicas reconhecidamente eficazes precisam ser reavivadas para que muitas famílias possam ser beneficiadas com a amamentação.

Acredita-se que este ensaio possa despertar interesse para outras pesquisas e ações efetivas para promover estratégias educativas que envolvam o pai no apoio e no estímulo a amamentação.

Verifica-se na descrição deste estudo que a importância dada à amamentação e o valor imensurável do leite humano já é fato reconhecido por autoridades científicas e pelas famílias que evidenciam no cotidiano o quanto as crianças amamentadas são mais sadias, carinhosas e comunicativas.

A amamentação favorece a formação do vínculo precoce entre mãe, filho e pai, se esta for uma preocupação dos profissionais de saúde, se houver o reconhecimento de que o desenvolvimento emocional dos primeiros anos de vida favorece a saúde mental por toda a vida do indivíduo. 

É evidente que o apoio do pai no processo da amamentação e dos cuidados com o filho é fundamental, sendo necessário que os profissionais de saúde acreditem e promovam ações de acolhimento e envolvimento deste no pré-natal, continuando na maternidade e domicílio.

Para que estes valores em relação à importância do pai no processo da amamentação sejam culturalmente assimilados, são necessários esforços continuados dos gestores, profissionais de saúde, da educação, das empresas e sociedade civil organizada. Portanto, espera-se que este estudo possa proporcionar reflexões e mudanças das práticas dos enfermeiros para proporcionar o cuidar/cuidado na atenção materno infantil em que o pai seja incluído como partícipe na amamentação e cuidados com filho e a mãe. 

Referências Bibliográficas 

1.Giugliane ERJ. Aleitamento materno: aspectos gerais. In: Duncan  BB, Schmidt  MI, Giugliani ERJ, editores. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 2004. p. 219-31. 

2. Martins JF. Como e porque amamentar.  São Paulo: Sarvier; 1984.  

3. Ministério da Saúde (BR). Política de aleitamento materno. <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=26350>. Acesso: 27/10/2007.  

4. Teruya K, Serva VB. Manejo da lactação. In: Rego JD. Aleitamento materno. São Paulo: Atheneu; 2002. 

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Contribuição dos autores: -Concepção e desenho: Rita Maria Viana Rêgo e Ângela Maria Alves e Souza -Análise e interpretação: Rita Maria Viana Rêgo, Ângela Maria Alves e Souza, Maria Josefina da Silva -Escrita do artigo: Rita Maria Viana Rêgo, Ângela Maria Alves e Souza, Maria Josefina da Silva, Violante Augusta Batista Braga e Maria Dalva Santos Alves -Revisão crítica do artigo: Rita Maria Viana Rêgo, Ângela Maria Alves e Souza, Maria Josefina da Silva, Violante Augusta Batista Braga, Maria Vera Lúcia M. Leitão e Maria Dalva Santos Alves -Aprovação final do artigo: Rita Maria Viana Rêgo, Ângela Maria Alves e Souza, Maria Josefina da Silva, Violante Augusta Batista Braga, Maria Vera Lúcia M. Leitão e Maria Dalva Santos Alves -Provisão de pacientes, materiais ou recursos: não se aplica -Expertise em Estatística: não se aplica-Obtenção de suporte financeiro: auto-financiado -Pesquisa bibliográfica: Rita Maria Viana Rêgo, Ângela Maria Alves e Souza.