Online braz j nurs

Stress and oncological nursing: studies at Center of Researches in Nursing (CEPEN).

 Stress e enfermagem oncológica: estudos no Centro de Pesquisa em Enfermagem (CEPEN).  

Rafaela Andolhe1 Laura de Azevedo Guido1 Graciele Fernanda da Costa Linch1

1Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil.

Abstract. This study was elaborated with the aim of identifying the knowledge produced in the nursing concerning stress, as well as emphasizing in the publications that it was researched about stress among oncological nurses. It is a bibliographical study carry out in the dissertations and thesis abstracts contained in CEPEN - Center of Researches in Nursing among from 1979 to 2005. 18 abstracts were found, analyzed and organized in two categories: A) Stress among nurses and nursing team, and B) Stress and oncological nursing. The analyzed of data demonstrated that the researches about stress and nursing are increasing, but a gap was observed concerning researches that focus stress among oncological nurses and the coping.

Key words: stress; oncological nursing; work. 

Resumo. Este estudo foi elaborado com o objetivo de conhecer a produção do conhecimento na enfermagem acerca de stress, assim como destacar nas publicações o que foi pesquisado sobre stress entre enfermeiros oncológicos. Trata-se de um estudo bibliográfico realizado nos resumos de dissertações e teses contidas no CEPEN – Centro de Pesquisas em Enfermagem entre 1979 a 2005. Os resumos foram analisados e organizados em duas categorias quais sejam: A) Stress entre enfermeiros e equipe de enfermagem e B) Stress e enfermagem oncológica. Encontraram-se 18 resumos, a maior parte (95,65%) foi publicada a partir de 2002. Os dados analisados demonstraram que são crescentes as pesquisas relacionando stress e enfermagem, mas observa-se uma lacuna acerca de pesquisas sobre stress entre enfermeiros oncológicos, bem como seu enfrentamento.

Palavras-chave: Stress, enfermagem oncológica, trabalho. 

INTRODUÇÃO:

O conhecimento produzido por enfermeiros no Brasil reflete as dificuldades e desafios enfrentados pela profissão no seu cotidiano de trabalho. Essa produção tem caráter descritivo, pois procura relatar a realidade de trabalho na qual a enfermagem está inserida de modo a permitir a comunicação e transmissão de seu conhecimento(1).

Sendo o stress um tema atual e considerado como processo presente nas diversas profissões, funções e ambientes, sejam pessoais, profissionais ou sociais e que faz parte do ciclo vital do ser humano, também se tornou objeto de estudo, inclusive entre enfermeiros.

O conceito de stress teve origem na área da engenharia e aproximado da área biológica, sendo entendido como uma reação específica do organismo, manifestada por respostas inespecíficas apresentadas pelo indivíduo na tentativa de manter a homeostase. Tais alterações foram denominadas de Síndrome de Adaptação Geral (SAG)(2).

O enfoque biologicista de stress foi tornando-se mais abrangente, sobretudo, a partir dos anos 80 com a perspectiva interacionista, na qual se enfatiza a participação do aparelho cognitivo na avaliação e resposta ao estressor. Nessa perspectiva, stress é algo que ultrapassa a esfera biológica e destacam a importância do aparelho cognitivo nas respostas aos diferentes estímulos (3). Nesse modelo os estressores são passíveis de avaliações pelo indivíduo.

            Na enfermagem, o stress no trabalho do enfermeiro motivou estudos, sobretudo, enfatizando que esta profissão é uma das mais estressantes(4, 5, 6), pois requer destes profissionais competências técnicas e científicas, gerenciais, assistenciais, de ensino e pesquisa, busca constante de conhecimentos e habilidades de relacionamento interpessoal, que exigem adaptação.

Particularmente, por atuar-se enquanto docente na área de oncologia e ter-se atuado na pesquisa e na assistência à mulher com câncer de mama, com foco no stress e no enfrentamento da doença por essa paciente, pode-se dizer, que os profissionais de enfermagem que assistem a esses pacientes, enfrentam stress em sua rotina de trabalho.

A prática docente e assistencial motivou alguns questionamentos como: o que foi investigado por enfermeiros sobre stress no Brasil? Esses estudos associam stress no trabalho de enfermeiros oncológicos? Em quais aspectos?

            Com o foco nessas questões e considerando que o stress é inevitável na vida do ser humano(7) e a enfermagem, uma profissão que exige adaptações constantes às diversas situações de stress que caracterizam sua rotina de trabalho, este estudo teve como objetivos:

- conhecer a produção do conhecimento na enfermagem acerca de stress;

- destacar nas publicações o que foi pesquisado sobre stress entre enfermeiros oncológicos.  

METODOLOGIA

            Tipo de Pesquisa: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada a partir dos resumos de dissertações e teses contidas no CEPEN – Centro de Pesquisas em Enfermagem(8), gravadas em CD-ROM, que abordam o objeto de estudo: stress em enfermagem e enfermagem oncológica e stress.

            Entende-se que a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito, mas permite a estudar um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões  pertinentes; é realizada em fontes de documentos primários ou secundários da bibliografia já publicada  sobre o assunto em questão, com o objetivo de aproximar o pesquisador do tema de pesquisa(9).

            Em vista dessa aproximação do pesquisador ao tema de pesquisa, selecionou-se trabalhos visando atender às questões norteadoras e o cumprimento dos objetivos do estudo.

            Critérios de inclusão: publicações entre 1979 a 2005 (totalidade das publicações contidas no CD-ROM); teses e dissertações que apresentam que abordam os seguintes termos: enfermagem oncológica, estresse, estresse psicológico, saúde mental e trabalho.

            Cabe ressaltar que os resumos publicados entre 2000 a 2005 não possuíam descritores ou termos para sua classificação no CEPEN, estes foram selecionados pela leitura dos resumos, verificando-se sua aproximação ao objeto do estudo.

            Coleta de dados: elaborou-se um roteiro específico que permitiu contemplar: o tipo de estudo, os objetivos, método de pesquisa, recomendação e/ou resultados.

            Tratamento dos dados: Utilizou-se a meta-análise a qual permite análise dos resultados de várias pesquisas sobre o mesmo tema (10). Realizou-se a leitura e o agrupamento dos resumos em áreas temáticas de acordo com o foco de pesquisa, as quais foram: a) stress entre enfermeiros e equipe de enfermagem b) stress e enfermagem oncológica.    

 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

            Foram identificados 18 resumos, sendo que 13 de dissertações e cinco de teses. A maior parte (72,22%) foi publicada a partir de 2002, tratando-se, portanto de estudos recentes acerca de stress entre enfermeiros. Vale destacar que com a expansão dos cursos de mestrado e doutorado no Brasil, de acordo com indicadores da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), nos últimos 10 anos os cursos de pós-graduação aumentaram em razão de maior incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento científico(11). Nesse contexto, a ampliação do número de pesquisas relacionadas ao stress e a enfermagem acompanharam essa evolução, juntamente com a preocupação dos enfermeiros com as condições de trabalho. Os estudos de stress entre enfermeiros passaram a ser realizados em diferentes unidades hospitalares e destacaram as condições de trabalho em diversas áreas e abordagens, configurando a difusão do conhecimento(5).

            Observou-se que as dissertações são responsáveis por 72,22% da produção do conhecimento relacionada à temática abordada neste estudo, enquanto que as teses compreendem 27,78%. Isso pode ser explicado pelo maior número de cursos de mestrado em enfermagem no país em relação aos cursos de doutorado. Segundo a CAPES, nos últimos sete anos, foram criados 872 novos cursos de mestrado e 492 de doutorado, aumentando o número de alunos matriculados nesse período em 30 mil no mestrado e 19 mil no doutorado(12).

            Os resumos encontrados foram analisados e organizados em duas categorias, quais sejam: A) Stress entre enfermeiros e equipe de enfermagem (15 resumos) e B) Stress e enfermagem oncológica (3 resumos). 

            Cabe destacar que 94,44% dos resumos tratavam-se de estudos exploratórios, descritivos e de campo e apenas um (5,56%) caracterizava-se como estudo bibliográfico. Isso demonstra a preocupação da enfermagem brasileira em estudar e descrever a sua realidade, seus problemas e desafios(1).

            Observou-se ainda, que o ambiente hospitalar foi o cenário predominante (77,77%) no que se refere ao desenvolvimento de pesquisas sobre stress entre enfermeiros e saúde do trabalhador. Os serviços de saúde, particularmente as organizações hospitalares, por serem dotadas de sistemas organizacionais e técnicos próprios, têm contribuído para tornar esses ambientes estressantes(13). Além disso, o sentimento de dor e sofrimento que a instituição hospitalar transmite contribui para que este ambiente seja considerado estressante(6).

As pesquisas acerca de stress entre enfermeiros e equipe de enfermagem na atenção primária à saúde são recentes e estão tornando-se um novo foco de estudos sobre o stress no trabalho, como o stress entre trabalhadores comunitários de saúde(14) e destaca os sintomas de stress nos trabalhadores de cinco núcleos de saúde da família(15). Isso reafirma o que alguns autores já concluíram ser estressante a atividade profissional do enfermeiro, podendo tal assertiva ser estendida a equipe de enfermagem.

            Pôde-se observar também, um número importante de resumos que não constavam informações suficientes acerca do tipo e local da coleta de dados, o que dificultou a análise. Esses resultados refletem a importância do fornecimento de informações básicas claras e objetivas sobre a pesquisa realizada como: tipo de estudo, local, instrumento de coleta de dados, bem como método de análise em sua elaboração.

            Pela análise dos resumos, percebeu-se que os primeiros trabalhos foram publicados na segunda metade da década de 80, pontuando a saúde do enfermeiro, as condições de trabalho e o stress. No entanto, as discussões acerca das condições de trabalho e saúde do trabalhador iniciaram, muito antes, nas primeiras décadas do século XX. A situação dos trabalhadores no Brasil nessa época era preocupante, uma vez que realizavam longas jornadas de trabalho, inclusive, mulheres e crianças; detinham baixos salários; não tinham direito a férias e não eram pagos em dia; essa situação se modificou com a mobilização de movimentos grevistas e operários, os quais foram controlados em 1930, com a criação do Ministério do Trabalho e das Leis Trabalhistas(16). Isso garantiria o fortalecimento do capitalismo no país e asseguraria o desenvolvimento econômico e industrial pelo incentivo do capital estrangeiro.

            As pesquisas desenvolvidas na pós-graduação sobre a saúde do trabalhador datam dessa época (anos 50), e enfatizam os riscos que os trabalhadores das indústrias enfrentavam no ambiente de trabalho(17).

            Na enfermagem, os estudos referentes à saúde do trabalhador iniciaram na década de 70, com a abertura dos cursos de pós-graduação e ganharam força na década de 80(17). Esses estudos refletiam a situação vivenciada no país com o fim da ditadura e incentivo a abertura política. Os aspectos sociais contextualizaram as pesquisas sobre a saúde dos trabalhadores em saúde e as pesquisas tinham base teórico-metodológica no materialismo dialético e abordagem qualitativa(17).

Cabe enfatizar, que após a Segunda Guerra Mundial, com o avanço técnico-científico, incentivo ao progresso pelos os governos militares no Brasil, somado a abertura política, houve profundas transformações no mundo do trabalho e no estilo de vida das pessoas(16). Tal avanço repercutiu em diversos setores, inclusive na área de saúde. O ambiente hospitalar, particularmente, adquiriu maior complexidade em termos de recursos materiais, o que favoreceu uma maior precisão terapêutica. Embora esse progresso tenha beneficiado a assistência de saúde ao paciente, o cuidado ainda exige da equipe de enfermagem desgaste físico e mental(18).

É nesse contexto que iniciam os estudos sobre stress no Brasil entre enfermeiros.

A seguir, serão apresentadas as categorias nas quais foram agrupadas as pesquisas analisadas. 

A - Stress entre enfermeiros e equipe de enfermagem

            O primeiro estudo sobre stress(19) reflete o contexto socioeconômico do país, a tecnologia no ambiente hospitalar, a maior complexidade dos equipamentos e implicações destes na assistência. O estudo pontuou os estressores a que estão expostos os enfermeiros que atuam em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), bem como os recursos tecnológicos utilizados por esses profissionais para o enfrentamento do stress e destaca que cada indivíduo percebe o stress de maneira individual no ambiente de trabalho, mas existem estressores que podem atingir igualmente esses profissionais. No entanto, outros autores(20) afirmam que a utilização do aparato tecnológico na assistência ao paciente de UTI, o ruído e a presença da morte, são alguns estressores comuns que a equipe de enfermagem enfrenta em sua rotina de trabalho.

            Por outro lado, outra realidade estudada(21) demonstrou que os profissionais de enfermagem que atuam em UTI mantêm baixo nível de stress e ansiedade.  Programas preventivos de stress no trabalho podem ser úteis no enfrentamento do stress nesse ambiente(22).

            Tendo em vista a preocupação com o enfrentamento do stress pela inserção tecnológica no ambiente hospitalar, em unidades como as de cuidados intensivos, bem como com as condições de trabalho nesse ambiente, as pesquisas de enfermagem tanto nacionais quanto internacionais nessa área, demonstraram que seus profissionais não mais atuavam numa unidade de risco para alto stress(5).  Por essa razão, outras áreas de assistência de enfermagem passaram receber a atenção dos pesquisadores.

Na área cirúrgica, os estudos sobre stress realizados por enfermeiros brasileiros tiveram maior impulso a partir da década de 90. Destaca-se a pesquisa sobre stress entre enfermeiros de Centro Cirúrgico (CC)(4), também no contexto da tecnologia aplicada à área de saúde e processo de cuidar e sua influência no processo de trabalho da enfermagem. Nesse enfoque destacam-se outros trabalhos(23, 24, 6, 25) os quais concluíram que os enfermeiros de CC enfrentam stress na unidade de trabalho.

Outras pesquisas focaram stress e enfermeiros que trabalham em Unidades de Emergência(26, 27), stress de enfermeiros no processo de captação de órgãos(28). E ainda, estudos que abordaram o stress entre enfermeiros hospitalares(29, 30). Tais pesquisas salientaram que os enfermeiros estão preocupados com o local de trabalho e qualidade de vida nesse ambiente. No entanto, os estudos não focaram a relação stress e assistência de enfermagem diretamente. 

B - Stress e enfermagem oncológica

            A enfermagem oncológica exige do enfermeiro competência técnica-científica acerca de quimioterápicos, manejo da dor, cuidados paliativos, técnicas especiais de punção venosa, entre outras, além de sensibilidade para identificar e avaliar as necessidades do paciente com câncer. Perceber o óbito do paciente, situações de emergência em oncologia, relacionamento interpessoal tanto com a equipe multiprofissional, quanto com o paciente e sua família foram pontuados como os principais estressores enfrentados pelo enfermeiro oncologista (31).

            Observou-se que as pesquisas que envolvem stress e enfermagem oncológica focalizam as condições de trabalho, a qualidade de vida no ambiente ocupacional e repercussão dessas variáveis na qualidade da assistência.

Entre enfermeiros de  oncologia pediátrica (32) os sintomas de stress, em grande parte, relacionam-se a aspectos psicológicos. No entanto, as manifestações da esfera psicológica como as demandas psicológicas e a morte do paciente não são bem reconhecidas pelos enfermeiros que atuam na área oncológica, os quais valorizam mais as manifestações físicas de desgaste(33).  Mesmo assim, trata-se de demandas que precisam ser administradas por esses profissionais, mas muitos se sentem despreparados para isso. Em vista disso, a implantação de programas que visem o bem-estar psicológico e social, uma vez que o stress é um fenômeno natural na oncologia, é importante para a promoção da qualidade de vida no trabalho de enfermeiros oncologistas (34). Trabalhos dessa natureza permitirão elucidar a fragilidade do enfermeiro enquanto ser humano, bem como diante da finitude da vida de seus pacientes e o quanto manejar esses sentimentos pode ser estressante.

            Outro estudo investigou o stress entre enfermeiros cirúrgicos oncológicos, identificando que esses profissionais não têm preparo para o controle do stress, tornando-se mais vulneráveis a ele(35). Esses resultados sugerem que os gestores e gerentes em saúde devem incentivar programas que permitam ao enfermeiro acesso a informações referentes ao processo de stress, a fim de enfrentá-lo com maior efetividade. O indivíduo que conhecer o processo de stress poderá adaptar-se a ele de maneira mais adequada(4).

            Além disso, iniciativas de ensino-aprendizado acerca do processo de morrer do paciente oncológico, bem como de cuidado do profissional que assiste a esses pacientes poderiam ser incluídas na graduação de Enfermagem, assim como oportunizar ao aluno o desenvolvimento de competências psico-afetivas e existenciais para enfrentar as demandas que a enfermagem oncológica exige(31). O autoconhecimento e a aproximação do aluno de graduação ou do profissional de enfermagem do processo de stress podem repercutir positivamente no enfrentamento dos estressores não só no trabalho, mas também na vida pessoal.

Na esfera institucional, a reflexão sobre o gerenciamento da saúde dos trabalhadores em enfermagem oncológica é necessária e o investimento na saúde e qualidade de vida desses profissionais representa investir na qualidade da assistência ao paciente oncológico(36). A preocupação coletiva com a valorização do trabalhador oportuniza-os olhar para si e para seu espaço de trabalho, com repercussão na satisfação profissional(37). Profissionais satisfeitos no trabalho podem desempenhar suas funções com maior competência, enfrentando de forma mais saudável o stress e os desafios do cotidiano profissional.       

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

            O estudo da produção do conhecimento na área de enfermagem oncológica no Brasil, de acordo com dados do CEPEN, permitiu identificar pesquisas recentes, com predominância do caráter descritivo, as quais acompanharam o momento histórico sócio-político-econômico do país, retratando a realidade vivida pelos profissionais. Dessa maneira, evidenciaram-se momentos importantes que influenciaram as pesquisas em enfermagem:

* o avanço da tecnologia em diferentes setores, entre eles o ambiente hospitalar, com repercussão no processo de trabalho da enfermagem em unidades críticas como: CC, UTI, Unidade de Emergência, balizando os primeiros estudos sobre stress entre enfermeiros;

* as condições de trabalho e sua repercussão na saúde e na vida do enfermeiro e equipe, especificamente, daqueles que assistem pacientes oncológicos, e a percepção da morte como motivação para estudos de stress nessa área de atuação.

Observou-se ainda, que o stress foi focado nos diversos cenários de atuação do enfermeiro, em especial, no ambiente hospitalar que continua sendo entendido como estressante para seus trabalhadores.

Contudo, verificou-se uma lacuna acerca do stress entre enfermeiros e equipe de enfermagem que atuam em unidades oncológicas, bem como ao seu enfrentamento. É evidente que o estudo de resumos limita uma análise mais detalhada das características da produção do conhecimento acerca da temática estudada, uma vez que, alguns não traziam informações completas em relação à abordagem metodológica, coleta de dados e análise. Isso demonstra a importância da construção de resumos completos e objetivos.

Ainda, destaca-se, que poucos estudos relacionam diretamente a assistência de enfermagem ao paciente com câncer como estressor. A assistência de enfermagem em oncologia pode demandar grande investimento mental e afetivo, uma vez que envolve o cuidar de um paciente grave, terminal, que demanda cuidados intensos e prolongados, fora de possibilidades de cura(31). Pode-se considerar que a assistência ao paciente oncológico exige competência técnica e científica e sensibilidade do enfermeiro, uma vez que esse paciente convive com o estigma de uma doença que inspira o fim da vida. Por essa razão, esse profissional deve estar preparado para enfrentar a fragilidade do ser humano, em decorrência de uma doença grave como o câncer, o que possivelmente, represente stress no trabalho. 

REFERÊNCIAS:

1. Althoff CR, Borenstein MS, Ribeiro NRR, Villalobos NAV, Heck RM, Lunardi VL. Conhecendo o conhecimento das dissertações de mestrado em enfermagem da UFSC. Texto Contexto Enferm. 1996; 5 (n. esp.): 215-37.

2. Selye H. Stress: a tensão da vida. São Paulo: IBRASA; 1959.

3.  Lazarus RS, Folkman, S. Stress, appraisal and coping. New York: Springer; 1984.

4. Bianchi ERF. Estresse em Enfermagem: análise da atuação do enfermeiro em centro cirúrgico [tese]. São Paulo: USP/Doutorado em Enfermagem; 1990.

5. Bianchi ERF. Stress entre enfermeiros hospitalares [livre docência]. São Paulo: EEUSP/Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 1999.

6. Guido LA. Stress e coping entre enfermeiros de Centro Cirúrgico e Recuperação Anestésica [tese]. São Paulo: EEUSP/ Doutorado Interunidades; 2003.

7. Costa ALS. Análise do stress nas situações de vida diária e do pré-operatório imediato de pacientes cirúrgicos urológicos [dissertação]. São Paulo: EEUSP/ Mestrado em Enfermagem; 1997.

8. Associação Brasileira de Enfermagem. Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem. Informações sobre pesquisas e pesquisadores em enfermagem [CD-ROM]. Brasília: ABEn/CEPEn; 2001.

9. Lakatos EM, Marconi MA. Fundamentos da metodologia científica. São Paulo: Atlas; 1991.

10. Burns N, Grove SK. The practice of nursing research. Conduct, critique & utilization. Philadelphia: W. B. Saunders; 1993.

11. Brasil. Ministério da Educação - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Sistema de indicadores de resultados [página na internet]. Brasília: MEC; 2007, [atualizado em 2007]. Disponível em: http://www.capes.gov.br.

12. Brasil. Ministério da Educação - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Histórico e missão [página na internet]. Brasília: MEC; 2007, [atualizado em 2007]. Disponível em: http://www.capes.gov.br.

13. Martins MCA. Situações indutoras de stress no trabalho dos enfermeiros em ambiente hospitalar. Millenium online Rev do IPV. 2006; 28: [online] [acesso em 2006 Out 10]. Disponível em: http://www.ipv.pt/millennium/Millenium28/default.htm.

 14. Pegoraro IB. Níveis de stress em trabalhadores de unidades distritais de saúde: uma realidade preocupante [dissertação]. Ribeirão Preto: EERP-USP/ Mestrado em Enfermagem; 2002.

15. Camelo SHH. Sintomas de estresse nos trabalhadores atuantes em cinco núcleos de Saúde da Família [dissertação].  Ribeirão Preto: EERP-USP/ Mestrado em Enfermagem; 2002.

16. Cáceres F. História Geral. São Paulo: Moderna; 1996.

17. Santana VS. Saúde do trabalhador no Brasil: pesquisa na pós-graduação. Rev de Súde Pública. 2006; 40 (especial): 101-11.

18. Carvalho DV, Lima EDRP. Sintomas físicos de estresse na equipe de enfermagem de um centro cirúrgico. Rev Nursing. 2001; 31- 34.

19. Tesck ECB. Convivência contínua com estresse - vida e trabalho de enfermeiros nas UTIs [tese]. Rio de Janeiro: Escola de Enfermagem Ana Néri da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Doutorado em Enfermagem; 1982.        

20. Coronetti A, Nascimento ERP, Barra DCC, Maritns JJ. O estresse da equipe de enfermagem na unidade de terapia intensiva: o enfermeiro como mediador. Arquivos catarinenses de medicina. 2006; 35 (4): 36-43.

21. Ferreira FG. Desvendando o estresse da equipe de enfermagem em terapia intensiva [dissertação].  São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo/Mestrado em Enfermagem; 1998.

22. Miranda AF. Estresse ocupacional: inimigo invisível do enfermeiro? [dissertação]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo/Mestrado em Enfermagem; 1998.

23. Lima EDRP. Estresse ocupacional e a enfermagem de centro cirúrgico [dissertação]. Belo Horizonte: Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais/Mestrado em Enfermagem; 1997.

24. Massaroni L. Estresse dos profissionais da equipe de enfermagem no Centro Cirúrgico: estudo de suas representações sociais [tese].  Rio de Janeiro; Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Doutorado em Enfermagem; 2001.

25. Aquino JM. Estressores no trabalho das enfermeiras em centro cirúrgico: conseqüências profissionais e pessoais [tese]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo/Doutorado em Enfermagem; 2005.

26. Boller E. Enfrentamento do estresse no trabalho da enfermagem em emergência: possibilidades e limites na implementação de estratégias gerenciais [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina/Mestrado em Enfermagem; 2002.

27. Batista AAV, Vieira MJ, Cardoso NCS, Carvalho GRP. Fatores de motivação e insatisfação no trabalho do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP. 2005; 39 (1): 85-91.

28. Guarino AJ. Stress e capacitação de órgãos - uma realidade vivenciada pelos enfermeiros [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo/Mestrado em Enfermagem; 2005.

29. Anabuki MH. Situações geradoras de estresse: a percepção das enfermeiras de um hospital de ensino [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo/ Mestrado em Enfermagem; 2002.

30. Sangiuliano, Lourdes Aparecida. Stress na atuação dos enfermeiros em um hospital privado e as conseqüências no seu estado de saúde [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo/Mestrado em Enfermagem; 2004.

31. Rodrigues, A. B. Burn out e estilos de coping em enfermeiros que assistem pacientes oncológicos [tese]. São Paulo:  Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 2006.

32. Pafaro, Roberta Cova. Estudo do estresse do enfermeiro com dupla jornada de trabalho em um hospital de oncologia pediátrica de Campinas [dissertação].  Campinas: Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas/Mestrado em Enfermagem; 2002.

33. Bastos RDS. Atitude de enfermagem face às questões de esfera psíquica à clientes com câncer [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Mestrado em Enfermagem; 1986.

34. Medland H, Howard-Ruben J, Whitaker E. Fostering psychosocial wellness in oncology nurses: addressing burnout and social support in the workplace. Oncol Nurs Fórum. 2004; 31(1):47-54. [online] [acesso em 2007 Jun 10].  http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online.

35. Meirelles NF. Estresse ocupacional e o centro cirúrgico oncológico no contexto da enfermagem [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola de Enfermagem Anna Nery Universidade Federal do Rio de Janeiro/Mestrado em Enfermagem; 2002.

36. Campos RG. Burnout: uma revisão integrativa na enfermagem oncológica [dissertação]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo/Mestrado em Enfermagem; 2005.

37. Trindade LM, Kirchhof AC, Beck CLC, Grando MK. Work of ambulatorial nursing: a descriptive study on the implications in the health of the worker.  Online Braz J Nurs 5, 2006. [acesso em 2006 Ago 25].  Disponível em: http://www.uff.br/objnursing/viewarticle.php?id=532. 

Contribuição dos autores:Concepção e desenho: Rafaela Andolhe, Laura de Azevedo Guido, Graciele Fernanda da Costa Linch; Análise e interpretação: Rafaela Andolhe, Laura de Azevedo Guido, Graciele Fernanda da Costa Linch; Escrita do artigo: Rafaela Andolhe, Laura de Azevedo Guido, Graciele Fernanda da Costa Linch; Revisão Crítica do artigo: Rafaela Andolhe, Laura de Azevedo Guido, Graciele Fernanda da Costa Linch; Aprovação final do artigo: Rafaela Andolhe, Laura de Azevedo Guido, Graciele Fernanda da Costa Linch; Pesquisa bibliográfica: Rafaela Andolhe, Laura de Azevedo Guido, Graciele Fernanda da Costa Linch; Obtenção de Suporte financeiro: Bolsas CAPES; Suporte administrativo, logístico e técnico: Linha de Pesquisa: “Stress, Coping e Burnout”- Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria.

Endereço para correspondência: Travessa Dona Luíza, nº 490, Aptº 405, Ed. Vega, Bl. II, Br. Nª Srª do Rosário, Santa Maria-RS, Brasil, CEP.: 97010-160.