Online braz j nurs

Quality of life: considerations about concept and instruments of measure.  

Qualidade de Vida: considerações sobre conceito e instrumentos de medida.

Milena Butolo Vido 1, Rosa Aurea Quintella Fernandes2

1 Fundação Ermínio Ometto, Araras, Brasil, 2 Universidade Guarulhos, Guarulhos, Brasil.

Abstract: the concept of quality of life has been having more and more attention in scientific literature in different areas, specially nursing. It is a concept with many meanings, different possibilities of focusing and uncountable and controversial theories and methods. The text reflects about the importance of the construction and analysis of the concept of quality of life for the nursing area. Deals with the main instruments used for measuring and also establishes a relationship between quality of life and health. These efforts have helped to clear up the concept and achieve some maturity. When we get to know the quality of life of people is easier to change paradigms in what concerns the assistance in the health/sickness process, for the reason that in some traditional assistance, social/economical, psychological and cultural aspects are not considered, which are so important in the actions of promotion, prevention, treatment and rehabilitation of health.

Key words: quality of life, concept formation, nursing 

Resumo: O conceito de qualidade de vida tem merecido atenção cada vez maior na literatura científica em várias áreas do conhecimento e em especial na enfermagem.Trata-se de um conceito com uma gama variada de significados, com diversas possibilidades de enfoque e inúmeras controvérsias teórico-metodológicas. Objetiva-se apresentar uma reflexão sobre a importância da construção e análise de conceito, com ênfase no conceito  de qualidade de vida.O texto aborda os principais instrumentos utilizados em sua mensuração e por fim estabelece uma relação entre qualidade de vida e saúde.Conclui-se que os esforços teórico-metodológicos empreendidos têm auxiliado para clarificar o conceito e chegar a uma relativa maturidade.Conhecer a qualidade de vida das pessoas facilitaria a mudança de paradigmas quanto à prática assistencial do processo saúde-doença, resultando na superação de modelos de atendimento eminentemente biomédicos, que descartam, na maioria das vezes, aspectos socioeconômicos, psicológicos e culturais importantes nas ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação em saúde.

Palavras-chave: Qualidade de Vida, formação de conceito, enfermagem.

Considerações iniciais

Todo conhecimento é comumente expresso em termos de conceitos e teorias, especialmente na área das ciências sociais ou do comportamento.

A Enfermagem é uma área cujo conhecimento científico vem evoluindo e se preocupa com questões relativas ao desenvolvimento de conceitos. O entendimento da formulação de conceitos e sua análise são importantes para o crescimento e amadurecimento da ciência enfermagem.

O desenvolvimento de conceitos na área da enfermagem que incorpora características de uma profissão eminentemente prática envolve processos que vão além da transformação de idéias em palavras, ou seja, os conceitos devem ser testados e validados empiricamente para que possam ser incorporados à base teórica, sedimentando assim a profissão1.

Nesta reflexão pretende-se abordar aspectos referentes ã construção de conceito, o conceito de qualidade de vida, sua inserção na saúde e conseqüentemente na enfermagem, motivadas pela relevância do tema em todas as áreas do conhecimento, inclusive a enfermagem. 

Definição, construção e análise do conceito

Ao analisar um conceito, o que se pretende, é estabelecer a relação dele com o desenvolvimento teórico, clareando e examinando a nominação genérica do conceito; de modo a eliminar as múltiplas interpretações ou determinar com exatidão o significado único, relacionado com a teoria e suas associações com valores, atitudes e sentimentos que representem.

Assim, é essencialmente uma oportunidade de integrar o conhecimento empírico, estético, ético e pessoal.Conceitos são também chamados de “constructos” e recebem diversas definições como :

“Objeto concebido pelo espírito, opinião, reputação, máxima, síntese, parte da charada em que se faz referência a palavra completa que constitui a solução”2.

“Expressão de uma abstração, formada mediante a generalização de observações particulares” 3

“Formulação mental complexa de um objeto, propriedade ou acontecimento, originária da percepção e experiência individual”4.

Para outros, conceito é algo concebido na mente, um pensamento ou uma noção. São palavras que representam a realidade e facilitam a nossa capacidade de comunicação sobre ela 5. Ou ainda, conceito é como uma formulação mental completa de objetos, propriedades que derivam da experiência individual e também de atitudes, sentimentos e valores que vão sendo incorporados. O mesmo símbolo ou nominação pode ser utilizado para representar mais de um fenômeno6.

Os conceitos são basicamente veículos de idéias que envolvem imagens. Constituem noções abstratas e são semelhantes às idéias por definição. As impressões que percebemos pelas sensações despertadas pelo ambiente tornam-se conceitos7.

As pessoas apresentam variabilidade na formação das imagens e noções específicas quanto à percepção de um determinado conceito.

Ao construir a definição de conceito alguns estudiosos privilegiam a teoria em detrimento da prática e preferem entendê-la como técnicas utilizadas para obter ou medir alguma coisa para além do próprio fenômeno que descreve. Outros privilegiam os fatos em detrimento da teoria, afirmando que o conceito significa uma série de operações realizáveis física e/ou mentalmente, empreendidas com a finalidade de justificar ou reproduzir os referentes do fenômeno o qual está sendo definido 3.

Há autores que defendem que os conceitos podem ser empíricos ou abstratos, dependendo da capacidade de serem observados no mundo real. Os empíricos são aqueles que podem ser observados ou percebidos pelos sentidos, já os abstratos não são observáveis e quanto mais abstrato for o conceito, mais difícil é a compreensão clara de seu significado. Assim todos os conceitos tornam-se abstrações na ausência de um objeto 5.   

Na análise de conceito três aspectos devem ser considerados: a interpretação genérica ou coerente do conceito, as bases empíricas do conceito genérico e as percepções que buscam entrelaçar o próprio conceito com o conceito genérico, que são as responsabilidades do conceito formulado6.

No processo de análise do conceito existe uma proposta de um roteiro metodológico composto por etapas não necessariamente seqüenciais que define o fenômeno de interesse.

O roteiro é constituído de sete etapas: 1. determinação do objetivo da análise, 2. usos e definições do conceito, 3. seleção dos atributos clínicos, 4.antecedentes, 5.conseqüências, 6.casos ilustrativos e 7. referentes empíricos1,8.

A análise de conceito é um exercício intelectual que auxilia na definição precisa de um conceito a ser utilizado na prática, teoria, educação e pesquisa. No caso da enfermagem a análise de conceitos ajuda na compreensão e sedimentação da profissão.

         Qualidade de vida é um tema complexo, com diferentes enfoques e que tem permeado a pesquisa em enfermagem merecendo, portanto, que seu conceito seja, melhor compreendido.  

O conceito de qualidade de vida no decorrer dos tempos. 

O conceito de qualidade de vida tem merecido atenção cada vez maior não apenas na literatura científica, como também em vários outros campos como na sociologia, educação, medicina, enfermagem, psicologia e demais especialidades, além dos meios de comunicação, campanhas publicitárias e até em discursos políticos, tornando-se assim um tema em destaque na sociedade atual.

Segundo a literatura específica, entretanto, trata-se de um fenômeno complexo, com uma gama variada de significados, com diversas possibilidades de enfoque e inúmeras controvérsias teóricas e metodológicas.

A busca pelo significado da expressão Qualidade de Vida (QV) parece ser tão antiga quanto a civilização. Diferentes referenciais filosóficos, desde a Antiguidade, conceituam o que seja vida com qualidade. O desenvolvimento histórico-cultural da humanidade traz referências às tentativas de se definir a qualidade de vida, mesmo antes da Era Cristã. Em escritos como Nicomachean Ethics, Aristóteles (384-322 a. C) mencionava que as pessoas distintas concebem boa vida ou bem-estar como sendo a mesma coisa que felicidade, e que o significado de felicidade torna-se uma questão de contestação, pois alguns afirmam ser uma coisa, outros dizem ser outra e, de fato muito freqüentemente o mesmo homem lhe dá atribuições diferentes, de acordo com a situação que vivencia: quando adoece concebe saúde como sendo felicidade, quando empobrece, como riqueza e prosperidade9,10.

Sócrates já se referia à Qualidade de Vida, quando ao encarar a pena de morte na corte ateniense, afirmou temer coisas piores além da morte, porque não era a vida que contava e sim a qualidade de vida. Para o filósofo, o mérito moral determinava essa qualidade11.

Portanto, nota-se que a Qualidade de Vida, desde as épocas mais remotas, já era compreendida como resultado de percepções individuais, podendo variar de acordo com a experiência da pessoa em um dado momento.

O termo Qualidade de Vida foi mencionado pela primeira vez, em 1920, por Pigou, em um livro sobre economia e bem-estar material, onde relacionou a Qualidade de Vida ao suporte governamental oferecido às classes menos favorecidas e avaliou seu impacto na vida das pessoas e finanças nacionais12.

Há indícios de que, na literatura médica, o termo surgiu pela primeira vez na década de 30, em um levantamento baseado em estudos cujo objetivo era definir o termo ou referenciá-lo na avaliação da Qualidade de Vida13.

Nos Estados Unidos, por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial o conceito de “boa vida” foi usado para descrever a posse de bens materiais como casa própria, carros e outros bens de consumo. Com o passar do tempo, o crescimento econômico e industrial ampliou esse conceito, integrando as áreas da saúde, educação, moradia, transporte, lazer, trabalho, crescimento individual, segurança, diminuição da morbimortalidade infantil13.

Assim sendo a discussão sobre o referido tema vem ganhando destaque mas, embora o questionamento sobre seu verdadeiro conceito tenha sido intenso nas últimas décadas, nota-se que não se chegou a um consenso definitivo acerca do assunto, por se tratar de um conceito evasivo e abstrato, subjetivo, complexo, indiretamente medido e que admite inúmeras tendências levando, portanto, a distintas definições14.

As revisões de literatura14 que cobriram períodos anteriores a 1995 revelam que, ao lado dos esforços direcionados para a definição e avaliação da QV na área de saúde, havia espaços e desafios teóricos e metodológicos a serem galgados.

Vale salientar os estudos de Gill e Feisnstein15, que encontraram 75 artigos que continham o termo QV em seus títulos, publicados em revistas médicas. Procuraram então, identificar como QV estava sendo definida e mensurada na área da saúde. A pesquisa mostrou que apenas 15% dos trabalhos apresentavam uma definição conceitual do termo e 36% explicitavam as razões para a escolha de determinado instrumento de avaliação, concluindo assim que havia falta de clareza e de consistência quanto ao significado do termo e à sua mensuração.

Outro estudo importante 16 foi a taxonomia para as definições sobre Qualidade de Vida então existentes, embasada na revisão da literatura até o início da década de 90. Esse estudo apresentou os seguintes dados:

 I – definição global – são as primeiras referências que aparecem na literatura, em meados da década de 80, e são muito gerais, não abordam dimensões e operacionalização do construto e centram-se na avaliação de satisfação/insatisfação com a vida.

 II – definição com base em componentes surge nos anos 80, fracionando o conceito global em componentes e dimensões e prioriza estudos empíricos e a operacionalização do conceito.

 III – definição focalizada valoriza componentes específicos, em geral voltados para habilidades funcionais e de saúde, dando ênfase a aspectos empíricos e operacionais. Apresentam instrumentos de avaliação da QV para pessoas acometidas por diferentes agravos.

 IV – definição combinada, que incorporava aspectos do tipo II e III, desenvolve instrumentos de avaliação global e fatorial.

A nomenclatura referente à Qualidade de Vida varia conforme os diferentes autores que utilizam sinônimos como “sentido da vida”, “felicidade”, “estado funcional”, “ajustamento social”, “satisfação”, “saúde”, “bem-estar”, entre muitos outros que são tão abstratos quanto os anteriores e provocam, da mesma forma, uma grande indefinição e falta de clareza17.

Em meados da década de 70, Campbell tentou mostrar as dificuldades que envolviam a conceituação do termo Qualidade de Vida definindo-o como algo que muita gente verbaliza, mas não sabe ao certo o que é 13. A citação feita há cerca de 30 anos ilustra a ênfase dada, na literatura mais recente, às controvérsias sobre o conceito desde que começou a ser utilizado, associado a trabalhos empíricos.

A definição de Qualidade de Vida, de seus conceitos e de suas propostas baseou-se em diferentes fundamentações teóricas e práticas, até que após a II Guerra Mundial, a Organização Mundial de Saúde redefiniu saúde, incorporando a noção de bem-estar físico, emocional e social e desencadeou uma discussão considerável a respeito da possibilidade de medir o bem-estar. Sendo assim, o  termo Qualidade de Vida ressurgiu, iniciando um ciclo de formação  do seu conceito que, apesar de parecer difícil de ser completado, já permite reciclagem técnico-científica de acordo com a área profissional18

Atualmente, Qualidade de Vida (QV) é definida de acordo com a área de aplicação, englobando duas tendências: a primeira como um conceito genérico, que enfatiza de forma ampla os estudos sociológicos, sem fazer referência à disfunção ou agravos. Ilustra, com excelência, essa conceituação a adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS),ou seja,  a percepção do indivíduo, de sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações19.

Neste estudo19 multicêntrico, o objetivo principal foi elaborar um instrumento que avaliasse a QV em uma perspectiva internacional e transcultural. Um aspecto importante que caracteriza estudos que partem de uma definição genérica do termo QV é que as amostras estudadas incluem pessoas saudáveis da população e nunca se restringem a amostras de pessoas portadoras de agravos específicos.

Na mesma linha de pensamento, QV é definida como noção eminentemente humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação  encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental e à própria estética existencial e pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera seu padrão de conforto e bem-estar20. A mesma autora ainda coloca que o termo abrange muitos significados, que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades, que a ele se reportam em variadas épocas, espaços e histórias diferentes sendo, portanto uma construção social com a marca da relatividade cultural20.

Flanagan21 conceitua QV de forma muito semelhante aos autores citados englobando, também, os recursos econômicos, o tempo para o trabalho, o lazer e o estado de saúde.

A segunda tendência do conceito QV é a relacionada à saúde (QVRS), em inglês, Health-Related Quality of Life (HRQL), que considera também aspectos relativos às enfermidades, às disfunções e às necessárias intervenções terapêuticas em saúde, identificando o impacto destes na QV13, 18.

Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (QVRS) é o valor atribuído à duração da vida quando modificada pela percepção de limitações físicas, psicológicas, funções sociais e oportunidades influenciadas pela doença, tratamento e outros agravos, tornando-se o principal indicador para a pesquisa avaliativa sobre o resultado de intervenções22.

Outra definição para QVRS é o valor atribuído à vida, ponderado pelas deteriorizações funcionais, as percepções e condições sociais que são induzidas pela doença, agravos, tratamento e a organização política e econômica do sistema20.

 Ambas as definições oferecem uma visão holística, englobando aspectos sociais, emocionais e de bem-estar físico de pacientes, durante e após o tratamento, e o impacto da saúde do indivíduo na sua habilidade para conduzir sua própria vida.

O termo QVRS é freqüentemente utilizado para se distinguir do termo QV no sentido mais geral e dos parâmetros médicos e clínicos.

As afirmações acerca das definições de Qualidade de Vida têm incluído indicadores subjetivos e objetivos de fenômenos físicos e psicológicos. Identificam como indicadores objetivos: salário, moradia e funções físicas, comumente utilizados como medida de qualidade de vida. Consideram como indicadores subjetivos mais precisamente a experiência de vida, ou melhor, a percepção do significado das experiências individuais23 referem-se às situações externas, assim como o estado emocional e ânimo geral24.

Há necessidade de parâmetros objetivos e subjetivos para se medir adequadamente qualidade de vida de um indivíduo, por serem dados diferentes que possibilitam medir a mesma coisa.

Nota-se que na trajetória conceitual do tema qualidade de vida, o constructo é abrangente, pois interliga diversas abordagens e problemáticas. No domínio da produção técnica, destacam–se três âmbitos complementares que são fundamentais para a análise da Qualidade de Vida18.

O primeiro âmbito, conforme os mesmos autores, trata da distinção entre os aspectos materiais e imateriais da QV. Os materiais dizem respeito às necessidades humanas básicas, como condições de habitação, abastecimento de água e sistema de saúde, ou seja, os aspectos de natureza física e infra-estrutural. Historicamente, para sociedades menos desenvolvidas, essas questões materiais eram decisivas ou pelo menos tinham uma focalização muito grande. Atualmente, as questões imateriais, mais ligadas ao ambiente, ao patrimônio cultural e ao bem-estar, tornaram-se centrais.

Um segundo âmbito faz a distinção entre os aspectos individuais e os coletivos. Os individuais relacionam-se principalmente à condição econômica, pessoal e familiar; já os coletivos estão diretamente ligados aos serviços básicos e públicos.

O terceiro âmbito se baseia na diferença entre os aspectos objetivos da QV, que são facilmente apreendidos por meio da definição de indicadores de natureza quantitativa, e os aspectos subjetivos, que remetem à percepção subjetiva que os indivíduos têm sobre QV, o que varia conforme a pessoa e o estrato social18.

Desta forma percebe-se que não existe um consenso claro sobre a definição de qualidade de vida dada a sua grande subjetividade na concepção individual do que significa ter uma boa vida.

Trabalho realizado 13, no ano de 2004, sobre a descrição da evolução histórica, os aspectos conceituais e metodológicos do conceito Qualidade de Vida no campo da saúde, baseado na revisão de literatura, concluiu que o termo parece consolidar-se como variável importante na prática clínica e na produção de conhecimento na área da saúde e que os esforços teórico-metodológicos têm contribuído para a clarificação do conceito e sua relativa maturidade.

O desenvolvimento do conceito de QV poderá resultar em mudanças nas práticas assistenciais e na consolidação de novos paradigmas do processo saúde-doença, o que pode ser essencial para a superação de modelos de atendimento eminentemente biomédicos, que negligenciam aspectos socioeconômicos, psicológicos e culturais importantes nas ações de promoção, prevenção , tratamento e reabilitação em saúde 13. 

Qualidade de vida: instrumentos de medida. 

Os primeiros instrumentos destinados a medir a QV apareceram na literatura na década de 1970 e, desde então, têm mostrado um desenvolvimento considerável.

A medida da qualidade de vida é um fato irreversível que vai, provavelmente, pertencer ao nosso universo, trata-se de um instrumento recente, vindo de uma tradição estrangeira, anglo-saxônica, empirista e utilitarista22.

Os instrumentos requerem do profissional da saúde um bom conhecimento do paciente e a valorização de suas capacidades ou limitações funcionais.

A literatura apresenta diferentes instrumentos de mensuração da qualidade de vida, Bowling24 faz uma revisão sobre as escalas de qualidade de vida relacionadas à saúde, incluindo medidas de capacidade funcional, do estado de saúde, de bem-estar psicológico, de redes de apoio social, de satisfação e estado de ânimo de pacientes. Em geral, conclui que, de forma explícita ou implícita, toda medida repousa sobre teorias que guiam a seleção de procedimentos de mensuração.

Três correntes orientam a construção dos instrumentos hoje disponíveis: o funcionalismo, que define um estado normal para certa idade e função social e seu desvio, ou morbidade, caracterizado por indicadores individuais de capacidades de execução de atividades; a teoria do bem-estar, que explora as reações subjetivas das experiências de vida, buscando a competência do indivíduo para minimizar sofrimentos e aumentar a satisfação pessoal e de seu entorno, e a teoria da utilidade, de base econômica, que pressupõe a escolha dos indivíduos ao compararem um determinado estado de saúde a outro20.

Os instrumentos de medida de QV consistem em questionários que medem sentimentos, autovalorização ou condutas, por meio de interrogatório direto com o paciente (entrevista) ou questionário auto-aplicável.

Em relação ao campo de aplicação, autores citam20 que as medidas podem ser classificadas como genéricas, as quais utilizam questionários de base populacional sem especificar patologias, sendo mais apropriadas para estudos epidemiológicos, planejamento e avaliação dos sistemas de saúde.

As específicas são utilizadas para situações relacionadas à qualidade de vida cotidiana dos indivíduos, subseqüentes à experiência de doenças, agravos ou intervenções médicas. Refere-se a doenças crônicas ou a conseqüências crônicas de doenças ou agravos agudos.

Os instrumentos genéricos têm sido citados nos últimos 20 anos em diversas publicações, sendo que uma das suas características fundamentais é avaliar também a população geral, podendo ser utilizados como referência para interpretar as pontuações. Já os instrumentos específicos, que não são poucos, facilitam a padronização e a quantificação da medida dos sintomas e seu impacto como a precisão das medidas no momento de valorizar os efeitos dos tratamentos18.

Na obra Directory of instruments to measure quality of life and correlate áreas, publicado em 1998, o autor25 identifica 446 instrumentos utilizados para avaliação da QV, num período de 60 anos, sendo que 322 destes apareceram na literatura a partir dos anos 80, e destaca que esse acentuado crescimento nas duas últimas décadas atesta os esforços voltados para o amadurecimento conceitual e metodológico do uso do termo na linguagem científica.

Alguns instrumentos podem ser mencionados como: SF- 36 (The Medical Outcomes Study 36 itens) atualmente um dos mais utilizados internacionalmente, aplicável a diversos tipos  de doenças. Por ser composto de questões gerais que incluem o funcionamento físico, as limitações causadas por problemas de saúde física e emocional, o funcionamento social, a saúde mental, a dor, a vitalidade (energia/fadiga) e as percepções da saúde geral avalia, portanto, a qualidade de vida relacionada à saúde. Foi adaptado para o português por Ciconelli26 e aplicado a pacientes portadores de artrite reumatóide.

A Organização Mundial de Saúde desenvolveu o instrumento“The World Health Organization Quality of Life Assessment” (WHOQOL)19composto por 100 itens, cuja versão em português foi traduzida e validada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul27 para avaliar Qualidade de Vida numa perspectiva transcultural. Considera o conceito de qualidade de vida subjetivo, multidimensional, incluindo facetas da vida positivas, como mobilidade, desempenho de papel, contentamento, e negativas, como fadiga, dor, dependência de medicação e sentimentos negativos.        

Seis domínios fazem parte da abordagem proposta pelo WHOQOL19 Group: psicológico, físico, nível de independência, relações sociais, ambiente, espiritualidade/ religião/ crenças pessoais. Cada domínio é sintetizado por vários sub-domínios que são avaliados por quatro questões. Assim, o instrumento é composto por 24 sub-domínios específicos e um domínio geral que inclui questões de avaliação global de qualidade de vida.

No âmbito médico, desenvolveram-se também instrumentos de avaliação de qualidade de vida, focalizados, primeiramente, na idéia de complementar as análises de sobrevida. Com a evolução dos estudos, estes instrumentos integraram análises de custo-utilidade, ou seja, a qualidade de vida dos pacientes deveria avançar um patamar melhor do que o anterior à intervenção20.

Os pesquisadores na enfermagem vêm desenvolvendo trabalhos sobre qualidade de vida e têm utilizado diferentes instrumentos, entretanto é importante destacar que no âmbito específico da enfermagem, as enfermeiras americanas Ferrans e Powers criaram um instrumento para medir o índice de qualidade de vida tanto de pessoas sadias como daquelas que apresentam algum tipo de problema de saúde e que tem sido utilizado em estudos sobre qualidade de vida, voltados para a área da saúde. Até o momento já foram contabilizados mais de 100 (cem) publicações que utilizaram o índice de Qualidade de Vida (IQV) proposto por estas autoras28. No Brasil  este instrumento foi traduziu e validado por Kimura 8  

A Dra.Carol Estwing Ferrans, pesquisadora do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da Universidade de IIIinois, Chicago, desde 1982, vem desenvolvendo estudos sobre qualidade de vida, em colaboração com outros pesquisadores.

Ferrans faz uma crítica às abordagens tradicionais de desenvolvimento de conceitos, porque considera que os resultados produzidos carecem de coesão e poder explicativo. Por isso desenvolveu um modelo conceitual de qualidade de vida baseado numa variedade de abordagens metodológicas, cujo objetivo foi subsidiar a criação de um instrumento de medida deste conceito8.

Optou por uma abordagem individualística, ou seja, uma visão ideológica em que os próprios sujeitos pudessem definir o que representa qualidade de vida para eles. O sujeito é questionado sobre a avaliação que faz de sua própria qualidade de vida em relação a domínios específicos da vida8.

A essência da qualidade de vida baseia-se na experiência de vida de cada pessoa e só a ela cabe julgá-la, de acordo com seus valores e preferências23.

Após uma ampla revisão da literatura, Ferrans e Powers28 destacaram seis grandes núcleos intrínsecos ao conceito de qualidade de vida: capacidade de viver uma vida normal, capacidade de viver uma vida socialmente útil (utilidade social), capacidade natural (física e mental), alcance de objetivos pessoais, felicidade/ afeto e satisfação com a vida.

Dentre eles, a satisfação com a vida foi considerada pela autora como o núcleo que converge para a abordagem individualística, uma vez que os outros aspectos como vida normal, utilidade social, capacidade natural e alcance de objetivos não necessitam obrigatoriamente de avaliação pessoal, podendo acontecer por outrem28.

A percepção subjetiva do nível de felicidade e de satisfação quanto aos diferentes aspectos da vida é o principal determinante no julgamento positivo ou negativo da qualidade de vida23.

O instrumento desenvolvido por Ferrans; Powers é composto por duas partes: a primeira permite a mensuração da satisfação com vários domínios e a segunda, a importância de cada um desses domínios para o respondente. Quatro são os domínios propostos neste instrumento: Saúde / Funcionamento, Psicológico / Espiritual, Sócio / Econômico e Família8.

Na mensuração da Qualidade de Vida a escolha do instrumento a ser utilizado é fundamental, para a viabilização do estudo.

Inicialmente esta escolha deve estar baseada no propósito da pesquisa e em seguida garantir que o instrumento contenha domínios necessários para que sejam medidos na população em questão. Importante ainda é saber se o instrumento escolhido tem sido testado em uma mesma população ou em uma similar ao de interesse, se foram divulgados os resultados estatísticos de sua propriedade de medida e se o mesmo foi traduzido e adaptado culturalmente e como foi conduzido esse processo.

Outro fator relevante na escolha do instrumento é quanto a sua aplicabilidade; ou seja, tempo gasto para a sua aplicação além de ser de fácil compreensão aos indivíduos que farão parte deste estudo, garantindo assim a fidedignidade dos resultados.

 Qualidade de vida e saúde 

As condições de vida e de saúde vêm melhorando de forma contínua e sustentada na maioria dos países, no último século, graças aos progressos políticos, econômicos, sociais e ambientais, assim como aos avanços na saúde pública e na medicina29.

Estudos de diferentes autores e relatórios sobre a saúde mundial WHO19 e da região das Américas OPAS30 são conclusivos a esse respeito apontando a melhoria das condições de vida na maioria dos países, principalmente na Região da América Latina, onde a expectativa de vida, após a II Guerra Mundial, cresceu de 50 anos para 69 em 1995. Contudo, as mesmas organizações não deixam de ressaltar que, a par dessas melhorias, é evidente a permanência de profundas desigualdades nas condições de vida e de saúde entre países subdesenvolvidos, em determinadas regiões e grupos sociais.  

Muitos estudos no panorama mundial comprovam que existe uma relação entre saúde e qualidade de vida e condições inadequadas e doenças. Uma boa saúde influencia favoravelmente a qualidade de vida; já a doença dificulta vários aspectos da vida humana; diminui a produção, aumenta os gastos e o número de pessoas empobrecidas29.

A principal ação social para resolver os problemas de saúde é a assistência curativa e individual, embora já tenha sido identificado que as medidas preventivas e a promoção da saúde, assim como a melhoria das condições de vida em geral foram, em muitos países, de fato, as razões fundamentais para a melhoria desta questão de saúde29,31,32.

Segundo vários autores, a relação entre qualidade de vida /condições de vida e saúde parece suficientemente evidenciada. Assim, a pobreza, as más condições de vida, de trabalho, de nutrição são causas de doenças e necessitam mais do que ações curativas de saúde necessitam de amplas reformas sociais e econômicas. É preciso que o setor da saúde, para influenciar de forma positiva a qualidade de vida, necessita investir no campo da promoção à saúde 29,31.

A promoção da saúde representa, atualmente, uma estratégia promissora para enfrentar os múltiplos problemas que afetam as populações humanas. Para tanto, é necessária a articulação de saberes técnicos e populares e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados, para o enfrentamento e a resolução dos problemas.

Levando-se em conta o “viver saudável”, mesmo na ocorrência de situações de doença, faz-se necessária a mudança de paradigmas para outros, que possibilitem novas formas de pensar-fazer o mundo, especialmente rever nossos conceitos de qualidade de vida, percebendo a saúde como processo e produto desta. A proposta é repensar nas nossas formas de cuidar da vida individual e coletiva, seja em casa, no trabalho, na comunidade e na sociedade de uma maneira geral31.

A mesma autora31 coloca que, quando se pensa em qualidade de vida, há que se compreender o processo de transformação do ser humano, que tem início antes mesmo de sua concepção, pelo modo de viver de seus pais e depois, no útero materno e por meio de sua atuação no mundo, em um movimento de momentos de felicidade e infelicidade, prazer e dor, alegrias e tristezas, satisfação ou não de desejos.

Autores33 discutem que o discurso sobre “qualidade de vida” e “viver saudável” está se tornando uma questão obrigatória a todas as pessoas, como se dependesse somente do indivíduo viver de maneira saudável, mas não se pode deixar de pensar que vive-se em um mundo em que tudo está ligado a tudo, e não se vive com qualidade considerando somente a inserção individual no mundo.

“A qualidade de vida não equivale ao bem estar ou felicidade individual, mas a satisfação global. Trata-se de um atributo coletivo. Refere-se a bem estar social. A Qualidade de Vida é o modelo social do grau em que se satisfazem as necessidades numa sociedade ou comunidade”14.

Desta forma a saúde da população depende muito mais de fatores preventivos como: acesso a serviços e bens públicos, alimentação e condições de higiene, do que da quantidade de postos de saúde e leitos hospitalares disponíveis.

Ações educativas e de controle social, quando perpassam todas as fases do atendimento, promovem troca de informação, permitindo identificar demandas, melhores escolhas e diminuir a distância comum entre profissionais da saúde e a população.

Nos questionamentos acerca da atual definição de saúde da Organização Mundial da Saúde, Segre e Ferraz34 afirmam perceber a dificuldade que os profissionais da saúde tem em aceitar que o êxito terapêutico está ligado ao relacionamento afetivo com o cliente. Esclarece que, o vínculo afetivo, embutido de confiança recíproca, na dupla que empreende uma ação de saúde (profissional-cliente), a par dos aspectos cognitivos, técnicos e científicos, torna-se decisivo para a terapêutica. 

Considerações Finais 

“A qualidade de vida é um espelho que reflete os resultados dos serviços de saúde prestados ao cliente, principalmente por ser determinante pelo processo da doença ou agravos, como pelos procedimentos vinculados para o seu tratamento, cuidado e cura”.35

Sendo assim com base na definição e construção teórica do conceito, o constructo qualidade de vida parece consolidar-se como uma variável importante tanto na prática clínica como na produção de conhecimento na área da saúde, especificamente na enfermagem.

Atualmente existe um grande número de enfermeiros pesquisadores que tem se preocupado com as questões relativas ao desenvolvimento de conceitos em enfermagem, fato este motivado pela base conceitual das teorias e das pesquisas em enfermagem, os quais foram construídas por meio de conceitos advindos de outras áreas. Vale ressaltar que esse processo torna-se o alicerce para a prática com qualidade do cuidar- cuidado.

A criação de uma linguagem comum, a qual provém desse processo de construção facilita a comunicação e unifica a linguagem, reduzindo desta maneira conseqüentes repercussões negativas na pesquisa e na prática profissional.

Controvérsias existem sobre a conceituação da qualidade de vida e as estratégias de mensuração, mas os esforços teórico-metodológicos têm auxiliado para clarificar o conceito e chegar a uma relativa maturidade.

Desta forma, conhecer a qualidade de vida das pessoas facilitaria a mudança de paradigmas quanto à prática assistencial do processo saúde-doença, resultando na superação de modelos de atendimento eminentemente biomédicos, que descartam na maioria das vezes aspectos socioeconômicos, psicológicos e culturais importantes nas ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação em saúde. 

Referências Bibliográficas

1.       Gift AG. Clarifying concepts in nursing research. New York: Springer Publishing; 1997.

2.       Ferreira AB de O. Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa. 11ª ed. Rio de Janeiro: Gamma; 1975.

3.       Cervo AL, Bervian PA. Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall; 2004.

4.       Chinn PL, Jacobs MK. Theory and nursing: a systematic approach. St. Louis: Mosby; 1983.

5.       Hickman JS. Introdução à teoria de enfermagem. In: George JB e colaboradores. Teorias de enfermagem: os fundamentos à prática profissional. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2000.

6.       Villalobos MMD. Enfermería: desarrollo teórico e investigativo. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia; 1998.

7.       Torres G. A posição dos conceitos e teorias na enfermagem. In: George JB e colaboradores. Teorias de enfermagem: os fundamentos à prática profissional. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 1998.

8.       Kimura M. Tradução para o português e validação do “Quality of life index” de Ferrans e Powers. Tese [Livre-Docência]. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 1999.

9.       Baylet, TJ. Quality assurance. Postgrad. Med.J. 1988; 64(752): 473-4.

10.   Painter, P. The importance of exercise training in rehabilitation of patients with end-stage renal disease. Am. J. Kidney. Dis. 1994; 24:2-9.

11.   Cohen C. On the quality of life: some philosophical reflections. Circulation. 1982; 66:29-33.

12.   Wood-Dauphinee S. Assessing quality of life in clinical research: from where are we going. J. Clin Epidemiol. 1999; 4(52): 355-63.

13.   Seidl EMF, Zannon CML da C. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e metodológicos. Caderno de Saúde Pública. 2004; 20(2): 580-88.

14.   Setién ML. Modelo conceptual para la elaboración de um sistema de indicadores sociales de calidad de vida. In: Setién ML. Indicadores sociales de calidad de vida: um sistema de médición aplicado al País Vasco. Centro de Investigaciones Sociológicas. Madrid: Siglo XXI de España; 1993.  p.113-49.

15.   Gill,TM, Feisnstein, AR. A critical appraisal of the quality of quality of life measurements. JAMA. 1994; 272(8):619-26.

16.   Farquhar, M. Definitions of quality of life: a taxonomy. J.Adv.Nurs. 1995; 22: 502-8.

17.   Gusmão, JL de. A qualidade de vida da pessoa com hipertensão arterial. In: Pierin, AMG. Hipertensão arterial: uma proposta para o cuidar. São Paulo: Manole; 2004.

18.   Diniz, DP, Schor, N. Qualidade de vida: guia de medicina ambulatorial e hospitalar – UNIFESP. São Paulo: Manole; 2006.

19.   The WHOQOL group. The World Health Organization quality of life assessment (WHOQOL): position paper from the World Health Organization. Soc Sci Med 1995; 41: 1403-10.

20.   Minayo MC de S, Hartz ZM de A, Buss PM. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciência e saúde Coletiva. 2000; 5(1):7-18.

21.   Flanagan, J. Measurement of quality of life: current state of the art. Arch. Phsysical Méd. Reab. 1982; 63: 56-9.

22.   Gianchello, AL. Health outcomes research in hispaniccs/latinos. Journal of Med. Systems. 1996; 21(5): 235-54.

23.   Oleson M. Subjectively perceived quality of life. Image. J.Nurs Sch. 1990; 22(3):187-90.

24.   Bowling A. La medida de la salud: revisión de las escalas de medida de la calidad de vida. Barcelona: Masson; 1994.

25.   Costa Neto, SB. Qualidade de vida dos portadores de câncer de cabeça e pescoço. Tese [Doutorado]. Brasília: Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília; 2002.

26.   Ciconelli RM. Tradução para o português e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida Medical Outcomes Study 36- item Short-Form Health Survey (SF-36)”. [Tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina; 1997.

27.    FLECK, M.P.A. et al. Desenvolvimento da versão em português do instrumento de avaliação de qualidade de vida da OMS (WHOQOL-100). Rev. Bras. Psiquiatr. 1999. 21(1):19-28.

28.   Ferrans CE, Powers MJ. Psychometric assessment of the Quality of life index. Res.Nurs. Health. 1992; 15:29-38.

29.   Buss PM. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência e Saúde Coletiva 2000; 5(1):163- 77.

30.   OPAS – ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. La salud en las Américas. Washington, D.C., vol. 1, 1998, 368p. (Publicación Científica, n. 569).

31.   Patrício ZM. Qualidade de vida do ser humano na perspectivas de novos paradigmas. In: Patrício ZM, Casagrande JL, Araújo MF (org). Qualidade de vida do trabalhador: uma abordagem qualitativa do ser humano através de novos paradigmas. Florianópolis: Edição do Autor; 1999.

32.   Castellani Filho L. Lazer e qualidade de vida: In: Marcellino NC. Políticas públicas setoriais de lazer: o papel das prefeituras. Campinas, SP: Autores Associados; 1996.

33.   Koerich MS, Souza FGM de, Silva CRLD da, Ferreira LAP, Carraro TE, Pires DEP de. Biosecurity, risk, and vulnerability: reflexiono n the process of human living of the health profissionals. Online Brazilian Journal of Nursing [serial on the Internet] 2006; [cited 2006 ];5(3). Available from: www.uff.br/objnursing

34.   Segre M, Ferraz FC. O conceito de saúde. Rev. Saúde Pública. 1997; 31(5):538-42.

35.     Cianciarullo TI et al. A hemodiálise em questão: opção pela qualidade assistencial. São Paulo: Ícone; 1998.

Endereço para correspondência: UnG- CEPPE – Mestrado em Enfermagem – Prédio U – 6º andar

R. Nilo Peçanha, n° 81 ant 67, Centro – Guarulhos-SP, CEP: 07011-040.

Nota: Este estudo resulta da dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Enfermagem da Universidade Guarulhos em 2006. Programa aprovado pela CAPES em agosto de 2004.

Received: Mar 13, 2007
Revised: Mar 22, 2007
Accept: Apr 8, 2007





 

The articles published in Online Brazilian Journal of Nursing are indexed, classified, linked, or summarized by:

 

Affiliated to:

Sources of Support:

 Visit us:

   

 

The OBJN is linked also to the main Universities Libraries around the world.

Online Brazilian Journal of Nursing. ISSN: 1676-4285

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons:Noncommercial-No Derivative Works License.