Online braz j nurs

Use of symbolic interactionism in the research of nursing pediatric

Uso do interacionismo simbólico nas pesquisas de enfermagem pediátrica

 Lucimeire Santos Carvalho 1, Climene Laura de Camargo 2, Cátia Andrade Silva 3, Ana Carla Petersen de Oliveira Santos 4

 1 UNEB, 2UFBA, 3 FTC, 4 UFBA

Abstract: This article has for objective to revise the reference of Symbolic Interactionism and to evidence your theoretical-methodology use in the qualitative approach of researches that you/they involve children and nursing interventions. It is a bibliographical study, embracing the period from 1977 to 2005. It was ended that that research methodology is adapted for the research in pediatric nursing and, therefore, it can be used broadly by the interested male nurses in looking for in the experience of the infantile population, information not documented and capable to address the nursing attendance.

Keywords: Nursing; Pediatric Nursing, Qualitative Research. 

RESUMO: Este artigo tem como objetivo revisar o referencial do Interacionismo Simbólico e evidenciar seu uso teórico-metodológico na abordagem qualitativa de pesquisas de enfermagem pediátrica, abrangendo a literatura do período de 1977 a 2005. De acordo com os estudos, pode-se demonstrar que o Interacionismo Simbólico tem sido um método utilizado pela enfermagem para leitura das respostas humanas e da linguagem simbólica da criança. Concluiu-se, que essa metodologia de pesquisa é adequada para a pesquisa em enfermagem pediátrica e, portanto, pode ser largamente utilizada pelos enfermeiros interessados em buscar na experiência da população infantil, informações não documentadas e capazes de direcionar a assistência de enfermagem.

Palavras-chave: Enfermagem; Enfermagem Pediátrica, Pesquisa qualitativa.

 Introdução

O Interacionismo Simbólico vem sendo utilizado como referencial teórico-metodológico nas pesquisas de enfermagem pediátrica na tentativa de documentar, perquirir e encontrar o significado da ação das crianças nos mais diversos cenários da saúde coletiva ou hospitalar.

A teoria possibilita a compreensão da experiência infantil seja através do resgate da produção dos sentidos e práticas discursivas que ocorrem na interação da criança com o contexto de cuidado - ambiente, como também pela sua interação com genitores, familiares, profissionais de saúde e outras crianças.

            A infância é um período da vida em que o ser humano está em constante aprendizagem através do seu mundo objetivo/concreto e do abstrato/consciência/imaginação, capaz de materializar e ao mesmo tempo fantasiar sobre o que vivencia; portanto as suas formas de expressão, as ações, comportamentos e diálogos, nem sempre são bem compreendidas pelo adulto.

As crianças pela sua própria natureza, mostram através das suas ações o que pensam, o que sentem e porque agem dessa ou daquela maneira, inviabilizando a identificação de seus sentimentos e expectativas que não seja por uma abordagem de aproximação e conquista.

Nesta perspectiva a valorização da linguagem infantil, do lúdico e da brincadeira seria a possibilidade de identificação deste agir simbólico que emerge da lingüística verbal e não-verbal – olhares, pausas, tom de voz, gestos, expressões faciais, detalhes da interação e o significado da mesma.

O agir é simbólico, porque o ser humano ativo é capaz de criar, manipular e usar símbolos para se relacionar com o mundo. Sem os símbolos não consegue interação com os outros, pois eles são uma forma de comunicação1.

            A criança como ser simbólico vive na experimentação do mundo e construção de atitudes frente à vida fazendo suas representações sobre as coisas. E pela sua imaturidade, muitas vezes a cada experiência mostra-se diferente e, portanto, sempre traz novos elementos, novos símbolos e a necessidade de sucessivas interpretações.

Contudo, para que o Interacionismo Simbólico seja empregado como teoria capaz de traduzir as informações provindas das crianças faz-se necessário que o enfermeiro conheça seu conceito, origem e fundamentações.

Em face, a essas considerações o presente artigo tem como objetivo revisar o referencial do Interacionismo Simbólico e evidenciar seu uso teórico-metodológico na abordagem qualitativa de pesquisas de enfermagem pediátrica, abrangendo a literatura do período de 1977 a 2005.

Como método de pesquisa foram realizadas consultas bibliográficas em duas Escolas de Enfermagem de Universidade públicas de Salvador–Ba e consulta na base de dados Bdenf, Lilacs e Medline para levantamento de artigos, dissertações e teses sobre o Interacionismo Simbólico e pesquisas de enfermagem, particularmente na enfermagem pediátrica.

Foram listados inúmeros artigos de diversos periódicos indexados, selecionamos para o estudo os que apresentavam registros do uso do Interacionismo Simbólico como referencial teórico-filosófico-metodológico que embasava a fundamentação teórica e/ou analítica das pesquisas. Inicialmente descrevemos os pressupostos teóricos e filosóficos do Interacionismo Simbólico e seguimos uma análise de conceitos e utilidade do arcabouço teórico-metodológico na prática e na pesquisa em enfermagem pediátrica, ou seja, sua utilização nas pesquisas realizadas no cenário de hospitalização infantil, como também nas diversas situações que ensejam a possibilidade de utilizar o referencial para pesquisar o assistir à criança, quer seja em domicílio, ambulatório ou no âmbito hospitalar.  

 Perspectivas do Interacionismo Simbólico

De acordo com Mattos,2 o Interacionismo Simbólico constitui-se um referencial utilizado para observarmos o comportamento humano, com o objetivo de desvelar o ato e apreender o significado do cotidiano nos quais as pessoas agem.

É uma perspectiva da Psicologia Social que focaliza a comunicação como uma das formas de retratar a relação do ser humano com o mundo3.  Portanto, objetiva aprender comportamentos, sentimentos e expectativas da comunicação simbólica – o significado da fala, do silêncio, das imagens construídas em desenhos, dos comportamentos apresentados – um pedido de socorro, um desabafo, insatisfação, uma interação positiva.

A simbologia possibilita perceber os processos interativos dinâmicos4 que estão presentes nas relações entre o sujeito e os elementos de interação – ambiente, pessoa e contexto.

A interação simbólica é como um ato de pensamento - elaboração psicológica (cognitiva e afetiva) e social da realidade, pelo qual um sujeito se relaciona a um objeto1.

Blumer5 assevera que as investigações que buscam a compreensão do comportamento humano devem dissociar-se de esquemas rigorosos, mas debruçar-se no propósito das interações, pois a ação do sujeito depende do significado que atribui ao objeto e da dimensão que a experiência tem para o sujeito, ou seja, da sua relação com o objeto.  

Dessa forma particularizada, os autores nos remetem a natureza empírica das interações e ações humanas que desempenhadas pelo indivíduo decorre de três premissas: a primeira é que a ação dos indivíduos pode modificar-se em relação aos objetos, dependendo do significado que eles têm para o indivíduo; a segunda é que a fonte dos significados é a interação social; e a terceira traduz que a utilização dos significados ocorre através de um processo de interpretação5.

Em cada situação de interação, o sujeito está em um momento de sua trajetória de crescimento e desenvolvimento, trazendo consigo inúmeras possibilidades de interpretação do material que obtém do mundo externo. A interação é um processo dinâmico que implica na ação dos indivíduos em relação aos outros. O indivíduo é imprevisível e ativo, o que implica dizer que está agindo constantemente em relação às pessoas, situações e instituições sociais, percebendo, interpretando e reagindo6.

No entanto, a interação não é somente o que está acontecendo externamente ao indivíduo, mas o que se processa no seu interior. O conteúdo interno dos indivíduos e como agem no mundo define as situações - realidade definida ativamente pelo indivíduo conforme interação consigo mesmo (self) e com o mundo e como essa interação com os outros influencia sua definição5.

Por isso, na interação, as vivências do presente são dotadas de valor e significadas. Ao agir no presente, o ser humano tanto é influenciado pelo que aconteceu no seu passado, pelo resgate de suas lembranças, quanto pelo que está acontecendo no exato momento vivido.

Além das premissas do Interacionismo Simbólico, outros conceitos são imprescindíveis para o entendimento da teoria: o símbolo, o self, a mente, assumir o papel do outro, a ação humana e a linguagem.

O símbolo é o conceito chave do Interacionismo Simbólico. Essa unidade de referência é utilizada para representar algo. É, portanto um objeto social usado para pensar, representar, interagir e comunicar-se com os outros e consigo. Essa unidade de referência serve para revelar algo que está além da aparência externa do objeto; são arbitrariamente estabelecidos e modificados pela interação daqueles que os utilizam.

O self, ambiente interno do indivíduo, é um objeto social que surge na infância. Ele é iniciado através da interação das crianças com os pais, familiares e outras pessoas. Enquanto crianças os indivíduos estão experimentando o novo, desfrutando das experiências ao longo do processo de desenvolvimento, o que faz com que o self seja definido e modificado constantemente.

Segundo Mead7, o self apresenta duas fases: O Eu e o Mim. Na primeira fase se refere ao indivíduo como sujeito, evidenciando as características, as tendências espontâneas, não socializadas. Já na segunda, reconhece o indivíduo como objeto social, que se origina na interação. Nessa fase o indivíduo socializado, comunica–se, dirige, julga, identifica, participa e avalia situações na interação com os outros.

A mente é uma atividade que se dirige ao self. Considera-se como processo mental à interação simbólica por meio da qual o indivíduo manipula símbolo e comunica-se ativamente com o seu self. Charon8 enfatiza que mente é ação, ação que usa símbolos e dirige esses símbolos em relação ao self. É o indivíduo tentando fazer algo, agir em seu mundo. A ação é entendida como resposta da mente não a objetos, mas a simbolização que o indivíduo faz a si mesmo e aos outros na situação.

Para atingir a comunicação e interação simbólica é preciso assumir o papel do outro, que quer dizer, compreender como e porque as pessoas agem dessa ou daquela maneira. Esse entendimento do outro por nós e vice-versa, faz parte dessa atividade mental, considerada por Charon3 como a mais importante do Interacionismo Simbólico, porque possibilita o desenvolvimento do self.

A ação humana diz respeito a um processo constante e ativo de tomada de decisão pelos indivíduos diante da interação com o self e com outros indivíduos.

A linguagem é um símbolo usado para descrever e detalhar o que se observa, pensa ou imagina para referir-se ou apresentar a realidade social.

O uso da palavra nos diálogos, e outros símbolos, como: gestos, comportamentos, ações, tem significados sociais, que são construídos nas interações e que apenas passam a ser símbolo quando adquirem sentido para quem os utiliza.

Desse modo os símbolos podem desvelar as carências afetivas, psicológicas, biológicas e sociais do ser cuidado, como também suas vivências e interações no cotidiano. Especialmente, na pediatria onde o ser cujas ações, falas, atitudes e comportamentos têm história e uma vida social. Ser esse que necessita ser compreendido, orientado, afagado, excitado e conduzido no enfrentamento das situações difíceis.  

Interacionismo Simbólico e as pesquisas em enfermagem pediátrica

A comunicação com a criança tem sido uma das dificuldades relatadas pelos profissionais de enfermagem. E nesse contexto, não é incomum presenciarmos profissionais perderem a paciência com crianças por não entenderem que determinadas características, apresentadas por elas, são inerentes à idade.

Na maioria das vezes essa atitude de impaciência é originária da dificuldade de compreensão da comunicação não-verbal, a qual requer observação acurada do comportamento da criança.

É freqüente a observação, pela enfermagem, de comportamentos de luta apresentados pela criança – gritar, espernear, chutar e morder, que são comumente classificados como anti-sociais ou agressivos; ou ao contrário a apatia e indiferença, associando a passividade apresentada pela criança com a aceitação da situação.

Nessas ocasiões, os profissionais podem perceber-se inseguros, até mesmo para efetivar os procedimentos técnicos, não conseguindo estabelecer um relacionamento com a criança, gerando um afastamento de ambas as partes.

Através do Interacionismo Simbólico pode-se desvelar a lógica oculta de certos comportamentos resultantes da interação entre a criança e os profissionais de saúde. A teoria faz emergir a importância das formas de expressão interativa da criança que pode estar silenciando ou falando, contando histórias, brincando, enfim expressando sua autonomia, vontade, afetividade e subjetividade no contexto de suas relações.

Exatamente nesse ponto que surge o esforço, de ter que entender a linguagem infantil; seu discurso isolado ou agregado a outros componentes de linguagem quando a mesma enseja comunicar-se8; enfim desvendar comportamentos, enfatizando a interpretação que lhe é devida e, que essa interpretação não se restrinja ao olhar do profissional de saúde como uma atividade meramente lúdica no âmbito hospitalar e sim, busque o significado real da mensagem.

O papel da enfermagem para minimizar o estresse da criança, deve ser desempenhado através de ações que lhe possibilite participar ativamente da vida interna e externa da criança: ajudar a criança a se sentir menos insegura em um ambiente estranho, reduzir ou avaliar o medo do desconhecido, permitir a expressão de sentimentos e propiciar oportunidades de participação da criança no seu cuidado9.

A enfermagem pediátrica possui um grande desafio, que é entender o que a criança está comunicando através da sua linguagem corporal (gestos e expressões), verbal (fala) e cognitiva (desenhos e brincadeiras).

Nesse âmbito, o Interacionismo Simbólico emerge como uma possibilidade de captação e compreensão das informações advindas das crianças. E esse processo de compreensão se dá por meio da avaliação da linguagem simbólica da criança.

Essas questões mostram que analisar o discurso é algo muito importante, porém as palavras, ao mesmo tempo em que podem evidenciar, podem também camuflar situações, já as manifestações corporais, quando entendidas enquanto metáforas corpóreas10 revelam complexidades a serem desvendadas.

Alguns trabalhos de enfermagem pediátrica que foram desenvolvidos utilizando o referencial teórico-metodológico do Interacionismo Simbólico mostram as possibilidades de análises reflexivas do comportamento da criança diante das situações de saúde, internamento, cirurgia, exames e procedimentos hospitalares, mostrando o quanto se faz necessário, a compreensão deste universo para atuação da enfermagem.

Moreira e Dupas11 teve o propósito de compreender o significado de saúde e doença sob o olhar da criança e ao utilizar o referencial do Interacionismo Simbólico para fundamentar a análise dos discursos das crianças em sua pesquisa revelam a preocupação com a construção da assistência em enfermagem centrada na criança e com o real propósito de atender suas necessidades. As autoras se propõem a escutar a criança hospitalizada contar sua história enfatizando a situação momentânea – estar hospitalizada e doente, com o objetivo de saber do ponto de vista da criança esse significado, respeitando sua identidade e valorizando o ser criança.

Coutinho12 utilizando uma adaptação da técnica do desenho-estória e tendo como base de análise de dados o Interacionismo Simbólico consegue aproximar-se de seu objeto de estudo a percepção da criança acerca da hospitalização. A autora infere pelos sentimentos expressos nas falas das crianças durante a contação de estória e os desenhos que esboça que a visão da criança acerca da hospitalização é a de um bicho-papão na sua vida e da distância de sua fada madrinha. A representação negativa da criança sobre o ambiente hospitalar está associada muitas vezes aos aspectos provocadores de medo na criança - de sentir dor, das pessoas estranhas, de afastar-se da mãe e do ambiente hostil que está presente na interação hospital-criança-família-enfermagem.

Ribeiro13,14 evidencia como se dá o enfrentamento da criança à hospitalização. A autora utiliza o lúdico para aproximar-se da criança pré-escolar direcionando sua avaliação aos processos interativos da criança com o cenário de hospitalização. Na busca pela compreensão do significado desta experiência discorre sobre a dificuldade de compreensão do discurso verbal da criança, mostrando ser particularmente difícil compreender suas mensagens unicamente pela linguagem verbal, devido aos recursos limitados que elas possuem nesse tipo de comunicação. Utiliza o Interacionismo Simbólico para embasar suas discussões sobre os fenômenos resultantes da interação da criança com o contexto de hospitalização, seja pela presença excessiva de pessoas, pelo mistério prescrito no cenário hospitalar, o convívio com a dor real e imaginária, ou ainda pela conjunção da experiência num fenômeno maior que denomina de terror.

O estudo de Carvalho15 analisa o comportamento das crianças diante dos estressores pré-cirúrgicos e teve sua construção norteada pelo referencial do Interacionismo Simbólico que possibilitou esclarecer sobre a temática valorizando a subjetividade da vivência do cotidiano da criança a ser operada. O sofrimento psíquico da criança pré-escolar diante da interação com o contexto cirúrgico foi descrito como intenso no seu estudo, devido ao imaginário da criança, revelar a ela, possibilidades de ameaça constante, sem distinção entre perigo real e imaginário. Somente a análise da interação da criança com o ambiente, a sala de espera de cirurgia, suas ações e comportamentos; da interação com sua mãe, pelas conversas, atitudes e queixas do acompanhamento pré-cirúrgico possibilitaram entender porque a cirurgia é para ela uma fonte de desagrado.

Outro estudo16 realizado com crianças em idade escolar utilizou o Interacionismo Simbólico para significar as interações vividas por crianças ante o pós-operatório de postectomia e identificar as suas estratégias de enfrentamento. O estudo que utilizou como recurso de comunicação à brincadeira, mostra que a criança durante o brincar fala do significado dessa vivência que está intrinsecamente relacionada à interação que ela estabelece com o seu corpo, com a sua família, principalmente com a mãe, como também com as etapas que compõem todo o procedimento cirúrgico. A compreensão dessa experiência oferece subsídios importantes para o planejamento de uma assistência em enfermagem individualizada, humanizada e ratifica a necessidade da inclusão da família no processo de cuidar da criança hospitalizada.

E Dupas, Oliveira e Costa17 estudando a importância do Interacionismo Simbólico à prática de enfermagem demonstram que através dessa teoria é possível apreender o significado que o ser humano atribui as suas próprias experiências, o que permite ao enfermeiro no exercício do cuidar o entendimento do objeto de seu cuidado. De tal modo que a utilização deste referencial na enfermagem poderá abrir novos caminhos para o conhecimento e a prática profissional, uma vez que a abordagem permite a descoberta de novos aspectos do cuidar.

De acordo com os estudos supracitados pode-se evidenciar que o Interacionismo Simbólico tem sido um método utilizado pela enfermagem para leitura das respostas humanas, onde para desvelar os significados que o ser humano atribui às situações vividas, se valoriza a linguagem do discurso, como também a linguagem simbólica apreendida pelos comportamentos humanos, de suma importância na enfermagem pediátrica, já que o discurso da criança de pouca idade é incipiente e absorto. 

Considerações finais  

Assimilado pelo pensamento sociológico como parte da psicologia social sociológica o Interacionismo Simbólico é largamente representado nos estudos sobre o cotidiano e da interação face a face, como ocorre nas relações entre os profissionais de saúde e a criança no âmbito hospitalar17.

Essa relação assume que o meio ambiente, neste caso, o hospitalar, não deve ser considerado um mundo externo neutro, mas um mundo que se refere à intencionalidade da pessoa em ação. Por isso, as experiências negativas do passado podem vir à tona no presente para o enfrentamento de uma situação semelhante.

Diante do exposto, quando a assistência em enfermagem é dirigida à criança, o profissional do cuidar deve estar consciente das formas peculiares de sentir e perceber que a criança apresenta em cada fase do crescimento e desenvolvimento, e seus métodos individuais de lutar contra as adversidades do ambiente em que se encontra inserida.

Com base nas discussões sobre Interacionismo Simbólico, conclui-se que é um referencial adequado às pesquisas em enfermagem pediátrica, e, portanto, pode ser largamente utilizada pelas enfermeiras (os) interessadas (os) em buscar na experiência da população infantil, informações não documentadas e capazes de direcionar a assistência em enfermagem.

Dentro deste contexto, cabe ainda salientar que na área de saúde, especialmente no campo da pediatria, o conjunto de ações multidisciplinares e interdisciplinares para atender as necessidades e demandas da população infantil pode ser mais bem delineado, caso exista intercâmbio entre os saberes profissionais e o saber próprio da criança e família. O aglutinamento de saberes, as decisões compartilhadas e a apropriação do simbólico facilitarão a compreensão dos espaços subjetivos individuais e coletivos e da atenção que se farão necessários a cada criança, considerando sua singularidade.  

Referências

1 Ângelo M. Com a família em tempos difíceis: uma perspectiva em enfermagem. [Tese para Livre-Docência]. São Paulo: Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 1997.

2 Mattos CLG. A abordagem etnográfica na investigação científica. Rio de Janeiro: UERJ; 2001, p.1-16.

3 Charon JM. Simbolic interactionism. 3d ed. Englewood Cliffs: Prentice-Hall; 1989.

4 Lopes ND. Symbolic interactionism perspective of communication in management nursing: meaning, actions and changes [abstract]. Online Brazilian Journal of Nursing [online] 4(1) April; 2005. Disponível: www.uff.br/nepae/objn401lopesneto.htm

5 Blumer H. A natureza do Interacionismo Simbólico. In: Mortesen, CD. Teoria da comunicação: textos básicos. São Paulo: Mosaico;1980, p.119-138.

6 Paru DCV. A formação do simbólico. Rev do Núcleo de Estudos Canadenses. Salvador: ABECAN; 1997, p.147-62.

7 Mead GH. On social Psychology. Chicago: The University Chicago Press; 1977.

8 Scheineider JF, Pereira MA,Valle ERM. Algumas considerações sobre a agressividade na criança – Implicações em enfermagem. Revista Gaúcha de Enfermagem 1994; 15:41-46.

9 Andrade VRO. Interação de enfermagem em processo criança/mãe/equipe de hospitalização. Rio de Janeiro: UERJ; 1993, p.28-35.

10 Barbosa SRCS. Qualidade de vida e suas metáforas: uma reflexão sócio-ambiental [Tese de Doutorado em Ciências Sociais]. São Paulo: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp; 1996.

11 Moreira PL, Dupas G. Significado de saúde e doença na percepção da criança. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2003;11:757-62.

12 Coutinho SED. A hospitalizaçäo na percepçäo da criança: fada madrinha ou bicho-papäo? Joäo Pessoa:S.N.; 1999.

13 Ribeiro CA. Crescendo com a presença protetora da mãe: a criança enfrentando o mistério e o terror da hospitalização [Tese de doutorado]. São Paulo: Escola de Enfermagem USP;1999.

14 Ribeiro CA, Ângelo M. O significado da hospitalização para a criança pré-escolar: um modelo teórico. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 2005; 39(4):391-400.

15 Carvalho LS. Convivendo com o estranho e o desconhecido: o enfrentamento da criança aos estressores pré-cirúrgicos infantis [Dissertação].Salvador: Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia; 2003.

16 Castro AS, Silva CV, Ribeiro CA. Tentando readquirir o controle: a vivência do pré-escolar no pós-operatório de postectomia. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2004; (12)5:797-805.

17 Dupas G, Oliveira I, Costa TNA. A importância do Interacionismo Simbólico na prática de enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP 1997; 31(2):219-26. 

Contribuição dos autores:
-Concepção e desenho: Lucimeire Santos Carvalho
-Análise e interpretação: Lucimeire Santos Carvalho, Cátia Andrade Silva, Ana Carla Petersen e Climene Laura de Camargo.
-Escrita do artigo: Lucimeire Santos Carvalho e Cátia Andrade Silva.
-Revisão crítica do artigo: Lucimeire Santos Carvalho e Climene Laura de Camargo.
-Aprovação final do artigo: Lucimeire Santos Carvalho.
-Pesquisa bibliográfica: Lucimeire Santos Carvalho, Cátia Andrade Silva e Ana Carla Petersen de Oliveira. 

Endereço para correspondência: Lucimeire Santos Carvalho. Rua L Quadra 4 Lote 5 Jardim Brasília Pernambués, CEP:41100-160, Salvador –Bahia, Brasil

Received Nov 16, 2006
Revised Jan 6, 2007
Accept May 15, 2007