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ARTIGOS ORIGINAIS

Associação entre reprovação escolar, bullying e drogas ilícitas em adolescentes: estudo transversal


Nadirlene Pereira Gomes1, Raiane Moreira dos Santos2, Rosana Santos Mota3, Rafaela Paiva Freitas Pinto4, Fernanda Matheus Estrela5, Tânia Christiane Ferreira Bispo6

1,2,3,4Universidade Federal da Bahia
5Universidade Estadual de Feira de Santana
6Universidade Estadual da Bahia

RESUMO

Objetivos: Caracterizar os adolescentes com situação de reprovação escolar e investigar sua associação com a vivência de bullying e consumo de álcool/maconha. Método: Estudo epidemiológico, do tipo corte transversal, cujos participantes foram adolescentes de uma escola pública do município de Salvador, Bahia, Brasil. A magnitude da associação entre as variáveis foi verificada por meio da razão de prevalência, através do programa Stata. Resultado: O estudo identificou associação significativa entre reprovação escolar e consumo de álcool. Com o bullying direto, apresentou uma relação limítrofe. Também sem significância estatística, a reprovação escolar está ainda associada com o bullying relacional e consumo de maconha. Discussão: Considerando a associação entre reprovação escolar e consumo de bebidas alcoólicas na adolescência, o estudo possibilita identificar grupo de adolescentes, para os quais devem ser priorizadas ações de educação em saúde. Conclusão: O consumo de álcool e a vivência de bullying direto por adolescentes os vulnerabilizam para a reprovação escolar.

Descritores: Baixo Rendimento Escolar; Adolescente; Etanol; Preparações Farmacêuticas; Bullying; Educação em Saúde.


INTRODUÇÃO

A elevação do índice de reprovação escolar no âmbito nacional, observado em exames de avaliação da aprendizagem, tais como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), reflete que a maioria dos estudantes não atinge o nível mínimo do aprendizado satisfatório para sua série ou ano escolar(1). Conforme dados do Ministério da Educação (MEC), as regiões Norte e Nordeste do Brasil ainda possuem as maiores taxas de reprovação escolar no ensino fundamental e médio quando comparadas com o Sul, Sudeste e Centro-Oeste(2).

Pesquisa brasileira que investigou a situação da reprovação escolar em adolescentes do ensino fundamental de uma escola pública identificou que 23,7% dos alunos reprovados estavam envolvidos em situação de bullying. Os resultados desse estudo sinalizaram ainda que, dentre as emoções geradas em vítimas e agressores envolvidos nesse tipo de violência, destacam-se: medo, desmotivação, tristeza, vergonha e raiva(3). Essas emoções, que se constituem em elementos para diagnóstico da situação de saúde mental das pessoas que sofrem ou praticam o bullying, podem comprometer o rendimento escolar de adolescentes.

O consumo de bebida alcoólica e/ou de maconha também vem sendo observado em adolescentes com problemas escolares, conforme discutido em estudos nacionais e internacionais, a exemplo de pesquisa realizada com 26.503 estudantes mexicanos e estudo com 371 alunos da rede pública do estado de Goiás, Brasil, respectivamente(4).

Independente do fator associado ao baixo rendimento escolar, sabe-se que essa situação tende a comprometer o futuro profissional dos(as) adolescentes. As consequências dessa situação podem se revelar até no aumento da criminalidade no país, uma vez que pessoas malsucedidas na vida profissional tendem a adquirir renda através de práticas ilegais, como furtos e/ou tráfico de drogas(5).

Salienta-se que o rendimento escolar em adolescentes tornou-se objeto de preocupação e investigação, sobretudo, por profissionais que integram o Programa Saúde na Escola (PSE), a exemplo de pedagogos(as), educadores, psicólogos(as) e enfermeiras(os), que começaram a questionar as causas e os fatores que interferem no processo de ensino e aprendizagem de estudantes, principalmente de crianças e adolescentes(6).

Considerando a relevância da temática e a necessidade de conhecer o perfil dos adolescentes com baixo rendimento escolar e investigar fatores associados à reprovação em lócus específicos, sobretudo em regiões marcadas por um contexto de desigualdades e iniquidades sociais, delineou-se o seguinte objetivo: caracterizar os adolescentes com situação de reprovação escolar e investigar sua associação com a vivência de bullying e consumo de álcool/maconha.

MÉTODOS

Pesquisa de natureza quantitativa, vinculada ao projeto matriz denominado “Universidade e escola pública: buscando estratégias para enfrentar os fatores que interferem no processo ensino/aprendizagem”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB).

Trata-se de um estudo do tipo corte transversal, realizado em uma escola pública de ensino fundamental, situada em um bairro da periferia de Salvador, Bahia, Brasil. Nesta pesquisa, participaram 239 discentes matriculados no turno vespertino, os quais atenderam ao seguinte critério de inclusão: ser adolescente, na faixa etária entre 10 aos 19 anos de idade, conforme preconiza o Ministério da Saúde. O resultado do cálculo amostral indicou a necessidade de 210 participantes, considerando-se um erro amostral de 2,35%. No entanto, foram incluídos todos os alunos localizados após duas tentativas de coleta e que concordaram em participar do estudo, os quais compuseram o quantitativo de 239 discentes.

O processo de coleta de dados ocorreu em duas etapas, sendo que a primeira foi realizada no período entre outubro de 2014 e janeiro de 2015. O instrumento utilizado nesse primeiro momento foi um formulário padronizado, composto por seis blocos de questões que incluem variáveis relacionadas aos aspectos: sociodemográficos e econômicos; saúde sexual e reprodutiva; uso de álcool e maconha; vivência de bullying e história de violência intrafamiliar.

Para classificação dos tipos de bullying (direto, relacional e vitimização), utilizou-se a Escala de Vitimização e Agressão entre Pares (EVAP). Deste modo, definem-se como agressões diretas: provocar, ameaçar, xingar (ordem psicológica); empurrar, chutar, dar socos (ordem física) e a ação de revidar a ataques sofridos. O bullying do tipo relacional é caracterizado por atitudes que comprometem o relacionamento da vítima com grupo de iguais, manifestando-se através dos atos de depreciar, apelidar e excluir. A vitimização corresponde ao sofrimento de ser alvo das agressões. A avaliação desses tipos de bullying foi realizada a partir de uma pontuação que mensura a frequência dos comportamentos agressivos, classificando-a em: nunca, quase nunca, às vezes, sempre e quase sempre. Tal pontuação varia de 1 (nunca) a 5 (quase sempre). O resultado da soma dessas pontuações foi agrupado, tendo como ponto de corte os percentis 40 e 60, cujos valores possibilitaram categorizar as dimensões em três níveis de risco para o bullying: baixo (dimensão n < = que o valor do percentil 40 da dimensão n); médio (dimensão n > que o percentil 40 e < que o percentil 60) e alto (dimensão n > = que o valor do percentil 60).

A segunda etapa desta coleta ocorreu em setembro de 2016, quando foram consultadas as cadernetas de notas para identificar o desfecho do rendimento escolar (se aprovado ou reprovado) referente ao ano da primeira etapa de coleta de dados. Somente participaram dessa segunda etapa os estudantes que foram incluídos no grupo amostral da primeira etapa.

Os dados originados das duas etapas da coleta foram organizados numa matriz através do programa Office Excel®, constituindo o banco de dados do estudo. Posteriormente, foi realizada uma análise descritiva com a finalidade de caracterizar os adolescentes com reprovação escolar.

Para identificar associação entre variáveis dependentes e independentes, foi realizado Teste Qui-Quadrado de Pearson. Este foi empregado para verificar diferenças estatísticas entre os grupos, exceto para variável uso de maconha, para a qual foi utilizado o Exato de Fisher. O nível de significância predeterminado é 0,05. A magnitude da associação entre as variáveis foi verificada por meio da razão de prevalência, com seus respectivos intervalos de confiança (IC 95%). A análise estatística foi realizada através do Programa Stata versão 12.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem da UFBA (parecer nº 384208, de 08 de agosto de 2013). Ainda em respeito às questões éticas referentes a pesquisas que envolvem seres humanos, foram considerados os princípios emanados na resolução 466/2012: justiça, não maleficência, beneficência e autonomia. Atendendo a esses princípios, foi solicitada uma autorização por escrito por parte do(a) adolescente que aceitou participar da pesquisa, através da assinatura do Termo de Assentimento Livre e Esclarecido. Também solicitamos aos responsáveis legais pelos(as) adolescentes uma autorização por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em duas vias, sendo uma da pesquisadora e outra do(a) participante.

RESULTADOS

Participaram do estudo 239 adolescentes, sendo que 75 (31,38%) foram reprovados. No que tange às variáveis sexuais, a maioria dos adolescentes referiu já ter tido relação sexual (n= 38; 50,67%) e, deste total, 3 (4,0%) estiveram gestantes ou engravidaram suas companheiras. O uso de preservativo foi relatado por 52,63% (n=20) dos adolescentes que referiram já ter tido relações sexuais. Com relação à vivência de agravos entre os adolescentes reprovados, ficou evidente que a maioria convive com a violência intrafamiliar (n=42; 56,0%) e com os seguintes tipos de bullying: direto (n=41; 54,67%); vitimização (n=41; 54,67%)(Tabela 1).

Tabela 1 – Caracterização dos adolescentes com baixo rendimento escolar de uma escola pública, 2015, Salvador, Bahia, Brasil (n= 75).

Tabela 1

Fonte: Informações sobre adolescentes de uma escola pública de Salvador, Bahia, Brasil.

Foi identificada associação, com significância estatística, entre a reprovação escolar e o consumo de bebida alcoólica por adolescentes (RP=1,95 e IC95%: 1,06 – 3,58). Também foi identificada uma associação limítrofe entre reprovação escolar e bullying do tipo direto (RP=1,70 e IC95%: 0,98 – 2,95). Outras variáveis, ainda que sem significância, também foram associadas à reprovação dos estudantes, tais como o bullying relacional (RP=1,40 e IC 95%: 0,81 – 2,44) e o consumo de maconha (RP=6,79 e IC 95%: 0,69 – 66,40) (Tabela 2).

Tabela 2 – Associação entre baixo rendimento escolar e as variáveis bullying, consumo de álcool e maconha em adolescentes de uma escola pública, 2015, Salvador, Bahia, Brasil (n= 239).

Tabela 2

Fonte: Informações sobre adolescentes de uma escola pública de Salvador, Bahia, Brasil.

DISCUSSÃO

O estudo indica maior prevalência do sexo masculino à reprovação escolar, achado semelhante ao identificado em estudo realizado na Região Metropolitana de Campinas, São Paulo, Brasil, no qual os meninos foram mais reprovados do que as meninas(7). Acredita-se que tal realidade pode estar associada às construções sociais de gênero que justificam o fato dos homens serem mais estimulados à conquista do mercado de trabalho em detrimento de investimento nos estudos.

Os achados deste estudo sinalizam ainda que a maioria dos adolescentes reprovados pertence à menor faixa etária, correspondente às idades entre 10 e 14 anos. No entanto, este achado pode estar relacionado a características específicas desta população, uma vez que a literatura vem apontando maior índice de reprovação entre os mais velhos (8). Tal desacordo direciona para a necessidade de estudos futuros com intuito de investigar a faixa etária de maior índice de reprovação escolar entre os adolescentes, bem como os fatores que predispõem a esse contexto.

Outro aspecto observado nesta pesquisa foi elevada prevalência das questões raciais (81,33%) com o desempenho escolar de adolescentes, realidade também mensurada em estudo realizado em nove municípios mineiros de Belo Horizonte, Brasil, com adolescentes do ensino médio da rede pública estadual, no qual pessoas que se autodeclararam pretas e pardas apresentaram maiores chances de reprovação(8). A elevada proporção (81,33%) de adolescentes reprovados pertencente à raça negra reflete as iniquidades sociais, étnicas, culturais e econômicas que ainda persistem no território brasileiro. As pessoas negras se deparam com menos oportunidades de ascensão social que as pessoas brancas, sofrem racismo e preconceito em distintos processos seletivos e, de fato, são os indivíduos considerados oprimidos, subordinados e marginalizados(8).

O estudo apontou ainda maior proporção de reprovados entre adolescentes que não proferiram religião. Esse dado pode indicar que possuir religião contribui na manutenção de comportamentos conservadores, que favorecem o bom desempenho escolar, tais como assiduidade, realização de tarefas escolares, compromisso com trabalhos escolares, dentre outros. Isso ocorre porque a religião representa um meio de disciplinar o comportamento humano(9).

Com relação ao trabalho, sabe-se que inúmeros adolescentes o fazem para ajudar os pais no sustento familiar. Neste estudo, verificou-se que, dentre os adolescentes reprovados na escola, 10% trabalhavam. Esse achado sugere que o trabalho pode prejudicar o rendimento escolar de adolescentes, até mesmo porque gera cansaço físico e mental, principalmente, em se tratando de ocupação com elevado índice de estresse. É o que sinaliza estudo realizado em dez cidades brasileiras em que, dentre os jovens que não trabalham, a maioria nunca foi reprovada na vida(10). No México, estudo realizado com 3.005 adolescentes de escola pública sinaliza que o fato de trabalhar e estudar acarreta danos à saúde mental, algo que compromete o desempenho na escola(11).

Para além dos aspectos sociodemográficos, o estudo releva prevalência elevada de reprovação escolar quando analisadas as variáveis de saúde. A maioria dos(as) adolescentes reprovados(as) referiu já ter tido a primeira relação sexual. Essa prática, quando realizada precocemente e de modo não planejado, pode comprometer o desempenho escolar do adolescente, conforme identificado em pesquisa realizada com 535 estudantes do ensino fundamental e médio, representativos de seis escolas públicas de um município do Sul do Brasil(12). Essa situação expõe o(a) adolescente ao risco de infecções sexualmente transmissíveis e à gravidez indesejada, principalmente, porque quase 50% dos estudantes reprovados não utilizam preservativo.

Esse contexto é preocupante, pois tanto as infecções quanto a gravidez indesejada interferem no bem-estar biopsicossocial do adolescente, implicando dificuldades de concentração em sala de aula e, portanto, de aprendizado. Além disso, compromete a assiduidade em aulas e em avaliações, levando ao baixo rendimento e, com isso, à reprovação escolar. Acrescenta-se o fato de que uma gravidez indesejada contribui para a evasão escolar e dificulta o retorno à escola, conforme aponta estudo realizado em Curitiba(13).

O estudo evidencia ainda que adolescentes com história de violência intrafamiliar tiveram maior percentual de reprovação. Pesquisa internacional apresenta associação entre violência intrafamiliar e reprovação escolar(14). As feridas emocionais, marcadas pela violência sofrida no próprio núcleo familiar, interferem na qualidade de vida do(a) adolescente, provocando sofrimento psíquico e dificuldade de concentração nas atividades escolares, algo que pode aumentar as chances de reprovação(15). Ressalta-se que a reprovação escolar guarda associação com aspectos sociais e de saúde em adolescentes, a exemplo da iniciação sexual e da vivência de violência psicológica.

O estudo aponta associação entre reprovação de adolescentes escolares e envolvimento em situações de bullying, achado também encontrado em pesquisa com 1.145 adolescentes residentes em Pelotas, Rio de Janeiro, Brasil(16). Em estudo realizado na Geórgia, Estados Unidos da América, foi identificado que uma proporção significativa de estudantes reprovados estava envolvida em situação de bullying(17).

Esse cenário merece atenção, visto que o(a) adolescente que pratica ou sofre o bullying pode desencadear alterações físicas, psíquicas e comportamentais, tais como distúrbios gastrintestinais, insônia, depressão, tristeza, baixa autoestima, desmotivação, isolamento social de professores e colegas. Vale mencionar que as vítimas apresentam maiores percentuais desses problemas(3). Corroborando essas repercussões, estudo realizado em 10 províncias do Canadá ainda acrescenta que todo e qualquer tipo de agressão contra adolescentes pode até aumentar o índice de tentativas de suicídio nesta faixa etária(18).

Essas situações podem comprometer o desempenho escolar do(a) adolescente, visto que o(a) mesmo(a) pode apresentar desinteresse em ir à escola, bem como dificuldade de concentração e de aprendizado, intensificando o risco de reprovação escolar. Estudo realizado no Rio de Janeiro corrobora a relação do bullying com o fato de faltar aula sem motivo, acrescentando ainda outros comportamentos associados à prática desse fenômeno, tais como: ter relações sexuais, portar arma, usar álcool, cigarro e/ou outras drogas ilícitas, dentre outros(16).

Com relação à reprovação escolar em adolescentes que usam álcool e maconha, observa-se que essa realidade também foi identificada em pesquisas realizadas no âmbito nacional e internacional(19,12,4). Destaca-se o estudo realizado no Rio Grande do Sul, cujo resultado identificou que o uso de drogas ilícitas aumenta em 2,8 vezes a chance do(a) estudante ser reprovado(12).

As substâncias psicoativas provocam alterações na atenção, sensopercepção, memória e linguagem, além de modificação no curso, forma e conteúdo de pensamentos e juízo de realidade. Isso porque o efeito modulador das drogas sobre o comportamento humano pode acarretar prejuízos de ordem cognitiva(20), o que pode aumentar as chances de obter baixo rendimento escolar e, portanto, ocasionar reprovação. Atrelada a essa situação, sabe-se que o uso de substâncias psicoativas pode contribuir para precipitar conflitos nas relações humanas(20), podendo ocasionar rompimento de laços familiares, o que deixa o adolescente ainda mais vulnerável ao desempenho escolar deficiente, especialmente, por vivenciar problemas de ordem afetiva e emocional.

Embora não seja possível verificar relações de causa e efeito entre as variáveis analisadas, este estudo aponta um contexto de adolescentes brasileiros marcado por elementos que os tornam ainda mais vulneráveis à reprovação escolar. Portanto, os dados reforçam a importância de investir em estratégias que contemplem os aspectos sociais e de saúde dessa população, sobretudo no que tange aos adolescentes em situação de bullying e uso de álcool e outras drogas.

CONCLUSÃO

O estudo evidenciou associação positiva entre reprovação escolar e consumo de bebidas alcoólicas. Verificou-se ainda uma relação do tipo limítrofe entre a vivência de bullying direto e a reprovação em adolescentes escolares. Considerando que ambos os fenômenos provocam prejuízos cognitivos, o estudo possibilita identificar grupo de adolescentes mais susceptíveis para o baixo rendimento escolar, para os quais devem ser priorizadas ações de educação em saúde, sobretudo no sentido de sensibilizar o público infantojuvenil quanto aos malefícios das drogas e do bullying.

Para tanto, ressalta-se a importância do papel do(a) enfermeiro(a) enquanto facilitador(a) do debate e de reflexões acerca das situações que tornam o(a) adolescente mais vulnerável à reprovação escolar. Vale mencionar que a inserção da enfermagem nos espaços escolares constitui-se em estratégia de suma importância para fortalecer a articulação entre os setores da saúde e da educação, com fins no bem-estar biopsicossocial dos escolares.

Uma limitação do estudo refere-se à não investigação do histórico familiar destes adolescentes no que tange ao uso de álcool pelos pais, associação que indicaria (ou não) a relevância de ações preventivas em crianças/adolescentes antes do primeiro contato com esta droga. Tal limitação indica uma lacuna de conhecimento a ser aprofundada, no sentido de apontar se filhos de pais que usam drogas estão (ou não) mais vulneráveis ao consumo dessas substâncias.


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Todos os autores participaram das fases dessa publicação em uma ou mais etapas a seguir, de acordo com as recomendações do International Committe of Medical Journal Editors (ICMJE, 2013): (a) participação substancial na concepção ou confecção do manuscrito ou da coleta, análise ou interpretação dos dados; (b) elaboração do trabalho ou realização de revisão crítica do conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão submetida. Todos os autores declaram para os devidos fins que são de suas responsabilidades o conteúdo relacionado a todos os aspectos do manuscrito submetido ao OBJN. Garantem que as questões relacionadas com a exatidão ou integridade de qualquer parte do artigo foram devidamente investigadas e resolvidas. Eximindo, portanto o OBJN de qualquer participação solidária em eventuais imbróglios sobre a matéria em apreço. Todos os autores declaram que não possuem conflito de interesses, seja de ordem financeira ou de relacionamento, que influencie a redação e/ou interpretação dos achados. Essa declaração foi assinada digitalmente por todos os autores conforme recomendação do ICMJE, cujo modelo está disponível em http://www.objnursing.uff.br/normas/DUDE_final_13-06-2013.pdf

Recebido: 27/04/2017 Revisado: 03/04/2019 Aprovado: 03/04/2019





 

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