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NOTAS PRÉVIAS

Qualidade de vida e função sexual após o câncer cervical: estudo transversal


Rafaella Araújo Correia1, Lays Janaina Prazeres Marques1, Solange Laurentino dos Santos1, Cristine Vieira do Bonfim1
1Universidade Federal de Pernambuco

RESUMO

Objetivo: analisar a qualidade de vida e a função sexual de mulheres submetidas ao tratamento para o câncer cervical. Métodos: estudo transversal de base hospitalar, censitário, no qual serão entrevistadas um total de 90 mulheres tratadas para o câncer cervical no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2015. Serão utilizados os instrumentos: WHOQOL-bref, Female Sexual Function Index (FSFI), e um instrumento para caracterização da população elaborado especificamente para esta pesquisa. Serão feitas a análise descritiva e as medidas de tendência central e de dispersão, além da correlação de Pearson e teste-t de Student. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos do Centro de Ciências da Saúde da UFPE. Resultados esperados: identificar os domínios de qualidade de vida (QV) e função sexual mais afetados nas mulheres estudadas e a(s) modalidade(s) terapêutica(s) mais danosa(s).

Descritores: Qualidade de Vida; Câncer do Colo Uterino; Terapia Combinada; Saúde Sexual.


INTRODUÇÃO

A ocorrência do câncer intensificou-se entre as populações mundiais (27 milhões de casos incidentes são estimados para 2030), devido ao crescimento e ao envelhecimento da população, e a elevada exposição aos diversos fatores de risco (tabagismo, excesso de peso, sedentarismo, infecções). Entre os cânceres femininos, o cervical é o segundo mais comumente diagnosticado e a terceira principal causa de morte por neoplasia entre as mulheres em países menos desenvolvidos(1).

Há a tendência da redução ou da estabilidade da mortalidade por câncer cervical(2) e o acréscimo do número de mulheres convivendo com a cura ou a cronicidade da doença. Entretanto, o aumento da sobrevida, ganho para a oncologia em virtude dos avanços terapêuticos, é permeado por consequências do tratamento, que perduram durante anos. Os impactos das terapias e da doença afetam negativamente a qualidade de vida e a função sexual de mulheres sobreviventes ao câncer cervical. As diversas modalidades terapêuticas (cirurgia, radioterapia e quimioterapia) ou a combinação destas interferem no funcionamento dos órgãos pélvicos, ocasionando disfunções sexuais, urinárias e intestinais(3).

Avaliar a qualidade de vida e a função sexual das pacientes sobreviventes ao câncer cervical submetidas a uma ou mais modalidades terapêuticas permite: identificar aspectos do bem-estar físico, mental e social que são afetados pelo tratamento; auxiliar na melhor escolha terapêutica considerando não só a doença, mas o bem-estar da mulher; e também permitirá o desenvolvimento de estratégias que amenizem os transtornos ocasionados pela cirurgia, pela radioterapia e pela quimioterapia.

QUESTÃO NORTEADORA

Qual a qualidade de vida e a função sexual de mulheres submetidas ao tratamento para câncer cervical?

OBJETIVO GERAL

Analisar a qualidade de vida e a função sexual de mulheres submetidas ao tratamento para câncer cervical.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa. Será realizado um estudo censitário, e a população acessível é composta por 90 mulheres tratadas para câncer cervical e atendidas no ambulatório de oncologia e/ou ginecologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2015.

Serão incluídas as mulheres com os seguintes critérios: idade igual ou maior que 18 anos; intervalo de no mínimo três meses entre o término do tratamento (cirúrgico ou quimio/radioterápico) e a coleta de dados – tempo esperado para início de efeitos adversos de médio e de longo prazos. Serão excluídas as mulheres com os seguintes critérios: Performance status (ECOG – Eastern Cooperative Oncology Group) > 2, que, por definição, já são pacientes com qualidade de vida comprometida (o ECOG será aplicado antes da entrevista com as pacientes); história prévia ou atual de outros cânceres ou de outras morbidades com prejuízo potencial na qualidade de vida; estar em tratamento de recidiva da doença; diagnóstico de doença mental grave ou de deficiência mental.

Os dados serão coletados entre setembro e dezembro de 2016 por meio de entrevistas e da consulta ao prontuário das pacientes. Para avaliar a qualidade de vida, será aplicado o WHOQOL-bref, desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), composto por 26 questões que abrangem os domínios físicos e psicológicos, as relações pessoais, o meio ambiente e a qualidade de vida global. Para avaliar a função sexual, serão utilizados: o Female Sexual Function Index (FSFI), instrumento de autorresposta composto por escala algorítmica que inclui seis domínios (desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor); e um instrumento elaborado especificamente para este estudo com o objetivo de obter informações sociodemográficas das participantes.

Os dados serão analisados com o auxílio do programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 10.0. Serão feitas a análise descritiva e as medidas de tendência central e de dispersão; será adotado um intervalo de confiança de 95%. O coeficiente de correlação de Pearson será utilizado na análise dos escores das dimensões do WHOQOL (domínios e perguntas sobre qualidade de vida global) e do FSFI (domínios e escore total). Será empregado o teste-t de Student para assegurar a significância estatística do coeficiente de correlação calculado. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (parecer 1.401.726).

RESULTADOS ESPERADOS

Pretende-se identificar os domínios da qualidade de vida e da função sexual mais afetados nas mulheres estudadas e identificar a(s) modalidade(s) terapêutica(s) que acarreta(m) mais prejuízo ao bem-estar da mulher após o término do tratamento. Além de proporcionar subsídios para a adequabilidade da escolha terapêutica, visando não só à cura do câncer cervical, e subsidiar processos assistenciais que minimizem os efeitos da cirurgia, da quimioterapia e da radioterapia.


REFÊRENCIAS

  1. Torre Lindsey A., Bray Freddie, Siegel Rebecca L., Ferlay Jacques, Lortet-Tieulent Joannie, Jemal Ahmedin. Global cancer statistics, 2012. CA: A Cancer Journal for Clinicians [internet]. 2015 Feb [cited 2016 Jun 18];65: 87–108. Available from: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.3322/caac.21262/full.
  2. Barbosa Isabelle Ribeiro, Souza Dyego Leandro Bezerra de, Bernal María Milagros, Costa Iris do Céu Clara. Desigualdades regionais na mortalidade por câncer de colo de útero no Brasil: tendências e projeções até o ano 2030. Ciênc. saúde coletiva [Internet]. 2016 Jan [cited 2016 Mai 12]; 21(1):253-262. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232016000100253&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015211.03662015.
  3. Soares Lima Corrêa C., Ribeiro Guerra M., Cristina Gonçalves Leite I. Qualidade de vida em mulheres submetidas a tratamento para o câncer do colo do útero: uma revisão sistemática da literatura. Femina [internet]. 2013 Mai/Jun [cited 2016 Jun 24];41. Available from: http://files.bvs.br/upload/S/01007254/2013/v41n3/a3880.pdf

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Recebido: 11/08/2015 Revisado: 02/09/2016 Aprovado: 02/09/2016