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NOTAS PRÉVIAS

Acesso de crianças em condição crônica à atenção primária: estudo exploratório descritivo


Daisy Cristina Rodrigues1, Eliane Tatsch Neves1, Leonardo Bigolin Jantsch1, Andressa da Silveira1
1Universidade Federal de Santa Maria

RESUMO

Objetivo: descrever o acesso da criança em condição crônica à atenção primária à saúde na perspectiva dos profissionais de saúde. Método: estudo exploratório e descritivo, de abordagem qualitativa. Para a coleta de dados serão realizadas entrevistas semiestruturadas com profissionais de saúde que integram as equipes de Unidades Básicas de Saúde e da Estratégia Saúde da Família no Sul do Brasil. Os dados serão tratados por meio da análise temática indutiva. Resultados esperados: espera-se contribuir com subsídios para o planejamento da assistência, possibilitando o acesso em prol da coordenação do cuidado. Além de fomentar momentos e espaços de reflexão para os profissionais de saúde participantes do estudo, os quais poderão repensar sobre suas práticas cotidianas.

Descritores: Saúde da Criança; Acesso aos Serviços de Saúde; Doença Crônica; Atenção Primária à Saúde.


SITUAÇÃO PROBLEMA E SUA SIGNIFICÂNCIA

A melhoria das condições de vida da população, o progresso tecnológico, o desenvolvimento econômico e social possibilitou diagnósticos mais precisos e terapêutica mais adequada. Esses fatores contribuíram para a redução da mortalidade infantil, propiciando o aumento da sobrevida das crianças e alterando o perfil de morbidade, caracterizada por uma tendência de declínio dos problemas agudos e de ascensão das condições crônicas(1).

A criança em condição crônica precisa ser assistida em todos os níveis de atenção à saúde. Neste sentido, a Atenção Primária à Saúde (APS) é um dos pontos de atenção essencial, componente de um sistema integrado de serviços de saúde, responsável por organizar e coordenar a interação entre todos os serviços(2).

Um dos atributos da APS é garantir o acesso universal aos serviços de saúde, acolhendo a criança e a família e promovendo vínculo da assistência às suas necessidades de saúde(3).

O acesso ao usuário é fundamentado no acolhimento, escuta qualificada e oferta de um serviço com resolutividade e responsabilização pelo acompanhamento do cuidado(3). Assim, os profissionais de saúde podem atender as demandas da criança em condição crônica, por meio do cuidado singular e integral, que só será possível realizar se essa clientela tiver acesso aos serviços.

Este estudo se justifica pela relevância em conhecer a percepção dos profissionais de saúde quanto ao acesso da criança em condição crônica, que se apresenta como uma das lacunas de conhecimento acerca da temática de pesquisa.

QUESTÃO DE PESQUISA

Como se caracteriza o acesso de crianças em condição crônica à APS na perspectiva dos profissionais de saúde?

OBJETIVO

Descrever o acesso de crianças em condição crônica à APS na perspectiva dos profissionais de saúde.

MÉTODO

Este estudo originou-se a de um projeto de pesquisa multicêntrico intitulado “Crianças com necessidades especiais de saúde em serviço de atenção básica em saúde: prevalência e acesso”, o qual está sendo desenvolvido nos municípios de Ribeirão Preto/SP, Rio de Janeiro/RJ e Santa Maria/RS.

Trata-se de estudo exploratório e descritivo, de abordagem qualitativa, cujos cenários serão as Unidades Básicas de Saúde e de Estratégia Saúde da Família (ESF) de Santa Maria/RS.

As unidades de saúde urbanas foram selecionadas a partir de sorteio realizado na Fase I do projeto multicêntrico, constituindo-se de oito unidades em Santa Maria/RS. Dar-se-á início à coleta pela primeira unidade sorteada e, assim, consecutivamente.

A população do estudo será composta por profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares em enfermagem, agentes comunitários de saúde e odontólogos) integrantes das equipes que atendam crianças.

Foi estabelecido como critério de inclusão: ser profissional de saúde atuante em uma das unidades selecionadas. E como critério de exclusão: estar ausente do trabalho por licença de qualquer natureza (gestante, doença), no período estabelecido para a coleta de dados, qual seja: abril a junho de 2016.

Serão desenvolvidas entrevistas semiestruturadas, com roteiro dividido em duas partes: (a) relacionada aos dados de formação dos profissionais de saúde, contendo questões fechadas; (b) composta por questões abertas referentes à percepção dos profissionais acerca da temática e questões elaboradas com vinhetas, oriundas de estudos sobre a percepção dos cuidadores e familiares quanto ao acesso de crianças à serviços de saúde.

As entrevistas serão realizadas em horários previamente agendados, individualmente, conforme disponibilidade. Essas terão áudio gravado com o consentimento do entrevistado, registrando integralmente a fala e assegurando material autêntico para a análise. Após, será realizada dupla transcrição independente, buscando identificar possíveis incongruências e inconsistências no material empírico. O término da realização das entrevistas será fundamentado pela densidade teórica dos dados, que se dará, por estimativa, após 30 entrevistas. Para tratamento dos dados será utilizada a análise temática indutiva, a qual encontra-se operacionalmente dividida em seis etapas: familiarização com os dados; geração dos códigos iniciais; busca por temas; revisão dos temas identificados; definição e nomeação dos temas; e elaboração do relatório final.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética nº 2.0000.5346, conforme preceitos éticos determinados na Resolução nº 466/2012.

RESULTADOS ESPERADOS

Espera-se contribuir com o planejamento da assistência, possibilitando o acesso em prol da coordenação do cuidado; fomentar espaços de reflexão para os profissionais de saúde participantes do estudo, os quais poderão repensar sobre suas práticas cotidianas; e, por fim, almeja-se subsidiar a realização de novos estudos relacionados à temática, colaborando para a construção do conhecimento em enfermagem e saúde.


REFERÊNCIAS

  1. Araújo JP, Silva RMM, Collet N, Neves ET, Toso BRGO, Viera CV. História da saúde da criança: conquistas, políticas e perspectivas. Rev Bras de Enferm [online].2014, June [Cited 2015 Ago 20]; 67 (6): 1000-07. Available from: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=267032876020
  2. Modes PSSA, Gaíva MAM. Structure of children’s basic health units: descriptive study. Online Braz J Nurs (Online) [internet]. 2013 Sept [Cited 2016 Mar 19]; 12 (2): 471-81. Available from: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/3624
  3. Finkler AL, Viera CS, Tacla MTM, Toso BRGO. The access and the difficulty in resoluteness of the child care in primary health care. Acta Paul. Enferm. [internet]. 2014 Dez [Cited 2016 Mar 20]; 27(6): 548-53. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002014000600548&lng=pt. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201400089.

Todos os autores participaram das fases dessa publicação em uma ou mais etapas a seguir, de acordo com as recomendações do International Committe of Medical Journal Editors (ICMJE, 2013): (a) participação substancial na concepção ou confecção do manuscrito ou da coleta, análise ou interpretação dos dados; (b) elaboração do trabalho ou realização de revisão crítica do conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão submetida. Todos os autores declaram para os devidos fins que são de suas responsabilidades o conteúdo relacionado a todos os aspectos do manuscrito submetido ao OBJN. Garantem que as questões relacionadas com a exatidão ou integridade de qualquer parte do artigo foram devidamente investigadas e resolvidas. Eximindo, portanto o OBJN de qualquer participação solidária em eventuais imbróglios sobre a materia em apreço. Todos os autores declaram que não possuem conflito de interesses, seja de ordem financeira ou de relacionamento, que influencie a redação e/ou interpretação dos achados. Essa declaração foi assinada digitalmente por todos os autores conforme recomendação do ICMJE, cujo modelo está disponível em http://www.objnursing.uff.br/normas/DUDE_final_13-06-2013.pdf

Recebido: 24/03/2016 Revisado: 24/05/2016 Aprovado: 24/05/2016





 

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