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NOTAS PRÉVIAS

 

Risco de olho seco em unidade de terapia intensiva: estudo transversal

 


Jéssica Naiara de Medeiros Araújo1, Ana Paula Nunes de Lima Fernandes1, Fabiane Rocha Botarelli1, Vanessa Gabrielle Neves Câmara1, Marcos Antonio Ferreira Júnior1, Allyne Fortes Vitor1

1Universidade Federal do Rio Grande do Norte

 


RESUMO
Objetivo: Avaliar o Diagnóstico de Enfermagem Risco de olho seco da NANDA-Internacional em pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Método: Trata-se de um estudo transversal que será realizado na UTI de adultos em um hospital universitário do estado do Rio Grande do Norte. Para coleta de dados será utilizado um instrumento dividido em duas partes. A primeira destina-se ao levantamento de variáveis relacionadas aos dados sociodemográficos e clínicos e a segunda conterá os fatores de risco do diagnóstico de enfermagem em estudo. Para análise dos dados será utilizado o Statistical Package for Social Sciences para cálculo do coeficiente Kappa, frequências, medidas do centro da distribuição e suas variabilidades, Qui-quadrado ou Fisher e a razão de prevalência. Este estudo obteve parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Descritores: Enfermagem; Processos de Enfermagem; Diagnóstico de Enfermagem; Síndromes do Olho Seco; Unidades de Terapia Intensiva.


 

SITUAÇÃO PROBLEMA E SUA SIGNIFICÂNCIA

O Diagnóstico de Enfermagem (DE) define-se como julgamento clínico das respostas do indivíduo, família ou comunidade a problemas de saúde ou processos vitais reais/potenciais. Neste contexto, compreende-se o DE Risco de olho seco como vulnerabilidade a desconforto ocular ou dano à córnea e à conjuntiva devido à quantidade reduzida ou à qualidade das lágrimas para hidratar o olho, que pode comprometer a saúde(1).

A execução de ações específicas direcionadas a este DE apresenta estimada relevância ao entender que o olho seco pode ocasionar como consequências ulceração ou perfuração da córnea, e acarretar um dano potencial ao paciente, com subsequente redução da qualidade de vida. Estudo comprovou uma incidência de 59,4% de lesões oculares associadas ao olho seco(2).
Pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentam risco elevado para o desenvolvimento do olho seco, por apresentarem condições clínicas graves que requerem assistência ventilatória mecânica e sedação como métodos para garantir a manutenção da vida e, portanto, estão propensos a perderem seus mecanismos naturais de proteção ocular(3).

 

QUESTÕES NORTEADORAS

Qual a prevalência do DE Risco de olho seco em pacientes internados em UTI? Qual a prevalência e a razão de prevalência dos fatores de risco? Existe relação entre as variáveis clínicas e sociodemográficas com o DE Risco de olho seco e seus respectivos fatores de risco em pacientes internados na UTI?

 

OBJETIVO


Geral

Avaliar o DE Risco de olho seco da taxonomia NANDA-Internacional em pacientes internados em UTI.

 

Específicos

  • Identificar a prevalência do DE Risco de olho seco em pacientes internados na UTI;
  • Identificar a prevalência e a razão de prevalência dos fatores de risco para o DE Risco de olho seco em pacientes internados na UTI;
  • Verificar a relação entre as variáveis clínicas e sociodemográficas com o DE Risco de olho seco em pacientes internados na unidade de terapia intensiva e seus respectivos fatores de risco.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal com abordagem quantitativa que será realizado na UTI de adultos de um hospital universitário de referência do estado do Rio Grande do Norte, que possui 19 leitos. O cálculo amostral para população finita será estabelecido após realização de um estudo piloto com 30 pacientes. Após aplicação da fórmula, serão acrescidos 20% para as possíveis perdas e, por fim, estabelecido o número amostral final. Segundo determinado, os pacientes deverão atender aos seguintes critérios de inclusão: estarem internados na UTI do referido hospital; terem idade igual ou superior a 18 anos e não possuírem danos oculares no momento da coleta de dados. Como critérios de exclusão, estabeleceu-se: pacientes que apresentem situações de emergência com risco de morte durante a coleta de dados.

A coleta de dados será realizada no primeiro semestre de 2016 com uso de um instrumento dividido em duas partes, a saber: a primeira destina-se ao levantamento de variáveis relacionadas aos dados sociodemográficos e clínicos, e a segunda conterá os fatores de risco do DE Risco de olho seco descritos na taxonomia II da NANDA-Internacional(1), na qual o pesquisador irá identificar se os fatores descritos estão presentes ou ausentes nos sujeitos da pesquisa, além de um breve exame físico geral e específico do olho.

Para cada participante avaliado será criada uma planilha e um resumo dos históricos de enfermagem atual e pregressos, a qual conterá a presença ou ausência dos fatores de risco, assim como dados complementares com o intuito de descrever aspectos de cada fator. A inferência quanto à presença do DE Risco de olho seco nos pacientes avaliados será realizada por um par de enfermeiros diagnosticadores com experiência em julgamento diagnóstico e em UTI.

Para análise dos dados será utilizado o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão temporária 20.0. Será utilizado o Coeficiente Kappa para descrever e testar o grau de concordância na classificação dos enfermeiros diagnosticadores. Para a análise descritiva serão consideradas as frequências, medidas do centro da distribuição e suas variabilidades. Para medidas associativas dos dados categóricos será utilizado o Qui-quadrado ou teste exato de Fisher. A magnitude da associação será verificada por meio da razão de prevalência, a um nível de significância de 95%. Em todos os testes será adotado um nível de significância de 5% (α=0,05).

Este estudo obteve parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) sob número 918.510, conforme a resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

 

REFERÊNCIAS

1. Herdman TH, Kamitsuru S. NANDA International Nursing Diagnoses: Definitions & Classification 2015–2017. Oxford: Wiley Blackwell; 2014.

2. Werli-Alvarenga A, Ercole FF, Botoni FA, Oliveira JADMM, Chianca TCM. Corneal injuries: incidence and risk factors in the Intensive Care Unit. Rev Latino-Am Enfermagem [ Online ]. 2011 [ Cited 2015 Feb 10 ] 19(5). Available from: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v19n5/pt_05.pdf. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692011000500005

3. Grixti A, Sadri M, Edgar J, Datta AV. Common ocular surface disorders in patients in intensive care units. The ocular surface [ Online ]. 2012 [ Cited 2015 Feb 12 ] 10(1):26-42. Available from: http://ac.els-cdn.com/S1542012412000043/1-s2.0-S1542012412000043-main.pdf?_tid=2d169b80-41f5-11e5-9499-00000aacb360&acdnat=1439495878_a346479785a90e21f766a3b2690893bd. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.jtos.2011.10.001

 

 

Todos os autores participaram das fases dessa publicação em uma ou mais etapas a seguir, de acordo com as recomendações do International Committe of Medical Journal Editors (ICMJE, 2013): (a) participação substancial na concepção ou confecção do manuscrito ou da coleta, análise ou interpretação dos dados; (b) elaboração do trabalho ou realização de revisão crítica do conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão submetida. Todos os autores declaram para os devidos fins que são de suas responsabilidades o conteúdo relacionado a todos os aspectos do manuscrito submetido ao OBJN. Garantem que as questões relacionadas com a exatidão ou integridade de qualquer parte do artigo foram devidamente investigadas e resolvidas. Eximindo, portanto o OBJN de qualquer participação solidária em eventuais imbróglios sobre a matéria em apreço. Todos os autores declaram que não possuem conflito de interesses, seja de ordem financeira ou de relacionamento, que influencie a redação e/ou interpretação dos achados. Essa declaração foi assinada digitalmente por todos os autores conforme recomendação do ICMJE, cujo modelo está disponível emhttp://www. objnursing.uff.br/normas/DUDE_final_13-06-2013.pdf

 

 

Recebido: 19/08/2015
Revisado: 18/09/2015
Aprovado: 11/11/2015