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NOTAS PRÉVIAS

 

Formação de grupo com adolescentes hospitalizados que enfrentam doença crônica: estudo descritivo

 

Jussara da Silva Costa1, Mauro Leonardo Salvador Caldeira dos Santos1

1Universidade Federal Fluminense

 


RESUMO
Trata-se de projeto de dissertação do Mestrado Profissional em Enfermagem Assistencial da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa/Universidade Federal Fluminense. Seu objeto de estudo são as mudanças sofridas no cotidiano do adolescente hospitalizado com doença crônica não transmissível (DCNT).
Objetivos: analisar o processo de formação de grupo de escuta com adolescentes hospitalizados com DCNT como tecnologia de cuidado de enfermagem; identificar mudanças ocorridas no cotidiano do adolescente produzida pelo impacto do diagnóstico, da terapêutica e da hospitalização; discutir as estratégias utilizadas para o enfrentamento da doença.

Método: estudo descritivo exploratório, que será realizado em hospital universitário de Niterói (RJ), com adolescentes hospitalizados com DCNT. A coleta de dados acontecerá por meio da conformação de grupos com no mínimo dois participantes, norteados por roteiro de perguntas. Os dados serão tratados por análise temática de conteúdo.
Descritores: Adolescente Hospitalizado; Doença Crônica; Enfermagem; Grupos de Apoio.


 

SITUAÇAO PROBLEMA E SUA SIGNIFICÂNCIA

A doença crônica não transmissível (DCNT) na adolescência gera mudanças no cotidiano: tratamento, internações, sofrimento, limitações. A terapêutica pode ser prolongada; há contato com a dor; procedimentos invasivos; separação da rotina diária, família e escola; mudanças na autoimagem que podem gerar medo, insegurança, apatia, revolta e negação. O adolescente costuma viver para o presente e adaptar-se a essa nova condição pode ser complexo; por isso é importante trazê-lo à compreensão da nova realidade(1). Nos últimos 30 anos os avanços tecnológicos têm proporcionado um aumento da sobrevida e da qualidade de vida de pessoas com DCNT. Em países desenvolvidos, estima-se que 10 a 20% de todas as crianças e adolescentes sejam portadoras de alguma DCNT e que mais de 85% sobrevivam até a adolescência.

juventude é, em termos de conjuntura, multifacetada. São muitas adolescências, influenciadas por seus diferentes processos de desenvolvimento e formação. O meio sociocultural, crenças, valores, costumes - ou seja, a cultura evidencia-se como um fator determinante na forma como o adolescente se percebe, se relaciona com os outros e guia sua vida rumo à fase adulta(2). Quando as atividades de grupo são desenvolvidas de forma correta em ambientes e relações saudáveis constituem ferramentas potencializadoras de um trabalho mais produtivo, pode-se constituir um momento único para o paciente esclarecer dúvidas e compartilhar experiências. É um local privilegiado para troca e expressão da individualidade, mudanças e crescimento. Nesse sentido, atenção especial deve ser dada ao movimento do grupo por meio de uma escuta qualificada de suas necessidades expressas ou latentes, promovendo o espaço de aprendizado, apoio e fortalecimento(3).

 

QUESTÕES NORTEADORAS

Quais as mudanças sofridas no cotidiano do adolescente com DCNT hospitalizado?
Como é para o adolescente estar hospitalizado com uma DCNT?
Como o adolescente enfrenta a hospitalização modificando seu cotidiano?

 

OBJETIVOS

Geral

Analisar o processo de formação do grupo de escuta com adolescentes hospitalizados com DCNT como tecnologia de cuidado de enfermagem.

Específicos

  • Identificar as mudanças no cotidiano do adolescente hospitalizado com DCNT produzida pelo impacto do diagnóstico, da terapêutica e da hospitalização;
  • Discutir as estratégias de enfrentamentos utilizadas pelo adolescente hospitalizado com DCNT.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e com abordagem qualitativa do tipo pesquisa-ação. Será realizado em um hospital universitário no município de Niterói (RJ), na enfermaria de pediatria que tem um total de 15 leitos, onde seis são para crianças entre 7 e 16 anos. Os sujeitos serão adolescentes hospitalizados com DCNT com no mínimo uma internação anterior, idade entre 12 e 16 anos (faixa etária com maior capacidade de se expressar e relatar sua experiência), ambos os sexos, sem prévia opção por nenhuma DCNT por parte dos pesquisadores. Excluem-se os que estiverem restritos ao leito.

Na primeira etapa da metodologia, será realizado um levantamento sobre as internações dos adolescentes no período de três anos (2010 a 2013) com a finalidade de conhecer o perfil dessa clientela.

Tais dados coletados estarão no livro de registro do setor. Posteriormente serão realizados cinco encontros com no mínimo dois participantes para conformação de grupo. As reuniões acontecerão no período da tarde, com duração de uma hora e início em maio de 2014.

A coleta de dados se dará a partir da leitura de um roteiro de perguntas pré-estabelecidas. O grupo terá quatro etapas, a saber:

1) Acolhimento: ao iniciar o grupo, a coordenadora (pesquisadora) faz as apresentações;
2) Método: esclarecimento sobre o processo de formação do grupo, os objetivos e a dinâmica;
3) Imersão: perguntas sobre como os adolescentes pensam e sentem a mudança que a internação causa em seu cotidiano;
4) Avaliação: término do grupo e relatos sobre a técnica. Haverá um relator, que fará as anotações das informações não verbais em um diário de campo; as conversas serão gravadas e transcritas na íntegra.

As reuniões acontecerão em um ambiente reservado, calmo, livre de ruídos externos. A disposição do grupo será, de preferência, em círculo, para que todos possam se olhar. Para análise dos dados, será empregada análise de conteúdo temática, cujas etapas são pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. Ao final de cada reunião será distribuído um questionário para avaliação do grupo e de sua participação. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário Antônio Pedro sob o parecer número 611.195 em 10/04/2014.

 

REFERÊNCIAS

1. Araújo YB, Collet N, Gomes IP, Amador DD. Saberes e experiências de adolescentes hospitalizados com doença crônica. Rev. enferm UERJ. 2011 abr/jun; 19(2):274-9.

2. Beretta LL, Santos MLSC, Fuly PSC, Quintanilha BMD, Aquino JHW. Resilience in adolescents suffering from non-communicable diseases: a cross-sectional study. Online braz j nurs [ Internet ]. 2013 Dec [ cited 2014 Sep 1 ] 12(4):953-63 Available from: http://www.objnursing.uff.br//index.php/nursing/article/view/4481/html_27 

3. Munari DB, Lucchesse R, Medeiros M. Reflexões sobre o uso de atividades grupais a portadores de doença crônica. Cienc Cuid Saude. 2009; 8 (supl): 148–154.

 

 

Todos os autores participaram das fases dessa publicação em uma ou mais etapas a seguir, de acordo com as recomendações do International Committe of Medical Journal Editors (ICMJE, 2013): (a) participação substancial na concepção ou confecção do manuscrito ou da coleta, análise ou interpretação dos dados; (b) elaboração do trabalho ou realização de revisão crítica do conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão submetida. Todos os autores declaram para os devidos fins que são de suas responsabilidades o conteúdo relacionado a todos os aspectos do manuscrito submetido ao OBJN. Garantem que as questões relacionadas com a exatidão ou integridade de qualquer parte do artigo foram devidamente investigadas e resolvidas. Eximindo, portanto o OBJN de qualquer participação solidária em eventuais imbróglios sobre a materia em apreço. Todos os autores declaram que não possuem conflito de interesses, seja de ordem financeira ou de relacionamento, que influencie a redação e/ou interpretação dos achados. Essa declaração foi assinada digitalmente por todos os autores conforme recomendação do ICMJE, cujo modelo está disponível em http://www.objnursing.uff.br/normas/DUDE_final_13-06-2013.pdf

 

 

Recebido:12/08/2014
Revisado: 24/09/2014
Aprovado: 26/09/2014