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NOTAS PRÉVIAS

 

 

Preceptoria de enfermagem na atenção básica: questão de competências – estudo exploratório descritivo

 

 


Fabiana Silva Marins Nazareno Cosme1, Geilsa Soraia Cavalcanti Valente1


1Universidade Federal Fluminense

 


RESUMO
Projeto de dissertação de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Universidade Federal Fluminense. Objetivos: descrever a percepção do preceptor, na atenção básica, quanto ao seu papel na formação de graduandos; identificar as competências que o preceptor necessita para desenvolver e para atuar efetivamente; analisar as estratégias utilizadas, pelo preceptor, na formação de graduandos; elaborar um instrumento educativo que aborde as competências e estratégias didático-pedagógicas. Método: Pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, com análise segundo perspectiva dialética e análise/discussão, dos conteúdos com base na análise temática de Minayo. Cenário: unidade básica de saúde do município de Niterói. Sujeitos: 15 enfermeiros que exercem preceptoria há pelo menos dois meses. Os aspectos éticos serão respeitados conforme a resolução 196/96, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFF, nº CAAE: 2519512.0.0000.5243/12.
Palavras-chave: Tutoria; Educação baseada em competências; Educação em enfermagem; Atenção Primária à Saúde.


 

SITUAÇÃO PROBLEMA E SUA SIGNIFICÂNCIA

O processo de mudança de paradigma, no Sistema de Saúde brasileiro, do modelo curativista para um modelo de produção social baseado na saúde, em seu conceito mais ampliado, preconizado pela Lei Orgânica do SUS (8.080/90), refletiu em mudanças nos modelos educacionais vigentes, demandando metodologias mais ativas. No cenário da educação tem-se como importantes eventos a promulgação da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN-9394/96) e, por conseguinte, a formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN’s) da Graduação em Enfermagem, com proposta para a formação de profissionais mais críticos-reflexivos. Diante das ações implementadas desde a graduação, após uma situação de aprendizado efetivo, aumenta-se as possibilidades de construção de pensamentos críticos-reflexivos(1). Com base nos documentos mencionados fica evidente a responsabilidade da educação superior em formar profissionais competentes que possam atuar no processo de transformação da sociedade. Nesta perspectiva entende-se o conceito de Extensão como processo educativo e científico que produz conhecimento. Mas não qualquer conhecimento e sim  um conhecimento que viabiliza a relação transformadora entre a universidade e a sociedade de forma interativa(2). Para que a formação de profissionais com tais competências seja uma realidade é preciso que aconteça no próprio cotidiano do trabalho, com acompanhamento do profissional do serviço de saúde (preceptor) em parceria com a academia, conforme previsto no parecer 314/94 e posteriormente ratificada na DCN/01. Para tanto, o preceptor precisa entender seu importante papel neste contexto, atentando para o desenvolvimento e/ou aprimoramento de competências. Entende-se competência como aquisição bem-sucedida da habilidade em três domínios: técnico, interpessoal e de pensamento crítico(3). Para que o preceptor desenvolva competências consonantes com as demandas atuais, contribuindo para a formação, é necessário que otimize suas habilidades para solucionar, com pertinência, uma série de situações que estão ligadas a contextos culturais, profissionais, condições sociais e políticas. Tem que haver um esforço conjunto dos atores envolvidos neste processo (aluno, preceptor, academia, gestores e usuários) no sentido de construírem espaços e/ou instrumentos de discussão desta prática. Nesta perspectiva, a partir da minha experiência no exercício da preceptoria, há dois anos, na atenção básica, percebi, empiricamente, que a maioria dos preceptores não discute, a contento, suas competências e limitações. Portanto, o estudo parte do pressuposto que a maioria dos preceptores se vê com a responsabilidade prioritária de passar técnicas e rotinas, sem necessariamente, se preocupar com a aquisição de competências necessárias para avaliar, criticamente, se a sua atuação está sendo efetiva. Logo, o objeto de estudo proposto são as competências necessárias ao preceptor para o exercício efetivo da preceptoria.

 

QUESTÕES NORTEADORAS

Qual é a percepção do preceptor quanto ao seu papel na formação do graduando de enfermagem? Que competências o preceptor necessita adquirir e desenvolver para atuar na formação de graduandos de enfermagem? Quais são as estratégias didático-pedagógicas, utilizadas pelo preceptor, para facilitar o processo de ensino-aprendizagem dos graduandos de enfermagem?

 

OBJETIVOS

Descrever a percepção do preceptor quanto ao seu papel na formação de graduandos de enfermagem, identificar as competências que o preceptor necessita adquirir e desenvolver para atuar na formação de graduandos de enfermagem, analisar as estratégias, utilizadas pelo preceptor, na formação de graduandos de enfermagem e elaborar um material instrutivo sobre competências e estratégias, didático-pedagógicas, que subsidiem a prática reflexiva da preceptoria de graduandos de enfermagem no SUS.

 

METODO

Pesquisa de natureza qualitativa, exploratória e descritiva com análise segundo perspectiva dialética. Os sujeitos serão 15 enfermeiros que exercem preceptoria há pelo menos dois meses, que é o tempo mínimo para acompanhar pelo menos um grupo de graduandos. Não participarão da pesquisa os preceptores que verbalizaram desinteresse. O Cenário será uma unidade de atenção básica do município de Niterói. As técnicas de coleta serão entrevista semiestruturada e uma oficina. Os instrumentos utilizados serão roteiro semiestruturado com perguntas abertas para a entrevista e roteiro semiestruturado com abordagem problematizadora para a condução da oficina. Nos roteiros constam perguntas abertas e abordagens sobre: a identificação dos preceptores com relação aos dados pessoais, formação e experiências profissionais/docência; a percepção do preceptor de enfermagem sobre seu papel e suas competências; as habilidades pertinentes ao processo de ensino-aprendizagem e a identificação de  possíveis fatores interferentes em sua prática. A análise de conteúdos será feita com base na análise temática de Minayo. Questões éticas: Aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da UFF. CAAE: 2519512.0.0000.5243/12. Nº do Parecer 31643.

 

REFERÊNCIAS

1. Saraiva R, Rosas A, Rodrigues B, Domingos A, Cardoso M, Valente GSC. Intentional action of nursing education of consultation: phenomenological study. Online braz j nurs [ serial in the Internet ]. 2012 [ Cited 2012 July 1 ] 11(1): 157-66. Available from: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/3518

2. Freire P. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. 36ª ed. São Paulo: Paz e Terra; 2007.

3. Koloroutis M. Cuidado Baseado no Relacionamento: Um modelo para Transformação da Prática. São Paulo: Atheneu; 2012. 

 

 

Dados do Projeto:
Projeto de dissertação do Programa de Mestrado Profissional de Ensino na Saúde da UFF. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFF, nº CAAE: 2519512.0.0000.5243/12.
Orientadora: Geilsa Soraia Cavalcanti Valente
Contato: fabianasrm_psf@yahoo.com.br

 

Recebido: 16/07/2012
Aprovado: 11/09/2012