Entrevista como técnica de pesquisa qualitativa

Grazielle Roberta Freitas Silva, Kátia Nêyla de Freitas Macêdo, Cristiana Brasil de Almeida Rebouças, Ângela Maria Alves e Souza

RESUMO: São muitas as técnicas de coleta de dados em pesquisa qualitativa com vistas a apreender aspectos da subjetividade dos sujeitos participantes. Como as mais conhecidas, podem sere mencionadas a observação participante, a história de vida, a história oral e a entrevista. Tais técnicas favorecem a intervenção dos agentes na realidade dos entrevistados e criam condições de transformar os contextos estudados. Este estudo teve como objetivo refletir sobre a técnica de entrevista a partir de um levantamento bibliográfico, em virtude da sua importância como instrumento de coleta de dados na pesquisa qualitativa. Elaboraram-se dois quadros: o primeiro referente aos principais autores estudados nessa área e o segundo onde se sintetizam os aspectos mais relevantes sobre a temática. Em relação à entrevista, quase todos os autores reconhecem que ultrapassa os limites de uma técnica. Na pesquisa qualitativa, onde o pesquisador ocupa-se mais da profundidade do objeto de estudo, a entrevista é um instrumento indispensável, pois pode facilitar a compreensão detalhada das crenças, sentimentos, atitudes e valores.

Palavras-chave: entrevista; coleta de dados; pesquisa qualitativa.

 Entrevista como técnica de investigación cualitativa

 Resumen: Son muchas las técnicas de colecta de datos en investigación cualitativa  que objetiva aprehender aspectos de la subjetividad de los sujetos participantes. Se pueden mencionar como las más conocidas, la observación participante, la historia de vida, la historial oral y la entrevista. Esas técnicas favorecen la intervención de los agentes en la realidad de los entrevistados y crean condiciones de cambiar los contextos estudiados. Este estudio tuvo como objetivo reflejar sobre la técnica de entrevista a partir de un levantamiento bibliográfico, donde se la considero una importante herrarmienta de colecta de datos en la investigación cualitativa. Se elaboraron dos cuadros: el primer referente a los principales autores estudiados en esa área y el segundo donde se sintetizan los aspectos más importantes sobre la temática. Al se tratar de entrevista, case todos los autores reconocen que ultrapasa los límites de una técnica. La investigación cualitativa, donde el investigador se ocupa más de la profundidad del objeto de estudio, la entrevista es una herrarmienta indispensable, pues puede facilitar la comprensión detallada de las creencias, sentimientos, actitudes y valores.

Palabras clave: entrevista; recolección de datos ; investigación cualitativa  

 PERSPECTIVAS DA PESQUISA QUALITATIVA

No paradigma qualitativo a realidade é construída a partir do quadro referencial dos próprios sujeitos do estudo, mas cabe ao pesquisador decifrar o significado da ação humana, e não apenas em descrever comportamentos (1). As características da pesquisa qualitativa são peculiares: há imersão do pesquisador nas circunstâncias e no contexto da pesquisa, o reconhecimento dos atores sociais como sujeitos que produzem conhecimentos e práticas; os resultados como fruto de um trabalho coletivo resultante da dinâmica entre pesquisador e pesquisado; a aceitação de todos os fenômenos como igualmente importantes e preciosos: a constância e a ocasionalidade, a freqüência e a interrupção, a fala e o silêncio, as revelações e os ocultamentos, a continuidade e a ruptura, o significado manifesto e o que permanece oculto (2).

Nesse tipo de pesquisa,  são inúmeros os métodos de coleta de dados. Entre estes, citam-se como as mais conhecidas as seguintes: a observação participante, a história de vida, a história oral e as entrevistas, as quais captam a subjetividade dos participantes, favorecem a intervenção dos agentes em sua realidade ou criam condições de transformar os contextos estudados. Pelo fato de a natureza do objeto do estudo exigir interação entre pesquisador e pesquisado para contextualizar as experiências, vivências, sentidos, utiliza-se a entrevista como uma técnica especial para a coleta de informações diretas dos sujeitos investigados.

A entrevista qualitativa fornece dados básicos para a compreensão das relações entre os atores sociais e o fenômeno, tendo como objetivo a compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivações, em relação aos comportamentos das pessoas em contextos específicos(3,4). Assim, este artigo tem por objetivo realizar um estudo bibliográfico sobre a técnica de entrevista como um importante instrumento na coleta de dados na pesquisa qualitativa e como um instrumento de reflexão para aqueles que a utilizam como técnica de coleta.

A ENTREVISTA: INSTRUMENTO NA PESQUISA QUALITATIVA

O termo entrevista advém dos radicais latinos inter e videre, e pode-se entendê-lo etimologicamente como “entre olhos”, “no meio dos olhares”, “dar uma olhada”, “ver-se mutuamente”, “ver juntos”, situações observáveis numa relação de entrevista pessoal (5).  Trata-se de um instrumento precioso de conhecimento interpessoal(6), facilitando, no encontro face a face, a apreensão de uma série de fenômenos, de elementos de identificação e de construção potencial do todo do entrevistado e, de certo modo, também do entrevistador (5). Na visão de Silveira (7), a entrevista é apresentada como evento discursivo complexo que ocorre entre entrevistador e entrevistado por meio de imagens, representações, situações, expectativas que circulam no momento e situação de realização da entrevista assim como na escuta e na análise desta. Para a psicologia, a entrevista é definida como instrumento de investigação no qual se sublinha a função de relacionamento. Seu objetivo é auxiliar o entrevistado que pode vir livremente, procurando ajuda(8).

É preciso não confundir entrevista com qeustionário, pois são duas técnicas distintas. Portanto, há diferença entre questionário e entrevista(9). Lobiondo-Wood & Haber(10) definem entrevista como instrumentos escritos e planejados para reunir dados de indivíduos a respeito de conhecimento, atitudes, crenças e sentimentos. Se comparada com questionário, outra técnica de largo emprego nas ciências sociais, apresenta certas vantagens: não exige que a pessoa entrevistada saiba ler e escrever; possibilita a obtenção de maior número de respostas, embora seja mais fácil deixar de responder a um questionário do que se negar a ser entrevistado; oferece flexibilidade muito maior, pois o entrevistador pode esclarecer o significado das perguntas e adaptar-se mais facilmente às pessoas e às circunstâncias nas quais se desenvolve a entrevista; possibilita captar a expressão corporal do entrevistado, bem como a tonalidade de voz e ênfase nas respostas.

Na pesquisa qualitativa as entrevistas podem ser de vários tipos, constituindo um espectro variável desde uma conversa informal até um roteiro padronizado. O grau de formalidade deve ser definido conforme os objetivos da pesquisa, de acordo com o tema a ser tratado e, sobretudo, tendo em vista o que é apropriado culturalmente para o grupo pesquisado. Além disso, uma mesma pesquisa pode conter vários tipos de entrevista. Outros aspectos importantes são os seguintes: a exposição clara dos objetivos da pesquisa, porque são eles que vão definir quem entrevistar; o conteúdo das entrevistas; o número de pessoas entrevistadas; os números de entrevistas com cada informante; e, finalmente, o tipo de entrevista apropriado para cada caso .

TIPOS DE ENTREVISTA

Para sistematizar a compreensão sobre os tipos de entrevista na pesquisa qualitativa, elaborou-se o Quadro 1, onde constam cronologicamente o tipo e as características da sua tipologia.

Quadro 1- Quadro resumo dos tipos de entrevista para a utilização, com suas respectivas classificações e características segundo seus autores. 

AUTORES

TIPOS DE ENTREVISTAS

CARACTERÍSTICAS

 

 Lüdke e  André  (11)

Não estruturada ou não padronizada

Segue um roteiro com perguntas feitas a todos os entrevistados de maneira idêntica e na mesma ordem.

Estruturada ou padronizada

É usada quando se visa à obtenção de resultados uniformes.

 

  Thiollent (12)

Dirigida, diretiva ou padronizada

Utiliza as mesmas perguntas fechadas, livres e de múltipla escolha para os mesmos entrevisados.

Não dirigida, não diretiva ou não padronizada

O entrevistado é que detêm a atitude de exploração.

 

 

 Queiroz (13)

Rigorosamente orientada

Diálogo no qual o informante não tem a liberdade de conduzir a conversa.

Com roteiro ou semi-orientado

De tempos em tempos efetua uma intervenção para trazer o informante aos assuntos que se pretende investigar.

Realmente livre

O pesquisador depois de um breve diálogo limita ao máximo suas intervenções.

 Chizzotti  (2)

Não diretiva

Baseada no discurso livre do entrevistado.

 

 Rubbin e Rubbin (14)

Estruturada

Perguntas específicas

Não estruturada

Um tema determinado.

Mista

Estruturada+Não estruturada

História oral

Verbaliza um acontecimento específico.

História de vida

Instigado a dissertar assunto presente, atual da vida.

 

 

 

 

 Gauthier (15)

 

Dirigida ou padronizada

Roteiro com perguntas fechadas e diretas, a fim de evitar desvios do entrevistado. Ordem de perguntas preestabelecida.

 

Semi-estruturada

Também de ordem preestabelecida. Além  de ter perguntas fechada e diretas, inclui um número pequeno de perguntas abertas, dando liberdade ao entrevistado.

Guiada, centralizada ou focalizada

Usa um guia com temas a serem pesquisados.

Não diretiva, não dirigida ou aprofundada

 No início é estimulada.

Clínica

Objetiva interpretação sociopsicológica. Mais utilizada na psicologia e psiquiatria.

   Boguchwal e Ferraz  (6)

Livre ou não estruturada

Discurso espontâneo.

Semidirigida ou semi-estruturada

Especificação de assunto.

Fechada ou estruturada

Altamente padronizada.

 

 

 

Gil (9)

Informal

Menos estruturada. Distingue-se da simples conversação porque o objetivo é a coleta de dados.

Focalizada

O entrevistado fala livremente, enfoca um tema específico.

Por pautas

Guia-se por uma relação de pontos de interesse que o entrevistador vai explorando.

Estruturada

Relação fixa de perguntas, invariável para todos os entrevistados.

Santos (16)

Estruturada ou padronizada

As perguntas são as mesmas para todos os entrevistados, garantindo maior controle nas respostas.

Não estruturada

Não obedece a qualquer tipo de roteiro preestabelecido.

Lobiondo-Wood e Haber (10)

Face a face

 Destinada a obter informações mais pessoais.

Por telefone

Alcança número maior de pessoas.

 

Ao se observar o Quadro I, é possível perceber a evolução dos tipos de entrevista seguindo os anos em que foram publicados e de acordo com seus autores. Lüdke e André (11) são um dos primeiros estudiosos a discutir sobre entrevista na pesquisa qualitativa. A seguir menciona-se Thiollent (12). Segundo ele, é o entrevistado quem tem o controle da atitude de exploração da entrevista. A próxima publicação sobre a temática é referida por Queiroz (13) ao incluir o uso do gravador durante a entrevista, facilitando o registo dos dados. A autora acrescenta mais uma forma de entrevista, a livre. Nesse caso, o entrevistado torna-se o centro da condução da entrevista. Chizzotti (2) também se dedica ao estudo da entrevista e traz a novidade desta como uma abordagem clínica, com aplicação não só na pesquisa, mas na atuação de terapeutas em consultórios e/ou atendimentos individuais, assim como Benjamin (8), que focaliza a entrevista como uma relação de ajuda para o entrevistador e entrevistado. Rubbin e Rubbin (14) acrescentaram três novas modalidades de entrevistas, além da estruturada e da não estruturada, quais sejam: a mista, que integra as duas anteriores, a história oral contada, constante de partes ou fases da vida de uma pessoa exposta por ela ou por outro, e a história de vida, na qual o foco se centra em uma biografia. 

Seguindo a evolução cronológica, Gauthier (15) inova com outros nomes o que já havia sido descrito como aprofundamento para a entrevista não diretiva.  A seguir, vêm Boguchwal e Ferraz (6), que apenas confirmam e modificam alguns termos existentes. À não estruturada, eles denominam de livre e à estruturada eles chamam de fechada. Gil (9) acrescenta duas terminologias: entrevista informal e por pauta. Outro estudioso, Santos (16) também se dedica ao assunto, mas apenas referencia o que já havia sido escrito e  Lobiondo-Wood e Haber (10) trazem o acrescímo da entrevista por telefone.

Conforme se pode observar, a seu modo, cada um destes autores traz a sua contribuição quanto aos tipos e utilização de entrevista. Lüdke e André (11), Thiollent (12), Queiroz (13), Rubbin e Rubbin (14), Gauthier (15), Boguchwal e Ferraz (6) e Santos (16) convergem quando relacionam os tipos de entrevista em estruturada, não estruturada ou semi-estruturada. Mas Queiroz (13) adota outra denominação para a mesma tipologia. Gauthier (15) ainda acrescenta os tipos guiada e clínica até então, não mencionados. Já Rubbin e Rubbin (14) incluíram os tipos mista, história oral e história de vida.

No entanto, Chizzotti (2) cita apenas a não diretiva. Conforme mostra o Quadro 1, apenas este autor apresenta esta denominação para os tipos de entrevista. Outras denominações são propostas por Gil (9): informal, focalizada, por pautas e estruturada. Finalmente, Lobiondo-Wood e Haber (10) citam face a face e por telefone.

Como ressaltado, há vários tipos de entrevistas qualitativas: entrevista estruturada (o pesquisador faz perguntas específicas, deixando que o sujeito responda com o próprio vocabulário); entrevista não estruturada (o pesquisador determina o tema pedindo que o entrevistado relate a visão dele podendo introduzir outros tópicos de interesse ao longo da conversa); entrevista semi-estruturada (o pesquisador utiliza um roteiro com perguntas fechadas, porém inclui um pequeno número de perguntas abertas e deixa o entrevistado livre para falar). As não estruturadas são mais utilizadas sobretudo no início da coleta de dados, quando o pesquisador não tem clareza de alguns aspectos específicos do entrevistado. Este tipo de entrevista pode ser complementado com a semi-estruturada, também denominada de entrevista mista, variável entre semi-estruturada e não estruturada (4).

De acordo com Lobiondo-Wood e Haber (10), as entrevistas podem ser face a face ou por telefone, e podem se constituir de perguntas dissertativas ou de múltipla escolha. As entrevistas face a face são as mais usadas quando o pesquisador precisa esclarecer a tarefa para a pessoa que responde ou quando está interessado em obter mais informações pessoais do respondente. Entrevistas por telefone não só permitem ao pesquisador alcançar mais pessoas para responder como propiciam mais clareza do que os questionários (10).

Cada uma dessas entrevistas possui características e finalidades específicas. Na entrevista não estruturada ou não padronizada, por exemplo, o entrevistador tem de seguir muito de perto um roteiro de perguntas feitas a todos os entrevistados de maneira idêntica e na mesma ordem; é uma situação muito próxima da aplicação de um questionário, com a vantagem óbvia de se ter o entrevistador presente para algum eventual esclarecimento. Já a estruturada ou padronizada é adotada quando se visa à obtenção de resultados uniformes entre os entrevistados, permitindo assim uma comparação imediata, em geral, mediante tratamentos estatísticos (11).

Quanto à entrevista não diretiva, não dirigida ou aprofundada é iniciada a partir de uma conversação sobre um tema geral não estruturado pelo entrevistador. Este tem a função de facilitador e cooperador, orientando e estimulando o entrevistado no sentido de precisar, desenvolver e aprofundar aspectos expostos espontaneamente por ele. O entrevistado desenvolve opiniões e informações conforme a própria conveniência e espontaneidade, expressando seu sentimento. Destaca-se, ainda, a entrevista clínica. Essa modalidade de entrevista é a mais utilizada na área da psicologia e da psiquiatria, que não é foco desse estudo (15).

A dirigida ou padronizada é estruturada a partir de um roteiro e uma ordem preestabelecida, na qual o entrevistador aplica um questionário, com perguntas fechadas e diretas, a fim de evitar desvios do entrevistado. Todos devem responder as mesmas questões. A exemplo deste tipo de entrevista, a semi-estruturada é também estruturada a partir de uma ordem preestabelecida pelo entrevistador. A diferença é que essa entrevista, além de conter perguntas fechadas e diretas, inclui um número pequeno de perguntas abertas, nas quais o entrevistador utiliza certa liberdade (15).

Na entrevista dirigida ou diretiva ou padronizada o entrevistador comunica oralmente a cada entrevistado as mesmas perguntas fechadas, livres e de escolha múltipla, e anota as respostas imediatamente dadas. Neste tipo de entrevista existem limitações sobretudo as inerentes ao seu caráter fechado, à pobreza da resposta, ao desconhecimento dos quadros de referência, à indução da resposta pela formulação da pergunta, etc. Diferentemente da entrevista dirigida ou didiretiva ou padronizada, a entrevista não dirigida ou não diretiva ou não padronizada não propõe ao entrevistado uma completa estruturação do campo de investigação. É o entrevistado que detém a atitude de exploração. Com base na instrução transmitida pelo pesquisador, o entrevistado define livremente como quiser o campo a explorar sem se submeter a uma estruturação pré-determinada (12).

Quanto à entrevista rigorosamente orientada caracteriza-se por perguntas do pesquisador, numa utilização do diálogo, em que falam alternadamente o pesquisador e o informante, este não tendo liberdade de conduzir a conversa, nem tendo iniciativa de fala. Nela existem dois tipos: o primeiro, com roteiro, ou semi-orientado, em que o pesquisador de tempos em tempos efetua uma intervenção para situar o informante nos assuntos a ser investigados, o informante fala mais do que o pesquisador e dispõe de certa dose de iniciativa, mas na verdade quem orienta todo o diálogo é o pesquisador. O segundo tipo, o realmente livre, em que o pesquisador, depois de breve diálogo inicial, limita ao máximo suas intervenções, de tal modo que o que foi registrado é um verdadeiro monólogo. Existe, ainda, o solilóquio, quando a entrevista se aproxima bastante do que seria a fala do indivíduo consigo mesmo (13).

Em relação à entrevista não diretiva, segundo Chizzotti (2), ela pressupõe que o informante é competente para exprimir-se com clareza sobre questões da sua experiência e comunicar representações e análises suas, prestar informações fidedignas, manifestar em seus atos o significado de cada um no contexto em que eles se realizam, revelando tanto a singularidade quanto a historicidade dos fatos, concepções e idéias.

Como tipo de entrevista, menciona-se ainda a entrevista por pautas, a que apresenta certo grau de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos de interesse que o entrevistador vai explorando ao longo do seu curso. As pautas são ordenadas e guardam certa relação entre si. São feitas poucas perguntas diretas de forma que o entrevistado pode falar livremente à medida que refere se às pautas assinaladas. Outro tipo é a entrevista estruturada, desenvolvida a partir de uma relação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados, geralmente em grande número, por possibilitar o tratamento adequado para o desenvolvimento de levantamentos sociais (9).

Ainda quanto ao tipo, a entrevista pode ser livre ou não estruturada, semidirigida ou semiestruturada e fechada ou estruturada. Na entrevista livre ou não estruturada o discurso é espontâneo, ou seja, há o fluxo natural de idéias. Este tipo de entrevista, possibilita a investigação mais profunda da realidade e da personalidade humana. A entrevista semidirigida ou semi-estruturada especifica as áreas que devem ser exploradas, mas não estrutura as perguntas nem a seqüência destas. A entrevista fechada ou estruturada é altamente padronizada e estruturada, requer informações de temas específicos e prescreve maneiras de obtê-los. Esta forma permite extrair informações de diferentes entrevistados e facilita a quantificação e a comparação sistemática dos dados (6).

De acordo, porém, com os diversos autores ora mencionados, há outros tipos de entrevista,  como a história oral e a história de vida. Na história oral, o pesquisador busca reconstituir determinado momento ou período histórico persuadindo o sujeito a verbalizar como vivenciou o acontecimento. Na história de vida, os sujeitos são questionados a dissertar sobre situações presentes, atuais. Esta técnica é bastante usada para compreender assuntos específicos e identificar problemas a eles relacionados (4).

A guiada, centralizada ou focalizada é construída conforme a prévia seleção dos temas a serem tratados. O entrevistador utiliza um guia de entrevista contendo a seleção, a definição e a formulação dos temas a serem pesquisados, nos quais o entrevistado, dentro de hipóteses, descreve sua experiência pessoal a respeito do assunto pesquisado. Por ser considerada como um tipo de entrevista não estruturado, o entrevistador tem a liberdade de sondar razões e motivos, além de esclarecer algumas questões sem uma formulação prévia, encaminhando a entrevista na direção que considerar adequada. Essa liberdade exige do entrevistador habilidade e perspicácia no encaminhamento da entrevista (15).

De todos os tipos de entrevista, o informal é o menos estruturado possível e só se distingue da simples conversação porque tem um objetivo básico: a coleta de dados. Pretende-se obter uma visão geral do problema pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da personalidade do entrevistado. Já a focalizada é livre, enfoca um tema bem específico. O entrevistador permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto,mas, quando este se desvia do tema original, esforça-se para a retomada (9). Quanto ao nível de detalhamento da entrevista, dependerá do tipo a ser executado e devido a isso deve ser coerente com os objetivos do estudo e a metodologia adotada. É necessário, porém, indicar o tipo (não estruturado ou livre, semi-estruturado, misto) e o objetivo geral da entrevista, bem como o número de entrevistas e o número de participantes da pesquisa (4).

FAVORECENDO A ENTREVISTA

Para facilitar a compreensão do leitor, elaborou-se um quadro sintético que aborda a entrevista na pesquisa qualitativa, e, em seguida a descrição de cada uma.

Quadro 2- Síntese descritiva da entrevista na pesquisa qualitativa

FINALIDADES

CONDUÇÃO DA ENTREVISTA

VANTAGENS

DESVANTAGENS

 

 

-É um recurso metodológico;

 

-Natureza interativa;

 

-É um evento discursivo;

 

-Trata-se de uma relação social;

 

-Entrevista x questionário

 

1º) Contato inicial:

 -relatar o objetivo da entrevista;

 -Resolução 196/96;

2º) Formulação das perguntas:

 - Tópico guia;

 - Atentar para o silêncio;

 - Proporcionar clima agradável.

3º)Registro dos dados:

-Gravação;

-Anotação;

-Filmagem.

4º)Encerramento:

- Feedback;

- Agradecimentos.

 

 

 

-Analisar dados em profundidade;

 

-Aplicar em analfabetos;

 

-Privacidade (se entrevista individual);

 

-Contato face a face.

 

 

-Falta de motivação do entrevistado;

 

-Falsas respostas;

 

-Inabilidade do entrevistador;

 

-Custo p/ treinar pessoal;

 

-Influência do entrevistador(cargo ou função).

 

Na abordagem qualitativa, deve ficar claro para o pesquisador o que perguntar, a quem perguntar (individualmente ou em grupo), onde perguntar (espaço e tempo), quantas entrevistas realizar e como perguntar. Para o preparo e a realização da entrevista sugere-se o seguinte: o entrevistador deve planejar a entrevista, delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; obter, sempre que possível, algum conhecimento prévio acerca do entrevistado; marcar antecipadamente o local e o horário para entrevista, pois qualquer situação imprevista poderá comprometer os resultados da pesquisa; criar condições, isto é, uma situação discreta para a entrevista, porque será mais fácil obter informações espontâneas e confidenciais de uma pessoa isolada do que de uma pessoa acompanhada ou de um grupo; escolher o entrevistado de acordo com sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto escolhido; assegurar um número suficiente de entrevistados, o que dependerá da viabilidade da informação a ser obtida; fazer uma lista das questões, destacando as mais importantes.

A seguir, expõe-se de forma detalhada as etapas para a realização da técnica de entrevista.

1º)Contato inicial

Como sugestão para se iniciar a entrevista, deve-se informar sucintamente o sujeito sobre a escolha deste como entrevistado e sobre o objetivo da pesquisa. Este fato não só é essencial para o bom encaminhamento da entrevista, como também é um direito do pesquisado previsto na resolução 196/96 referente a pesquisas que envolvem seres humanos (17). Assim, o pesquisador precisa revelar suas intenções para poder existir correspondência entre seus objetivos e os das pessoas entrevistadas, convencendo-as de que seus direitos serão respeitados(18). Deve ainda deixar claro os tópicos relevantes a serem abordados durante a entrevista bem como permitir ao entrevistado se expressar à vontade, sem interrupções, sobre os temas em que ambos estão interessados. É de extrema importância também o pesquisador manter-se atento durante o transcorrer da entrevista pois o sujeito encontra-se numa situação nova e de certa forma ameaçadora.

Em relação ao número de sujeitos participantes da pesquisa, de acordo com Gaskell (19), há um limite máximo do total de entrevistas que é necessário se fazer, e possível de analisar em tempo hábil. Para cada pesquisador este limite varia entre 15 e 25 entrevistas individuais e entre 6 e 8 discussões em grupos focais.

2º) Aplicação do método

Após este momento inicial o pesquisador deve estar atento à técnica propriamente dita. As perguntas fundamentais na pesquisa qualitativa não nasceram a priori, elas são resultados da teoria norteadora como também de toda informação colhida sobre o fenômeno em estado e por meio dos contatos, realizados na escolha dos participantes da pesquisa(20). Para isto é indispensável um roteiro ou lista de questões para orientar o entrevistador, indepedetemente de ser a entrevista estruturada ou não. À lista de questões que norteiam a pesquisa Gaskell (19) denomina de tópico guia, ou seja, trata-se de um guia de condução da entrevista.

Quanto às pesguntas, se forem feitas inadequadamente, haverá desperdício de tempo não apenas do entrevistado, mas também do entrevistador. Na construção de um tópico guia, exige-se tempo e esforço e provavelmente se fará várias tentativas. Como ideal, o tópico guia deveria caber em uma página. Ele funciona como um lembrete para o entrevistador, como uma salvaguarda quando der um “branco” no meio de uma entrevista, um sinal de que há uma agenda a ser seguida, e um meio de monitorar o andamento do tempo da entrevista. Um bom tópico guia irá criar um referencial fácil e confortável para qualquer discussão, fornecendo uma progressão lógica e plausível por meio dos temas em foco(19).

Minayo(21) afirma que a entrevista tem por finalidade recolher informações atravás da fala dos atores sociais. Porém, é importante também ser lembrado o silêncio. Nesse caso, o entrevistador deve estar atento para seu significado. O silêncio pode ser necessário para que o entrevistado ordene seus pensamentos e idéias. Mas pode ocorrer também em um momento muito claro para o pesquisador, por exemplo, quando se toca em assuntos trágicos, chocantes ou ameaçadores para o indivíduo entrevistado. Além do silêncio o pesquisador deve estar atento para a expressão corporal do entrevistado, bem como para a tonalidade de voz e a ênfase em algumas palavras ou expressões durante sua fala.

Durante todo o processo de entrevista, o pesquisador precisa ter uma postura ativa e receptiva, uma vez que os dados obtidos são extremamente valiosos. Essa postura propicia um clima agradável e libera os medos e constrangimentos entre o sujeito e o pesquisador. Entretanto, deve ficar claro que o que o pesquisador deseja é que o participante se expresse como pessoa e não como amigo. Deve-se dar limites a essa relação para que o sujeito não confunda os objetivos da pesquisa. A melhor forma de preparar entrevistas é livremente, com perguntas abertas, com a finalidade de obter respostas amplas e de orientar o processo de elaboração do pensamento do entrevistado.

Quando os temas começam a surgir, progressivamente sente-se confiança crescente na compreensão emergente do fenômeno. A certa altura, o pesquisador se dá conta de que não aparecerão novas surpresas ou percepções. Neste momento ocorre o ponto de saturação e a coleta de dados chega ao fim (19). Mesmo assim Trivinõs(20) alerta para o tempo aconselhável de 30 minutos, pois depois disso torna-se consativa.

3º) Registro de dados

Para registrar os dados, como propõem Lüdke e André (11), existem duas grandes maneiras: a gravação direta e a anotação durante a entrevista. A gravação da entrevista constitui um registro completo. Portanto, o que foi dito verbalmente pode ser considerado (8,20). Para a gravação pode-se usar fita K-7 ou CD. Ambas têm a vantagem de registrar todas as expressões orais, imediatamente, deixando o entrevistador livre para prestar toda a sua atenção ao entrevistado. Será, porém, uma limitação se só registrar as expressões orais, deixando de lado as expressões faciais, os gestos, as mudanças de postura, podendo representar para alguns entrevistados um fator constrangedor. Nem sempre o entrevistado se mantém inteiramente à vontade e de forma natural ao ter sua fala gravada.

Outra limitação em relação à entrevista gravada é a sua transcrição para o papel. Esta operação é bem mais dispendiosa do que geralmente se planeja, consome muitas horas e produz um resultado ainda não esperado, isto é, onde as informações aparecem num todo mais ou menos indiferenciado, sendo difícil distinguir as menos importantes daquelas realmente centrais. Será necessária a comparação desse material com a gravação para se estabelecer as prioridades, com o auxílio, é claro, da memória do entrevistador.

Uma forma de minimizar essa dificuldade é o registro feito por meio de notas durante a entrevista. Mesmo assim, isto certamente deixará de cobrir muitas das coisas ditas e vai solicitar a atenção e o esforço do entrevistador, além do tempo necessário para escrever. Neste processo, o entrevistador já vai percebendo o que é suficientemente importante para ser anotado e vai assinalando de alguma forma o que vem acompanhado com ênfases, seja do lado positivo ou do negativo (11). Outra maneira de registrar os acontecimentos é a filmagem, que já vem sendo bastante utilizada e discutida (22). A escolha de uma ou outra forma de registro será feita em função de vários fatores, como visto, e também da preferência, do estilo de cada entrevistador. Em alguns casos é possível até utilizar mais de uma forma concomitantemente. Como em qualquer outra técnica, é necessário verificar cuidadosamente se as informações pretendidas exigem mesmo essa técnica ou se poderiam ser obtidas por outros meios de aplicação mais fácil e menos dispendiosa financeiramente.

4º) Encerramento

A última etapa da entrevista é o encerramento. Dois fatores são básicos para esta etapa de finalização. O primeiro fator é que tanto o entrevistador quando o entrevistado devem ter consciência do momento do encerramento, e aceitar esse fato. O segundo fator é que durante esta etapa nenhum material novo deve ser introduzido.

O encerramento é especialmente importante porque o que ocorre durante essa última etapa tende a determinar a impressão do entrevistado sobre a entrevista como um todo. É preciso estar certo de que foi dada a ele total oportunidade de se expressar. É necessário dispensar um tempo suficiente para o encerramento, de modo a não antecipar o fim da entrevista, pois isso poderia criar a impressão de que o entrevistado está sendo rejeitado. Nesse momento é importante fazer um feedback, ou seja, recapitular conjuntamente de forma sucinta os principais aspectos relatados durante a entrevista (8). A seguir, o entrevistador deve agradecer a participação do entrevistado, além de perguntar como ele se sentiu e se tem algo a acrescentar.

Após a finalização da técnica da entrevista vem a análise de todo o material coletado. Não é necessário o pesquisador esperar que todos os dados tenham sido coletados para começar a analisá-los. À medida que estes são obtidos o pesquisador já verifica os pontos relevantes e inicia a categorização dos resultados. Quanto à interpretação dos dados, pode ocorrer de duas formas, categorial interpretativa e descritiva. Em qualquer caso, porém, o pesquisador deverá defini-la antes de iniciar a coleta de dados. Por não ser objetivo deste texto explanar mais detalhadamente a análise de dados na pesquisa qualitativa, encerram-se aqui as considerações referentes a ela. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quase todos os autores, ao tratar da entrevista, reconhecem que ela ultrapassa os limites da técnica, dependendo em grande parte das qualidades e habilidades do entrevistador. Inegavelmente há qualidades específicas que denotam o entrevistador competente, tais como uma boa capacidade de comunicação verbal, aliada a uma boa dose de paciência para ouvir atentamente. Entretanto essas e outras qualificações do bom entrevistador podem ser desenvolvidas por meio do estudo e da prática, sobretudo se esta partir da observação de outro entrevistador mais experiente, que possa inclusive atuar como supervisor da prática do iniciante. Não há receitas infalíveis a serem seguidas, mas sim cuidados a serem observados. Estes, aliados à inventiva honesta e atenta do condutor, levarão a uma boa entrevista.

A intensa utilização da entrevista na pesquisa social deve-se a uma série de razões. Entre suas vantagens sobressaem as seguintes: possibilitar a obtenção de dados referentes aos mais diversos aspectos da vida social; a entrevista é uma técnica muito eficiente para obtenção de dados em profundidade acerca do comportamento humano; os dados obtidos são suscetíveis de classificação e de quantificação. Além dessas vantagens, esta técnica pode ser aplicada com pessoas que não sabem ler e escrever; permite maior privacidade, no caso da entrevista individual; permite um contato mais próximo do sujeito da pesquisa e isto posssibilita-lhe identificar dúvidas por ele demonstradas.

A entrevista apresenta, no entanto, uma série de desvantagens. Por isto, em certas circunstâncias, é menos recomendável que outras técnicas. Entre as principais limitações sobressaem as seguintes: a falta de motivação do entrevistado para responder às perguntas que lhe são feitas; a inadequada compreensão do significado das perguntas; o fornecimento de respostas falsas, determinadas por razões conscientes ou inconscientes; a influência exercida pelo aspecto pessoal do entrevistador sobre o entrevistado; a influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas do entrevistado; os custos com o treinamento de pessoal e a aplicação das entrevistas; a inabilidade ou mesmo incapacidade do entrevistado para responder adequadamente, em decorrência de limitação vocabular ou de problemas psicológicos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Santos SR. Métodos qualitativos e quantitativos na pesquisa biomédica. Jorn Ped 1999; 75 (6): 401.

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