ACESSO E RESOLUTIVIDADE: SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DE SERVIÇOS DE PROTEÇÃO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR.

ACESSO E RESOLUTIVIDADE: SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DE SERVIÇOS DE PROTEÇÃO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR.

 

Data da defesa: Rio Grande, 1º de março de 2011.

 

Juliane Portella Ribeiro 1, Mara Regina Santos da Silva.2

1 Psicóloga. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, RS – BRASIL. 2 Doutora em Enfermagem. Docente do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, RS – BRASIL.

 

COMPONENTES DA BANCA: Profª. Drª. Mara Regina Santos da Silva (Presidente), Profª. Drª. Marta Regina Cezar-vaz (Membro), Profª. Drª. Adriane Maria Netto de Oliveira (Membro), Profª. Drª. Ceres Braga Arejano (Membro).

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: RIBEIRO JP. Acesso e resolutividade: satisfação dos usuários de serviços de proteção às vítimas de violência intrafamiliar [Dissertação]. Rio Grande (RS), Brasil: Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande; 2011.

 

Problema: A violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes, no Brasil, tem aumentado gradativamente nos últimos anos. Os altos índices apontam para a complexidade que envolve o problema, exigindo que profissionais de saúde intensifiquem o cuidado às famílias e mobilizando diversas instâncias governamentais e não governamentais. A necessidade de que o fenômeno seja considerado uma emergência determina que sejam implantadas ações concretas e imediatas desenvolvidas pela rede de serviços que atendem as famílias. Visando reduzir suas consequências, o acesso aos serviços sociais e de saúde e a resolutividade das ações empreendidas são elementos vitais para combater os altos índices de violência intrafamiliar. O acesso e a resolutividade, em conjunto, correspondem à capacidade do serviço de ofertar cuidados coerentes com as necessidades de seus usuários. Objetivo: Este estudo teve como objetivo geral analisar a satisfação das famílias em relação ao acesso e à resolutividade das ações e serviços de dois serviços de proteção às vítimas de violência intrafamiliar do município do Rio Grande/RS. Constituem seus objetivos específicos: (1) Analisar a satisfação das famílias em relação ao acesso aos serviços que atendem situações de violência intrafamiliar no município do Rio Grande/RS; (2) analisar a satisfação das famílias em relação à resolutividade das ações desenvolvidas em serviços que atendem famílias em situações de violência intrafamiliar no município do Rio Grande/RS. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e exploratório, que utilizou informações do banco de dados de um projeto de pesquisa amplo desenvolvido pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Família, Enfermagem e Saúde (GEPEFES), intitulado: “Convergências e divergências entre as práticas profissionais e as necessidades das famílias no contexto da violência intrafamiliar”. A amostra foi composta pelas informações contidas em 113 avaliações realizadas por famílias vinculadas ao CREAS e ao Conselho Tutelar, as quais foram coletadas no período de 2008 a 2009, através da aplicação de um questionário que avalia a satisfação dos usuários de serviços de saúde mental (SATIS-BR-Usuário). As informações selecionadas foram submetidas a análises descritivas, de correlação canônica e de regressão múltipla no programa Statistica versão. O projeto do qual este estudo é integrante foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande (CEPAS), tendo sido registrado e aprovado sob o processo de número 23116.004268/06-13. Resultados: Os resultados indicam alta correlação entre acesso e resolutividade (RC= 0,8659) e que os serviços são considerados de fácil acesso pelas famílias quando são, sobretudo, receptivos (0,883837), as tratam com respeito e dignidade (0,858614) e as escutam (0,626720). Sendo possuidor de tais características, aspectos como tempo de deslocamento até o serviço e informações sobre o tratamento prestado adquirem menor importância para o usuário. A resolutividade é expressa pela decisão do familiar em retornar ao serviço, caso haja necessidade (0,900171), por sua satisfação com os serviços (0,872823) e com a quantidade de ajuda recebida (0,803617), pela avaliação de que a equipe estava lhe ajudando (0,827258) e de que os serviços o ajudaram a lidar com os problemas (0,758437); e ainda pela compreensão dos mesmos por parte da pessoa que o recebeu no serviço (0,688417). Além disso, evidenciaram uma forte associação (R= 0,83), altamente significativa (p=0,00000), entre o grau de satisfação das famílias e quatro aspectos da resolutividade das ações e serviço, sendo que o aspecto “satisfação com a quantidade de ajuda que recebeu” é o que possui maior influência na satisfação dos familiares (beta= 0,314682). Conclusão: Os resultados do estudo aqui apresentado indicam a satisfação dos usuários com o acesso e a resolutividade dos serviços de proteção à criança e ao adolescente vítima de violência, além de evidenciar que a resolutividade está relacionada ao acesso aos serviços, suscitando, assim, o investimento na acessibilidade.

Palavras-chave: Acesso aos serviços de saúde; Satisfação do paciente; Violência na família; Saúde da família; Enfermagem.

 

BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL

 

1.  Brasil. Ministério da Saúde. Impacto da violência na saúde das crianças e adolescentes: prevenção de violências e promoção da cultura de paz. Brasília; 2008.

2.  Brasil. Ministério da Saúde. Política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violências. Brasília; 2005.

3.  Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. ABC do SUS: doutrinas e princípios. Brasília; 1990.

4.  Brasil. Ministério da Saúde. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília; 2008.

5.  Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social PNAS/ 2004. Brasília; 2005. Reimpresso em maio de 2009.

6.  Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. Brasília; 2008.

7.  Coelho MO, Jorge MSB. Tecnologia das relações como dispositivo do atendimento humanizado na atenção básica à saúde na perspectiva do acesso, do acolhimento e do vínculo. Ciênc. saúde coletiva. 2009; 14 supl.1:1523-31.

8.  Degani VC. A Resolutividade dos problemas de saúde: opinião de usuários em uma Unidade Básica de Saúde [Dissertação]. Porto Alegre: Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2006.

9.  Penna CMM, Brito MJM, Porto F. Equidade e Resolutividade: da teoria à construção no cotidiano de profissionais de saúde. Um estudo compreensivo. Online Brazilian Journal of Nursing; 2011 [citado 2011 jan. 10]; 6(3). Disponível em: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/1091

10.  Travassos C, Oliveira EXG, Viacava F. Desigualdades geográficas e sociais no acesso aos serviços de saúde no Brasil: 1998 e 2003. Ciência & Saúde Coletiva. 2006; 11(4): 975-86.

11.  UNICEF. Famílias parceiras ou usuárias eventuais? Análise dos serviços de atenção a famílias com dinâmica de violência doméstica contra criança e adolescente. Brasília; 2004.

 

Apoio: Dissertação vinculada ao projeto “Convergências e divergências entre as práticas profissionais e as necessidades das famílias no contexto da violência intrafamiliar” financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Endereço para correspondência: Mara Regina Santos da Silva, Escola de Enfermagem, Rua General Osório s/nº, Centro, Rio Grande, RS, Brasil. CEP: 96201-900 - marare@brturbo.com.br - Telefone: +55 (53) 3233-0315.

 





 

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