Stressors identified for the patient submitted to myocardial revascularization and percutaneous transluminal coronary angioplasty - quantitative study

Estressores identificados por pacientes submetidos à revascularização do miocárdio e angioplastia coronária transluminal percutânea - estudo quantitativo

Graciele Fernanda da Costa Linch1 Laura de Azevedo Guido2 Luiza de Oliveira Pitthan3 Luis Felipe Dias Lopes4

1,2,3,4 Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil.

Abstract. It is a research developed at a University hospital, aiming to identify the prevalent stressors to patients which procedure heart disease submitted to a PTCA and a MRC. To collect data it was used a questionnaire to identify the patients on pre procedure to characterize the population; and the Intensive Care Unit Environmental Stressor Scale (ICUESS) on post procedure. To analyse the data is was obtained the average values attributed to each one of the items, ranking it, whatever the higher the average the strongest were the stressors intensity. To compare these results obtained from ICUESS between the groups (PTCA and MRC), it was chosen the chi-square test and the no-parameter Kruskall-Wallis test. The meaning level was 5%. The main stressors identified in both groups were: having pain, unknown sounds and noises, listening the equipment noise and alarm.

Key words: Stress, Nursing, Cardiology 

Resumo: Trata-se de uma pesquisa desenvolvida em um hospital de ensino, com o objetivo de identificar os estressores prevalentes para os pacientes portadores de doenças cardiovasculares quando submetidos a CRM e a ACTP. Como instrumentos para a coleta de dados foram utilizados, questionário para a identificação do paciente no pré procedimento, com o intuito de caracterizar a população; e a Escala de Estressores em Terapia Intensiva (EETI) no pós procedimento. Para a análise dos dados utilizou-se o programa SAS (Statistical Analysis System), pelo qual foram obtidas as médias dos valores atribuídos a cada um dos 40 itens, logo se realizou o ranking destes, sendo que quanto maior a média, maior a intensidade dos estressores. Para comparar os resultados obtidos pela EETI entre os grupos (ACTP e CRM), optou-se pelo o teste Qui-Quadrado e teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis. O nível de significância estabelecido foi de 5%. Dentre os principais estressores identificados por ambos os grupos, estão: ter dor, sons e ruídos desconhecidos, escutar o barulho e alarme dos equipamentos.

Palavras-chave: Estresse, Enfermagem, Cardiologia.

Introdução

O perfil de saúde no Brasil vem se modificando com o passar dos anos. Pode-se dizer que até 1950 as doenças infecto-contagiosas predominavam, respondendo por 40% dos óbitos. Cerca de 40 anos mais tarde, as doenças cardiovasculares (DCV) passaram a predominar com 34,5% dos óbitos, enquanto as infecto-contagiosas reduziram para 12%. Esta mudança de perfil deve-se em parte ao aumento populacional de adultos e de idosos no Brasil, em decorrência da queda dos índices de mortalidade e de natalidade (1).

Tal inversão das curvas de mortalidade, além de estar associada ao envelhecimento da população, está diretamente relacionada às mudanças nos hábito de vida das pessoas. Os chamados fatores de risco como: consumo de produtos ricos em colesterol, ingesta não moderada de bebidas alcoólicas, tabagismo e freqüentes situações de stress, são fatores que contribuem para o surgimento das DCV (2).

Com isso, diversas pesquisas têm sido realizadas na área da cardiologia, no intuito de favorecer avanços científicos e tecnológicos. A cada ano surgem novos métodos diagnósticos, por vezes mais rápidos e precisos, técnicas cirúrgicas eficientes visando menores riscos para o paciente, além da criação de laboratórios de hemodinâmica e unidades de terapia intensiva especializadas em cardiologia.

A Cirurgia de Revascularização do Miocárdio (CRM) é o tipo mais comum de cirurgia cardíaca reconstrutora, e tem por objetivo aliviar a angina e preservar a função do miocárdio, sendo vista como o sustentáculo ao tratamento das DCV, realizada como alternativa para melhorar a sobrevida do paciente.

Assim como as técnicas cirúrgicas evoluem, as características da população também se modificam. Os procedimentos de cardiologia intervencionista, como a Angioplastia Coronária Transluminal Percutânea (ACTP) têm retardado ou substituído a CRM em pacientes com lesões coronárias tratáveis com intervenções minimamente invasivas.

A ACTP é uma forma alternativa de revascularização do miocárdio, passou a ser aplicada a partir de 1977, quando foi realizada pela primeira vez, por Andréas Gruentzig, e introduzida no Brasil, em fins de 1979. Tem como objetivo aliviar a estenose do vaso, restaurando a normalidade do fluxo, para debelar a isquemia miocárdica e seus sintomas, e evitar a sua oclusão (3).

Além das questões técnicas relacionadas à CRM e ACTP e do perfil dos pacientes, deve-se levar em consideração os aspectos psicológicos relacionados a estes procedimentos, que são causadores de medos e responsáveis pelas angústias vivenciadas pelo paciente que irá se submeter aos procedimentos de alta complexidade, bem como à sua família.

O processo de hospitalização, envolvendo intervenções clínicas ou cirúrgicas, representa mudanças importantes na vida do paciente. Nesse processo, ocorrem a perda do controle sobre suas atividades cotidianas, mudanças de ambiente, perda de sua individualidade e separação das pessoas de seu convívio familiar e social. Essas experiências são consideradas estressores importantes porque requerem do paciente o desenvolvimento de forças para o enfrentamento e a adaptação às novas situações (4).

            Além disto, no paciente cardiopata, especificamente, deve-se valorizar o significado simbólico do coração, porque é através dele os aspectos emocionais e culturais, sempre presentes nas doenças cardiovasculares, podem ser melhor compreendidos. Esse significado é um arquétipo – espécie de parte herdada da mente – que habita o inconsciente e influi na maneira de ver os acontecimentos, principalmente as doenças que põem em risco a vida. O simbolismo nasceu em épocas remotas e está presente em diferentes culturas, em inúmeros mitos e manifestações (5).

Estressor pode ser definido com algo que quebra a homeostase e que exija alguma adaptação, podem ser externos e internos. Essa adaptação gera desgaste e pode ser considerado um processo de stress. Os estímulos externos representam as ameaças do cotidiano de cada um, já os estressores internos são determinados pelo próprio indivíduo, alguns dos quais podem ser: crenças, padrão de personalidade, em geral o modo de ser da pessoa (6).

Nesse contexto, cada ser humano pensa, sente e age diante de um estressor de forma diferenciada, o que permite entender o stress como um processo interativo entre indivíduo e ambiente (7).

É oportuno salientar que na literatura encontram-se estudos comparativos entre CRM e ACTP, focados tanto no custo quanto na eficácia de ambos. Assim como se encontram estudos realizados, na área da enfermagem, que dão ênfase aos cuidados pré e pós-operatório do paciente submetido a CRM. No que se refere aos submetidos à ACTP não encontram-se estudos que relacionem o procedimento aos possíveis estressores e a atuação da enfermagem no intuito de minimiza-los.

O perfil de ambos os pacientes submetidos a CRM e a ACTP se assemelham, com relação a fatores emocionais ligados à própria doença cardíaca, mas salienta-se que o mesmo tipo de paciente pode passar por diferentes tratamentos e reagir de forma diversa a cada um deles. Torna-se importante identificar estressores que possam repercutir diretamente na sua recuperação, objetivando-se assim uma melhor prática assistencial de enfermagem, promovendo a saúde dos envolvidos nesse processo.

Metodologia

Trata-se de um estudo de campo, descritivo, exploratório com abordagem quantitativa. Desenvolvido na Unidade Cardiológica Intensiva (UCI), Unidade de Clínica Médica I (CMI) e no Laboratório de Hemodinâmica, alocados em um hospital de ensino localizado no interior do estado do Rio Grande do Sul.

A população do estudo foi composta por 60 pacientes, tendo em vista os seguintes critérios de inclusão: pacientes de ambos os sexos, conscientes, com capacidade de interação; com idade acima de 21 anos; ACTP realizada durante o período da manhã; tempo mínimo de 24 horas de internação pós intervenção em ACTP; e com mais de 48 horas em CRM. Como critérios de exclusão: pacientes que realizem ACTP de urgência; pacientes com dificuldades de interação e comunicação; óbito durante o procedimento cardíaco.

A coleta de dados foi realizada em dois momentos, no período pré procedimento, no qual os objetivos da pesquisa foram apresentados, assim como o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Nesta ocasião foi preenchida a primeira parte do questionário, com o objetivo de caracterizar a população. No qual constavam os dados de identificação do paciente (sexo, idade, situação profissional, escolaridade, estado civil, número de filhos e renda), assim como um breve histórico hospitalar (medicamentos prescritos nas últimas 24 horas, internação prévia, procedimento cirúrgico anterior, período que trata a doença, realizou algum acompanhamento/tratamento psicológico).

No segundo momento, período pós intervenção, foi respondida pelos sujeitos da pesquisa a Escala de Estressores em Terapia Intensiva (EETI), em sua versão traduzida e validada para o português (8). A EETI foi utilizada para a avaliação dos estressores, é composta por 40 questões que devem ser classificadas por intensidade, na qual (1) significa não estressante, (2) pouco estressante, (3)estressante e (4) muitíssimo estressante.

Para a análise estatística dos dados, utilizou-se o programa SAS (Statistical Analysis System), pelo qual foram obtidas as médias dos valores atribuídos a cada um dos 40 itens, logo se realizou o ranking destes, sendo que quanto maior a média, maior a intensidade dos estressores. Para comparar os resultados obtidos pela EETI entre os grupos (ACTP e CRM), optou-se pelo o teste Qui-Quadrado e teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis. O nível de significância estabelecido foi de 5%, ou seja, p<0,05.

O Projeto de pesquisa desenvolvido junto grupo de pesquisa: Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem na linha “Stress, Coping e Burnout” do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, obteve aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, parecer nº. 23081.008242/2007-79, CAAE: 0085.0.243.000-07.

Resultados

Dos 60 pacientes pesquisados, 44 realizaram ACTP e 16 foram submetidos à CRM. Para melhor compreensão e análise dos dados apresentam-se os resultados conforme os grupos (ACTP e CRM).

            Os resultados obtidos nesse estudo demonstraram que entre os pacientes do grupo de ACTP houve predominância do sexo masculino (59,09%), aposentados (45,45%), com ensino fundamental (68,18%), casados (40,75%), com mais de três filhos (27,27%), e ainda com renda de um salário mínimo (61,95%). Verifica-se que a média de idade destes foi de 62,06 (DP=10,85), variando entre 37 e 82 anos.

            Em relação ao perfil do grupo de CRM houve predominância do sexo masculino (68,75%), desempregados (50 %), com ensino fundamental (62,50%), casados (62,50), com dois filhos (50%), e ainda com renda de um salário mínimo (43,75%). A média de idade destes foi de 54,37 (DP=11,05) variando entre 34 e 76 anos.

            O predomínio no estudo de pacientes do sexo masculino e com idade média superior a 50 anos, era esperado. Visto que o gênero masculino foi definido como de maior risco para DCV, e a população brasileira está num estágio de transição demográfica, a qual passou a apresentar maior número de adultos e idosos, em decorrência da queda de índices de mortalidade e de natalidade (1).

            Nesse sentido, a confirmação no estudo da predominância de homens casados, com idade média superior a 50 anos, é relevante, uma vez que se pode destacar o apoio da família como importante suporte durante a hospitalização. Entendem-se as relações família x paciente como um mecanismo de enfrentamento aos estressores vividos nesse processo. O suporte social tem sido apresentado como um fator que contribui para minimizar o stress (9).

            Os dados referentes ao histórico hospitalar demonstram que os pacientes submetidos à ACTP, em sua maioria (75%) não fizeram uso de nenhum medicamento (ansiolítico/analgésico/sedativo) nas 24 horas que antecederam o procedimento, todos relataram no mínimo uma internação prévia, realizaram algum procedimento cirúrgico anteriormente (61,36%), tratam a doença a menos de um ano (52,27%), e não realizaram tratamento/acompanhamento psicológico (81,82%). Já os pacientes submetidos à CRM em sua maioria (56,25%) fizeram uso de um ou mais medicamentos listados como, ansiolíticos, analgésicos, sedativos, todos com no mínimo uma internação prévia, realizaram algum procedimento cirúrgico anteriormente (62,50%), tratam a doença a menos de um ano (56,25%), e não realizam tratamento/acompanhamento psicológico (87,05%).

            Pode-se perceber que todos os pacientes estudados (100%) tiveram no mínimo uma internação prévia, essa pode ser explicada pela realização do cateterismo cardíaco (cineangiocoronariografia), exame realizado anteriormente para ambos os procedimentos.

            Um estudo realizado com pacientes internados em unidade coronariana considerou que o uso de medicamentos como ansiolíticos, analgésicos e sedativos podem ser modificadores do estado emocional. Neste estudo, os pacientes que receberam drogas obtiveram menores médias para os estressores (10).

            Outro estudo, realizado com o objetivo de avaliar o efeito da sedação consciente durante a ACTP, demonstrou que pacientes quando submetidos à sedação tendem a aceitar melhor o procedimento devido à redução de seu desconforto, menor stress, maior alívio emocional. O autor considera o termo sedação consciente para descrever estados controlados de diminuição da consciência que: permitam a manutenção de reflexos protetores; que mantenha vias aéreas patentes independente e continuamente; permitam respostas apropriadas pelo paciente a estímulos físicos e comandos verbais (11).

            Quando comparado a variável ter dor com a medicação, não houve diferença estatística significativa entre os pacientes que fizeram uso de medicação, com os que não fizeram.

            Destaca-se que os pacientes em sua maioria já realizaram algum procedimento cirúrgico anteriormente, podendo ou não estar relacionados com a doença cardíaca. O fato de estes pacientes terem vivenciado uma experiência cirúrgica pode ter contribuído no enfrentamento de mais uma hospitalização, percebendo os estressores com menor intensidade. Salienta-se que quando comparado por meio de testes estatístico as variáveis (estressores) com relação a ter ou não realizado procedimento cirúrgico, não houve diferença significativa.

            Nesse estudo pode-se identificar que para a maioria dos pacientes o tratamento da doença arterial coronariana (DAC) é recente. Dessa maneira, fica evidente que o método terapêutico escolhido (ACTP ou CRM) para tratar a DAC, nada tem haver com o tempo de descoberta e tratamento da doença. Alguns estudos, que objetivaram comparar a eficácia terapêutica entre ACTP e CRM, julgaram ser a CRM melhor opção, por ser mais econômico ao longo do tempo, ter maior número de artérias coronarianas tratadas e um menor número de reintervenções (12, 13).

A maioria dos pacientes, tanto da ACTP quanto da CRM não realizaram acompanhamento ou tratamento psicológico. No entanto, quando comparada à variável ter dor com ter ou não recebido acompanhamento psicológico, nos pacientes da ACTP, verificou-se diferença estatística significativa (p=0,0009). Pode-se afirmar que os pacientes que tiveram algum acompanhamento psicológico perceberam a variável ter dor com maior intensidade. O que pode parecer contraditório, tendo em vista que os pacientes com acompanhamento psicológico deveriam aceitar e compreender melhor o tratamento e suas conseqüências. No entanto, salienta-se que esse pacientes podem estar fragilizados psicologicamente, necessitando de maior atenção, sendo mais perceptíveis a estressores como ter dor.

Estudo realizado por psicólogos, em unidade coronariana, com o objetivo de avaliar níveis de ansiedade e depressão, identificou que nos primeiros dias de internação os pacientes apresentam-se mais ansiosos e depressivos. No entanto, com o passar do tempo, destaca que o paciente começa a se apropriar das rotinas da unidade conhecendo a equipe, e se adaptando ao ambiente, assim diminuindo algumas de suas respostas emocionais frente ao stress na situação de internação (14).

A fim de avaliar a confiabilidade da escala EETI para a realidade desta pesquisa,verificou-se pela analise da consistência interna do instrumento pelo Método do Coeficiente Alfa de Cronbach, que os valores obtidos atestam uma satisfatória consistência interna do instrumento para o estudo com os dois grupos de pacientes (15)

Na Tabela 1 verifica-se o ranking comparativo dos pacientes submetido à ACTP e CRM, junto à média e desvio padrão (DP) obtidos para cada uma das variáveis.

Cabe ressaltar que os pacientes submetidos à ACTP são ambulatoriais, e que os submetidos a CRM encontram-se há alguns dias em unidades de internação para o pré-operatório. Esse fato pode interferir no estado emocional do individuo, assim como, na percepção dos estressores pós procedimento.

Para os pacientes que realizaram ACTP os cinco primeiros estressores apontados em ordem decrescente foram: ter dor (Média=2,68; DP=1,07); Sons e ruídos desconhecidos (Média=1,65; DP=0,80); Não conseguir dormir (Média=1,59; DP=0,72); Escutar o barulho e os alarmes dos equipamentos (Média=1,54; DP=0,84); Não ter explicações sobre o tratamento (Média=1,54; DP=0,69).

Já os pacientes submetidos a CRM identificaram como os cinco primeiros estressores em ordem decrescente: ter dor (Média= 3,43; DP=0,81); Estar presos por tubos (Média=2,25; DP=0,93); Sons e ruídos desconhecidos (Média=2,06; DP=0,85); Escutar barulho e os alarmes dos equipamentos (Média=2,18; DP=1,04); Ter tubos no nariz e/ou boca (Média=2,00; DP=0,89).
Tabela 1 – Ranking comparativo dos estressores para os pacientes da ACTP e CRM.

ESTRESSORES

ACTP

CRM

Rank

Média

DP

Rank

Média

DP

Ter dor

01

2,68

1,07

01

3,43

0,81

Sons e ruídos desconhecidos

02

1,65

0,80

03

2,18

1,04

Não conseguir dormir

03

1,59

0,72

06

1,93

0,68

Escutar o barulho e os alarmes dos equipamentos

04

1,54

0,84

04

2,06

0,85

Não ter explicações sobre o tratamento

05

1,54

0,69

13

1,43

0,51

Escutar o gemido de outros pacientes

06

1,47

0,76

12

1,43

0,72

Não ter privacidade

07

1,47

0,82

14

1,37

0,61

Enfermagem e médicos falando muito alto

08

1,43

0,58

07

1,62

0,71

Cama e/ou travesseiros desconfortáveis

09

1,38

0,65

10

1,50

0,73

Ser furado por agulhas

10

1,38

0,65

20

1,18

0,54

Estar num ambiente muito quente ou muito frio

11

1,36

0,65

16

1,18

0,40

Ser incomodado

12

1,36

0,48

11

1,50

0,51

Ter a equipe falando termos incompreensíveis

13

1,34

0,60

25

1,12

0,34

Ter luzes acessas constantemente

14

1,29

0,73

21

1,18

0,54

Sentir falta do marido ou da esposa

15

1,27

0,54

09

1,56

0,81

Ser acordado pela enfermagem

16

1,25

0,43

24

1,12

0,34

Ter que ficar olhando para os detalhes do teto

17

1,20

0,55

31

1,06

0,25

Sentir cheiros estranhos

18

1,18

0,49

28

1,06

0,25

Escutar alarmes dos monitores cardíacos dispararem

19

1,15

0,42

08

1,62

0,80

Não saber quando as coisas vão ser feiras

20

1,15

0,47

18

1,18

0,40

Ter sede

21

1,15

0,47

15

1,31

0,47

Ver a família e os amigos por apenas alguns minutos por dia

22

1,13

0,34

26

1,12

0,34

Sentir que a enfermagem está muito apressada

23

1,09

0,36

29

1,06

0,25

Não conseguir mexer as mãos ou os braços devido as vias intravenosas

24

1,06

0,25

17

1,18

0,54

Ter a enfermagem constantemente fazendo tarefas ao redor do leito

25

1,06

0,45

39

1,00

0

Ter máquinas estranhas ao redor

26

1,06

0,45

30

1,06

0,25

Ter que usar oxigênio

27

1,06

0,45

22

1,18

0,40

Estar preso por tubos

28

1,04

0,30

02

2,25

0,93

Medir a pressão arterial muitas vezes ao dia

29

1,04

0,30

23

1,12

0,34

Não saber onde está

30

1,04

0,21

33

1,00

0

Não ter controle de si mesmo

31

1,04

0,21

26

1,00

0

Sentir que a enfermagem está muito apressada

32

1,04

0,21

37

1,00

0

Ser cuidado por médicos desconhecidos

33

1,04

0,21

19

1,18

0,54

Ser examinado por médicos e enfermeiros constantemente

34

1,06

0,45

38

1,00

0

Ver as bolsas de soro penduradas sobre a cabeça

35

1,04

0,30

40

1,00

0

A enfermeira não se apresentar pelo nome

36

1,02

0,15

32

1,00

0

Não saber que horas são

37

1,02

0,15

35

1,00

0

Ter tubos no nariz e/ou boca

38

1,02

0,15

05

2,00

0,89

Escutar o telefone tocar

39

1,00

0

27

1,06

0,25

Não saber que dia é hoje

40

1,00

0

34

1,00

0

 

            Ter dor foi considerado como principal estressor para os dois grupos. Essa percepção vai ao encontro de outros estudos, sendo que estes também identificam a variável ter dor como um dos principais estressores, um realizado em unidade de pós-operatório de cirurgia cardíaca na perspectiva de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem (16), outro realizado em unidade de terapia intensiva sob a perspectiva dos pacientes, da equipe de enfermagem e dos familiares (17).

            Com o intuito de minimizar esse estressor a equipe deve estar atenta aos sinais dos pacientes, buscando medidas eficazes a fim de proporcionar melhor analgesia e conforto ao paciente. Dentre as principais medidas estão: a administração de medicação conforme a prescrição, para a manutenção da analgesia; cuidado e atenção a fatores que podem provocando maior dor, como desconforto do leito, acesso venoso precário. E ainda, disponibilizar de algum tempo para conversar e orientar esse paciente, pois em alguns momentos a “dor” pode ser uma manifestação da carência e fragilidade do próprio paciente em relação à situação vivenciada.

            Sons e ruídos desconhecidos, foram apontados como o segundo estressor para os pacientes da ACTP e como terceiro para os da CRM. Analisando os diferentes ambientes (UCI, Laboratório de Hemodinâmica e unidades de internação), e as situações vivenciadas no processo de cada um dos grupos pode-se identificar alguns aspectos referentes aos sons e ruídos desconhecidos percebidos como estressores para esses pacientes. Os pacientes da ACTP, permanecem acordados durante todo o procedimento, destaca-se que principalmente na sala da realização do exame, alguns ruídos são característicos, como o barulho da máquina de raio X, a qual se movimenta ao redor do pacientes, em várias projeções, para obter diferentes imagens, o próprio alarme disparado em alguns momentos, quando a radiação liberada é superior aos padrões normais.

            Outros sons que podem ter sido identificados pelos pacientes são os advindos dos aparelhos de televisão ou rádio, instalados nas unidades. O que pode ser contraditório, pois pelo acompanhamento e relatos de alguns pacientes, estes identificam a televisão e o rádio como instrumentos que proporcionam descontração, conseqüentemente, aliviam a tensão. Dado que também ratifica a questão pessoal e individual na avaliação dos estressores.

            Cabe à equipe de enfermagem estar atenta a possíveis sons e ruídos que possam estar interferindo na recuperação dos pacientes. Verificar a causa dos alarmes, solucionando o problema, para que o mesmo silencie. E ainda, dialogar com os pacientes, sobre a possibilidade ou não da utilização de aparelhos de televisão ou rádio.

            Destaca-se que no ambiente onde os pacientes objetivam recuperação, faz-se necessário silêncio. Esse, por vezes é prejudicado pela própria circulação de pessoal e conversas dos funcionários. Deve-se sempre priorizar o silêncio nas unidades de recuperação e de cuidados intensivos, para o repouso e descanso dos pacientes.

            Escutar barulho e os alarmes dos equipamentos, apontado como quarto estressor para ambos os grupos. Esse estressor pode ser exemplificado principalmente pelos monitores e bombas de infusão, posicionados nas cabeceiras dos pacientes, os quais emitem quase que constantemente alarmes, ou por falta de atenção da própria equipe, ou ainda por programação inadequada. O barulho dos alarmes, por vezes considerado rotineiro para a equipe, pode estar prejudicando a assistência prestada.

            O barulho e os alarmes podem estar interferindo também no sono e repouso dos pacientes, assim como na sua recuperação. A equipe deve conscientizar-se de que proporcionar um ambiente mais adequado e agradável aos pacientes faz parte de uma assistência qualificada.

            Não conseguir dormir, apesar de ser o sexto estressor apontado pelos pacientes da CRM, foi percebido com maior intensidade pelos pacientes da ACTP, sendo apontado como terceiro estressor. A dificuldade de dormir pode estar relacionada a diversos fatores como: o próprio ambiente hospitalar, barulhos, verificação de sinais vitais a cada duas horas.

É importante ressaltar que outros fatores peculiares aos pacientes pós ACTP, possam estar relacionados a dificuldades de dormir. Sendo que estes pacientes permanecem em repouso na posição dorsal, sem flexionar a perna puncionada e sem levantar a cabeça, com o introdutor arterial por quatro horas e após a retirada deste introdutor permanecem com um peso na região femural, por mais um período de quatro a seis horas. Essas restrições podem estar prejudicando o sono/repouso destes pacientes, cabe a enfermagem providenciar medidas de conforto, como colchão piramidal, estimular o paciente para que movimente os membros sem restrições, e ainda verificar a possibilidade de administração de indutores do sono, conforme prescrição médica.

            Alguns dos estressores relatados estão diretamente relacionados à unidade de recuperação, pois ao chegar nesta unidade o paciente encontra-se em um ambiente desconhecido, por vezes assustador, com muitos ruídos e cheiros diferentes. Isso pode ser minimizado, em um contato prévio, com orientações de enfermagem quanto a situação que o paciente poderá se encontrar depois do procedimento, bem como das condições ambientais (18).

            As variáveis Estar preso por tubos e Ter tubos no nariz e/ou boca, foram apontadas com segundo e quinto estressor, respectivamente, pelo grupo de pacientes submetidos a CRM. Essas variáveis também foram identificadas como principais estressoras em outros estudos (8, 16), nos quais os autores recomendam intervenções informativas e psicoprofiláticas para diminuir o stress provocado pelos tubos. Recomenda-se também aos profissionais que estejam atentos e disponíveis para orientar aos pacientes a necessidade e importância da utilização dos equipamentos, bem como a previsão do tempo dos mesmos, preferencialmente antes da realização da cirurgia.

            Cabe ressaltar que dos 44 pacientes estudados que realizaram angioplastia, nenhum fez uso de algum tipo de tubo ou ainda drenos. Já os 16 pacientes do outro grupo passaram por essa situação pela própria complexidade posta pela cirurgia cardíaca.

            Não ter explicações sobre o tratamento foi apontado como quinto estressor para os pacientes da ACTP. Acredita-se que esse fato possa ser explicado pelo fluxo destes pacientes, alguns são encaminhados pelo ambulatório do próprio hospital, mas no momento da realização do procedimento se deparam com um médico hemodinamicista, até então desconhecido, e ainda sua recuperação é acompanhada por um terceiro médico na unidade de internação pós procedimento. Outros pacientes são encaminhados ao Laboratório de Hemodinâmica pela coordenadoria de saúde. Desta forma, são acompanhados e tratados pelo cardiologista de sua cidade, e encaminhados para o hospital de referência para a realização do procedimento terapêutico. Em meio desse processo pode haver carência de informações e orientações especificamente sobre o tratamento.

             A orientação eficaz no período que antecede o procedimento pode reduzir a ansiedade e as respostas ao stress antes e depois da intervenção (18). Cabe ao enfermeiro perceber as inquietações dos pacientes quanto às explicações sobre seu tratamento e, a partir, daí fornecer orientações adequadas a cada paciente.

Considerações Finais

Nesse estudo foram identificados como principais estressores para ambos os grupos (ACTP e CRM): ter dor, sons e ruídos desconhecidos, escutar o barulho e alarme dos equipamentos. Em vista disto, percebe-se que a equipe de enfermagem pode atuar no intuito de minimizar esses estressores.

A identificação de alguns estressores, na perspectiva dos pacientes, permite a organização e adequação da assistência às reais necessidades e percepções dos pacientes, conseqüentemente tornando o ambiente mais adequado e agradável para seus pacientes.

A equipe deve estar atenta aos sinais dos pacientes, buscando medidas eficazes a fim de proporcionar melhor analgesia e conforto ao paciente, valorizando assim o principal estressor identificado (ter dor). Dentre as principais medidas estão: a administração de medicação conforme a prescrição, para a manutenção da analgesia; cuidado e atenção a fatores que podem estar provocando maior dor, como desconforto do leito, acesso venoso precário. E ainda, disponibilizar de algum tempo para interagir e orientar esse paciente, pois em alguns momentos a “dor” pode ser uma manifestação da carência e fragilidade em relação à situação vivenciada.

            Destaca-se que em ambiente onde se objetivam a recuperação de pacientes, faz-se necessário silêncio. Esse, por vezes é prejudicado pela própria circulação de pessoal e conversas dos funcionários, ou ainda pelo barulho e alarmes dos equipamentos. Deve-se sempre priorizar o silêncio nas unidades de recuperação e de cuidados intensivos, para o repouso e descanso dos pacientes. A equipe deve conscientizar-se de que proporcionar um ambiente mais adequado e agradável aos pacientes faz parte de uma assistência qualificada.

A partir disso, deve-se pensar em intervenções a fim de minimizar esses aspectos. Cabendo ao profissional de enfermagem atenção aos possíveis estressores, antes, durante e depois da realização dos procedimentos. Visando sempre o conforto, silencio, e de uma forma geral, a melhoria das condições de internação dos pacientes.

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Contribuição dos autores: Concepção e desenho: Graciele Fernanda da Costa Linch e Laura de Azevedo Guido; Análise e interpretação: Graciele Fernanda da Costa Linch e Laura de Azevedo Guido; Escrita do artigo: Graciele Fernanda da Costa Linch e Laura de Azevedo Guido; Revisão crítica do artigo: Graciele Fernanda da Costa Linch e Laura de Azevedo Guido; Aprovação final do artigo: Graciele Fernanda da Costa Linch e Laura de Azevedo Guido; Colheita de dados: Graciele Fernanda da Costa Linch; Provisão de pacientes, materiais ou recursos: HUSM/UFSM: Expertise em Estatística: Luis Felipe Dias Lopes, Graciele Fernanda da Costa Linch e Laura de Azevedo Guido; Obtenção de suporte financeiro: Graciele Fernanda da Costa Linch; Pesquisa bibliográfica: Graciele Fernanda da Costa Linch e Luiza de Oliveira Pitthan; Suporte administrativo, logístico e técnico: Linha de Pesquisa: “Stress, Coping e Burnout”- Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria.

Endereço para correspondência: Rua Silva Jardim, nº 1899, Apto 402, Centro, Santa Maria-RS, Brasil, CEP:9010-493.